sexta-feira, 19 de julho de 2019

No meu copo 778 - Torri d’Oro, Primitivo di Manduria 2016

Continuamos nos vinhos estrangeiros, passando agora para a Europa.

De Itália, concretamente da região de Puglia, chega-nos este tinto vinificado unicamente com a casta Primitivo – uma novidade absoluta, que dá origem à denominação de origem Primitivo di Manduria.

Também este vinho estava muito bem referenciado, e tendo em conta que os tintos italianos mais comuns não costumam ser nada de especial, e desconhecendo em absoluto esta casta, resolvi apostar na sua compra. E neste caso com total sucesso!

O vinho apresenta tonalidade vermelha profunda, a tender para o granada, com reflexos violetas. No nariz sobressaem os aromas de frutos do pomar, como ameixas e cerejas pretas, e alguma especiaria como canela e cravinho.

Na boca é texturado e encorpado, com taninos firmes mas redondos, mostrando-se amplo e com final intenso e persistente.

Acompanha na perfeição pratos de carne bem temperados e a pedir um vinho com alguma robustez.

Ao contrário do vinho anterior, este convenceu plenamente e mostrou ser um grande vinho! Em Itália, afinal, há mais vida para além do Asti e do Chianti...

Recomendo vivamente a quem tiver interesse em conhecer algo bem diferente do que estamos habituados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Torri d’Oro, Primitivo di Manduria 2016 (T)
Região: Puglia (Itália)
Produtor: Angelo Rocca & Figli
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Primitivo
Preço: 13,96 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 16 de julho de 2019

No meu copo 777 - Rosemount GSM 2013

E agora algo completamente diferente, parafraseando os Monty Python.

Falamos dum vinho australiano, produzido próximo da cidade de Adelaide, com o nome associado às três castas que lhe deram origem. Adquiri-o por curiosidade, como resultado da descrição que dele era feita no site em que o encomendei (www.flashgorumet.pt).

Reza assim:

“Rosemount Estate, criada em 1974, é uma empresa de vinhos australiana baseada na região de Hunter no sul da Austrália, sendo propriedade do Grupo Tesouro Wine Estates. No princípio do século 21, Rosemount foi o segundo mais vendido das marcas de vinho australianos nos EUA. A Rosemount construiu uma forte reputação a nível internacional e no seu próprio país para a produção de vinhos de alta qualidade.

Lançado pela primeira vez em 1994, os vinhos GSM são a interpretação da tradicional mistura do velho mundo com as castas Grenache, Shiraz e Mourvèdre, provenientes de McLaren Vale. Os ricos sabores de frutas picantes de Grenache equilibra o poder opulento de Shiraz e a estrutura firme de Mourvèdre, com o Shiraz proporcionando uma grande estrutura e equilíbrio para o fruto inicial do Grenache. Este vinho não é apenas altamente atraente em novo, mas também tem a capacidade comprovada para envelhecer bem.

Frescura, vibração e grande potabilidade são as qualidades que Rosemount Estate promete em cada garrafa. Um vinho fácil de beber e cheio de sabores deliciosos.

Syrah
Popularmente conhecida como Shiraz, principalmente na Austrália onde tem enorme sucesso, esta casta resulta na produção de vinhos escuros, ricos, fortes, com um elevado grau de álcool e ligeiramente apimentados. Combina na perfeição com várias outras castas e envelhece de forma sublime, conferindo ao produto final o estatuto de um vinho tinto verdadeiramente clássico.
As principais notas aromáticas: cerejas pretas, groselhas negras, amoras, ameixas, damascos, pimenta preta, alcaçuz, gengibre, chocolate preto, violeta.

Grenache
Os climas quentes e secos potenciam todo o sabor desta casta que, com o seu paladar frutado e apimentado, revela ainda um grau de álcool substancial, ideal para combinar com outras castas ou para liderar, sozinha, aquele que já é considerado um dos vinhos tintos mais na moda.
As principais notas aromáticas: morangos, framboesas, groselhas vermelhas, ginjas, pimenta preta, gengibre moído, chocolate, violetas.

Monastrell
Uma das castas melhor adaptadas ao calor, a uva Monastrell contribui com estrutura e notas de amoras maduras nos potentes tintos do Mediterrâneo, principalmente no sul da França, onde é conhecida como Mourvèdre. É umas das castas mais antigas em produção. Segundo algumas teorias, a uva Mourvèdre chegou a Espanha levada pelos fenícios em 500 a.C. A Espanha é o país com a maior área plantada, chegando a mais de 60 mil hectares.

Um vinho do novo mundo com 3 castas típicas do velho mundo. Foi Wine Spectator Top 100 de 2007, e ao saboreá-lo, você pode ver o porquê.”


Perante tão opulenta descrição, a expectativa era elevada. No entanto, o vinho não correspondeu de todo. Demasiado álcool tornou o vinho adocicado e algo enjoativo. Faltou-lhe um perfil mais vibrante assim como riqueza de aromas.

Há cerca de uma década, em Portugal, fomos invadidos por uma praga de vinhos deste género, que encheram o mercado de verdadeiras xaropadas. Não digo que fosse exactamente este o caso, mas a verdade é que não convenceu de acordo com o que era anunciado.

Demasiado caro para o prazer proporcionado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Rosemount GSM 2013 (T)
Região: McLaren Vale (Austrália)
Produtor: Rosemount Estate – McLaren Vale, South Australia
Grau alcoólico: 15%
Castas: Grenache, Syrah, Mourvèdre
Preço: 14,25 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 12 de julho de 2019

No meu copo 776 - Couquinho Superior branco 2018

Eis uma novidade absoluta à mesa. Um vinho branco do Douro que me chegou por meio de mão amiga e que se mostrou bastante simpático.

De cor clara a tender para o limonado, no nariz apresenta notas florais a par com algum citrino.

Não muito estruturado, na boca é relativamente aberto embora apresentando algum volume e persistência, com acidez equilibrada e bem marcada.

No final apresenta-se elegante, com bom comprimento e alguma delicadeza.

Foi experimentado com vários pratos, e aquele com que casou melhor foi com uma pescada dourada (uma espécie de molho de fricassé mas com peixe em vez de frango). É portanto um vinho tendencialmente mais vocacionada para pratos de peixe delicados e com algum requinte.

Como primeira experiência, ficou bastante bem na prova.

Enologia de João Brito e Cunha e Vítor Rabaçal.

Obrigado à Filipa Trigo pela oferta do vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Couquinho Superior 2018 (B)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Couquinho - Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Rabigato, Gouveio
Preço: cerca de 10 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 9 de julho de 2019

No meu copo 775 - Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2013

Aqui está mais um clássico, um vinho mais ou menos consensual. Temo-lo acompanhado ao longo dos anos e sempre se mostrou um vinho fácil de agradar, tornando-se uma referência da região e da Quinta da Alorna.

Esta pareceria entre duas castas emblemáticas, uma nacional e outra internacional, funciona sempre bem, de tal forma que também é utilizada na elaboração de rosés. No entanto, este Reserva tem apresentado algumas oscilações de colheita para colheita.

O vinho em causa, da colheita de 2013 adquirido em Outubro de 2017, pareceu algo despersonalizado. Poderá estar numa fase decrescente de evolução, mas o aroma apresentou-se discreto, sem se fazer sentir aquelas características mais típicas da Touriga e do Cabernet que encontrámos noutras colheitas.

Tal como no aroma, na prova de boca apresentou-se algo discreto em termos de corpo e estrutura, com o final a ficar algo curto.

Há anos e anos, há colheitas e colheitas, há garrafas e garrafas. Continua a ser um bom vinho, mas certamente voltaremos a encontrá-lo em melhor forma. O problema é que as expectativas já estão mais altas do que a média, e nem sempre podem ser cumpridas na totalidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2013 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 5,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 6 de julho de 2019

No meu copo 774 - Adega de Borba Reserva (Rótulo de Cortiça) tinto 2015

Voltamos a mais um clássico! Este faz-nos companhia há muitos anos, apesar de não ser uma visita muito frequente.

Em caso de dúvida, contudo, trata-se sempre duma aposta segura. Assim aconteceu num repasto mais alargado para acompanhar cabrito assado no forno e entrecôte de carne dos Açores. Entre várias opções menos consensuais, eu e o tuguinho resolvemos revisitar este, e em boa hora o fizemos.

Tendo sido previamente decantado, este Borba Reserva tinto, popularmente conhecido como “Rótulo de Cortiça”, apresentou-se ainda com bastante juventude no aroma apesar de já contar com quase 4 anos após a colheita.

No primeiro contacto sobressaem frutos maduros no aroma, com uma cor rubi carregada a mostrar um vinho menos concentrado do que era habitual. Na boca revela estrutura e taninos firmes mas macios, dando uma prova com alguma frescura e elegância, ao contrário do perfil clássico que era mais fechado e robusto.

O fim de boca é persistente mas macio.

Estagiou 12 meses em barricas de 3º e 4º ano, seguindo-se 6 meses em garrafa.

Confirmou tudo o que se esperava dele, com esta nuance de parecer agora um vinho um pouco mais aberto e mais moderno, mas sem perder a tipicidade. É claro que também faz parte das nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Adega de Borba Reserva (Rótulo de Cortiça) 2015 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Cooperativa de Borba
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 2 de julho de 2019

No meu copo 773 - Reguengos Reserva dos Sócios 2014

Este vinho é uma novidade relativamente recente da CARMIM (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz), e foi adicionado ao portefólio como parceiro do clássico Garrafeira dos Sócios. A primeira colheita com que tive contacto foi a de 2012, e desde logo me agradou.

À semelhança do que já acontece com alguns vinhos emblemáticos do país (na Sogrape, o que não é seleccionado para ter o rótulo de Barca Velha vai para Reserva Especial; nas Cortes de Cima, o que não é seleccionado para ter o rótulo de Incógnito vai para Homenagem a Hans Christian Andersen), este vinho aparece como aquele que não foi seleccionado para ter o rótulo de Garrafeira dos Sócios.

Depois dum primeiro estágio de um ano, onde é sujeito a provas regulares, o vinho dá origem a dois lotes em que o melhor irá para Garrafeira dos Sócios e o segundo melhor irá para Reserva. É neste momento que se estabelece a diferença, pois o Garrafeira continuará em estágio por mais 8 a 12 meses passando ainda por um período posterior de repouso em garrafa, enquanto o Reserva será então engarrafado. Em resumo, a diferença essencial entre os dois vinhos prende-se com o tempo de estágio em barrica e em garrafa.

Daqui resulta que este Reserva dos Sócios se apresentará, em princípio, como um vinho um pouco mais jovem, mais robusto e adstringente, com aromas mais frutados. Assim nos pareceu a primeira prova da colheita de 2012 e agora, à mesa, com este 2014.

Muito carregado na cor (com o contributo de 50% de Alicante Bouschet para o lote), denota aromas de fruta preta e silvestre bem como especiarias, dando um prova longa e com boa amplitude. No primeiro contacto apresenta-se com os aromas bastante fechados, evoluindo para uma boca mais macia e aromas mais intensos ao longo da prova.

Dada a sua estrutura e robustez, bate-se bem com pratos de carnes fortes, em que a caça poderá ser a parceria ideal.

É mais um excelente produto proveniente da sub-região de Reguengos de Monsaraz e uma boa alternativa ao Garrafeira dos Sócios por um preço mais atractivo. Um vinho para acompanhar com atenção e que merece entrada directa nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos Reserva dos Sócios 2014 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 6,50 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 28 de junho de 2019

No meu copo 772 - Valle Pradinhos Reserva tinto 2016

Já há algum tempo que não tinha oportunidade de provar este vinho. Por nenhuma razão especial, apenas porque não calhou.

De facto, desde que o conheci sempre foi um vinho que me agradou, pelo seu perfil mais delicado do que o habitual, fugindo ao mais tradicional em terras durienses e transmontanas. Vai para mais de 10 anos a última prova referida aqui no blog, que não foi brilhante, mas depois dessa houve outras ocasiões não relatadas.

E foi assim que numa ocasião em que se reuniram vários comensais, e para fugir à ditadura do Douro (omnipresente) e do Alentejo, optámos por este vinho para acompanhar uns deliciosos bifes à cortador.

Na verdade, começa a tornar-se cansativo aquele tipo de vinhos super-extraídos e super-concentrados, onde já não espero encontrar nada de novo nem de surpreendente.

Este Valle Pradinhos (que agora tem a designação “Reserva” adicionada ao nome), pelo contrário, apresenta-se bem longe dum vinho que transmita as agruras da região para dentro da garrafa. Tem uma cor rubi concentrada, apresenta um aroma intenso a frutos vermelhos e do bosque, corpo médio e elegante, final persistente e estruturado mas suave.

Faz uma parceria quase perfeita com pratos de carne grelhada ou assados no forno (também já o provei a acompanhar cabrito e foi delicioso).

Não é nada caro para o prazer que nos proporciona e merece, obviamente, figurar na nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valle Pradinhos Reserva 2016 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Maria Antónia Mascarenhas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Amarela, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 24 de junho de 2019

No meu copo 771 - Morgado de Sta. Catherina Reserva 2016

Numa fase em que a Quinta da Romeira passa por um período de transformação, resultante da sua aquisição pela Sogrape depois de já ter transitado pela Companhia das Quintas e pela Wine Ventures (que ainda produziu esta colheita), tivemos um “encontro imediato” com um dos vinhos mais emblemáticos produzidos na quinta.

Este é um lídimo representante do melhor que o Arinto produz na sua região de eleição. Servido à temperatura certa, cerca de 10º C, parece o branco quase perfeito para todos os pratos e todas as estações.

Está lá tudo. A intensidade aromática do Arinto, as notas cítricas e florais, a estrutura e amplitude de boca, o final persistente, intenso e vibrante, tudo bem envolvido por uma acidez crocante e notas de madeira muito discreta que não atrapalha nem distorce o perfil do vinho.

A colheita provada foi a de 2016 e mostrou-se de excelente saúde, sem sinais de decadência precoce, parecendo estar no ponto óptimo de consumo.

Está um grande vinho e tem entrada directa nas nossas escolhas!

Vamos ver como sairão as próximas colheitas, sob a nova orientação da Sogrape.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Morgado de Sta. Catherina Reserva 2016 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Wine Ventures - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 6,89 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 21 de junho de 2019

No meu copo 770 - Grandjó Meio Doce 2018

Esta é uma das marcas mais tradicionais da Real Companhia Velha.

Raramente nos temos cruzado com este vinho, que agora é por vezes incluído no lote dos vinhos mais doces de colheita tardia (embora a empresa produza também um Late Harvest desta marca).

Esta versão meio doce fica a meio caminho, com a incorporação de duas castas que lhe conferem o maior teor de açúcar, como o Gewürztraminer e o Moscatel.

Apresenta-se com uma cor citrina clara e brilhante, aromas florais e algum frutado exótico. Na boca a doçura sobressai sem ser enjoativa, apresentando um final suave e delicado.

Não sendo claramente um vinho tradicional de sobremesa, também não é um vinho para a refeição. É preciso escolher as parcerias adequadas em que se equilibre o líquido com os sólidos. Talvez algumas entradas, como patés, ou gelados de fruta sejam boas companhias.

Não é um vinho encantador, mas é agradável dentro do género e tem de ser consumido na ocasião adequada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grandjó Meio Doce 2018 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Gewürztraminer, Moscatel
Preço em feira de vinhos: 4,27 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 17 de junho de 2019

No meu copo 769 - Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 1996

O regresso dum clássico. Reencontrámo-lo num jantar promovido pela garrafeira Néctar das Avenidas com vinhos das Caves São João (também falaremos dele um dia destes). No meio duma panóplia de grandes vinhos, alguns deles sendo novidades absolutas e outros clássicos, este brilhou a grande altura e cotou-se, provavelmente, como a vedeta da ocasião.

Verdade, verdadinha, é que não há nada como voltar a prová-lo em casa, em boa companhia. Assim se fez, na mesma ocasião em que bebemos o Veuve Clicquot e o Reserva do Comendador 2013, e confirmaram-se as melhores impressões e as melhores expectativas.

Estes vinhos antigos que as Caves São João nos vão disponibilizando tornam-se difíceis de descrever, tal é a forma como nos impressionam os sentidos. Neste caso, não são as imagens que valem mais do que mil palavras, mas sim os goles e os aromas com que vamos degustando e aspirando lentamente este néctar delicioso.

Este é um dos exemplares onde nos é mostrado como o Cabernet Sauvignon se expressa na sua melhor forma, com todos os aromas e sabores na conta certa. Nada de excessos, aroma intenso como se fosse 20 anos mais novo, estrutura, persistência e delicadeza bem conjugadas.

Mais do que gastar palavras a tentar descrevê-lo, beba-se! A repetir uma vez, e outra, e outra...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 1996 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 14 de junho de 2019

No meu copo 768 - Marquês de Borba Vinhas Velhas: branco 2017; tinto 2017

Recentemente João Portugal Ramos apresentou novidades do seu portefólio vínico num restaurante de Lisboa. Sobre esse evento falaremos em breve.

Hoje falamos sobre dois vinhos que foram apresentados há cerca de um ano na Adega Vila Santa, em Estremoz, e que na altura deixaram algumas questões em aberto. Como foi referido na altura, foram oferecidas aos presentes duas garrafas do novo Marquês de Borba Vinhas Velhas, um branco e um tinto.

O branco 2017 mostrou-se claramente um vinho a precisar de tempo em garrafa, pois apareceu demasiado marcado pelo estágio em madeira, onde fermentou durante 6 meses.

Nesta mais recente apresentação, no restaurante Faz Figura, voltámos a ter oportunidade de provar o mesmo vinho, que o enólogo considera que pode ter sido o melhor branco que já produziu e que revelou ter também uma pequena quantidade de Petit Maseng além das castas identificadas na ficha técnica. Mas a prova definitiva fez-se em casa, calmamente e em várias refeições.

O vinho apresenta-se com aspecto cristalino num amarelo palha, com aroma predominante de evidenciam-se frutos cítricos. As notas de tosta provenientes da barrica ainda lá estão mas bastante mais domadas e discretas, integrando-se melhor no conjunto. Na boca apresenta-se fresco e com alguma mineralidade, num conjunto com alguma estrutura e volume de boca, com final amplo mas já macio.

A manter-se este perfil, nunca será um vinho para beber demasiado novo, precisando de pelo menos um ano e meio após a colheita para estar bebível de modo a poder ser usufruído em pleno.

Entretanto tivemos oportunidade de voltar a provar o tinto, agora já da colheita de 2017. Fermentou em lagares de mármore com pisa a pé e estagiou durante um ano em barricas de carvalho.

Apresenta uma cor granada intensa, aroma concentrado de frutos pretos e algumas notas de especiarias. Na boca é volumoso e redondo, com taninos aveludados. O final não é exuberante, sendo mais marcado pela suavidade.

Dois novos produtos para explorar noutro patamar de preços.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Alvarinho, Roupeiro
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Castelão, Syrah
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

segunda-feira, 10 de junho de 2019

No meu copo 767 - Reserva do Comendador tinto 2013

Continuamos no Alto Alentejo, mas agora um pouco mais para sul, parando em Campo Maior e num vinho da Adega Mayor.

Este vinho estava a repousar tranquilamente à espera duma boa oportunidade para ser bebido. Não quisemos consumi-lo muito novo, e nesta fase já parecia estar a caminho da maturidade suficiente para se mostrar em pleno à mesa.

De facto, assim aconteceu. Este vinho é um daqueles que não enganam, logo que se chega o nariz ao copo. O primeiro aroma causa grande impacto, com notas de frutos vermelhos e do bosque a sobressair com grande intensidade. Apresenta uma bela cor granada aberta que nos faz olhar para ele e agitá-lo no copo para ver o seu brilho transparente.

Aberto algum tempo antes do consumo, mas sem ter sido decantado, na boca revelou-se já liberto do tempo de garrafa, com leves notas da barrica em que estagiou durante 18 meses, antes de um ano em garrafa.

Com taninos firmes mas sedosos, na boca é encorpado e envolvente, redondo e persistente e com final de grande amplitude e prolongado.

É um daqueles vinhos que nos apetece que não acabe, e que nos mostra aquele patamar de excelência a que só alguns têm o privilégio de se alcandorar.

Brilhante e, obviamente, mais um para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reserva do Comendador 2013 (T)
Região: Alentejo (Campo Maior)
Produtor: Adega Mayor
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional
Preço: 17,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 7 de junho de 2019

No meu copo 766 - Vale Barqueiros Reserva tinto 2015

Voltamos à Herdade de Vale Barqueiros, agora para provar o Reserva tinto.

Como o próprio nome indica, este vinho está num patamar acima dos Colheita Seleccionada provados anteriormente, sendo marcado sobretudo pela estrutura e robustez.

No nariz apresenta notas compotadas e de especiarias, com algum fruto maduro. Na boca é encorpado, persistente e longo.

O elevado grau alcoólico é compensado pelos taninos redondos e maduros.

Um produto muito interessante, que valerá a pena provar novamente em tempo mais frio e com pratos mais invernais, pois todo o seu perfil aponta para ser um vinho de inverno.

Pratos de caça poderão ser um desafio muito interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Vale Barqueiros Reserva 2015 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão)
Produtor: Sociedade Agrícola de Vale Barqueiros
Grau alcoólico: 15%
Castas: Cabernet Sauvignon (55%), Syrah (25%), Alicante Bouschet (20%)
Preço: 11,70 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 3 de junho de 2019

No meu copo 765 - Champanhe Veuve Clicquot

Aproveitando a improvável vitória do Benfica no campeonato nacional de futebol, juntámos um núcleo de bandalhos na celebração anual para degustar uma garrafa de champanhe, a que associámos também a vitória do Sporting na Taça de Portugal pois um dos presentes torce pelos verdes!

Nos últimos anos, eu e o tuguinho tínhamos optado pelo G. H. Mumm Cordon Rouge, aproveitando a associação de nome do champanhe à vitória dos encarnados!

Desta vez, não tendo encontrado esta marca, voltámos a um clássico que já há uns anos não provávamos.

E o que dizer desta viúva? Que nunca nos desilude! É encorpado, intenso de aroma e com boa estrutura na boca, com bolha fina e persistente e final vibrante e refrescante. Continua a ser, dentro deste patamar, um dos melhores na relação qualidade-preço, embora o preço tenha vindo inevitavelmente a subir, mas não deixa de ser uma aposta bem conseguida. Tão bem conseguida que parece que da próxima vez vai ser preciso comprar duas garrafas!

Bom para celebração... e para muito mais!

tuguinho e Kroniketas, enófilos em celebração

Vinho: Veuve Clicquot Champagne Brut (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Maison Veuve Clicquot Ponsardin - Reims
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier
Preço: 48,49 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 31 de maio de 2019

No meu copo 764 - João Portugal Ramos, Loureiro 2018

De regresso aos vinhos de João Portugal Ramos, voltamos a um Loureiro da colheita 2018 que, tal como as anteriores, engloba uma percentagem de 15% de Alvarinho.

Como se esperava, mostrou-se um vinho com alguma elegância, notas florais, algum citrino e final suave.

É um vinho feito para o Verão que se aproxima. Obrigado à João Portugal Ramos Vinhos pelo envio de mais esta garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: João Portugal Ramos, Loureiro 2018 (B)
Região: Vinho Verde
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Loureiro (85%), Alvarinho (15%)
Preço: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7


Foto da garrafa obtida no site do produtor

segunda-feira, 27 de maio de 2019

No meu copo 763 - Herdade do Peso tinto 2014

Continuamos na zona da Vidigueira, agora com um salto à Herdade do Peso, a propriedade da Sogrape na região.

Na nova linha de vinhos que tem vindo a ser paulatinamente reformulada nesta herdade alentejana (com uma ou duas apostas que não me pareceram totalmente bem conseguidas), e no esforço para pôr este nome com maior destaque no mercado, onde perde claramente para as marcas do Dão, com a Quinta dos Carvalhais, e principalmente para o Douro, com a Casa Ferreirinha, tem havido algumas oscilações de qualidade mas a marca que ostenta o nome da herdade parece agora estar a assentar e a manter uma consistência de qualidade.

Este Herdade do Peso tinto revela-se logo no primeiro aroma, com os frutos vermelhos e pretos a destacarem-se no primeiro contacto. Na prova de boca revela alguma especiaria, intensidade e estrutura, com bom volume envolvido em taninos firmes mas macios.

Apresenta um final persistente e vivo, com alguma elegância.

Uma boa aposta, que se espera seja para continuar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Peso 2014 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 24 de maio de 2019

No meu copo 762 - Vidigueira Premium branco 2017

Este é um dos vinhos do novo portefólio da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, que costuma primar por alguma frescura e mineralidade como é típico daquela região.

Esta colheita, em particular, peca por um excesso de graduação alcoólica que torna o vinho algo pesado e deselegante. Não se percebe muito bem qual o sentido de fazer um branco com 14,5%, ainda por cima numa zona geralmente considerada das mais aptas para produzir brancos frescos.

Excesso de maturação, descuido no período de vindima, desequilíbrio nos mostos entre álcool e maturação, vá-se lá saber. É certo que o Verão de 2017 foi afectado pelo célebre escaldão de início de Agosto, que provocou perdas importantes. Se calhar onde não houve muitas perdas houve um aumento significativo do álcool.

A verdade é que o vinho não está particularmente bom. A cor é bastante carregada, o que desde logo deixa antever que o vinho não será um modelo de elegância e leveza.

Bebe-se sem dificuldade mas também sem especial agrado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2017 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7

segunda-feira, 20 de maio de 2019

No meu copo 761 - Vale Barqueiros: Colheita Seleccionada tinto 2015; Colheita Seleccionada branco 2017

Produzidos em Alter do Chão, os vinhos Vale Barqueiros tiveram altos e baixos, com períodos de algum destaque e outros de quase desaparecimento.

Redescobri-os no recente evento Alentejo em Lisboa, e de imediato me atraíram. Agora tive oportunidade de provar em casa o tinto e o branco Colheita Seleccionada.

Este tinto é um vinho muito elegante e suave, mostrando aquele lado mais delicado do Alentejo, que se encontra principalmente nas zonas mais altas. De cor rubi e aroma delicado com notas de frutos silvestres, com ligeiras nuances de madeira muito bem integrada. Na boca é suave e redondo, com final elegante e delicado.

Torna-se um vinho guloso que se bebe com facilidade e prazer. Boa relação qualidade-preço que justifica mais uma entrada nas nossas escolhas.

Quanto ao branco, apresenta uma cor citrina aberta, prima também pela elegância e suavidade, primando por notas frutadas cítricas com algumas nuances e frutos do pomar. Leve na prova de boca, com uma boa acidez que realça o fim de boca.

Dois vinhos muito agradáveis. Difícil é não gostar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Alter do Chão)
Produtor: Sociedade Agrícola de Vale Barqueiros

Vinho: Vale Barqueiros Colheita Seleccionada 2015 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Syrah, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,30 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vale Barqueiros Colheita Seleccionada 2017 (B)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço: 7,30 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Bairrada em Lisboa em dose dupla (2ª parte)

Bairrada de Excelência no Centro Cultural de Belém







Voltando ao universo dos vinhos da Bairrada, e regressando no tempo até 2018, a Comissão Vitivinícola da Bairrada e e revista Vinho – Grandes Escolhas trouxeram a Lisboa uma prova de vinhos emblemáticos da região, com a presença de alguns dos mais prestigiados produtores.

Não é uma repetição do Bairrada@LX, até porque tem um número de produtores e de visitantes bastante mais restrito, mas incide sobre o melhor que a região nos pode oferecer. Como ponto em comum, o facto de o Rei dos Leitões estar igualmente presente neste evento com alguns petiscos à disposição dos visitantes de forma gratuita.

Sem querer ser redundante, mas as impressões aqui colhidas não diferem muito de eventos próximos e similares. A maior diferença esteve num workshop realizado numa sala à parte e dedicado exclusivamente aos espumantes – uma Masterclass Bairrada terra de Espumantes.

Apresentada por Luís Lopes, director da revista e há muitos anos radicado naquela região, a forma como o orador apresentou a falou dos espumantes reflecte bem a paixão que nutre não só pela região, no seu todo, mas pelos seus espumantes em particular.

À data do evento existiam 23 referências de espumantes Baga Bairrada no mercado, sendo esta, actualmente, uma marca distintiva dos espumantes da região.

Foram provados 12 espumantes, separados em 4 temas diferentes:

Tema 1: Rosé em cuba fechada
Tema 2: Baga Bairrada
Tema 3: Castas brancas
Tema 4: Castas brancas e tintas (modelo de Champagne)


Como informação introdutória, realce-se alguns dados trazidos para a mesa.

•A idade do espumante mede-se entre o momento da espumantização e o dégorgement.

• As castas Chardonnay e Pinot Noir, base do champanhe, existem na Bairrada desde final do século XIX, quando a intenção era produzir ali o champanhe bairradino. Para atingir este objectivo a acidez é um factor crucial: o vinho base tem de ter acidez bastante, castas ácidas e colhidas cedo. Costumam ter 11 a 11,5 % de álcool antes de 2ª fermentação.

• Os brancos Baga Bairrada têm um standard de côr, devendo existir uma estabilidade ao nível de cor, acidez e sabor. Existe uma câmara de provadores e um selo especifico para atribuir a certificação Baga Bairrada a um espumante.

Passando aos vinhos provados, aqui ficam algumas notas resumidas.

Tema 1: Rosé em cuba fechada

1 - M&M Gold Edition rosé Baga e Touriga Nacional (Cave Central da Bairrada)
Algo adocicado, meio chato
Preço: 8,50 €


Tema 2: Baga Bairrada - Brancos de Baga

2 - Primavera Baga 2015 extra bruto
Concentração, corpo e acidez. Vivo, vibrante
Preço: 7,40 €

3 - Vinícola Castelar 2013
Mais untuoso e cheio
Preço: 12 €

4 - Íssimo 2013
Muito claro na cor. Bastante cremoso na boca
Preço: 10 €

5 - Original Positivewine 2015
Mais fruta citrina, quase incolor
Preço: 7 €

6 - Regateiro Baga (Lusowini)
Cor mais acobreada, boca mediana
Preço: 10,50 €


Tema 3: Castas brancas (Blanc de blancs, elaborados com uvas brancas tradicionais)

7 - Aplauso Reserva 2009
Bical, Cercial, Maria Gomes
Preço: 8,50 €

8 - Quinta do Ortigão Reserva 2010
Arinto, Bical, Chardonnay (na Bairrada desde o Século XIX para espumantes)
Algo crocante, com notas de frutos secos
Preço: 10,50 €


Tema 4: Castas brancas e tintas (modelo de Champagne)

9 - (Caves da) Montanha Grande Reserva 2010
Baga, Chardonnay, Bical, Arinto
36 meses de cave, bastante jovem na prova de boca
Preço: 12 €

10 - Ataíde Semedo Millésime 2015
Cercial (35%), Bical (35%), Chardonnay (15%), Pinot Noir (15%)
Elegância, finura, qualidade de fruta
Preço: 15,95 €

11 - Luís Costa bruto natural (zero) 2015
Nenhum açúcar adicionado - até 12 gr/lt
Pinot Noir, Chardonnay
Preço: 17,50 €

12 - Messias Blanc de Blancs 2011, Chardonnay
Produzidas 2500 garrafas na Quinta do Valdoeiro, em Vacariça
Muito elegante e intenso
Preço: 15 €


Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 12 de maio de 2019

No meu copo, na minha mesa 760 - Quinta da Soalheira 2016; Gastrobar 13 (Alvor)






Uma incursão ao Algarve deu-me a oportunidade de conhecer um bar de petiscos em Alvor, onde se podem comer várias doses de pequenos pratos que não deixam de ser “comida a sério”.

Ao contrário da “cozinha da moda”, aqui os pratos são minimamente normais e quando se escolhe fica-se com a noção do que se vai provar. Não há “espumas”, nem “camas”, nem “reduções de”...

O espaço é muito interessante e agradável. Quando se franqueia a porta entra-se numa zona de bar tradicional, com pequenas mesas e um balcão por cima do qual existe uma enorme prateleira forrada a LP’s, muitos deles que ficaram célebres no seu tempo. Existe desde Lou Reed a Bob Marley, de Police a Eric Clapton, de Doors a Simon and Garfunkel, de Trovante a Rui Veloso...

Passada esta entrada, mais ao fundo há acesso a um quintal frondoso onde estão dispostas as mesas para os comensais. O espaço está coberto por vegetação que dá um ar campestre e fresco ao local. Como não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão, esta é bem aproveitada pois a primeira impressão é bastante agradável. Em fundo vai passando música de vários géneros.

Pediram-se pratos diversos que, no geral, agradaram. Uns mais originais ou mais saborosos, como a carninha com migas de espinafres, a quejadilla de frango ou o bacalhau à Lagareiro.

Para acompanhar pediram-se dois vinhos, um branco e um tinto, sendo que este teve direito a repetição. Do Lello branco não tive grandes impressões pois não provei mais que um golo, tendo-me detido mais no tinto.

O Quinta da Soalheira, produzido no Douro pela Borges, apresenta-nos o outro lado do Douro com um perfil diferente, mais elegante sem perder estrutura. Aroma frutado intenso, taninos firmes mas redondos e final persistente e elegante. Relativamente à prova anterior, pareceu um pouco mais leve e mais macio.

Em resumo, um bom convívio à volta da mesa, com bons produtos sólidos e líquidos. Um local a revisitar, conquanto seja previsível bastante dificuldade para fazê-lo nas férias de Verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Soalheira 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Roriz e Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: Gastrobar 13
Travessa do Castelo, 13
8500-003 Alvor
Telef: 967.993.711
Preço médio por refeição: 15-20 €
Nota (0 a 5): 4

quarta-feira, 8 de maio de 2019

No meu copo 759 - Quinta do Vesúvio 2016

Este é um dos diversos vinhos do portefólio da Symington, quer produzidos sob a marca da empresa quer em parceria com Bruno Prats, onde ganham a autoria de P+S, significando Prats & Symington.

Esta marca Quinta do Vesúvio é uma das que se enquadram no primeiro caso, recebendo portanto o nome da Symington Family Estates como produtor.

Ultrapassado este pequeno detalhe de ordem burocrática-institucional, passemos ao vinho propriamente dito.

Esta é uma das marcas emblemáticas da casa e uma das que têm granjeado maior prestígio. O vinho apresenta-se muito concentrado, pujante e robusto na prova de boca. E no entanto, parece que lhe falta algo mais, não encanta. É um, entre muitos, com elevada extracção que lhe dá uma cor quase retinta. Mas, no final, acaba por não encantar nem surpreender.

Este perfil de vinhos acaba por se tornar cansativo, pois por muitos que se provem acabam por se tornar todos iguais.

É bom? Claro que é! Mas fico a perguntar-me o que é que trouxe de novo, ou de diferente, que justifique o preço que custa... E permaneço com esta dúvida...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Vesúvio 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Symington Family Estates
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (56%), Touriga Franca (40%), Tinta Amarela (4%)
Preço: 45 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 4 de maio de 2019

Bairrada em Lisboa em dose dupla (1ª parte)

Bairrada@LX 2019





São muitos os eventos a decorrer, alguns onde se pode comparecer, pouco o tempo para relatá-los.

Desde há alguns anos tornou-se regular a realização de dois eventos em Lisboa dedicados a duas das regiões mais tradicionais do país mas que andam um pouco fora dos circuitos mais populares junto dos consumidores – dir-se-ia que são eventos quase só para os verdadeiros interessados, mas é de aplaudir o esforço das respectivas organizações para tentar chamar o grande público a provar os grandes vinhos que aí se produzem.

Falamos do Dão Capital e do Bairrada@LX, ambos com as últimas edições localizadas no Mercado da Ribeira, ao Cais do Sodré, e ainda o BairraDão, que decorre hoje mesmo no centro da cidade, no Hotel Real Palácio e junta “dois em um”.

O mais recente foi o Bairrada@LX que decorreu em Março. Organizado por um grupo de amigos entusiastas da Bairrada, designados por Eira na Beira, este evento reúne alguns dos produtores mais conhecidos da Bairrada, a que se juntam também alguns petiscos fornecidos pelo conhecido Rei dos Leitões.

Nesta visita insisti mais nos espumantes, podendo comprovar a consistência de qualidade que é produzida na região, que se afirma cada vez mais como uma referência nesta variante. Há mesmo quem considere que se pode estabelecer em definitivo como a melhor região de espumantes do país.

Pessoalmente continuo a ser fã principalmente dos tintos com alguma idade, mas essas são outras contas. Neste caso provei apenas alguns com os quais tenho menos oportunidades de me cruzar. Tanto os tintos como os espumantes foram excelentes parceiros dumas mini-sandes de leitão e dos imperdíveis ovos moles.

Em resumo, estiveram presentes 21 produtores, mais de 130 vinhos e cerca de 500 visitantes de 12 nacionalidades diferentes.

Parabéns à organização e esperamos reencontrá-los no próximo ano. Continuem com esta iniciativa, porque a região merece.

Kroniketas, amigo da Baga e da Bairrada

Fotos cedidas pela organização, excepto as duas últimas

quarta-feira, 1 de maio de 2019

No meu copo, na minha mesa 758 - Callabriga 2016; Restaurante Nogueira’s (Lisboa)



Depois da cozinha moderna, passamos para a comida a sério. Este é um restaurante junto ao rio Tejo que já andava debaixo de olho há algum tempo mas que ainda não tinha tido oportunidade de visitar.

O espaço é amplo, bem decorado, atractivo e com bom gosto. O atendimento rápido, atencioso e eficiente.

Sem desprezar os pratos do dia, que nos são apresentados inicialmente e têm um preço bem mais modesto que o resto da carta, o grande trunfo da casa parecem ser mesmo as carnes grelhadas, de grande qualidade, variedade e confeccionadas no ponto ideal. Depois de percorrer as opções que incluem, entre outras coisas, um chuletón de 900 g e um Legendary Tomahawk de 1 kg, optámos, para duas pessoas, por uma dose de maminha laminada e uma posta de vitela, ambas com 300 g de peso. Os preços, naturalmente, têm um “peso” correspondente ao da carne...

Os acompanhamentos são pedidos à parte, pelo que são mais uns euros a somar. Optou-se por batatas fritas, como era mister, e legumes grelhados.

Para não carregar muito mais na conta, optámos por um velho conhecido, e em vez do Esporão fomos para a Casa Ferreirinha e bebemos um Callabriga. Um vinho que está logo acima do Vinha Grande no portefólio da casa mas cujo perfil se aproxima muito mais do Quinta da Leda. É um vinho de cor rubi profunda, com aroma intenso a frutos vermelhos com algumas notas florais, grande concentração e volume de boca, com taninos bem integrados e macios. Precisa de tempo no copo para amaciar e libertar os aromas, mostrando-se depois mais sedoso e com um final persistente.

Depois de tudo servido à mesa, o conjunto ficou com o aspecto que se vê na primeira imagem.

No meio desta panóplia, as sobremesas ficaram um pouco aquém da qualidade do resto, não encantando. O Petit Gâteau de doce de leite argentino não encantou nem surpreendeu.

Não é para todos os dias, mas este restaurante merece uma visita sem pressas e em boa companhia. No tipo de refeição pelo qual optámos, é caro, claro! Mas desta vez comeu-se comida a sério!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Nogueira’s
Av. 24 de Julho, 68-F
1200-869 Lisboa
Telef: 915 181 515
Preço médio por refeição: 40 - 50 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Callabriga 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca (60%), Touriga Nacional (25%), Tinta Roriz (15%)
Preço em feira de vinhos: 13,99 €
Nota (0 a 10): 8,5