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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

No meu copo 396 - Cono Sur Bicicleta, Sauvignon Blanc 2012

Numa época em que cada vez mais as castas viajam pelo mundo, e principalmente no chamado “novo mundo” a produção de vinho é dominada pelas castas internacionais mais badaladas, difícil é, por vezes, fugir do trio Cabernet Sauvignon-Syrah-Merlot nos tintos e do duo Chardonnay-Sauvignon Blanc nos brancos, sobrando algum (pouco) espaço para o Pinot Noir ou o Pinot Gris. Depois, aqui e ali, lá se encontra uma ou outra casta que encontrou espaço e fama em determinado país, como a Malbec na Argentina ou a Carmenère no Chile, assim como o Alicante Bouschet em Portugal.

Quando se fala na grande produção para o grande comércio, contudo, vamos quase sempre cair no mesmo. Neste caso falamos da Cono Sur, um produtor chileno de grande volume que tem à venda em Portugal uma significativa quantidade de vinhos varietais a preços praticamente imbatíveis e baseados nas castas internacionais mais badaladas.

Tenho sido um fã desta casta da moda, pois tem um perfil que me agrada bastante, pelos aromas tropicais misturados com algum citrino e um certo toque vegetal que habitualmente apresenta. Neste caso, tratou-se duma escolha num jantar de família no restaurante Marítima do Restelo, próximo do Centro Cultural de Belém, e despertou-nos a atenção o nome curioso do vinho, para além da casta, naturalmente. O preço, para restaurante, não estava fora do razoável e mandámos vir uma garrafa para acompanhar um saboroso arroz de garoupa.

O vinho correspondeu ao que dele se esperava: suave, aromático com um toque citrino a par com algum maracujá, com estrutura média na boca, fresco e vivo, com acidez crocante e final seco e persistente.

Bebeu-se com facilidade e com agrado, e não deslustrou os pergaminhos da casta, que não sendo propriamente consensual tem vindo a disseminar-se e a impor-se um pouco por todo o lado. Em resumo, um vinho que satisfez, apropriado para entradas ou pratos de peixe não demasiado condimentados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cono Sur Bicicleta, Sauvignon Blanc 2012 (B)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Cono Sur Vineyards & Winery - Santiago
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

No meu copo 276 - Casa Silva Los Lingues Gran Reserva, Cabernet Sauvignon 2005; Quinta de Vale de Fornos Grande Escolha, Cabernet Sauvignon 2006; Porto VZ 10 anos



(continuação)

Finda a prova, rumámos à casa do Politikos. Umas batatas fritas, uns nacos de novilho e uma costeleta do mesmo animal, fritos em azeite, com alho, vinho branco e umas ervas de Provence, à moda do Mancha, que se revelou exímio com a frigideira, foram os comes.

Para os bebes, alinharam dois Cabernet Sauvignon: um Casa Silva los Lingues Gran Reserva 2005 que se revelou muito bom, aromático no nariz, sobressaindo com clareza mas sem excesso o pimento verde característico da casta, e cheio na boca, com frutos vermelhos e no final alguma especiaria. Um puro Cabernet Sauvignon.

Seguiu-se um Quinta de Vale de Fornos Grande Escolha Cabernet Sauvignon 2006, de que francamente gostámos muito menos. Sem estar passado e mostrando um nariz próximo do Casa Silva, defraudou na boca em que se mostrou rústico, com algo de adega e notas herbáceas muito pronunciadas, e porventura já em decadência. Já agradou, sem deslumbrar, em provas anteriores, mas desta vez ficou aquém, possivelmente muito prejudicado por ser servido a seguir ao Casa Silva.

Para sobremesa, um lokum com pistachios, resultado de uma viagem recente do Politikos à Turquia, cujos cubos se revelaram firmes e com todo o seu paladar intacto, resultado da embalagem em vácuo. Finalizámos com um Porto VZ 10 anos, escolha do Kroniketas, que se mostrou fechado e modesto. A escolha do Politikos teria sido um Quinta do Pasadouro Vintage 2000 da Niepoort, com outro perfil, é certo, mas que com certeza teria prestado melhores provas. Depois, ainda estivemos à conversa que esteve boa até quase às 4h00 por entre discos pedidos e recordações em vinil, sobretudo dos anos 80.

E assim, com recordações de tempos antigos, voltámos às lides neste blog após 6 meses exactos de interregno. Não prometemos nada, mas vamos tentar tornar a ser mais regulares, para que o aniversário deste blog, que se aproxima, não venha a ser um obituário...

Politikos e Kroniketas, enófilos monocasta, desta vez com Cabernet Sauvignon

Vinho: Casa Silva Los Lingues Gran Reserva, Cabernet Sauvignon 2005 (T)
Região: Colchagua Valley (Chile)
Produtor: Viña Casa Silva - San Fernando
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta de Vale de Fornos Grande Escolha, Cabernet Sauvignon 2006 (T)
Região: Tejo (Azambuja)
Produtor: Soc. Agric. Vale de Fornos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Porto VZ 10 anos
Região: Douro/Porto
Produtor: Lemos & Van Zeller
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 6

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

No meu copo 268 - Cono Sur, Pinot Noir 2007

Numa incursão à Wine o’Clock de uma pequena delegação da comunidade de eméritos bebedores de Os Comensais Dionisíacos, comprei – comprámos que o Kroniketas também levou uma para ele – um Pinot Noir 2007 da conhecida empresa chilena Cono Sur. Sendo adepto e consumidor frequente de alguns dos vinhos daquela casa, designadamente do Cono Sur Cabernet Sauvignon, cuja relação preço-qualidade reputo de muito boa, a aquisição para prova e primeira experiência do Pinot Noir revelou-se natural. Quando peguei na garrafa, porém, e mesmo perante o vidro escuro, o vinho pareceu-me ter uma tonalidade aclarada de mais, porventura mais perto de um rosé do que de um tinto. Razão pela qual as expectativas ficaram desde logo colocadas numa fasquia baixa. É sobretudo por outras, mas também por estas, que se fazem provas em copos opacos. Sem desvalorizar o facto de que o contacto visual com o vinho nos pode fornecer de imediato uma ideia da limpidez/ausência de turvação, do unto e do corpo do vinho, o facto é que por vezes, como neste caso, nos faz baixar injustamente as expectativas, condicionando a avaliação.

Esforçando-me para pôr de lado este preconceito, posso dizer que, fora disso, o Pinot Noir passou a prova. Na boca revela uma nota predominante a frutos vermelhos, amora e framboesa. O corpo é mediano. A acidez é equilibrada e os taninos estão muito mas mesmo muito arredondados, o que é uma marca distintiva dos vinhos daquelas paragens e uma das razões do seu sucesso. É que de tão redondos, são vinhos que fazem facilmente o pleno de opiniões favoráveis sobretudo em refeições familiares e de amigos mais ou menos apreciadores de vinho. É, pois, um vinho sem arestas, mas longe de ser liso. Tem alguma persistência na boca onde depois da fruta ficam com razoável permanência alguns tostados e algum especiado. A mim agradou-me. Cumpriu plenamente o que dele se exigia em termos de custo-qualidade. É, por isso, a juntar ao Cabernet Sauvignon daquela Casa, uma escolha a repetir para consumo frequente.

Politikos, enófilo amador e apreciador dos vinhos do Novo Mundo

Vinho: Cono Sur, Pinot Noir 2007 (T)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Cono Sur Vineyards & Winery - Santiago
Grau alcoólico: 14%
Casta: 100% Pinot Noir
Preço: 4,95€
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 6 de dezembro de 2009

No meu copo 257 - Bétula 2008; Duas Quintas Reserva 2003; Concha y Toro Late Harvest Reserva Privada, Sauvignon Blanc 2006

O último Sporting-Benfica, que já vimos escrito algures ter sido o pior derby de sempre, levou a mais uma reunião gastrónomo-etilista do grupo restrito dos Comensais Dionisíacos, ou seja, os suspeitos do costume. E se o jogo foi fraquinho, o repasto não o foi, sobretudo ao nível dos bebes, como adiante se verá. Abriu-nos as portas e disponibilizou o ecrã gigante o confrade tuguinho.

Na abertura provámos um branco duriense de seu nome Bétula, ofertado pelo produtor às Krónikas Viníkolas, o que publicamente agradecemos. Talvez por aqui já se tenha dito – mas não é demais repetir e também foi dito ao produtor – que somos todos amantes e amadores do vinho. Somos compradores e bebedores e não críticos, só que gostamos de escrever e de partilhar as provas. Não estimulamos as ofertas mas aceitamo-las, porque nos permitem conhecer novidades, não significando a aceitação das mesmas, como é bom de ver, nenhuma garantia de uma apreciação mais favorável. Aqui não se fazem jeitos. 10 000 euros, caixas de robalos ou equipamentos desportivos não são endereçáveis a esta confraria...

Posto isto e dito assim de forma crua, atirámo-nos ao Bétula 2008 bem fresco, virgens de espírito e sem nenhumas expectativas. Ao mesmo tempo fomos debicando umas lascas de presunto e de outros enchidos, acompanhadas de pão escuro. E o Bétula passou com distinção na prova! Trata-se de um vinho feito com as castas Viognier, fermentada em carvalho francês, e Sauvignon Blanc, fermentada em inox. Apresenta-se com uma cor citrina carregada, madeira ligeira, muito discreta e muito bem integrada no vinho. A madeira nos vinhos é um pouco como o tempero nos alimentos, tem de ser usada na conta certa sob pena de os descaracterizar, e neste Bétula a madeira está presente na dose certa, conferindo-lhe alguma complexidade mas permitindo-lhe manter a fruta, de notas tropicais, a frescura e uma acentuada mineralidade. O Bétula é um daqueles vinhos que provam que se podem fazer bons brancos portugueses. Degustámos apenas uma garrafa, deixando a outra para uma próxima oportunidade.

Prontas a comer vieram umas costeletinhas de novilho grelhadas que de diminutivo só tinham mesmo o nome, tal a generosidade das doses, acolitadas por arroz branco e batatas fritas. A acompanhá-las abrimos duas garrafas de Duas Quintas Reserva 2003, que tínhamos em stock na garrafeira dos Comensais. É um vinho com seis meses de estágio em pipas de carvalho novo, que depois de engarrafado na Quinta dos Bons Ares envelheceu dois anos em garrafa. Apresentou-se retinto na cor, exuberante nos aromas, já com algum bouquet, uma grande estrutura, onde predominam os frutos vermelhos, e um final de boca muito prolongado. A madeira está lá mas nem se nota. Os taninos, ligeiros e muito bem domados, completam o leque. É um vinho de grande, grande nível, diríamos quase perfeito. Houve grandes loas ao dito por parte dos comensais. Um ou outro aventuraram-se mesmo a dizer que está no lote dos melhores vinhos portugueses que já beberam. Temos também umas garrafitas do Duas Quintas Reserva Especial (adquiridas para a comunidade pelo Kroniketas depois de ter conhecido o vinho numa prova com João Nicolau de Almeida, na Wine O’Clock) no qual, após esta prova, depositamos legitimamente grandes expectativas. É um daqueles vinhos na presença dos quais se percebe melhor a expressão popular: «que grande pomada!». É realmente um vinho untuoso, que se mastiga e que escorrega como mel. Um êxtase para os sentidos!

Para finalizar, aletria, arroz doce e uma mousse de chocolate negro com natas, debruada de farripas de chocolate igualmente negro, permitiram-nos provar um Concha Y Toro Late Harvest Reserva Privada 2006, da região de Maule Valley no Chile - um verdadeiro néctar, com notas de mel, passas e fruta muito madura. Muito doce e muito exuberante no olfacto e no palato. Para alguns de nós foi uma estreia na prova destes Colheitas Tardias e uma revelação. A exuberância no nariz e na boca é tão grande que quase passa por licoroso.

Politikos, artista amador e convidado, a puxar a carroça do KV, com Kroniketas, tuguinho e Mancha

Vinho: Bétula 2008 (B)
Região: Douro (Regional Duriense)
Produtor: Catarina Montenegro - Quinta do Torgal
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Viognier (50%), Sauvignon (50%)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas Reserva 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (2/3), Touriga Franca, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 19,59 € (comprado em 2007)
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Late Harvest Reserva Privada, Sauvignon Blanc 2006 (B)
Região: Maule Valley (Chile)
Produtor: Concha Y Toro
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 16 de julho de 2009

No meu copo 249 - Brancos do Novo Mundo: Casa Silva Reserva, Sauvignon Blanc 2006; Cono Sur, Sauvignon Blanc 2008; Swartland Private Bin, Chardonnay 2008

A época estival foi pretexto para uma reunião do núcleo dos resistentes dos Comensais Dionisíacos com o objectivo de fugir ao hábito dos tintos e degustar uns brancos. Para isso reunimo-nos na casa do Mancha e levámos alguns brancos do stock para acompanhar um arroz de tamboril com gambas confeccionado à moda da casa, bem temperado e malandrinho.

As garrafas eram mais que os convivas pelo que houve que fazer escolhas. Em destaque estiveram os monocasta do Novo Mundo, adquiridos numa das recentes visitas à Wine O’Clock. Começámos por um chileno que já tinha sido referenciado há alguns meses numa prova, um Casa Silva Reserva Sauvignon Blanc (da região de Colchagua Valley, situada sensivelmente ao centro do país) e a escolha dificilmente seria melhor para início. Apresentou-se com cor citrina desmaiada com um aspecto límpido e brilhante, muito aromático com predominância de citrinos e com grande frescura, médio de corpo mas com bom fim de boca. Um vinho a repetir.

Continuando no Chile, uma marca também bastante referenciada nas provas da Wine O’Clock: um Cono Sur igualmente de Sauvignon Blanc, proveniente de Central Valley, também na zona central do país. Talvez um pouco menos exuberante nos aromas que o anterior, com um toque ligeiramente mineral, corpo médio e fruta discreta, ainda assim a fazer um bom casamento com o prato.

Da América do Sul demos um salto à África do Sul para terminar com um Swartland feito de Chardonnay (a região de Swartland fica situada na costa oeste da África do Sul, no lado do oceano Atlântico e a norte da Cidade do Cabo). Apesar dos encómios do portador da garrafa, não me convenceu grandemente, mas já é habitual esta minha relação difícil com os brancos de Chardonnay, porque quase sempre chocam com o meu gosto. Há algumas semanas fui a uma prova de Chardonnay para tentar entender-me melhor com esta variedade, mas não me encantaram. Na verdade até agora o único Chardonnay que me agradou verdadeiramente foi um francês de Chablis. Por isso não me vou deter muito em considerações, referindo apenas o habitual perfil encorpado e com alguma estrutura que marca os vinhos desta casta.

Há mais brancos do Novo Mundo para provar e para descobrir, e por estas amostras vale a pena continuar a experimentá-los.

Kroniketas, enófilo refrescado

Vinho: Casa Silva Reserva, Sauvignon Blanc 2006 (B)
Região: Colchagua Valley (Chile)
Produtor: Viña Casa Silva - San Fernando
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Cono Sur, Sauvignon Blanc 2008 (B)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Cono Sur Vineyards & Winery - Santiago
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 4,14 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Swartland Private Bin, Chardonnay 2008 (B)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Swartland - Malmesbury
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 3,65 €
Nota (0 a 10): 7


Foto da garrafa do vinho Swartland obtida no site do produtor

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

No meu copo 9 - Cimarosa Reserva Privada, Chardonnay 2003

Uma oferta trouxe ao meu copo este vinho branco chileno, para mim desconhecido. Feito a partir da casta Chardonnay e fermentado em madeira, segundo a indicação do contra-rótulo, juntamente com os 13,5º de álcool, revelou-se apropriado para carnes brancas ou peixes no forno, pois revelou uma estrutura robusta (para o que é habitual nos vinhos brancos), com corpo cheio e um paladar intenso.

Os vinhos brancos fermentados em madeira ganham uma intensidade e uma adstringência na boca que os torna apropriados para pratos bem apaladados, batendo-se perfeitamente com alguns pratos de carne. Por outro lado, a casta Chardonnay dá aos vinhos um corpo e um aroma (às vezes enjoativo) que se sobrepõe a pratos muito delicados. Experimentei-o, por exemplo, com um prato de massa com carne do tipo italiano, e o sabor do vinho sobrepôs-se ao do prato.

Pessoalmente gosto mais dos brancos leves e abertos, mas para quem gosta deste género só é preciso acertar com o prato: peixe no forno, bacalhau, carnes grelhadas, poderão ser boas apostas para acompanhar este branco chileno.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cimarosa Reserva Privada, Chardonnay 2003 (B)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Chaval, S. A. - Santiago
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 6