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domingo, 12 de maio de 2019

No meu copo, na minha mesa 760 - Quinta da Soalheira 2016; Gastrobar 13 (Alvor)






Uma incursão ao Algarve deu-me a oportunidade de conhecer um bar de petiscos em Alvor, onde se podem comer várias doses de pequenos pratos que não deixam de ser “comida a sério”.

Ao contrário da “cozinha da moda”, aqui os pratos são minimamente normais e quando se escolhe fica-se com a noção do que se vai provar. Não há “espumas”, nem “camas”, nem “reduções de”...

O espaço é muito interessante e agradável. Quando se franqueia a porta entra-se numa zona de bar tradicional, com pequenas mesas e um balcão por cima do qual existe uma enorme prateleira forrada a LP’s, muitos deles que ficaram célebres no seu tempo. Existe desde Lou Reed a Bob Marley, de Police a Eric Clapton, de Doors a Simon and Garfunkel, de Trovante a Rui Veloso...

Passada esta entrada, mais ao fundo há acesso a um quintal frondoso onde estão dispostas as mesas para os comensais. O espaço está coberto por vegetação que dá um ar campestre e fresco ao local. Como não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão, esta é bem aproveitada pois a primeira impressão é bastante agradável. Em fundo vai passando música de vários géneros.

Pediram-se pratos diversos que, no geral, agradaram. Uns mais originais ou mais saborosos, como a carninha com migas de espinafres, a quejadilla de frango ou o bacalhau à Lagareiro.

Para acompanhar pediram-se dois vinhos, um branco e um tinto, sendo que este teve direito a repetição. Do Lello branco não tive grandes impressões pois não provei mais que um golo, tendo-me detido mais no tinto.

O Quinta da Soalheira, produzido no Douro pela Borges, apresenta-nos o outro lado do Douro com um perfil diferente, mais elegante sem perder estrutura. Aroma frutado intenso, taninos firmes mas redondos e final persistente e elegante. Relativamente à prova anterior, pareceu um pouco mais leve e mais macio.

Em resumo, um bom convívio à volta da mesa, com bons produtos sólidos e líquidos. Um local a revisitar, conquanto seja previsível bastante dificuldade para fazê-lo nas férias de Verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Soalheira 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Roriz e Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: Gastrobar 13
Travessa do Castelo, 13
8500-003 Alvor
Telef: 967.993.711
Preço médio por refeição: 15-20 €
Nota (0 a 5): 4

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

No meu copo 622 - Quinta da Soalheira 2013



Foi a primeira prova deste vinho da Borges produzido no Douro. Já provámos diversos vinhos desta empresa, mas nunca esta marca. A Quinta da Soalheira situa-se nas margens do rio Torto, próximo de São João da Pesqueira.

O vinho mostra uma cor e um aroma que revelam o perfil típico do Douro naquilo que ele tem de melhor.

Encorpado, persistente, estruturado e longo, apresenta aromas a frutos do bosque, taninos bem presentes e sólidos e final com notas a especiarias.

Pelo preço que custa é uma excelente aposta.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Quinta da Soalheira 2013 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinto Cão, Sousão
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

No meu copo 488 - Dão Meia Encosta tinto 2013

De vez em quando sabe bem baixar um pouco a exigência e voltar a um vinho mais simples e descomplicado.

Tal como o Terras do Demo branco seco, aqui referido há algumas semanas, este foi um dos primeiros que conheci nos anos 90 e era, na altura, um dos meus preferidos pela sua macieza, que me tornou desde logo um apaixonado pelos vinhos do Dão.

Curioso é ver os vinhos do Dão que podia beber na época. Num caderninho onde registava os vinhos que ia conhecendo, lá constam o Dão Terras Altas, o Dão Real Vinícola, o Dão Cardeal, o Porta dos Cavaleiros. O Meia Encosta estava, à época, no topo das minhas preferências.

Passados tantos anos, de vez em quando lá me apetece reencontrar-me com ele. A última tinha sido há cerca de 9 anos...

O perfil mantém-se mais ou menos na mesma. Suave, elegante, macio, sem grande exuberância aromática mas o quanto baste, bebe-se com agrado e sem esforço. Acaba por valer a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Meia Encosta 2013 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Jaen, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,29 €
Nota (0 a 10): 6,5

domingo, 19 de abril de 2015

No meu copo 447 - Dão Borges, Tinta Roriz 2004; Dão Borges, Touriga Nacional 2005; Douro Borges Reserva 2005

Estava agendado que, na primeira ocasião, a equipa de dois das Krónikas Viníkolas faria uma prova comparada de dois tintos do Dão produzidos pela Borges. Já tivemos oportunidade de provar alguns tintos do Douro e também o Alvarinho, mas dos tintos do Dão só nos tinha calhado provar o Touriga Nacional, precisamente este de 2005 a que agora regressamos, e o de 2004, provado o ano passado. E, como quem não quer a coisa, já passaram 6 anos desde que provámos o de 2005...

A Sociedade dos Vinhos Borges produz os seus varietais do Dão na Quinta de São Simão da Aguieira, no concelho de Nelas. Tivemos oportunidade de provar pela primeira vez o Tinta Roriz, faltando conhecer o Trincadeira, também produzido no Dão.

Este Tinta Roriz de 2004, aberto algum tempo antes do repasto, apresentou uma cor rubi intensa, aroma a frutos vermelhos e especiarias, com algumas notas de fumo. Na boca mostrou-se com grande volume, pujante, robusto e adstringente, estruturado e com muita persistência. Teria ganho com a decantação mas optámos por deixá-lo ir libertando os aromas nos copos e na garrafa, enquanto fazíamos o paralelo com o Touriga Nacional. Só passada quase uma hora após a abertura é que começou a mostrar-se mais exuberante nos aromas, mais equilibrado na boca, a revelar sabores a fruta madura e a proporcionar um final mais aveludado. Conseguiu conjugar a pujança e a suavidade, impressões que igualmente tínhamos recolhido aquando da prova anterior do Touriga Nacional 2005.

Quanto a este, apresentou uma cor rubi com laivos violáceos, aroma floral com notas de frutos pretos e do bosque. Na boca mostrou uma boa estrutura, com taninos maduros e elegantes, menos pujante que o Tinta Roriz. Perdeu em robustez o que ganhou em equilíbrio e delicadeza. Estava no ponto certo para beber, embora fique por saber como seria a evolução a partir de agora. Talvez a comparação com a robustez do Tinta Roriz o tenha ofuscado um pouco, ou esta garrafa estivesse mais evoluída que a de 2004...

Já depois desta prova, tivemos oportunidade de voltar à carga com os vinhos Borges e repetir, mais uma vez, a prova do Touriga Nacional do Dão, juntando-lhe o Douro Reserva 2005 que também tinha sido objecto de prova em 2014.

Desta vez decantámos os dois vinhos, sendo que o Touriga Nacional do Dão confirmou as impressões da prova anterior, apenas evoluiu um pouco mais depressa com a decantação. Já o Douro Reserva, a provar que em cada garrafa podemos sempre encontrar algo diferente, desta vez surpreendeu-nos pela positiva, ao contrário da prova anterior: apresentou-se um vinho com aroma vinoso intenso, esturutrado e cheio, pujante, longo e persistente. Muito bem a evoluir lentamente após a decantação, sem perder a robustez inicial.

Em resumo, três vinhos a caminho dos 10 e 11 anos cheios de saúde, parecendo ter ainda muita vida pela frente, talvez mais no caso do Douro Reserva e do Tinta Roriz do Dão, que mostraram mais garra que o Touriga Nacional, o que também não surpreende tendo em conta as castas em confronto e, no caso do Douro Reserva, por se tratar de um vinho de lote, que normalmente permite obter vinhos com maior complexidade.

Nota: os preços indicados são à data da compra e após promoções.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges

Vinho: Borges, Tinta Roriz 2004 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 14%
Casta: Tinta Roriz
Preço: 11,69 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Borges, Touriga Nacional 2005 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 16,80 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Borges Reserva 2005 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca
Preço: 11,60 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 30 de setembro de 2014

No meu copo 406 - Douro Borges Reserva 2005; Douro Borges Reserva 2008

Na mesma ocasião da abertura do Cedro do Noval, referido no post anterior, abrimos também um Borges Reserva 2005. Ambos adquiridos em 2009, tínhamos todas as razões para supor que aguentaria bem a prova do tempo, e depois da prova do Noval ainda mais. Normalmente os vinhos da Borges não nos desiludem (as provas mais recentes de alguns do Dão confirmam-no) e os vinhos do Douro habitualmente envelhecem bem.

No entanto, para nossa surpresa, esta garrafa acabou por decepcionar. A primeira impressão, a visual, mostrou um vinho de cor rubi carregada, não denotando demasiada evolução, o que acabou por não se confirmar no nariz, onde apresentou desde logo sinais de aroma algo cansado. Na prova de boca, mesmo depois de decantado e arejado durante algum tempo, mostrou-se concentrado, estruturado e volumoso, mas confirmou os sinais de ter passado o melhor ponto. Sinais de fruta nenhuns, evolução em demasia, sem frescura e com a acidez a ir-se embora.

Não estava propriamente imbebível, longe disso, mas em queda acentuada, ou então apenas a atravessar um patamar de evolução menos favorável, pois como foi dito atrás a cor não indiciava evolução excessiva.

Foi pena, porque a expectativa era elevada, aliás na justa medida do preço.

Depois desta tivemos oportunidade de voltar à carga com o Reserva de 2008, que estava em bastante melhor estado. Apresentou-se macio e redondo, não muito exuberante de aroma, com algumas notas discretas de frutos pretos e ligeira tosta da madeira. Na boca apresentou persistência média e final algo discreto.

Esperava-se talvez um pouco mais de complexidade e exuberância aromática, e embora não sendo uma decepção como a garrafa de 2005, também não encantou.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges

Vinho: Borges Reserva 2005 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca
Preço: 11,60 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Borges Reserva 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Sousão
Preço: 11,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 2 de junho de 2014

No meu copo 385 - Dão Borges, Touriga Nacional 2004

Voltamos a um vinho com o qual nos temos cruzado raramente, embora existam alguns exemplares em casa. A primeira prova efectiva tinha ocorrido há uns anos num belo repasto no restaurante Os Arcos, na companhia do tuguinho e do Politikos, com uma garrafa da colheita de 2005 a bater-se exemplarmente com uns excelentes bifes pimenta.

Recentemente abrimos uma garrafa da colheita de 2004 que repousava na garrafeira, para acompanhar uma carne requintada no forno, e voltou a portar-se exemplarmente. É um daqueles vinhos que conseguem conciliar o melhor de dois mundos: estrutura com taninos firmes e elegância!

Apresentou-se com uma cor rubi carregada com laivos violáceos, boa estrutura e volume de boca mas muito elegante, aroma profundo com algum floral marcado por violeta e frutos do silvestres, taninos bem firmes mas macios e com final longo mas suave, tudo muito equilibrado, sem qualquer sinais excessivos de madeira a sobrepor-se ao conjunto. Uma delícia, que se mostrou no ponto para beber, tendo passado com distinção a prova do tempo.

Excelente vinho, que por vezes, com alguma sorte, conseguimos comprar pelo preço mencionado mais abaixo, embora normalmente o preço de referência seja significativamente superior. Mas por este preço, é imperdível. Faz parte dos melhores entre as nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Borges, Touriga Nacional 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 9,85 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 7 de abril de 2013

No meu copo 308 - Borges, Alvarinho 2009; Soalheiro, Alvarinho 2011


Os bons vinhos são sempre bons para beber, em qualquer ocasião. Fala-se de vinhos de Verão, vinhos de Inverno... Tintos leves para o Verão e mais estruturados e pujantes para o Inverno, brancos leves ou rosés para o Verão, brancos encorpados e estagiados em madeira para o Inverno...

Mas que dizer destes dois Alvarinhos? Vão bem à mesa em qualquer ocasião e em qualquer estação. O mínimo que se pode esperar deles... é que brilhem!

O Borges é produto duma casa com grande e velha tradição no país, da qual se aguarda sempre vinhos de elevada qualidade e este não foge à regra. Já com 3 anos de meio de idade após a colheita, apresentou-se com enorme frescura, muito equilibrado e mantendo a frescura na boca, com notas aromáticas tropicais típicas da casta embora com uma certa contenção, sem grande exuberância. Elegante e persistente, confirmou as impressões duma outra prova que tínhamos feito há alguns anos. É seguramente um vinho a repetir sempre que possível. Fez-me lembrar o perfil do Palácio da Brejoeira pela elegância apresentada e pela contenção no aroma.

Do Soalheiro o que se pode dizer é que vai surpreendendo ano após ano. Um produtor mais recente mas que tem visto o seu nome cada vez mais badalado na região dos vinhos verdes, produzindo espumantes a par com Alvarinhos de enorme frescura e exuberância aromática, frescos, gulosos, apelativos, versáteis, prontos para beber quase sempre e com quase tudo.

Um mais discreto e elegante, o outro mais vivo e apelativo, a verdade é que se trata de dois grandes Alvarinhos que merecem ser conhecidos, provados e bebidos sem hesitação. Que bela parelha fizeram!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Borges, Alvarinho 2009 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 9,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Soalheiro, Alvarinho 2011 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Vinusoalleirus
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 8,35 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 3 de junho de 2009

No meu copo 244 - Lello 2006

Num almoço de rotina resolvi pedir este vinho para acompanhar a refeição. Nunca tinha experimentado e para vinho do dia-a-dia não me pareceu mau. Bom corpo, paladar frutado e marcado por especiarias, alguma macieza e boa persistência. Bastante aceitável para um vinho sem grandes pretensões e a preço reduzido.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lello 2006 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7


Foto da garrafa obtida no site do produtor

quarta-feira, 27 de maio de 2009

No meu copo 242 - Quinta do Peru branco 2008; Dão Borges, Touriga Nacional tinto 2005

Uma surtida com o tuguinho e o Politikos levou-nos aos Arcos, já um lugar obrigatório pela excelência do serviço e da culinária, para repetir o saboroso robalo no capote e o bife Wellington, desta vez complementados com um delicioso e suculento bife pimenta. Tal como nas visitas anteriores, 5 estrelas. Para os líquidos, com uma vasta escolha à disposição, estivemos algo indecisos. O objectivo, como fazemos muitas vezes nestas ocasiões, era experimentar vinhos que não conhecêssemos, e assim acabámos por seguir a sugestão do escanção de serviço, quer para o acompanhamento do peixe quer da carne.

Deste modo travámos conhecimento com um Quinta do Peru branco de 2008, produzido em Azeitão, que fomos bebericando enquanto esperávamos pacientemente pela confecção do robalo no capote. Apresentou-se um vinho com bom aroma como é habitual nos brancos da península de Setúbal que, apesar dos seus 13,5 graus de álcool, não se mostrou pesado nem com o teor alcoólico excessivamente marcado. Uma pouco habitual combinação de duas castas que começam a impor-se um pouco por todo o lado, Viosinho e Verdelho, resultou neste branco em que uma acidez correcta, boca fresca, corpo e final medianos, cor entre o citrino e o palha e algumas notas de frutos brancos foram as características mais evidentes. Acompanhou com agrado o robalo e os entreténs-de-boca, de tal modo que ainda tivemos de pedir um reforço antes de passarmos aos substanciais bifes.

Para os bifes, seguindo novamente a sugestão do escanção, apontámos ao Dão para um Borges Touriga Nacional de 2005 que foi uma belíssima revelação. Era um vinho debaixo de olho há muito tempo mas ainda não tinha calhado cruzar-me com ele. Veio na melhor altura, batendo-se em grande estilo com os bem temperados bifes. Tivemos aqui um exemplar da Touriga Nacional ao melhor nível, fugindo um pouco ao habitual floral e marcado por uma evidente robustez e taninos bem firmes. Ganhou com a decantação e foi-se revelando em aromas frutados ao longo da refeição, mantendo sempre uma admirável persistência. Ficámos rendidos a este belíssimo representante do novo fôlego do Dão.

Ainda deixámos umas gotas para o misto de sobremesas que encerrou o magnífico repasto, onde fomos reencontrar algumas já provadas nas anteriores visitas. O preço foi bem puxado (53 € por cabeça), mas caramba, para aquele nível até não se pode considerar chocante!

Kroniketas, com tuguinho e Politikos em trânsito pela marginal

Vinho: Quinta do Peru 2008 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: Sociedade Agrícola Ribeira da Várzea
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Viosinho, Verdelho
Preço em hipermercado: 9,46 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Borges, Touriga Nacional 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em hipermercado: 22,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (2)

No meu copo 160 - Verdes




Foram estes os verdes provados na quadra festiva:

Borges, Alvarinho 2005 - Um excelente vinho verde da casta Alvarinho, muito aromático, bem estruturado, persistente e ao mesmo tempo com alguma elegância. Um dos melhores Alvarinhos que já provei. Nota: 8,5

Quinta do Ameal, Loureiro 2005 - Muito aberto, suave, ligeiramente gaseificado, com grande frescura na prova e um toque floral. Um bom exemplar da casta Loureiro. Nota: 7,5

Kroniketas, enófilo esverdeado





Vinho: Borges, Alvarinho 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 7,15 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta do Ameal, Loureiro 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Ponte de Lima)
Produtor: Quinta do Ameal
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Loureiro
Preço em feira de vinhos: 5,35 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (1)

No meu copo 159 - Champanhes e espumantes




Na quadra festiva que há pouco terminou, entre jantares de Natal, réveillon e alguns aniversários tivemos oportunidade de provar um conjunto alargado de vinhos que seria fastidioso descrever em detalhe. Assim vamos apresentar algumas notas curtas, agrupando-os por tipo de vinho (daqueles que ainda nos lembramos...)

Começamos pelos champanhes e espumantes.

Veuve Clicquot Champagne Brut - Um clássico do champanhe francês que já se tornou tradicional nos meus jantares de Natal. Foi uma das primeiras notas de prova colocadas neste blog, precisamente após o fim-de-ano de há dois anos. Apreciação aqui. Nota: 9

Pol Carson Champagne Brut Rosé - Numa variação ao habitual, resolvi experimentar este champanhe rosé e foi uma bela aposta. Bastante aromático, seco, suave, bolha fina e com grande elegância. Excelente acompanhante de quase todo o tipo de iguarias, mas em particular entradas, peixes e mariscos. Uma boa aposta por um preço, apesar de tudo, não muito exagerado para o produto que é. Nota: 8,5

Tapada do Chaves Bruto 2002 - Resolvi experimentar este por estar agora em Portalegre, por ter visitado a Tapada do Chaves e por ainda não ter experimentado um espumante do Alentejo (só o tinha provado de fugida num Encontro com o vinho). Foi uma belíssima revelação. Bastante frutado e aromático, ainda com algum toque floral, muito elegante e com bolha fina. Bela combinação do Arinto, a dar uma bela acidez ao conjunto, com o Fernão Pires. Entrou directamente para a lista dos recomendados, até porque tem um preço bastante aceitável. Nota: 8

Cabriz Bruto 2005 - Igualmente equilibrado, aromático e elegante, com muita frescura na boca. A Malvasia Fina a expressar-se muito bem em combinação com a Bical. Nota: 8

Real Senhor Velha Reserva 2001 - Mais um bom exemplo duma feliz combinação de castas, neste caso a Malvasia Fina e o Arinto, duas excelentes castas brancas. Pareceu-me contudo menos suave que os dois anteriores. Nota: 7,5

João Pires Bruto - Este foi o que menos me agradou de todos os provados. Pareceu-me pouco elegante, exactamente ao contrário dos outros. Talvez uma segunda apreciação possa rectificar esta primeira impressão. Nota: 7

Kroniketas, enófilo espumantizado

Vinho: Veuve Clicquot Champagne Brut (B)
Preço em hipermercado : 32,89 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Pol Carson Champagne Brut (R)
Região: Champagne (França)
Produtor: Sedi Champagne - Châlons en Champagne
Grau alcoólico: 12%
Preço em hipermercado: 19,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Tapada do Chaves espumante bruto 2002 (B)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em hipermercado: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Cabriz espumante bruto 2005 (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Bical
Preço em feira de vinhos: 6,40 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Real Senhor Velha Reserva espumante bruto 2001 (B)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: João Pires espumante bruto (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 11 de maio de 2007

No meu copo, na minha mesa 112 - Dão Meia Encosta Garrafeira 1973; Quinta de Cabriz Reserva 2003; Restaurante Curral dos Caprinos (Várzea de Sintra)



Este restaurante é um clássico. Um nome que é sempre de considerar para uma refeição bem preparada mesmo ao pé da serra de Sintra, a pedir um passeio após o repasto. Para além disso há uma enorme garrafeira onde se podem encontrar verdadeiras relíquias, com mais de 30 anos, em bom estado de conservação sem ser a preços obscenos. Rumando a Sintra, há que tomar a estrada em direcção a Colares e à Praia das Maçãs e pouco à frente sair no cruzamento em direcção a Cabriz e Várzea de Sintra.

Há dois pisos com salas, sendo o piso superior bem mais agradável que o térreo, pois é todo rodeado de janelas, ao contrário do outro que é completamente interior e bem mais acanhado.

Uma das especialidades da casa é o cabrito no forno, que vem cortado em pequenos pedaços rodeados de batatinhas e regados com molho do assado. Não é o melhor cabrito que já comi mas cai bem. Existem, contudo, muitas outras opções em duas páginas repletas de especialidades e pratos do dia.

Antes de se escolher a refeição somos quase inundados por uma série de entradas quentes, como rissóis e croquetes, para além de outras frias como o queijo fresco e fatias de presunto. Difícil de resistir quando a fome aperta.

Nas sobremesas também há imensas escolhas, com a curiosidade de algumas terem nomes bem sugestivos como “pijama”, pijaminha” e “cuequinha”, que são pratos com misturas de doces, frutas e gelados, com variadas combinações. Pode-se sempre optar pelos mais tradicionais, como o pudim de gemas ou a mousse de chocolate.

Mas a grande atracção é a garrafeira. Para além de se poder pedir uma garrafa de bom vinho por 13 ou 14 euros, bem longe dos 30 ou 40 que se vêem por aí, ainda encontramos vinhos de Reserva e Garrafeira dos anos 70, 80 e 90 pelo mesmo preço. Não resisti à curiosidade de experimentar uma dessas relíquias e pedi um Dão Meia Encosta Garrafeira de 1973. Foi aberto com todos os cuidados (não sem que a rolha se partisse, mas sem cair na garrafa) e posteriormente decantado. Mostrou uma cor ainda a revelar saúde embora com o acastanhado típico de um vinho desta idade. Houve que deixá-lo respirar algum tempo para vê-lo evoluir, mas estava em plena forma, sem qualquer sinal de declínio nem de estar a ficar “passado”. Claro que um vinho destes não é apreciado por toda a gente, há que conhecer as suas características para poder usufruir de tão nobre envelhecimento. Já não vai melhorar, mas pareceu estar num patamar estável de conservação.

Para compensar a velhice deste Meia Encosta pediu-se um mais novo, um Quinta de Cabriz Reserva de 2003. Trinta anos mais novo e a mostrar bem essa juventude. Uma bela cor rubi ainda fechada, com um aroma pronunciado a frutos vermelhos e silvestres, a fazer lembrar amora e cereja, e uma grande frescura na boca, onde o frutado e a acidez se equilibram bem com um teor alcoólico algo elevado. O mais curioso é que estes vinhos custaram 14 € e 13 €, respectivamente, o que deve ser caso único em Portugal.

À saída ainda houve a oportunidade de trazer a garrafa do Dão Meia Encosta e, no remate da conversa, adquiri outro Garrafeira de 1977 pelo preço módico de 10 €! Disse-me o chefe que prefere vendê-las baratas, se os clientes as quiserem levar, do que tê-las guardadas a estragarem-se sem que ninguém lhes pegue. E acho que faz bem. Quando quiser outra, já sei onde ir buscá-la. Só espero que esta de 77 esteja com tão boa saúde como a de 73 que lá bebi.

Como nota menos positiva realce-se a demora do serviço, principalmente nos pratos pedidos. Parece que ao fim-de-semana dispensam parte do pessoal e ficam com 3 pessoas a atender uma sala para cerca de 130 clientes. Depois o serviço ressente-se...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão

Vinho: Meia Encosta Garrafeira 1973 (T)
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12%
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta de Cabriz Reserva 2003 (T)
Produtor: Dão Sul
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,98 €
Nota (0 a 10): 7,5

Restaurante: Curral dos Caprinos
Rua 28 de Setembro, 13
Cabriz - Várzea de Sintra
Tel: 21.923.31.13
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4

sábado, 18 de novembro de 2006

No meu copo 68 - Dão Meia Encosta 2001

Um dia destes ao almoço resolvi pedir meia garrafa de vinho para acompanhar uns escalopes de vitela com cogumelos. Claro que as opções de meias garrafas são sempre escassíssimas, pelo que não há muito por onde escolher. Como já não o bebia há muito tempo, resolvi experimentar o Dão Meia Encosta, para ver como estava. Por acaso foi um dos primeiros vinhos que provei quando me iniciei nestas lides do vinho, ainda de forma muito incipiente, e foi dos primeiros a agradar-me.

Pois voltou a não me decepcionar. Tem aquela suavidade inigualável nos vinhos do Dão e que hoje tanto vai rareando. Ainda é um vinho elegante, que se bebe com agrado, sem ter toda aquela carga de fruta, álcool e acidez que molda o perfil dos vinhos actuais. É um vinho aberto, de corpo médio, frutado quanto baste, aroma discreto e acidez correcta. Este exemplar era de 2001, mas revelou ainda frescura e juventude, o que é outra qualidade que aprecio nos vinhos do Dão, que aguentam bastante bem a idade. Num vinho alentejano, por exemplo, 5 anos nalguns casos pode já ser demais.

Curiosamente, evoluiu favoravelmente no copo ao longo da refeição, chegando ao fim com uma maior evidência dos taninos, mostrando alguma garra que inicialmente parece não existir. Em todo o caso, aconselha-se para acompanhar pratos delicados e não excessivamente temperados.

É um vinho que sem brilhar também não deslustra. Nada parece ter sido deixado ao acaso, está tudo no sítio certo. Para o dia-a-dia é uma aposta simpática e, principalmente nos tempos que correm, uma excelente alternativa aos vinhos hiperalcoólicos e superconcentrados da moda. E pasme-se, tem só 12 graus de álcool! Tivesse-o eu provado antes do Cister da Ribeira, e a minha prova à quinta teria corrido bem melhor. Dentro deste patamar pode ser considerado um valor seguro, pelo que o incluímos nas nossas preferências.

Kroinketas, enófilo esclarecido

Vinho: Meia Encosta 2001 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 2,20 €
Nota (0 a 10): 6,5


Foto da garrafa obtida através de motor de busca