Os vinhos da Quinta de La Rosa não têm sido presença assídua nas nossas mesas. Na realidade, os contactos mais a fundo deram-se aquando do Festival de Vinhos do Douro Superior de 2016 e posteriormente num jantar com o enólogo Jorge Moreira na Casa do Bacalhau, onde desfilaram quer alguns dos seus vinhos com marca própria (como o Poeira), quer aqueles que elabora nesta quinta de Tim e Sophia Bergqvist.
Tive agora oportunidade de provar um La Rosa branco da colheita mais recente. Foi uma excelente revelação, porque o vinho mostrou-se de elevada qualidade. Não é que isso surpreenda nos vinhos em que o enólogo intervém (veja-se também o caso de sucesso da Real Companhia Velha), mas este ultrapassou o que à partida se esperava.
Logo no primeiro contacto, um aroma vinoso e frutado intenso, com algumas notas minerais. Na boca mostra grande vivacidade, boa amplitude e estrutura, tudo envolvido por uma bela acidez que o torna algo “irrequieto”.
Um final de boca elegante volta a fazer sobressair as notas minerais e uma acidez crocante que traz vivacidade e persistência.
Adequa-se muito bem a pratos requintados de peixe mas bem temperados, sendo que a primeira prova foi efectuada com choquinhos fritos em azeite e alho, em que fez uma bela parceria.
Uma bela revelação que, pela relação qualidade-preço, é mais uma entrada para a nossa lista de sugestões.
Muito bem conseguido!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: La Rosa 2018 (B)
Região: Douro
Produtor: Quinta da Rosa Vinhos
Grau alcoólico: 12,5
Castas: Viosinho (55%), Rabigato, Gouveio, Códega do Larinho
Preço em feira de vinhos: 7,45 €
Nota (0 a 10): 8
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sábado, 27 de julho de 2019
sábado, 3 de setembro de 2016
5º Festival de Vinhos do Douro Superior (6ª parte)
Quinta das Bandeiras
Terceiro e último dia.
Bagagem arrumada e transportada para o autocarro, onde irá permanecer até apanharmos o comboio no Porto para o regresso a Lisboa.
O percurso começa já em direcção a norte e dura poucos minutos, até voltarmos a um percurso pedonal: vamos visitar a Quinta das Bandeiras, propriedade de Sophia e Tim Bergqvist e integrada no projecto da Quinta de La Rosa, onde o enólogo é o conhecido Jorge Moreira, autor dos vinhos Poeira em produção própria e enólogo residente na Real Companhia Velha.
Vamos subir e descer, por entre vinhas, montes, vales e por baixo dos enormes cabos de alta tensão que atravessam o monte. Na vinha, as uvas começam a despontar e já se vêem cachos com frutos pouco maiores que uma cabeça de alfinete – um bom desafio para os mais bem equipados para a fotografia tirada com detalhe.
Quando se acaba de subir, dum lado vê-se lá em baixo o Centro de Alto Rendimento onde estivemos alojados, no Pocinho, e em frente vislumbram-se algumas edificações antigas... da Quinta do Vale Meão. Ali só com calçado desportivo, e com veículos todo-o-terreno.
Desce-se, desce-se e desce-se. Curva e contracurva. As vinhas desaparecem a aparece vegetação mais densa. O caminho é íngreme e tortuoso, o que de repente me levanta a dúvida inquietante: será que vamos ter de fazer o caminho de regresso da mesma forma??? Felizmente não, porque o percurso vai terminar no fundo da encosta contrária e junto à estrada nacional que nos levará em direcção ao Porto.
As conversas sucedem-se sobre vinhas, sobre vinho, sobre caça, sobre árvores e terrenos, e até sobre linhas do caminho-de-ferro. Já quase chegados ao nosso destino atravessamos uma velha linha férrea que em tempos serviu para os comboios contornarem os montes...
Finalmente chegamos cá abaixo e do outro lado do rio temos a Quinta do Vale Meão. Num baixio mais plano foi montada uma espécie de tenda com duas mesas para almoçarmos. Jorge Moreira assume o topo de uma das mesas e vai contar-nos a história dos vinhos que iremos provar.
É nesta altura, quando estamos a provar o excelente Passagem Reserva branco, que somos informados em primeira mão de que este vinho foi o vencedor do concurso de vinhos na categoria de brancos. Provámos o Passagem Reserva branco, o Reserva tinto e o Grande Reserva tinto e um Porto LBV e um Porto Vintage. No prato, o destaque foi para um delicioso lombo de vitela com batatas assadas e salada.
Pela amostra, ficou a sensação de que este projecto tem boas pernas para andar, pois os vinhos provados foram excelentes e prometem impor-se no panorama dos vinhos do Douro. Na caso do Passagem Reserva branco, em especial, agradou-me particularmente, e pelo preço de venda indicado (10,20 €) pode ir longe.
Fim do almoço, é altura de atravessar a estrada e apanhar o autocarro que nos espera para nos levar ao Porto. Obrigado a todos os que nos receberam e acompanharam, obrigado aos companheiros de viagem pelo excelente convívio e, naturalmente obrigado à organização, com destaque para a incansável Joana Pratas, e à Revista de Vinhos pelo convite que me foi enviado para participar nesta experiência inédita.
Até uma próxima oportunidade.
Kroniketas, enófilo viajante
Foto dos vinhos vencedores do concurso: Ricardo Palma Veiga
Quinta de la Rosa
5085-215 Pinhão
Tel. 254.732.254
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Pondo a escrita em dia... (2)
No meu copo 254 - Casa Burmester Reserva 2005; Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2004; Gouvyas Vinhas Velhas 2004; Porto Quinta de La Rosa Vintage 2000
(continuação)
O pontapé de saída foi dado por um Casa Burmester Reserva 2005 que já havia estado escalado várias vezes para jogar na equipa principal mas fora sempre preterido em função de outras escolhas. Entrou agora e teve uma boa prestação. É um vinho frutado mas não em excesso, o que lhe confere elegância e sofisticação. A fruta está lá mas não abafa tudo à sua volta. É uma escolha para ser revisitada.
Seguiu-se um Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2004, um blend de três castas muito bem casadas. Um vinho equilibrado, resultado do casamento harmonioso das boas características das 3 castas presentes: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, em que nenhuma se sobrepõe às outras. De realçar a boa integração das especiarias do Cabernet Sauvignon, que não são fáceis de abafar mas que ali estão presentes no ponto certo, não sobressaindo em demasia. A mim, convenceu-me, e se pensarmos na relação preço-qualidade, temos ali um vinho muito competitivo para o patamar de preço em que se encontra. É um vinho moderno, bem feito. Uns dirão que um pouco redondo e sem traço de diferenciação com outros, o que é verdade, mas que não deixa, por isso, de ser um bom vinho.
Passámos, então, a um Gouvyas Vinhas Velhas 2004. A opinião geral foi que se tratava de um vinho com grande personalidade. Muito diferente dos anteriores. É um vinho feito à moda antiga, complexo, estruturado, espesso, robusto, que evoca vinhos passados. Atrever-me-ia mesmo a dizer um vinho rústico, descontando aqui a componente negativa da palavra. Integrou-se na refeição e com os vinhos já provados como aquelas mobílias rústicas de boa qualidade que podem estar na mesma divisão com móveis Luís XVI, sem destoar e, pelo contrário, brilhar e até os ofuscar pela diferença. É feito de uvas provenientes de vinhas velhas, o que se nota bem. Não há muitos vinhos como este Gouvyas e os que há só existem no Douro. É um vinho que claramente pode marcar a tal diferenciação que o vinho português procura face aos outros. Sendo eu apreciador de vinho do Porto, e por isso tendencioso, continuo a achar, ao beber estes Douros, ou Douros com este perfil, que estou a provar um Porto, sem aguardente. E que se perdeu ali um belo vintage.
Fechámos a refeição com uma mousse de chocolate, que é uma das incondicionais sobremesas dos repastos da sociedade, acompanhada por um elegante vintage Quinta de La Rosa 2005. É um vinho de cor rubi, límpido no copo. No nariz tem um ataque ainda algo vinoso mas na boca mostrou-se já com a fruta – framboesa e amora – bastante arredondada. Apesar de estar pronto a beber, ganharia ainda mais em sofisticação e elegância se fosse bebido mais tarde. É sempre uma pena bebê-los novos, mas pena maior é não chegar a velho para os beber...
Politikos, artista amador convidado em versão enófilo-futebolística
Vinho: Casa Burmester Reserva 2005 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Burmester - Sogevinus
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em hipermercado: 10,90 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2004 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Gouvyas Vinhas Velhas 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Bago de Touriga
Grau alcoólico: 14,5%
Preço em hipermercado: 36,5 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Porto Quinta de La Rosa Vintage 2000
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta de La Rosa
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 7,5
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