Outro nome que anda meio desaparecido, embora se encontrasse com alguma facilidade na década de 90 do século XX. Os vinhos de Paulo da Silva, produzidos em Azenhas do Mar, na região de Colares, apareciam nos restaurantes de algum requinte. À semelhança de outros, passaram de época, foram esquecidos e tornaram-se raridades.
Agora já é mais fácil encontrá-los novamente, em restaurantes e garrafeiras. Este foi provado no restaurante Abano, perto da praia do Guincho, mesmo junto à serra de Sintra. Colares e Azenhas do Mar ficam logo ali do outro lado da serra.
Foi pedida uma garrafa deste vinho para acompanhar um coelho à caçador e um cabrito à padeiro, ambos deliciosos. O vinho portou-se excelentemente a acompanhar as carnes. Revelou-se encorpado e com alguma robustez, mas simultaneamente suave na boca, redondo e com final elegante e persistente. Um misto de características difíceis de encontrar. No nariz apresenta notas a frutos vermelhos maduros e alguns resquícios de aromas do bosque.
Bebe-se com agrado e facilidade, de tal forma que se comprou uma garrafa para levar para casa. Vale a pena revisitar estes vinhos, pois vão escasseando e são diferentes de tudo aquilo a que estamos habituados.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Beira Mar
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12%
Castas: não indicadas
Preço no restaurante: 8 €
Nota (0 a 10): 7,5
O blog onde os néctares de Baco nunca se entornam
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
sábado, 4 de outubro de 2014
No meu copo 407 - Collares V. S. 1994
Foi com algum receio que abrimos esta garrafa, na companhia de outras com vinhos mais robustos, para acompanhar um jantar de costeletas de novilho grelhadas com uma versão quase completa dos “Comensais Dionisíacos”. O tuguinho insistia que o vinho seria demasiado delicado e que pediria um prato mais suave. Eu contrapus que alguma vez teríamos de bebê-lo e que quase sempre comíamos bifes ou costeletas, portanto não havia grandes alternativas.
A razão, felizmente, esteve do meu lado. O vinho aguentou-se esplendorosamente, não ficou abafado pelos temperos da comida, e quanto mais o bebíamos mais apetecia beber. Com 20 anos de idade, apresentou uma frescura e uma persistência notáveis, mostrando-se suave, macio, elegante, com excelente acidez e final longo. Os aromas frutados, claro, não estão muito presentes, mas aparece no seu lugar uma complexidade aromática e de sabor, com aromas terciários a libertarem-se do copo e percorrendo o palato enquanto rodamos o vinho pela boca.
Para uma região que quase deixou de existir e ficou reduzida a uma expressão mínima, não há dúvida que cada garrafa que abrimos é uma agradável surpresa, ficando a sensação de que os vinhos de Colares são quase eternos. Muitas vezes quase imbebíveis enquanto novos, envelhecem nobremente e parecem sempre melhorar com o tempo. E veja-se como o baixo grau alcoólico em nada prejudica o envelhecimento, pois embora mais delgado de corpo, a acidez e persistência na boca compensam largamente a baixa graduação, pelo que o vinho não se esvai no palato nem na garganta.
Esta garrafa foi adquirida pelo saudoso Mancha, que há um ano nos deixou, pelo que brindámos à sua memória da melhor forma. O vinho parece eterno, assim como é a sua lembrança nas nossas memórias.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Collares V. S. (Visconde de Salreu) 1994 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 11%
Castas: não indicadas
Preço: 19,55 €
Nota (0 a 10): 9
A razão, felizmente, esteve do meu lado. O vinho aguentou-se esplendorosamente, não ficou abafado pelos temperos da comida, e quanto mais o bebíamos mais apetecia beber. Com 20 anos de idade, apresentou uma frescura e uma persistência notáveis, mostrando-se suave, macio, elegante, com excelente acidez e final longo. Os aromas frutados, claro, não estão muito presentes, mas aparece no seu lugar uma complexidade aromática e de sabor, com aromas terciários a libertarem-se do copo e percorrendo o palato enquanto rodamos o vinho pela boca.
Para uma região que quase deixou de existir e ficou reduzida a uma expressão mínima, não há dúvida que cada garrafa que abrimos é uma agradável surpresa, ficando a sensação de que os vinhos de Colares são quase eternos. Muitas vezes quase imbebíveis enquanto novos, envelhecem nobremente e parecem sempre melhorar com o tempo. E veja-se como o baixo grau alcoólico em nada prejudica o envelhecimento, pois embora mais delgado de corpo, a acidez e persistência na boca compensam largamente a baixa graduação, pelo que o vinho não se esvai no palato nem na garganta.
Esta garrafa foi adquirida pelo saudoso Mancha, que há um ano nos deixou, pelo que brindámos à sua memória da melhor forma. O vinho parece eterno, assim como é a sua lembrança nas nossas memórias.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Collares V. S. (Visconde de Salreu) 1994 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 11%
Castas: não indicadas
Preço: 19,55 €
Nota (0 a 10): 9
sábado, 12 de abril de 2014
No meu copo 376 - Paulo da Silva Colecção Privada 1990
Uma segunda visita à Wines 9297, para adquirir mais umas garrafas do Casal da Azenha 2010, que tanto agradou, deu-me a possibilidade de encontrar à venda um vinho do mesmo produtor que há cerca de 20 anos se tornou quase mítico nas nossas surtidas a alguns restaurantes: o Paulo da Silva Colecção Privada, que pudemos degustar com frequência durante a década de 90, até deixar de se ver os vinhos de Colares tanto nos restaurantes como nas prateleiras.
Aproveitando a ocasião, trouxe duas garrafas deste outro exemplar de outra época, tratando desde logo de abrir uma delas. E deve dizer-se que o vinho não desiludiu minimamente. Apresentou uma cor rubi carregada, sem sinais de demasiada evolução nem na cor nem no aroma, que se mostrou ainda com alguma frescura, com bouquet profundo e aromas terciários a libertarem-se após algum tempo no copo. Na boca apresentou alguma delicadeza, com estrutura média e alguma persistência.
Sem dar mostras de declínio, pareceu estar para durar, pelo que pode ser uma aposta para aguentar mais uns anos na garrafa. E como recentemente têm estado a aparecer algumas garrafeiras a apostar em vinhos velhos, talvez venhamos ainda a repetir com outras colheitas. Ainda há poucos dias descobri na garrafeira Estado d’Alma, em Alcântara, um verdadeiro maná de vinhos antigos a preços irresistíveis...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Paulo da Silva Colecção Privada 1990 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12%
Castas: João de Santarém, Tinta Miúda, Periquita
Preço: 5,90 €
Nota (0 a 10): 7,5
PS: O contra-rótulo menciona na composição as castas acima indicadas, sendo que actualmente se considera que a Periquita era a antiga designação da casta Castelão e João de Santarém era a mesma designação nas regiões de Ribatejo e Estremadura. Apesar desta incongruência, mantivemos a menção às designações indicadas na garrafa.
Aproveitando a ocasião, trouxe duas garrafas deste outro exemplar de outra época, tratando desde logo de abrir uma delas. E deve dizer-se que o vinho não desiludiu minimamente. Apresentou uma cor rubi carregada, sem sinais de demasiada evolução nem na cor nem no aroma, que se mostrou ainda com alguma frescura, com bouquet profundo e aromas terciários a libertarem-se após algum tempo no copo. Na boca apresentou alguma delicadeza, com estrutura média e alguma persistência.
Sem dar mostras de declínio, pareceu estar para durar, pelo que pode ser uma aposta para aguentar mais uns anos na garrafa. E como recentemente têm estado a aparecer algumas garrafeiras a apostar em vinhos velhos, talvez venhamos ainda a repetir com outras colheitas. Ainda há poucos dias descobri na garrafeira Estado d’Alma, em Alcântara, um verdadeiro maná de vinhos antigos a preços irresistíveis...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Paulo da Silva Colecção Privada 1990 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12%
Castas: João de Santarém, Tinta Miúda, Periquita
Preço: 5,90 €
Nota (0 a 10): 7,5
PS: O contra-rótulo menciona na composição as castas acima indicadas, sendo que actualmente se considera que a Periquita era a antiga designação da casta Castelão e João de Santarém era a mesma designação nas regiões de Ribatejo e Estremadura. Apesar desta incongruência, mantivemos a menção às designações indicadas na garrafa.
terça-feira, 8 de abril de 2014
No meu copo 375 - Casal da Azenha 2010
A região demarcada de Colares tem sido teimosamente resistente ao desaparecimento, um pouco à semelhança da micro-região do generoso de Carcavelos.
Em tempos idos, algumas décadas atrás, teve a sua época de notoriedade, mas a pouco e pouco estes vinhos produzidos paredes meias com a serra de Sintra foram-se tornando cada vez mais raros nas prateleiras. Praticamente dois nomes mantiveram a região afastada do completo esquecimento: a Adega Regional de Colares e António Bernardino Paulo da Silva, um produtor sediado em Azenhas do Mar. Nos últimos anos outros produtores (re)descobriram a região e começaram a apostar na produção de vinho no célebre chão de areia. Destacam-se a Fundação Oriente e o Casal de Santa Maria.
Na época em que se encontrava vinho de Colares à venda no comércio ou nos restaurantes, os vinhos da marca Paulo da Silva passaram pelas nossas mesas em variadíssimas ocasiões. Recentemente, na minha primeira visita à garrafeira Wines 9297, para provar o Quinta do Corujão, por entre conversas diversas e dispersas fiquei a saber que o próprio Paulo da Silva tinha por lá passado e deixou umas garrafas deste Casal da Azenha de 2010. Um vinho recente mas com um rótulo ainda a lembrar tempos antigos.
O preço era apelativo, e a garrafa também. Como não sabia se aquela era exemplar único, resolvi trazê-la e não me arrependi. Num jantar de bifes, apetecia-me abrir qualquer coisa para acompanhar a carne e a curiosidade de experimentar esta quase raridade fez com que a escolha recaísse precisamente neste exemplar de Colares. Sabe-se que os vinhos de Colares costumavam primar por alguma aspereza em novos, mas que depois de amaciados se tornavam extremamente elegantes. Era essa a memória que tínhamos dos antigos vinhos de Paulo da Silva, e confirmou-se. O vinho apresentou-se muito macio na boca, elegante e suave, com um aroma profundo e exuberante. Final de persistência média a mostrar taninos macios.
Acaba por ser um vinho que de alguma forma surpreende, dado que não sabemos muito bem o que esperar dele. Já há bastantes anos que não provava um tinto de Colares, sendo que o último não o fora nas melhores condições, pelo que não tinha sido uma boa aferição para os vinhos da região. Este reencontro agradou-me bastante, e já tratei de pedir a reserva de mais garrafas do mesmo.
Dos vinhos de Colares que se pode dizer o mesmo que temos vindo a repetir acerca do Dão e da Bairrada: ainda bem que continua a haver quem faça estes vinhos diferentes, clássicos, fora de moda, para podermos beber vinhos com personalidade, estrutura, persistência e aroma, e não apenas os maçadores, monótonos e já quase insuportáveis “vinhos da moda”.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Casal da Azenha 2010 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço: 4,90 €
Nota (0 a 10): 8
Vídeo em https://youtu.be/-Iuhb41mc0w
Em tempos idos, algumas décadas atrás, teve a sua época de notoriedade, mas a pouco e pouco estes vinhos produzidos paredes meias com a serra de Sintra foram-se tornando cada vez mais raros nas prateleiras. Praticamente dois nomes mantiveram a região afastada do completo esquecimento: a Adega Regional de Colares e António Bernardino Paulo da Silva, um produtor sediado em Azenhas do Mar. Nos últimos anos outros produtores (re)descobriram a região e começaram a apostar na produção de vinho no célebre chão de areia. Destacam-se a Fundação Oriente e o Casal de Santa Maria.
Na época em que se encontrava vinho de Colares à venda no comércio ou nos restaurantes, os vinhos da marca Paulo da Silva passaram pelas nossas mesas em variadíssimas ocasiões. Recentemente, na minha primeira visita à garrafeira Wines 9297, para provar o Quinta do Corujão, por entre conversas diversas e dispersas fiquei a saber que o próprio Paulo da Silva tinha por lá passado e deixou umas garrafas deste Casal da Azenha de 2010. Um vinho recente mas com um rótulo ainda a lembrar tempos antigos.
O preço era apelativo, e a garrafa também. Como não sabia se aquela era exemplar único, resolvi trazê-la e não me arrependi. Num jantar de bifes, apetecia-me abrir qualquer coisa para acompanhar a carne e a curiosidade de experimentar esta quase raridade fez com que a escolha recaísse precisamente neste exemplar de Colares. Sabe-se que os vinhos de Colares costumavam primar por alguma aspereza em novos, mas que depois de amaciados se tornavam extremamente elegantes. Era essa a memória que tínhamos dos antigos vinhos de Paulo da Silva, e confirmou-se. O vinho apresentou-se muito macio na boca, elegante e suave, com um aroma profundo e exuberante. Final de persistência média a mostrar taninos macios.
Acaba por ser um vinho que de alguma forma surpreende, dado que não sabemos muito bem o que esperar dele. Já há bastantes anos que não provava um tinto de Colares, sendo que o último não o fora nas melhores condições, pelo que não tinha sido uma boa aferição para os vinhos da região. Este reencontro agradou-me bastante, e já tratei de pedir a reserva de mais garrafas do mesmo.
Dos vinhos de Colares que se pode dizer o mesmo que temos vindo a repetir acerca do Dão e da Bairrada: ainda bem que continua a haver quem faça estes vinhos diferentes, clássicos, fora de moda, para podermos beber vinhos com personalidade, estrutura, persistência e aroma, e não apenas os maçadores, monótonos e já quase insuportáveis “vinhos da moda”.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Casal da Azenha 2010 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço: 4,90 €
Nota (0 a 10): 8
Vídeo em https://youtu.be/-Iuhb41mc0w
domingo, 31 de maio de 2009
No meu copo 243 - Ribamar Garrafeira 1996
Este vinho foi escolhido numa ida a Sintra após uma prova no Hotel da Penha Longa. Num restaurante local onde um dos convivas é cliente habitual, para uma refeição despretensiosa, ao olhar para a carta de vinhos deparei com um nome que há mais de 10 anos foi, durante algum tempo, presença frequente à mesa das nossas refeições: António Bernardino Paulo da Silva, produtor da região de Colares (em Azenhas do Mar, para ser mais preciso) que actualmente assina o Colares Chitas. Mas nessa altura descobrimos por acaso, num restaurante entretanto desaparecido (Adivinha quem vem jantar, em Alcântara), um vinho chamado simplesmente Paulo da Silva com o rótulo gravado no próprio vidro da garrafa. Ficámos encantados e durante uns 5 anos sempre que podíamos comprávamos e bebíamos os vinhos deste produtor. Entretanto descobrimos outra marca, Colecção Privada, e num restaurante do Bairro Alto descobrimos um chamado Beira-Mar.Pois agora vi um vinho chamado Ribamar e, com algum receio e alguma renitência dos outros comensais, resolvi pedi-lo. Era um garrafeira de 96 cujo estado suscitou algumas dúvidas, mas lá se experimentou.
Não se mostrou já de perfeita saúde mas ainda se conseguiram encontrar ali alguns aromas frutados, algum corpo, uma certa persistência e um resto de estrutura que em tempos terá tido. Depois de decantado ainda se libertou de um certo cheiro a mofo e conseguiu apresentar-se com os aromas mais limpos. No fundo, foi uma prova mais para matar saudades. Agora teremos de nos virar para o Colares Chitas que ainda anda por aí.
Kroniketas, enófilo saudoso
Vinho: Ribamar Garrafeira 1996 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12,5%
Preço no restaurante: 12,50 €
Nota (0 a 10): 6
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