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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Lisbon Family Vineyards na Quinta de Sant’Ana (2ª parte)

    
  

(continuação)

Começámos por bebericar uns goles de brancos da Chocapalha, primeiro o Arinto, depois o Sauvignon Blanc, a seguir o Reserva, passámos ao Verdelho da Quinta de Sant’ana e ainda conseguimos chegar ao Riesling, que desapareceu das garrafas rapidamente. Não agradou particularmente o rosé Mar de Lisboa, algo desmaiado na cor e incaracterístico no sabor. Talvez seja de rever o modo de produção...

Foi interessante ir fazendo a comparação dos vários brancos de acordo com as castas e os lotes. Claro que nem todos agradaram por igual a toda a gente, até porque os gostos dos presentes são algo díspares (principalmente no caso das senhoras), mas a qualidade média, fum modo geral, era bastante elevada, mostrando aquilo que marca actualmente estes vinhos atlânticos: muita frescura e acidez, o que os torna bastante apelativos e fáceis de beber. Há que aproveitar da melhor forma as condições que o clima propicia para produzir vinhos que dêem verdadeiro prazer a beber, em vez de andar a carregá-los de madeira, prática que por aqui não parece fazer grande escola: apenas na conta, peso e medida certas.

Passando à zona dos tintos, encontrámos alguns pesos pesados dos três produtores, e fomo-nos dividindo entre eles. Provou-se um excelente Quinta de Sant’Ana em garrafa magnum, muito bem estruturado e encorpado, um Pinot Noir com aquela levez característica e delicadeza típica da casta, um Cabernet Sauvignon da Chocapalha, equilibrado, redondo e persistente, e ainda se voltou ao excelente Reserva da Quinta do Monte d’Oiro apenas para comprovar as impressões colhidas recentemente na Delidelux: um vinho de qualidade e elegância superiores.

Já mais para o meio da tarde, e de estômago reconfortado, rumámos então à adega, em cujo piso inferior encontrámos algumas colheitas mais antigas ou raras, como alguns vinhos das décadas de 90 e 2000 da Quinta do Monte d’Oiro em plena forma, que tivemos oportunidade de provar, como o Homenagem a António Carquejeiro 2001 e o Quinta do Monte d’Oiro Reserva 98, dois néctares de excepção e plenos de elegância.

Novidade absoluta foi um CH by Chocapalha, um vinho recente a pedir tempo na garrafa. Por ali ficámos mais algum tempo a mirar os outros vinhos, mas acabámos por terminar a ronda sem grandes demoras, pois ainda nos esperavam umas dezenas de quilómetros ao volante de regresso à capital.

Em jeito de balanço, foi um dia diferente e muito bem passado, com vinhos muito interessantes e alguns muito bons. É de louvar este tipo de iniciativas por parte dos produtores, que compreendem que só puxando todos para o mesmo lado podem ter sucesso e ter alguma visibilidade, ao contrário do espírito por vezes tão arreigado de pequenas rivalidades sem sentido. O facto de convidarem o público a conhecer os seus vinhos também é um bom passo nesse sentido, pois desperta-nos para algumas marcas que não conhecemos e que não vemos à venda, e que assim podem passar a fazer parte das nossas compras com alguma regularidade. Não ficaria bem destacar nenhum dos produtores em particular, porque todos eles têm as características diferenciadas e potencial para fazer o seu caminho, pelo que apenas referimos alguns dos vinhos provados que nos marcaram mais.

Resta-nos, assim, agradecer aos promotores da iniciativa: a quem nos contactou, a quem organizou o evento, em suma, aos responsáveis, produtores, enólogos e demais colaboradores das três quintas envolvidas. A todos desejamos o maior sucesso e, pela nossa parte enquanto consumidores, tentaremos ajudar um bocadinho dentro das nossas possibilidades.

Bem-hajam pelo convite endereçado e esperamos que mais iniciativas assim se repitam. O espírito dos Douro Boys parece estar a começar a criar raízes, e se calhar o facto de Sandra Tavares da Silva ter um percurso já feito na Quinta do Vale de D. Maria não é alheio ao facto de a Quinta de Chocapalha estar integrada nesta iniciativa.
Até à próxima.

tuguinho, Kroniketas e Politikos, os diletantes preguiçosos e enófilos em passeio pela Estremadura

domingo, 13 de julho de 2014

Lisbon Family Vineyards na Quinta de Sant’Ana (1ª parte)

      

A Lisbon Family Vineyards, associação que junta os produtores Quinta de Sant’Ana, Quinta de Chocapalha e Quinta do Monte d'Oiro, levou a cabo no passado dia 6 de Julho uma festa nas instalações da Quinta de Sant’Ana, localizada na povoação de Gradil (perto da Tapada de Mafra), para a qual este blog teve a honra de ser convidado, por entre muitos outros enófilos já conhecidos.

Os vinhos da Quinta do Monte d’Oiro já são nossos velhos conhecidos, e temos vindo a prová-los com alguma regularidade, tendo já estado presentes em diversas provas, a última das quais há pouco mais de uma semana.

O primeiro contacto que tivemos com a Quinta de Sant’Ana foi através de uma garrafa de um Sauvignon Blanc que nos surpreendeu muito agradavelmente.

Quanto à Quinta de Chocapalha, há cerca de um ano e meio também estivemos numa prova com as irmãs Andrea e Sandra Tavares da Silva, em que nos foi dada a conhecer uma parte significativa do portefólio desta empresa familiar.

Tendo em conta a grande mudança que se tem verificado na produção de vinhos da região Lisboa, com o aparecimento de novos produtores, a consolidação de outros e algumas reformulações ou revoluções noutros casos (aquisição da Quinta de Pancas pela Companhia das Quintas e das Caves Velhas – entre outras – pela Enoport são os casos mais emblemáticos) e a correspondente subida em flecha da qualidade dos vinhos, não hesitámos em aceder ao convite na certeza de que iríamos ter oportunidade de conhecer e provar produtos de muito boa qualidade, como de facto aconteceu. Longe vão, felizmente, os tempos do vinho aguado e a granel...

Alinharam na deslocação, além da família, os membros do núcleo duro dos “Comensais Dionisíacos” tuguinho e Politikos, por indisponibilidade dos demais comensais para esta ocasião. Num domingo cinzento e constantemente a ameaçar a queda duma enorme carga de água, lá rumámos a Gradil com algum receio de ir molhar a boca e voltar encharcados de chuva, mas felizmente o cinzento das nuvens não nos desabou na cabeça.

Depois uns pequenos desvios de percurso (nada de grave que nos impedisse de chegar ao destino em tempo útil), franqueámos as portas da Quinta e deparámos com uma enorme quantidade de instalações com ar vetusto, rodeadas de jardins, árvores e vinhas a subir a encosta. Numa sala estavam os comes e os bebes, devido à ameaça de chuva que alterou os planos para uma refeição ao ar livre, noutra havia uma loja com produtos da Quinta de Sant’Ana, ao lado uma vereda coberta de vegetação ao lado dum jardim em frente à vinha.

Mais para a direita, outros edifícios entre os quais se conta a adega, em que no primeiro andar se encontram as cubas de fermentação, estando as barricas no andar de baixo, o que permite, aproveitando o declive do terreno, fazer a trasfega do vinho das cubas para as barricas apenas pelo efeito da gravidade. Neste piso de baixo, uma longa mesa com a exposição de alguns vinhos especiais dos três produtores, que não estavam presentes na sala de refeição.

A visita a esta parte ficou para o final da tarde, já depois do almoço e com o estômago aconchegado e vários vinhos provados, pelo que fomos apenas conhecer alguns vinhos mais raros por curiosidade. A maior parte do dia foi passada entre o almoço e o jardim.

Quando se iniciou a função para os mastigantes, dividimo-nos entre algumas entradas frias, um bacalhau assado com batatinhas e tiras de porco assado, que rolava no espeto em frente à entrada. À disposição dos visitantes estavam, dispersas por várias mesas, algumas dezenas de garrafas de vinhos brancos e (poucos) rosés, num dos lados da sala e sempre devidamente refrescadas em enormes champanheiras, e do outro lado os tintos. A única separação entre eles era o facto de estarem agrupados, logicamente, por quintas, mas todos juntos na mesma zona.

(continua)

domingo, 6 de junho de 2010

No meu copo 275 - Veuve Clicquot Ponsardin; Quinta de Sant’Ana Sauvignon Blanc 2008; Colares Fundação Oriente branco 2008; Aneto branco 2009

A final da Liga dos Campeões, que (re)consagrou o português José Mourinho e que desta vez teve lugar a um sábado ao final da tarde, foi ouro sobre azul para mais um encontro do núcleo duro dos Comensais Dionisíacos composto por Kroniketas, Mancha, Politikos e tuguinho. Apesar do oiro e do azul, a contenda iniciou-se com uma evocação vermelha, a vitória do Benfica na Super Liga 2009-2010. Resta dizer, para os que ainda não sabem, que no núcleo duro dos Comensais há um empate entre cores: dois vermelhos – Kroniketas e tuguinho – e dois verdes – Mancha e Politikos. Os vermelhos pagaram o champagne, um Veuve Clicquot Ponsardin, com o qual se iniciou a refeição, brindando os primeiros à vitória do SLB e os segundos «à nossa», não sem deixarem de reconhecer com fair-play que o SLB foi um justo vencedor. Fomos debicando umas lascas de presunto e de queijo e ao mesmo tempo beberricando o champagne que se revelou um excelente companheiro das entradas e confirmou as qualidades que já lhe eram conhecidas de outros prélios. É que o champagne vai bem com tudo. Primeiro estranha-se mas depois entranha-se. Bolha fina e persistência na boca fazem deste Veuve Clicquot sempre uma boa escolha.

O tempo estava quente, pelo que se havia acertado previamente uma refeição só com brancos. Alinharam à mesa: um William Fevre Sauvignon Blanc 2004, um Quinta de Sant’Ana Sauvignon Blanc 2008, um Colares D.O.C. Fundação Oriente 2008 e um Aneto 2009.

O primeiro a vir à liça, o William Fevre Sauvignon Blanc 2004, estava passado, pelo que foi de imediato dispensado. Acontece algumas vezes, felizmente poucas. O vinho é um produto orgânico, um ser vivo, que vive, cresce e morre. E este, ainda que anteriormente provado com excelentes resultados, já havia dado a alma ao Criador!

Passámos ao segundo, uma aquisição muito recente e que nem sequer chegou a ganhar pó na garrafeira comunitária, o Quinta de Sant’Ana Sauvignon Blanc 2008, que se revelou de grande qualidade. É um vinho regional da Estremadura, proveniente da Quinta de Sant’Ana, na aldeia do Gradil, perto de Mafra. Apresenta-se com uma cor dourada, fresco e mineral no nariz, com ligeiro toque floral. Na boca, mostra uma estrutura média, uma acidez domada e no ponto e uma assinalável persistência. Algumas notas vegetais no palato conferem-lhe alguma diferença em relação a outros brancos. Não conhecíamos e foi uma agradável surpresa, das melhores da noite. Tanto que lhe atribuímos a melhor das notas: 8,5. O rótulo e o logótipo da Quinta sendo simples e depurados são também elegantes, como o vinho, aliás. Roupa e produto casam assim na perfeição.

Importa dizer que este e os outros que se lhe seguiram tiveram de se bater com um arroz de tamboril muito malandrinho e caldoso confeccionado por mestre Mancha, com o qual procuramos mostrar-nos menos carnívoros do que habitualmente. E já que estávamos na Estremadura, passámos, sem fugir muito, a um Colares D.O.C. Fundação Oriente 2008, um vinho produzido em chão de areia. Apresenta uma cor de água, quase transparente no copo e um aroma de grande frescura, com notas vegetais. Na boca apresenta-se algo delgado, alguma acidez e um final de boca curto. É um vinho diferente, mais suave, mesmo na graduação alcoólica, 12,5º, com alguma personalidade, não deixando de ser gastronómico, recomendável para pratos simples e despretensiosos.

O último a tomar assento à mesa foi o Aneto 2009, um blend que combina as castas Viosinho, Rabigato, Gouveio e Malvasia Fina. É um vinho pujante nos aromas a fruta tropical. No contra-rótulo não se refere a permanência em cave e por consequência em madeira, mas mesmo assim mostra estrutura, carácter e complexidade. A acidez está lá mas não em excesso, o que muitas vezes descaracteriza os brancos. É claramente uma boa aposta para branco e com uma boa relação preço/qualidade. De notar que o enólogo deste vinho, Francisco Montenegro, é o mesmo do Bétula, de que tivemos oportunidade de degustar duas garrafas generosamente oferecidas pelo produtor, e que muito nos agradaram tal como este Aneto.

No final, fechámos a refeição com a já tradicional mousse de chocolate preto com natas, decoradas com granulado de chocolate, e os mais aficionados das bebidas brancas ainda encontraram espaço para um golinho de uma aguardente húngara de nome Meggy feita a partir de cerejas ou ginjas. Suave e macia e com a cereja/ginja muito presente no nariz e na boca. Uma boa aposta em matéria de aguardentes. Para os interessados, o Mancha, que é fã de bebidas brancas, comprou-a no El Corte Inglés.

Politikos e Kroniketas, enófilos desta vez numa de brancos

Vinho: Veuve Clicquot - Champagne Brut (B)
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta de Sant’Ana, Sauvignon Blanc 2008 (B)
Região: Lisboa (Torres Vedras)
Produtor: Quinta de Sant’Ana do Gradil
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 16,45 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Colares Fundação Oriente 2008 (B)
Região: Colares
Produtor: Quinta das Vinhas de Areia, Soc. Agrícola
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não mencionadas
Preço: 14,35 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Aneto 2009 (B)
Região: Douro
Produtor: Sobredos - Produção e Comércio de Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Rabigato, Gouveio, Malvasia Fina
Preço : 11,60 €
Nota (0 a 10): 8