Nem sempre este Colheita da Quinta dos Carvalhais nos tem convencido. Por vezes parece faltar-lhe alguma personalidade, alguma tipicidade do Dão, mostrando-se algo incaracterístico e indefinido.
A verdade é que quase sempre o provamos relativamente novo, com a colheita que está no mercado. Esta garrafa foi adquirida em 2015 e, provada agora em 2018, pareceu que o tempo lhe fez bem.
Apresentou-se um vinho de cor rubi carregada, muito bem equilibrado, com aromas intensos a frutos vermelhos maduros e do bosque e um bouquet amplo e profundo.
Na boca mostrou boa estrutura, com os taninos firmes mas muito redondos e equilibrados sem marcarem o conjunto, com as notas de madeira muito discretas.
Perante esta prova, parece-nos estar claramente perante um vinho de guarda e não de consumo imediato. Precisa de evoluir na garrafa, pois esse tempo fá-lo crescer para mostrar aquilo que pode dar. Neste caso, com quase 8 anos, pareceu estar no ponto óptimo de consumo, pelo que não vale a pena ter pressa em bebê-lo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Carvalhais 2010 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 4,87 €
Nota (0 a 10): 8
O blog onde os néctares de Baco nunca se entornam
Blog livre do Aborto Horto Gráfico
Mostrar mensagens com a etiqueta Carvalhais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carvalhais. Mostrar todas as mensagens
sábado, 2 de junho de 2018
quarta-feira, 18 de março de 2015
No meu copo 439 - Quinta dos Carvalhais Único 2005
Inicialmente muito fechado e austero, um portento de concentração. Tem uma cor carregada, a fazer lembrar o vinho do Porto. Só a decantação o libertou da prisão dos aromas na garrafa.
Ao evoluir começa a mostrar alguma elegância, mostrando uma enorme persistência, taninos firmes mas elegantes.
Não é um vinho fácil de provar, e muito menos de comprar, por aquilo que custa. É antes um vinho desafiante, programado para altos voos, que precisa do tempo certo e da ocasião para que possa ser apreciado em todo o seu esplendor. A Sogrape anda à procura do seu Barca Velha do Dão, e este foi talvez o que mais se aproximou, mas ainda lhe falta algo para lá chegar...
Tínhamo-lo conhecido há uns anos numa prova na Wine O’Clock, e o tempo de garrafa moldou-lhe o perfil, retirando-lhe alguma pujança e fazendo sobressair mais a elegância. Passado este tempo é, sem dúvida, um belo exemplar da Touriga Nacional no seu melhor registo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta dos Carvalhais Único 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 49,09 €
Nota (0 a 10): 9
Ao evoluir começa a mostrar alguma elegância, mostrando uma enorme persistência, taninos firmes mas elegantes.
Não é um vinho fácil de provar, e muito menos de comprar, por aquilo que custa. É antes um vinho desafiante, programado para altos voos, que precisa do tempo certo e da ocasião para que possa ser apreciado em todo o seu esplendor. A Sogrape anda à procura do seu Barca Velha do Dão, e este foi talvez o que mais se aproximou, mas ainda lhe falta algo para lá chegar...
Tínhamo-lo conhecido há uns anos numa prova na Wine O’Clock, e o tempo de garrafa moldou-lhe o perfil, retirando-lhe alguma pujança e fazendo sobressair mais a elegância. Passado este tempo é, sem dúvida, um belo exemplar da Touriga Nacional no seu melhor registo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta dos Carvalhais Único 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 49,09 €
Nota (0 a 10): 9
domingo, 10 de novembro de 2013
Na GN Cellar 3 - Quinta dos Carvalhais
Mesmo na véspera do arranque do Encontro com o Vinho e os Sabores 2013, ainda houve oportunidade de passar pelas instalações da Garrafeira Nacional na Rua da Conceição para uma prova de vinhos da Quinta dos Carvalhais, com a presença do enólogo-chefe Manuel Vieira e da enóloga Beatriz Cabral de Almeida.
Em prova estiveram dois brancos e quatro tintos, que foram sendo apresentados pelo Eng. Manuel Vieira à medida que cada um deles era servido no copo. Nesta provas tivemos a curiosidade de serem provados vinhos monocasta e vinhos de lote de forma intercalada, o que permitiu diferenciar claramente as características duns e doutros.
Nos brancos tivemos em primeiro lugar um monocasta de Encruzado. Pareceu-me algo linear na prova de boca, embora melhor no aroma, mais exuberante e mineral. Lembrei-me ainda do Encruzado da Quinta da Falorca que tinha provado na semana anterior, e tinha-me agradado mais, revelando-se mais estruturado e persistente.
Bem diferente foi o segundo branco, um Colheita Selecionada de Encruzado e Verdelho, que mostrou bem a diferença em relação ao anterior. Teve estágio em madeira, o que lhe dá outra complexidade, sendo que a madeira não se impõe nos sabores nem nos aromas. Este provou melhor, revelou-se com outro porte, estando mais vocacionado para a mesa, com aromas mais tropicais e maior persistência. Não conhecia esta versão e fiquei bastante agradado.
Passando aos tintos, começámos pelo Colheita, o mais barato dos quatro e feito a partir de um lote de Tinta Roriz, Trincadeira e Alfrocheiro. Um vinho equilibrado mas consistente, estruturado quanto baste e feito para se gostar. Um Dão típico, à moda clássica.
Seguiu-se um monocasta de Touriga Nacional, com aquelas características florais típicas da casta. Confesso, no entanto, que este perfil de vinhos já me começa a cansar, porque apesar de todas as loas que são cantadas a esta casta, a solo começa a tornar-se monocórdica, sempre igual, nunca se espera nada de novo. Não há muito tempo tinha bebido um Alfrocheiro de 2006, que se revelou muito mais vibrante que este. Após muita insistência, a Touriga já cansa, principalmente porque se seguiu o Reserva, outro vinho de lote entre a Tinta Roriz e a Touriga Nacional, que se apresentou muito mais complexo e estruturado, com outra persistência, um vinho a requerer mais tempo no copo para melhor lhe apreciar as características.
Finalmente, o topo da gama dos Carvalhais: o Único 2009, apenas a segunda colheita depois da de 2005 que tínhamos provado há uns anos em estreia na Wine O’Clock. Na altura achámo-lo extraordinário, quase ao nível dum Vinho do Porto, e pareceu estar ali o potencial e ansiado Barca Velha do Dão. Nesta prova apareceu menos exuberante, com os aromas algo escondidos, porque ao contrário da ocasião anterior não houve tempo para libertar todas as suas características aromáticas e estruturais. Mas o potencial pareceu novamente estar lá.
Manuel Vieira foi explicando as características de cada vinho e o modo como é produzido e como são escolhidas as uvas, dando realce a duas vinhas da Quinta dos Carvalhais: a vinha da Palmeira e a vinha da Anta, que parece ser aquela que apresenta as características ideais para a escolha das uvas para fazer vinhos de excepção. Foi dali que saíram as uvas para o Único, que deveria ser um lote mas em que as uvas de Touriga se impuseram ao enólogo, nas palavras do próprio.
E assim ficámos a conhecer as novidades da Sogrape no Dão, numa antecipação do evento que se ia seguir. No dia seguinte marchámos para a 14ª edição do Encontro com o Vinho e os Sabores.
Em aberto ficou ainda a hipótese de marcar uma visita conduzida pelo Eng. Manuel Vieira à garrafeira da Quinta dos Carvalhais, para descobrir as relíquias que por lá estão...
Kroniketas, enófilo esclarecido
sábado, 27 de julho de 2013
No meu copo 329 - Quinta dos Carvalhais, Alfrocheiro 2006
Ainda no Dão e agora com um grande tinto da Sogrape: este Quinta dos Carvalhais 2006 foi adquirido numa promoção da revista Sábado, que durante algumas semanas colocou à venda um conjunto de vinhos de qualidade acima da média a preços razoáveis. Aproveitámos a ocasião e um dia destes abrimos este Alfrocheiro.
Esta é aquela casta de que ninguém parece lembrar-se, de que ninguém fala, que passa sempre despercebida entre as castas da moda e das que migram de norte para sul e de sul para norte. Mas eis senão quando topamos com ela... e saem-nos vinhos extraordinários!
Nunca será demais recordar aqui as provas efectuadas com umas garrafas de Alfrocheiro de 2000 da Herdade do Peso (portanto, e talvez não por acaso, continuamos no universo Sogrape...), e este Quinta dos Carvalhais foi uma quase completa revelação!
A primeira impressão foi desde logo muito boa no nariz. Grande profundidade aromática, com algumas notas a folhas e frutos do bosque, e uma prova de boca com uma bela estrutura, garra, personalidade e persistência, mas também com aquela elegante suavidade (ou suave elegância, como preferirem) que só no Dão encontramos com esta polidez. E fica ali, pelo serão fora, sem dar sinais de queda.
Em suma, um belo vinho! Que pena só ter comprado este exemplar, mas a partir de agora vou estar atento a ele, porque passa a fazer parte das nossas escolhas recomendadas. Mais uma vez, palmas para a Sogrape!
Ah, não se esqueça de o consumir já se tiver alguma garrafa: está no ponto óptimo de consumo, e apesar da grande capacidade de envelhecimento que normalmente encontramos nos tintos do Dão (veja-se apreciação anterior), qualquer expectativa de crescimento em garrafa neste momento parece-nos que será um tiro no escuro. Parece-me que este será o momento ideal para tirar todo o partido do que ele pode dar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta dos Carvalhais, Alfrocheiro 2006 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alfrocheiro
Preço: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5
Esta é aquela casta de que ninguém parece lembrar-se, de que ninguém fala, que passa sempre despercebida entre as castas da moda e das que migram de norte para sul e de sul para norte. Mas eis senão quando topamos com ela... e saem-nos vinhos extraordinários!
Nunca será demais recordar aqui as provas efectuadas com umas garrafas de Alfrocheiro de 2000 da Herdade do Peso (portanto, e talvez não por acaso, continuamos no universo Sogrape...), e este Quinta dos Carvalhais foi uma quase completa revelação!
A primeira impressão foi desde logo muito boa no nariz. Grande profundidade aromática, com algumas notas a folhas e frutos do bosque, e uma prova de boca com uma bela estrutura, garra, personalidade e persistência, mas também com aquela elegante suavidade (ou suave elegância, como preferirem) que só no Dão encontramos com esta polidez. E fica ali, pelo serão fora, sem dar sinais de queda.
Em suma, um belo vinho! Que pena só ter comprado este exemplar, mas a partir de agora vou estar atento a ele, porque passa a fazer parte das nossas escolhas recomendadas. Mais uma vez, palmas para a Sogrape!
Ah, não se esqueça de o consumir já se tiver alguma garrafa: está no ponto óptimo de consumo, e apesar da grande capacidade de envelhecimento que normalmente encontramos nos tintos do Dão (veja-se apreciação anterior), qualquer expectativa de crescimento em garrafa neste momento parece-nos que será um tiro no escuro. Parece-me que este será o momento ideal para tirar todo o partido do que ele pode dar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta dos Carvalhais, Alfrocheiro 2006 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alfrocheiro
Preço: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5
quarta-feira, 17 de julho de 2013
No meu copo 326 - Duque de Viseu branco 2011
Continuamos nos brancos, e desta vez damos um salto ao Dão para provar um da Sogrape, produzido na Quinta dos Carvalhais sob a batuta de Manuel Vieira.É um vinho que se posiciona na gama média dos vinhos da quinta, logo acima da zona de grande combate. Nesta prova não se saiu nada mal. Suave e equilibrado na boca, aroma com algum floral proveniente da Malvasia Fina, citrinos e leves notas tropicais, alguma mineralidade e boa persistência final, tudo envolvido por uma acidez que equilibra o conjunto e lhe confere frescura.
Realce-se o facto de, não descurando a casta branca da moda, o Encruzado (agora nos vinhos parece que a tendência é funcionar quase obstinadamente por modas, e quando se começa a falar duma casta numa determinada região só se fala nessa, e todas as outras quase parece que deixam de contar, mas isso são dissertações para outra ocasião), ser composto por um lote com outras castas que aqui se complementam de forma interessante, com o Bical e a Malvasia Fina a acrescentarem algum equilíbrio e vivacidade. Pratos de peixe suaves e delicados, sem grandes exageros de tempero, ou entradas com algum requinte serão uma boa parceria para este vinho que ganhará ao ser apreciado à mesa.
Temos aqui mais um bom representante da nova vaga de vinhos do Dão, com uma oferta que vale a pena procurar, descobrir e apreciar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Duque de Viseu 2011 (B)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Bical
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
No meu copo 223 - Quinta dos Carvalhais 2002
Devo estar com azar.Ainda não acertei com um destes novos vinhos da Quinta dos Carvalhais que me enchesse as medidas. Com esta colheita de 2002 voltou a acontecer. Achei alguma falta de intensidade aromática, de estrutura, de persistência, em suma desiludiu-me.De um vinho da Sogrape espera-se sempre mais e melhor e tratando-se do Dão espera-se principalmente um aroma profundo e elegância. Mas aqui não encontrei nada de especial. Achei-o demasiado simples e linear. Vamos aguardar por outros produtos. Decididamente, este não faz esquecer o desaparecido Dão Sogrape Reserva.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta dos Carvalhais 2002 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7
Foto da garrafa obtida no site do produtor
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Na Wine O’Clock 2 - Com a Sogrape (Quinta dos Carvalhais)
Ultimamente temos andado numa de provas quando a ocasião se proporciona. No último sábado voltei a deslocar-me à Wine O’Clock de Lisboa, acompanhado do Politikos, para uma prova de vinhos da Quinta dos Carvalhais com a Sogrape. Há algumas semanas já tínhamos tido a oportunidade de participar numa prova com vinhos da Herdade do Peso. Agora a expectativa era um pouco maior porque a Quinta dos Carvalhais é quase um ex-libris da Sogrape e foi uma espécie de motor da reabilitação dos vinhos do Dão. Aí tive o prazer de reencontrar, mais de um ano depois, o nosso comparsa Pedro Rafael Barata, do blog Os Vinhos, que foi ficando por ali ao pé de nós durante a prova.
Há uns 10 anos conhecíamos dois vinhos da Sogrape no Dão: o Reserva e o Pipas, que entretanto foram sendo substituídos pela nova marca Quinta dos Carvalhais, só restando por aí à venda alguns exemplares dos antigos vinhos em locais esparsos. Agora há uma gama alargada de brancos, tintos e espumantes, que vão desde os vinhos para consumo imediato até aos reservas de grande qualidade.
Esta prova da Quinta dos Carvalhais começou com dois brancos, o Duque de Viseu e o Quinta dos Carvalhais Encruzado. Ambos mostraram alguma elegância e um ligeiro aroma floral, embora o Encruzado com um perfil um pouco mais austero e a mostrar-se capaz de ter alguma longevidade e bater-se com pratos com alguma pujança, características que lhe são conferidas pelo estágio em madeira.
Passando aos tintos, começámos pelo Quinta dos Carvalhais Colheita, seguindo-se três varietais (Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional), sendo que o Alfrocheiro foi o que mais nos surpreendeu, voltando a mostrar, à semelhança das últimas provas, uma intensidade que não lhe tem sido reconhecida na generalidade das regiões. Parece-me ser uma casta injustamente mal-amada ou porventura não suficientemente valorizada. Após 4 tintos, chegou o Reserva de 2000, já um vinho para altos voos e ainda com uma frescura assinalável para a idade, para terminarmos com uma revelação que deixou todos os presentes rendidos: uma colheita única de 2005 que recebeu o nome de... Único. Difícil descrever o perfil deste vinho, mas uma palavra nos ocorre à mente: fabuloso! Com algumas notas licorosas no primeiro ataque aromático, para depois se abrir num perfume de frutos, flores, compotas, uma explosão de aromas e sabores que motivaram do Politikos o comentário de que daria um grande Vintage!
De facto, este Único fez lembrar os melhores vinhos do Porto que já tive oportunidade de provar, e sugeriu-me que, se a Sogrape pretende criar nos Carvalhais uma espécie de Barca Velha do Dão, este Único parece ser o predestinado para lá chegar. Assim tenha longevidade para tanto, mas o potencial parece estar lá todo.
No final da prova, ao compararmos os aromas que foram ficando nos copos, verificámos que o Reserva tinha desaparecido ao pé do Único. É o que nos ajuda a distinguir os vinhos excelentes dos sublimes. Este Único, de facto, é Único! Oxalá possa vir a deixar de ser o único produzido na Quinta dos Carvalhais.
E assim ficámos de apetite aguçado para a prova que se seguirá dentro de algumas semanas com os vinhos da Casa Ferreirinha. Lá estaremos seguramente. Obrigado à Wine O’Clock por estes momentos magníficos que nos tem proporcionado.
Kroniketas, enófilo embevecido
Há uns 10 anos conhecíamos dois vinhos da Sogrape no Dão: o Reserva e o Pipas, que entretanto foram sendo substituídos pela nova marca Quinta dos Carvalhais, só restando por aí à venda alguns exemplares dos antigos vinhos em locais esparsos. Agora há uma gama alargada de brancos, tintos e espumantes, que vão desde os vinhos para consumo imediato até aos reservas de grande qualidade.
Esta prova da Quinta dos Carvalhais começou com dois brancos, o Duque de Viseu e o Quinta dos Carvalhais Encruzado. Ambos mostraram alguma elegância e um ligeiro aroma floral, embora o Encruzado com um perfil um pouco mais austero e a mostrar-se capaz de ter alguma longevidade e bater-se com pratos com alguma pujança, características que lhe são conferidas pelo estágio em madeira.
Passando aos tintos, começámos pelo Quinta dos Carvalhais Colheita, seguindo-se três varietais (Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional), sendo que o Alfrocheiro foi o que mais nos surpreendeu, voltando a mostrar, à semelhança das últimas provas, uma intensidade que não lhe tem sido reconhecida na generalidade das regiões. Parece-me ser uma casta injustamente mal-amada ou porventura não suficientemente valorizada. Após 4 tintos, chegou o Reserva de 2000, já um vinho para altos voos e ainda com uma frescura assinalável para a idade, para terminarmos com uma revelação que deixou todos os presentes rendidos: uma colheita única de 2005 que recebeu o nome de... Único. Difícil descrever o perfil deste vinho, mas uma palavra nos ocorre à mente: fabuloso! Com algumas notas licorosas no primeiro ataque aromático, para depois se abrir num perfume de frutos, flores, compotas, uma explosão de aromas e sabores que motivaram do Politikos o comentário de que daria um grande Vintage!
De facto, este Único fez lembrar os melhores vinhos do Porto que já tive oportunidade de provar, e sugeriu-me que, se a Sogrape pretende criar nos Carvalhais uma espécie de Barca Velha do Dão, este Único parece ser o predestinado para lá chegar. Assim tenha longevidade para tanto, mas o potencial parece estar lá todo.
No final da prova, ao compararmos os aromas que foram ficando nos copos, verificámos que o Reserva tinha desaparecido ao pé do Único. É o que nos ajuda a distinguir os vinhos excelentes dos sublimes. Este Único, de facto, é Único! Oxalá possa vir a deixar de ser o único produzido na Quinta dos Carvalhais.
E assim ficámos de apetite aguçado para a prova que se seguirá dentro de algumas semanas com os vinhos da Casa Ferreirinha. Lá estaremos seguramente. Obrigado à Wine O’Clock por estes momentos magníficos que nos tem proporcionado.
Kroniketas, enófilo embevecido
domingo, 11 de dezembro de 2005
No meu copo 1 - Quinta dos Carvalhais, Touriga Nacional 2000
No passado sábado eu e o Kroniketas decidimos pastar uma late ceia após o jogo do Glorioso. Amancebaram-se umas costeletas de novilho com umas batatas fritas e um arroz branco e escolheu-se para molha-goelas um Dão, comprado há cerca de dois anos no Pingo doce pelo método "thifty-thifty" (porque não é um vinho barato - custou 19,85€ na Feira de Vinhos de 2003).E o que sói dizer-se sobre este líquido etílico? Numa palavra: esperávamos mais (esta da palavra única era chalaça, não sei se entenderam). De perfil clássico, embora um tanto ou quanto diferente por ser um monocasta, o corpo era apenas mediano e o fim de boca demasiado curto para o que se esperaria de um vinho deste pretenso calibre. Boa cor, bons aromas, sem espantarem - também aqui acreditávamos num aroma mais complexo e exuberante.
Outro percalço surgiu com a rolha, que se desfez mostrando a má qualidade da cortiça usada - para nosso espanto - e obrigou a filtrar o vinho para poder ser bebido.
Concluindo, a Sogrape não nos habituou a isto, tanto no que toca à rolha como na qualidade do vinho. Não estou com isto a dizer que o vinho era mau, muito longe disso! Mas, definitivamente, esperávamos mais...
tuguinho, enófilo esforçado
Vinho: Quinta dos Carvalhais, Touriga Nacional 2000 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 19,85 €
Nota (0 a 10): 6,5
Foto da garrafa obtida no site do produtor
Subscrever:
Mensagens (Atom)


