domingo, 29 de novembro de 2020

No meu copo 891 - Vale de Lobos: branco 2018; tinto 2016; Cabernet Sauvignon 2015

Uma formação que estou a frequentar em Santarém deu-me a oportunidade de fazer uma visita a um produtor na Póvoa de Santarém, a meia-dúzia de quilómetros da capital de distrito.

A Quinta da Ribeirinha é uma empresa familiar fundada em 1940 por José Cândido e gerida actualmente pelos seus filhos Rui e Mariana. Emprega 15 pessoas e produz cerca de 600.000 garrafas por ano, a maioria para exportação.

Na visita tivemos a companhia do administrador Rui Cândido e do enólogo César Machado, que explicou todo o processo de fabrico dos brancos, tintos, rosés e espumantes.

Tivemos igualmente oportunidade de provar alguns dos vinhos da casa, sendo que dois deles me despertaram especial atenção. No caso o branco da marca Vale de Lobos e um tinto monocasta de Cabernet Sauvignon, que não foi provado mas que, sabendo-se que a casta se dá muito bem na região, acabei também por adquirir.

O primeiro vinho provado e que mais me surpreendeu foi o Vale de Lobos branco, elaborado com base no Fernão Pires, complementada com uma percentagem menor de Arinto. A verdade é que este branco, quer custa apenas 3,55 € na loja do produtor, mostrou-se um vinho bastante interessante, pontuado por uma excelente acidez, com aroma frutado intenso e com grande suavidade na boca, redondo e macio. Surpreendentemente bom.

O Vale de Lobos tinto é talvez o menos entusiasmante dos três vinhos aqui em prova. É medianamente encorpado, com aromas a frutos vermelhos não muito intensos, corpo médio e persistência também média. Não deixa de ser interessante e fácil de beber, e também com um preço muito simpático.

Finalmente o Cabernet Sauvignon, um patamar acima dos anteriores e claramente um vinho já com um nível bem acima da média. Um belo exemplar de Cabernet, muito arredondado e macio, com taninos firmes e uma adstringência muito discreta e contida, com final persistente e suave. Um vinho muito bem conseguido e que não desmerece em nada o nome da casta.

Foi muito interessante conhecer os vinhos desta casa, e só resta agradecer a simpatia com que fomos recebidos e desejar os melhores auspícios para este produtor quase desconhecido do grande público.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Tejo (Santarém)
Produtor: Quinta da Ribeirinha

Vinho: Vale de Lobos 2018 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Fernão Pires, Arinto
Preço: 3,55 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vale de Lobos 2016 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Touriga Nacional, Aragonês
Preço: 3,64 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Vale de Lobos, Cabernet Sauvignon 2015 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço: 7,5 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeos em https://youtu.be/Dl6V4PAGysg (1ª parte), https://youtu.be/7sI_Bs_Qdfo (2ª parte) e https://youtu.be/-RaE5XnoisU (3ª parte)

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

No meu copo 890 - Villa Alvor Singular rosé 2019

De vez em quando é bom descomplicar.

Depois dum primeiro contacto com o Sauvignon Blanc, finalmente tivemos oportunidade de provar o Villa Alvor Singular na gama de entrada, curiosamente não adquirido no Algarve mas em Lisboa. Mistérios da distribuição...

Começamos pelo rosé.

É um vinho fresco, redondo, suave, não muito estruturado, com persistência média.

No nariz sobressaem as notas de frutos vermelhos juntamente com um ligeiro floral. Na boca sente-se um ligeiro adocicado que é compensado por uma acidez interessante.

Não primando pela complexidade, nem era expectável que assim acontecesse, não deixa de ser um vinho interessante e suficientemente elaborado para se sair bem à mesa, nomeadamente com pratos de cozinha italiana. Ou pratos de mar algarvios...

Não é, portanto, o tal “rosé de esplanada” – aliás, cada vez os há menos, e ao mesmo tempo que os rosés vão perdendo a cor, aproximando-se quase do incolor, vão ganhando aptidão gastronómica, tornando-se bons parceiros à mesa.

Temos aqui um desses casos: um rosé para a mesa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Villa Alvor Singular 2019 (R)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Aveleda – Villa Alvor
Grau alcoólico: 12%
Castas: Syrah, Aragonês, Trincadeira
Preço em hipermercado: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/PFf4NDVtGto

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

No meu copo 889 - José de Sousa Reserva tinto 2017

Já conhecemos há muitos anos os vinhos José de Sousa, mas esta é a primeira prova do José de Sousa Reserva.

Dada a sua proveniência, e depois das provas mais recentes dos vinhos elaborados na Adega José de Sousa (como o Domingos Soares Franco Colecção Privada Grand Noir e o Domingos Soares Franco Colecção Privada Alentejano), naturalmente que o que se espera dum vinho desta gama só pode ser algo de muito bom! E é!

Tendo em conta o elevado preço, as expectativas só podem ser altas, e o vinho não defraudou minimamente.

De cor granada intensa com algumas nuances rubi muito ligeiras, é um vinho com uma belíssima estrutura e amplitude de boca, com taninos bem marcados mas redondos. No aroma temos fruta preta e vermelha como dominante, com profundidade mas ainda algo contido, pelo que é expectável que os aromas ainda se desenvolvam de forma mais intensa pois é notória a sua juventude.

O final é intenso, vibrante mas suave – é um daqueles poucos vinhos em que se conjugam estrutura e alguma pujança com suavidade e elegância.

Claramente um vinho de guarda, que vai evoluir muito bem na garrafa e a que se augura longa vida, neste momento já se bebe com imenso prazer como esta prova demonstra. É o que se chama um vinho guloso, em que apetece beber sempre mais um bocadinho.

Fermentou parcialmente em diferentes meios: ânforas de barro, lagares e cubas de inox. Depois do lote constituído, estagiou 8 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, estando a madeira perfeitamente doseada e integrada no conjunto, sem ser impositiva e transmitindo ao vinho apenas as qualidades necessárias e suficientes.

Mesmo o elevado grau alcoólico está bem balanceado e não torna o vinho cansativo, como tantas vezes acontece.

Belo vinho! Pode ser repetitivo, mas é mais um excelente trabalho saído da batuta de Domingos Soares Franco.

Mais um para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: José de Sousa Reserva 2017 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Grand Noir, Aragonês, Syrah
Preço: 18,99 €
Nota (0 a 10): 8,5


Vídeo em https://youtu.be/koEvhdimqI0

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

No meu copo 888 - Primus 2015

De regresso aos brancos do Dão e de Álvaro Castro, chegamos a um topo de gama, um vinho absolutamente notável!

Este Primus 2015, elaborado com predominância de Encruzado e castas misturadas de vinhas velhas, apresenta-se com uma juventude invulgar num branco para a idade que tem, mantém uma acidez fantástica e mostra uma exuberância na prova de boca que o tornam um vinho guloso, daqueles que apetece sempre beber mais um bocadinho.

Este vinho fermentou parcialmente em barricas de carvalho, com bâtonnage, mas a madeira não aparece minimamente impositiva no aroma nem no sabor, o que significa que foi doseada no ponto certo.

É um vinho estruturado, persistente, amplo, com aromas exuberantes a frutos cítricos e do pomar a par com uma mineralidade bem marcada, final persistente e vivo, e que ao mesmo tempo mostra um bom potencial de evolução, embora neste perfil de vinhos eu prefira bebê-los exactamente assim como ele se encontra neste momento, com toda a frescura da juventude e da fruta bem presentes.

É um enorme vinho, que apesar do preço merece ser apreciado com toda a atenção. Não é um vinho apenas para beber: é para degustar.

Vai directamente para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Primus 2015 (B)
Região: Dão
Produtor: Álvaro Castro - Quinta da Pellada
Grau alcoólico: 13%
Castas: Encruzado e vinhas velhas misturadas
Preço: 30 €
Nota (0 a 10): 8,5


Vídeo em https://youtu.be/hPvuXurgTBY

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

No meu copo 887 - Caves São João: 97 Anos de História tinto 2014

Com este vinho fechamos (até ver...) o nosso périplo pelos vinhos evocativos dos 100 anos das Caves São João.

A história já foi devidamente enquadrada em posts anteriores (aqui, aqui, aqui e aqui), e este foi o último vinho que tivemos oportunidade de adquirir e provar. O centenário completa-se este ano e ficou assinalado com o lançamento não de um, mas de dois vinhos: um espumante rosé e um Porto Vintage elaborado por Dirk Niepoort.

Esta é a nossa singela homenagem ao centenário deste produtor que tantos momentos de prazer vínico nos tem proporcionado.

Este 97 Anos de História tinto de 2014 evoca a década que mediou entre 1990 e 2000 e o destaque que foi dado às conferências mundiais sobre o clima.

Vinificado unicamente com Baga, a mais emblemática das castas tintas da Bairrada, estagiou durante 12 meses em pipas de carvalho francês, seguindo-se mais 18 meses em cubas de cimento. Foi engarrafado em 2017, dando origem apenas a 3908 garrafas.

Não é um tinto de Baga típico, na sua versão mais rústica e adstringente, pelo contrário apresenta-se muito macio e com uma elegância inusual. A cor é um rubi intenso, o aroma é profundo e complexo com notas de folhas silvestres e frutos pretos e do bosque, um leve toque de especiarias com taninos macios e bem integrados no conjunto.

Final intenso e persistente mas elegante.

Em suma, mais um belíssimo vinho desta década comemorativa do centenário. O preço é algo proibitivo mas dividido por vários torna-se mais acessível. Vale a pena conhecê-lo se ainda o encontrarem por aí.

Parabéns às Caves São João, e venham mais 100 anos. Espero poder degustar ainda mais algumas décadas...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Caves São João: 97 Anos de História 2014 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Baga
Preço: 45 €
Nota (0 a 10): 8,5


Vídeo em https://youtu.be/aBImbkxIku0

domingo, 8 de novembro de 2020

No meu copo 886 - Muros Antigos, Alvarinho 2019

Temos aqui um monocasta elaborado pelo “Sr. Alvarinho”, Anselmo Mendes, em versão menos exuberante que o excelente Muros de Melgaço.

Estamos num patamar de preços mais acessível, sem deixarmos de estar perante um belíssimo exemplar da casta.

Na realidade, sem ser opulento no aroma e sedoso na boca como os Alvarinhos de topo, este Muros Antigos não deixa os seus créditos por mãos alheias, transmitindo tudo o que se espera da casta: aroma frutado intenso com notas tropicais, acidez bem evidente na prova de boca, redondo e macio sem deixar de ser complexo, boa persistência e final macio mas prolongado.

Não há muito mais para definir um monocasta Alvarinho, e este tem tudo o que é necessário para se cotar entre as boas escolhas disponíveis.

A sua frescura torna-o particularmente vocacionado para comidas leves e de Verão, com o natural destaque para pratos de marisco, com os quais harmoniza na perfeição.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Muros Antigos, Alvarinho 2019 (B)
Região: Vinho Verde (Melgaço)
Produtor: Anselmo Mendes Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 7,39 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/vRRFk-7atFo

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

No meu copo 885 - Quinta da Leda 2009

Foi anunciado em Setembro o lançamento da mais recente colheita do Barca Velha, o 2011, cujas uvas são provenientes precisamente da Quinta da Leda, onde se produzem os vários tintos sob a marca da Casa Ferreirinha.

Estamos agora a falar dum outro campeonato: o campeonato da excelência. Dos vinhos caros e muito bons. O Quinta da Leda, que tem o nome do local que lhe dá origem (e tivemos a possibilidade de estar na apresentação desta colheita de 2009 em Lisboa), até nem é dos mais caros, mas será porventura um dos melhores.

Já o conhecemos há muitos anos, bebemo-lo no máximo uma vez por ano, para não se tornar uma vulgaridade e porque não é vinho que se beba em qualquer ocasião.

Neste vinho conjugam-se quase na perfeição todas as componentes essenciais para a obtenção dum vinho de excelência. Longevidade, concentração e robustez quanto baste, elegância, suavidade, finesse, persistência, aroma intenso e exuberante a fruta com nuances complexas florais, balsâmicas, abaunilhadas e especiadas, madeira perfeitamente integrada com taninos firmes mas sedosos, tudo em doses muito equilibradas e numa harmonia quase perfeita.

Ainda mais notável é a juventude que ele mostra quando completa já 11 anos depois da colheita – afinal, o mesmo princípio que norteia a decisão para o lançamento do Barca Velha.

Como diz um dos comparsas com quem habitualmente partilho este vinho, “parece a fórmula de Deus”.

Não é o melhor vinho do mundo nem provavelmente de Portugal. Mas se pudéssemos beber sempre vinhos desta estirpe, estaríamos certamente mais perto do paraíso.

Um vinho extraordinário, que merece cada cêntimo pago por ele.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Leda 2009 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha – Sogrape
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 33,95 €
Nota (0 a 10): 9


Vídeo em https://youtu.be/607KwJOWkks

sábado, 31 de outubro de 2020

No meu copo 884 - Villa Alvor Singular, Sauvignon Blanc 2018

Este é o primeiro vinho do projecto da Aveleda no Algarve, onde antes existia a Quinta do Morgado da Torre, na zona da Penina, perto de Alvor.

Agora com o nome de Villa Alvor, esta nova fase apresenta uma gama de vinhos mais alargada, na qual a designação Singular passou a denominar os vinhos monocasta, sendo que o Sauvignon Blanc é uma das variedades em destaque a julgar pelo que se pode encontrar no comércio.

Este exemplar pretende expressar as qualidades do Sauvignon Blanc no terroir do Algarve. De facto os aspectos marcantes da casta estão lá. No entanto falta-lhe alguma exuberância e, principalmente, uma certa tipicidade.

No conjunto o vinho não desilude, mas também não encanta. Dito de outra forma, parece um Sauvignon Blanc meio envergonhado, com tudo muito discreto e contido.

Não quer dizer que seja mau, pelo contrário, é bem agradável. No entanto, conhecendo o Sauvignon Blanc que se faz em Portugal um pouco por todo o lado, este Villa Alvor fica, para já, uns furos abaixo. E para o preço que custa exige-se um bocado mais.

Vamos aguardar pela oportunidade de provar os vinhos da marca de entrada, o Villa Alvor, que poderão ajudar a perceber melhor o perfil que a Aveleda pretende para estes vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Villa Alvor Singular, Sauvignon Blanc 2018 (B)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Aveleda – Villa Alvor
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 11,99 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/nsaLY5r1MSo

terça-feira, 27 de outubro de 2020

No meu copo 883 - Quinta da Fonte Souto tinto 2017

aqui o referimos há cerca de um ano: o mundo do vinho em Portugal está em grande azáfama com a movimentação de produtores para fora das suas zonas de origem (a Aveleda migrou do seu berço, no Minho, para o outro extremo do país, no Algarve).

Desde há décadas que os vinhos de Portalegre granjearam fama entre os apreciadores, por serem necessariamente diferentes dos vinhos da planície interior. Ainda hoje, tanto os vinhos da Tapada do Chaves como os Portalegre DOC marcam alguma diferença e uma identidade muito própria que trouxeram até aos dias de hoje. É certamente essa identidade que os novos produtores aqui chegados vieram procurar junto das encostas da Serra de São Mamede.

Um dos projectos recentemente desenvolvidos é este da Symington Family Estates, uma empresa que agrupa diversos nomes famosos na produção de vinho do Porto (Dow’s e Graham’s são duas referências incontornáveis) e que produz também algumas marcas de vinho de mesa do Douro como o Altano, o Prazo de Roriz, as várias marcas da Quinta do Vesúvio e o Chryseia.

À semelhança da Fundação Eugénio de Almeida (com a aquisição da Tapada do Chaves à Murganheira) e da Sogrape (com a Quinta do Centro), temos a Symington a apostar na altitude dos vinhos de Portalegre com os vinhos Quinta da Fonte Souto, esta sim uma marca verdadeiramente nova.

E o que nos traz esta nova marca? Para já, nada de particularmente entusiasmante. É verdade que são os primeiros passos, não é uma marca estabelecida há décadas como as outras e é preciso cair algumas vezes para começar a andar.

O que eu tenho a dizer como primeira abordagem a este tinto Quinta da Fonte Souto é que parece um Douro feito no Alentejo. Falta verdadeiramente o carácter do Alentejo no copo, assim como o carácter da altitude. O vinho é demasiado concentrado e demasiado extraído, não cheira nem sabe a vinho alentejano.

Ao abrir a garrafa, olha-se para aquela cor carregadíssima, quase opaca, e pensa-se logo nos tintos pesadões que invadem o Douro de lés-a-lés. No aroma o mesmo, na boca idem, e cansa logo ao segundo copo.

Lembram-se do Bairrada São Domingos Garrafeira 2011, que não tem Baga mas todo ele é Bairrada dentro da garrafa? Pois é o contrário deste: as castas estão lá, mas o carácter alentejano não.

O projecto é novo e tem muito tempo para afinar, e certamente ninguém quer saber daquilo que eu acho. Mas este não é, de todo, um vinho alentejano para vingar enquanto tal se mantiver este perfil, porque para fazer vinho do Douro no Alentejo não vale a pena o trabalho…

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Fonte Souto 2017 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Symington Family Estates
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet (40%), Trincadeira (25%), Cabernet Sauvignon (15%), Syrah (10%), Alfrocheiro (10%)
Preço: 14,95 €
Nota (0 a 10): 6


Vídeo em https://youtu.be/idDK926bn5c

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

No meu copo 882 - Morgado do Reguengo tinto 2018

Continuamos a rumar a norte e chegamos a Portalegre, para provar uma marca antiga mas que é nova no portefólio da Adega de Portalegre.

O Morgado do Reguengo já existia há várias décadas sendo produzido por Jorge Avillez, tendo a nova direcção da Adega de Portalegre Winery adquirido os direitos da marca, que agora faz companhia às marcas clássicas como o Portalegre DOC e o Conventual.

Este é um tinto aberto, de cor rubi e aroma a frutos vermelhos e silvestres. Na boca apresenta alguma estrutura, com taninos presentes mas macios, sendo envolvente e predominantemente jovem e fresco, com um final macio e leve.

Requer-se, portanto, acompanhamento de pratos não muito pesados e temperados, pois poderão abafar a delicadeza do vinho.

Em resumo, é um vinho bem elaborado, mas o preço está um bocado puxado para cima, pois nesta gama tem de concorrer com alguns tintos que já são “pesos pesados”. Não será muito fácil...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Morgado do Reguengo 2018 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega de Portalegre Winery
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão, Grand Noir, Alicante Bouschet
Preço: 12 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/6bhfSahOCVY

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

No meu copo 881 - Julian Reynolds Reserva tinto 2014

Rumando a norte por terras alentejanas, paramos em Arroches, algures a meio caminho entre Campo Maior e Portalegre, no projecto da família Reynolds, estabelecida no Alentejo desde 1850.

Dentre os diversos vinhos ali produzidos, repetimos uma referência já provada há alguns anos mas agora acrescentada com a designação Reserva.

Desde essa altura mudou também o lote, que mantém a Alicante Bouschet e a Syrah, mas saíram as típicas Aragonês e Trincadeira que foram substituídas pela ubíqua Touriga Nacional. Talvez por isso este vinho não tem um carácter tão marcadamente alentejano como o anterior, revelando-se com um perfil mais aberto e floral.

Sendo a Alicante Bouschet uma casta tintureira e estando presente em 40% do lote, a cor é bastante fechada mesmo já tendo o vinho 6 anos de idade. O aroma apresenta notas de frutos maduros, algum achocolatado e ligeiríssimo toque da madeira em que estagiou durante 12 meses.

Na boca apresenta-se com boa estrutura e taninos bem marcados, é equilibrado, redondo e persistente, com final elegante. Tanto no aroma como na boca apresenta uma juventude evidente, que é de realçar já a caminho dos 6 anos.

Mostra ser um vinho com potencial evolutivo em garrafa, parecendo poder durar outro tanto ou mais sem problemas. Seria interessante acompanhar como este vinho evoluirá em garrafa durante mais alguns anos, embora neste momento já esteja num ponto óptimo de consumo.

Apesar de eu preferir o perfil mais clássico que a colheita de 2006 apresentava, este perfila-se como um vinho muito interessante e não segue nenhuma tendência: apresenta um perfil e uma personalidade muito próprios, o que o torna ainda mais interessante.

A acompanhar proximamente.

Mais sobre a Alicante Bouschet em http://fugas.publico.pt/Vinhos/334695_alicante-bouschet-a-prima-donna-que-se-deu-bem-no-alentejo?pagina=-1

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Julian Reynolds Reserva (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Reynolds Wine Growers
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet (40%), Touriga Nacional (40%), Syrah (20%)
Preço: 13 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/F9QQSYwgkb4

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

No meu copo 880 - Esporão Reserva branco 2018

Um regresso ao Esporão e ao Reserva branco, já aqui provado há cerca de um ano e meio, agora com a colheita de 2018.

Remetendo para aquele post, as referências mantêm-se. Tanto nas qualidades do vinho como na parte menos boa, que continua a ser a demasiada expressão da madeira no conjunto.

Como o perfil se mantém, presume-se que é um perfil assumido pela casa que quer mantê-lo assim.

Neste registo, tem de ser um vinho bebido a acompanhar pratos de peixe bem temperados, nomeadamente cozinhados no forno e com muito azeite.

Neste enquadramento, será sempre uma referência e um branco a ter em conta.

Beba-se a acompanhar pratos fortes de peixe, como bacalhau no forno com muito azeite, que se baterá muito bem com a estrutura e o volume do vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Reserva 2018 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 11,18 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/mp-mjzdkuK8

domingo, 11 de outubro de 2020

No meu copo 879 - Cabriz, Touriga Nacional branco 2018

Temos aqui em estreia absoluta este blanc de noirs de Touriga Nacional da Quinta de Cabriz. É a segunda referência em branco de tintas nos vinhos tranquilos portugueses que passa pela nossa mesa, depois das provas anteriores do Invisível de Aragonez, da Ervideira.

Tal como aquele, este é um vinho curioso, com nuances de aroma e sabor fora do comum, e que nos deixam algo indecisos acerca daquilo que estamos a provar. Os aromas predominantes da Touriga não são notados mas o carácter floral permanece e prevalece. Depois sente-se algum citrino e um certo toque melado.

Até a cor é diferente do habitual: não é cítrica nem palha, as mais comuns; é mais um tom melado a tender para o âmbar, um amarelo mais escuro a fazer lembrar os brancos mais oxidados.

Na boca tem um toque adocicado muito ligeiro, é redondo e suave tendo um final persistente mas não muito intenso.

É um vinho claramente vocacionado para pratos de peixe com algum tempero e complexidade mas mostra-se versátil e polivalente, pois apresenta uma bola acidez e bastante frescura.

Até pela originalidade que apresenta, é um vinho que vale a pena acompanhar, por um preço aceitável. Por isso entra directamente para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabriz, Touriga Nacional 2018 (B)
Região: Dão
Produtor: Global Wines
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/F6uVvAMmR5Y

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

No meu copo 878 - Scarpa Garrafeira 1987

Nos idos da década de 90, um dos primeiros vinhos do Douro que tive oportunidade de conhecer (eram poucos à época) foi um tal Scarpa, que era produzido pela Quinta da Cismeira em São João da Pesqueira. O rótulo era alaranjado e o vinho era elegante, suave e muito interessante, muito longe da era das bombas de concentração, álcool e madeira deste século.

Há algum tempo este vinho veio-me à memória, e comecei a ver se ainda o encontraria por aí. Consegui encontrar esta colheita de 1987 nesta versão Garrafeira.

Foi-me dito que o vinho estava em boas condições de conservação, o nível dentro da garrafa estava normal, portanto havia garantias mínimas de que o vinho deveria estar perfeitamente bebível.

E assim se verificou. Foi uma belíssima surpresa, mostrou-se de óptima saúde. Depois de arejar algum tempo (sem decantação) e libertar os aromas, apresentou-se muito macio e elegante, com uma cor já acastanhada como é normal mas sem mostrar sinais de declínio. Serviu para reavivar algumas memórias, e soube bem recordá-lo.

Para quem gostar de provar relíquias entretanto desaparecidas, este vinho poderá ser uma das que valem a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Scarpa Garrafeira 1987 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta da Cismeira
Grau alcoólico: 12%
Castas: Tinta Roriz e outras
Preço: 13,50 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/3mLlbJGPecU

sábado, 3 de outubro de 2020

No meu copo 877 - Casa da Passarela, A Descoberta tinto 2017

E chegamos agora ao tinto A Descoberta, a referência que faltava neste trio.

Elaborado com um lote clássico, é também um Dão mais ou menos clássico, com as notas de frutos vermelhos e do bosque bem presentes, elegante e com uma boa amplitude de boca, persistência média com um final suave mas firme.

Mais uma boa aposta desta casa que completa de forma muito interessante esta marca A Descoberta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa da Passarela, A Descoberta 2017 (T)
Região: Dão (Serra da Estrela)
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/9P5ThC1ICtU

terça-feira, 29 de setembro de 2020

No meu copo 876 - Quinta das Bágeiras Chumbado tinto 2015

É a segunda vez que nos cruzamos com esta marca em casa, depois das primeiras provas em garrafeira.

Já se sabe donde surgiu este nome: a Câmara de Provadores da Comissão Vitivinícola da Bairrada reprovou um branco para ter denominação Bairrada (na altura o Pai Abel 2011) e o produtor chamou-lhe Chumbado, lançando-o como vinho de mesa.

Este tem a particularidade acrescida de nem sequer conter o nome Quinta das Bágeiras tanto no rótulo como no contra-rótulo.

A verdade é, que sendo chumbado ou não, este vinho é um Bairrada em tudo aquilo que o caracteriza. Nada ali nos diz que aquele não é um Bairrada típico, a começar pelas castas utilizadas – mesmo que a CVB ache que não é.

Tal como costuma acontecer com os vinhos de Mário Sérgio, este tinto de 2015 tem todos as componentes no sítio certo. O aroma é algo fechado e discreto com algumas notas de plantas do bosque e frutos pretos.

Na boca o primeiro ataque é algo adstringente mas depois de arejado e redondo, macio e bem estruturado, com final persistente mas suave.

Venham mais Chumbados destes, que nós cá estaremos para aprová-los.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Chumbado (Quinta das Bágeiras) 2015 (T)
Região: Bairrada (sem denominação de origem)
Produtor: Mário Sérgio Alves Nuno
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço: 9 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/S5uS4WOOiSE

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

No meu copo 875 - Head Rock Grande Reserva tinto 2015

Este é um projecto relativamente recente que está a ter alguma visibilidade nos vinhos nacionais.

Sediado na sub-região de Chaves, em solo granítico a uma altitude de cerca de 450-550 metros, este Head Rock Grande Reserva apresenta-se robusto, com taninos muito firmes e presentes, estruturado e amplo na boca, com final marcado por alguma adstringência e muito persistente.

Apresenta uma cor rubi carregada e aroma de fruta madura bem expressivo e intenso, com a madeira discreta. Estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês usadas.

É claramente um vinho com um grande futuro pela frente e longa vida em garrafa. Embora apresente um preço elevado, não deixa de ser uma proposta aliciante e que vale a pena revisitar.

Poderá firmar-se como um dos grandes vinhos do país, mas sendo este o primeiro contacto que tivemos com ele, vamos aguardar pelo que o futuro nos dirá. Para já, tem um bom benefício da dúvida.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Head Rock Grande Reserva 2015 (T)
Região: Trás-os-Montes (Chaves)
Produtor: Carlos Manuel Alves Bastos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço: 19,65 €
Nota (0 a 10): 8,5


Vídeo em https://youtu.be/-nW-3_wfWKc

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

No meu copo 874 - Casa da Passarela, A Descoberta branco 2019


Depois de termos provado o rosé, temos agora este branco da linha “A Descoberta” da Casa da Passarela.

É um branco que agradou logo no primeiro contacto e mantém todas as características para agradar.

Muito bem feito, com aromas frutados tropicais pontuados por algum citrino e um ligeiro floral, muito equilibrado na prova de boca, com excelente acidez a deixar uma boa frescura e um final amplo e macio.

Com o acréscimo de ter um preço muito simpático, é um vinho bastante apelativo e uma aposta muito interessante.

É difícil encontrar-lhe algum ponto menos positivo, pelo que se recomenda sem hesitações, e naturalmente faz parte das nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa da Passarela, A Descoberta 2019 (T)
Região: Dão (Serra da Estrela)
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/RcxndhyhEMM

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

No meu copo 873 - HM Lisboa branco 2019

Continuando a linha de crescimento deste HM Lisboa branco, temos em estreia a colheita de 2019, acabadinha de chegar, que mostra uma evolução para um vinho mais sério e mais complexo e que tem vindo a conquistar a crítica especializada.

Os pormenores têm vindo a ser afinados e melhorados de colheita para colheita, e já estamos a chegar a um vinho mais crescido e maduro.

Temos aqui um vinho com boa estrutura e amplitude de boca, com aroma frutado intenso, acidez vibrante e prolongada e óptima frescura num final de boca persistente.

Tal como nas edições anteriores, é um vinho que melhora com o tempo em garrafa, precisando de algum tempo para crescer e mostrar todo o seu potencial.

Ao fim de quatro edições já se afirmou no panorama nacional e revelou uma consistência qualitativa que justifica a sua entrada para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: HM Lisboa 2019 (B)
Região: Lisboa
Produtor: Hugo Mendes Wines
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço: 10 € (patronos)
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/aXIhE0emQ6c

domingo, 13 de setembro de 2020

No meu copo 872 - Casa da Passarela, A Descoberta rosé 2019


Esta nova tendência dos rosados de cor muito aberta continua neste A Descoberta, uma linha da Casa da Passarela que tem no portefólio um rosé, um branco e um tinto (destes falaremos em breve).

É um vinho muito fresco, leve, aromático, óptimo para pratos italianos, com alguma estrutura e alguma complexidade, pelo que se pede que seja tratado à mesa de forma séria.

Mesmo sendo um vinho de entrada na gama da Casa da Passarela, este rosé A Descoberta é um bom representante dos vinhos do Dão, que merece ser olhado com a devida atenção.

É mais um rosé a óptimo preço e com relação qualidade-preço muito interessante, pelo que também se recomenda e faz parte da nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Casa da Passarela, A Descoberta 2019 (R)
Região: Dão (Serra da Estrela)
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/nJB2XOJotYE

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

No meu copo 871 - Quinta da Alorna, Touriga Nacional rosé 2017

Uma das nossas referências a nível dos rosés nacionais, que com uma ou outra oscilação se tem mantido com uma qualidade consistente, sempre num registo de muita frescura e acidez, bem frutado e com leveza quanto baste.

Agora seguindo a linha dos rosés de cor muito aberta, quase alaranjada (ai as modas...), continua a ser um vinho muito agradável e que se bebe despreocupadamente, quase sem se dar por isso, fazendo boas harmonizações com um leque alargado de pratos, portugueses ou não.

Foi experimentado com um prato de frango de caril (uma coisa que me custa a passar pelo estreito...) e ajudou bastante a equilibrar o sabor e a deglutir o prato.

Acresce que o preço é quase imbatível, pelo que temos aqui uma óptima relação qualidade-preço.

E quando assim é, só nos podemos dar por satisfeitos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2017 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 3,79 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/lNeyYIBsao8

sábado, 5 de setembro de 2020

No meu copo 870 - Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional rosé 2019

Continuamos no domínio dos vinhos rosados e agora num que tem sido quase sempre um caso de sucesso.

Conheço este vinho há bastantes anos, já o vi com outros rótulos e até com os nomes das castas invertidos (Touriga Nacional em primeiro lugar). De há algum tempo para cá estabilizou nesta ordem, com o Cabernet Sauvignon em primeiro lugar e agora com o rótulo mais moderno e estilizado.

Nalgumas colheitas a qualidade teve oscilações. Andou ali entre o seco e o doce, o fresco e o enjoativo, mas agora parece ter seguido a nova tendência de serem todos muitos leves e muito abertos, e é isso que temos nesta garrafa.

Tem uma cor salmão meio desmaiada, aromas intensos com notas de frutos vermelhos e silvestres, complementadas com apontamentos florais que lhe são dados pela Touriga Nacional.

Na boca o vinho é muito fresco e com muito boa acidez, elegante, envolvente e suave, com final macio e persistente.

É uma aposta muito interessante na gama dos rosés, com uma excelente relação qualidade-preço e que faz parte das nossas escolhas há muitos anos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2019 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/1zOxrHqn1XQ


terça-feira, 1 de setembro de 2020

No meu copo 869 - Quinta do Monte d'Oiro rosé 2018

Este novo rosé da Quinta do Monte d’Oiro, que já se chamou Lybra e antes disso ainda teve uma versão inicial chamada Clarete, apresenta-se agora com a nova roupagem e a nova marca que uniformizou toda a gama de vinhos da empresa desde 2017.

Tal como é descrito nos vídeos anexos editados pelo próprio produtor, é elaborado a partir de uvas duma parcela especificamente trabalhada para a produção dum rosé, pelo que estas uvas Syrah não seguem o mesmo percurso dos talhões de Syrah para a elaboração de tintos.

Obtém-se assim um rosé muito aberto, de cor salmão clara, com notas de frutos vermelhos no aroma. Apresenta uma boa acidez e boa frescura na boca, com uma ligeira doçura que pode tornar-se enjoativa se o vinho não estiver suficientemente frio, pelo que é obrigatório refrescá-lo adequadamente.

É sobretudo um vinho gastronómico, para beber à mesa e não à beira da piscina, portanto não vale a pena pensar nele para refresco mas sim para acompanhar uma boa refeição de Verão.

O preço não é dos mais apelativos dentro do género, mas não deixa de ser um vinho que vale a pena conhecer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Monte d'Oiro 2018 (R)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d'Oiro
Grau alcoólico: 12%
Casta: Syrah
Preço: 8,99 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeos em https://youtu.be/OQd8YxeVxDQ (1ª parte) e https://youtu.be/iqe7WgdxDWg (2ª parte)

domingo, 2 de agosto de 2020

No meu copo 868 - Vicentino, Sauvignon Blanc 2018

Temos aqui o primeiro produtor verdadeiramente sediado na costa vicentina, que aposta nos seus primeiros vinhos em incluir um Sauvignon Blanc, seguindo os passos que as Cortes de Cima já tinham trilhado ao plantar uma vinha de Sauvignon Blanc nas proximidades de Vila Nova de Milfontes.

Este Vicentino não é um vinho muito exuberante aromaticamente nem extremamente excitante na prova de boca, mas apresenta uma suavidade e uma elegância que a casta consegue mostrar nesta região.

Muito equilibrado sem ser excepcional, mostra o melhor que a casta tem num registo um pouco mais contido. Apresenta-se bastante gastronómico, portando-se bem melhor à mesa do que em prova a solo. Poderá ser uma boa aposta para os mariscos que existem em abundância nesta costa.

É um vinho a acompanhar e a rever em próxima ocasião, sem descurar a restante gama de vinhos que a empresa apresenta.

Existem outros brancos e tintos que será curioso perceber como resultam nesta zona em que o clima costeiro é tão fresco e húmido, de forma bem contrastante com as elevadas temperaturas que se verificam poucos quilómetros mais para o interior.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vicentino, Sauvignon Blanc 2018 (B)
Região: Alentejo (Costa Atlântica)
Produtor: Frupor
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 10,80 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/-XdsC4v6YDk

PS: e agora pausa para férias. Voltamos em Setembro.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

No meu copo 867 - Adega Penalva Reserva 2016; Milénio, Touriga Nacional e Aragonês 2016

A Adega Cooperativa de Penalva do Castelo não é dos produtores mais falados na região do Dão, conquanto não deixe de produzir alguns vinhos bem interessantes como os dois de que aqui falamos.

O Reserva é um Dão de perfil a tender para o clássico, com notas aromáticas do bosque. Na boca tem boa estrutura e apresenta-se contido, não sendo muito exuberante nem no aroma nem no sabor. Não sendo um vinho de encantar, não deixa de ser uma boa amostra dos tintos do Dão neste patamar de preços.

Já o Milénio, que não é novidade, mostra um lado mais moderno e contemporâneo duma região rica em tradições. É feito com as castas Touriga Nacional e Tinta Roriz vinificadas em cubas de inox com controlo de temperatura.

Após fermentação maloláctica o vinho passa por ligeiro estágio em barricas de carvalho.

O vinho é fresco e aromático e bebe-se com muita facilidade. Um vinho na entrada de gama feito para gostar.

Em suma, dois bons exemplares de tintos com perfis diferentes que não deixam ficar nada mal a região.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Adega Cooperativa de Penalva do Castelo

Vinho: Adega de Penalva Reserva 2016 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Milénio, Touriga Nacional e Aragonês 2016 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/uQtN9zNnC0Q

quinta-feira, 23 de julho de 2020

No meu copo 866 - Dão Borges Reserva tinto 2008

A Sociedade dos Vinhos Borges é uma das empresas produtoras de vinho mais antigas em Portugal, pois existe desde 1884. Como muitas outras à época, começou essencialmente ligada à produção de Vinho do Porto.

Actualmente produz os seus vinhos de mesa (vinhos tranquilos) com base em três quintas: a Quinta de Simaens, em Felgueiras, na região dos Vinhos Verdes, a Quinta da Soalheira, em São João da Pesqueira, na região do Douro, e esta que agora aqui nos traz: a Quinta de São Simão da Aguieira, em Nelas, na região do Dão.

Tivemos, em tempos, a possibilidade de provar também excelentes vinhos da Borges produzidos na Bairrada, mas neste momento esta região não se encontra no portefólio da empresa. Produz ainda espumantes e brandy, para além do já referido Vinho do Porto.

É sempre um prazer difícil de descrever quando me reencontro com os grandes tintos do Dão que remetem para a época em que a região dava cartas.

Parafraseando Luís Lopes, director da “Vinhos - Grandes Escolhas”, este é um Dão que não quer ser Douro quando for grande: é um Dão com o que o Dão tem de melhor.

Um grande bouquet, tão típico dos melhores tintos do Dão, com aromas de frutos do bosque no nariz, elegância e grande complexidade na boca, envolvente, suave, redondo e sedoso, com taninos presentes mas muito macios e todo o conjunto muito equilibrado.

Uma só palavra pode caracterizar este Borges Reserva: delicioso. Todo ele é finesse, elegância. Esperava que fosse bom, mas não que fosse tão bom!

Tendo em conta que é de 2008, a saúde com que se apresenta é notável, não evidenciado quaisquer sinais de cansaço ou evolução excessiva, nem no aroma nem no sabor.

Não me canso de dizer isto: para quem ainda pensa que só o Douro e o Alentejo é que estão a dar, sugiro que mude a agulha e prove vinhos como este, porque são estes que realmente nos mostram como não tem de ser tudo igual e não temos de mastigar vinho nem beber pau líquido.

Também não me canso de repetir isto: felizmente ainda se fazem vinhos assim.

Um grande VIVA aos vinhos do Dão! Notável!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Borges Reserva 2008 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 11,24 €
Nota (0 a 10): 8,5


Vídeo em https://youtu.be/GnwJLYPUjX4

segunda-feira, 20 de julho de 2020

No meu copo 865 - Dalva Reserva tinto 2016

Este foi o primeiro contacto que tive com qualquer vinho desta marca e deste produtor, com mais tradição nos vinhos do Porto do que nos vinhos DOC Douro – esta empresa já existe desde 1862, encontrando-se portanto entre as mais antigas no ramo.

Destaca-se pela suavidade e pela elegância na boca, sendo um vinho essencialmente macio, que foge ao padrão mais habitual dos vinhos demasiado concentrados e demasiado alcoólicos.

No nariz destacam-se os frutos vermelhos maduros, bem evidentes nos aromas primários.

Na boca é redondo e elegante, melhorando bastante com o arejamento, uma vez que no primeiro impacto parece algo delgado e pouco expressivo.

Estagiou 12 meses em barricas de 500 litros de carvalho francês, mas a madeira não se impõe nem se sobrepõe.

Merece uma oportunidade para ser mais conhecido, mesmo não sendo o melhor que por cá se faz, mas pelo preço que custa está num patamar de qualidade bem interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Dalva Reserva 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: C. da Silva Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço: 6,50 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/aInVV3xGqXE

quarta-feira, 15 de julho de 2020

No meu copo 864 - Esporão, Verdelho 2017

Já é um clássico nas nossas escolhas e um valor garantido.

Este Verdelho é o único monocasta branco actualmente produzido na Herdade do Esporão com regularidade – o Duas Castas é um conceito ligeiramente diferente, como já foi referido noutras ocasiões, e os monocastas tintos mudaram de conceito no final da década de 2000.

A colheita de 2014 foi votada como melhor vinho nacional no Concurso Vinhos de Portugal 2015, e é um daqueles vinhos de que dificilmente não se gosta.

A sua acidez, frescura, aroma intenso com notas tropicais e um toque cítrico na boca, com estrutura e corpo de boa amplitude, fazem dele um vinho polivalente e adequado para todas as estações.

A sua acidez, frescura, aroma intenso com notas tropicais e um toque cítrico na boca, com estrutura e corpo de boa amplitude, fazem dele um vinho polivalente e adequado para todas as estações.

Pessoalmente, prefiro-o um pouco mais novo, no ponto em que os aromas primários estão mais presentes, mas este 2017 está óptimo para consumir e com uma complexidade que não se encontra quando muito novo.

É um daqueles vinhos que nunca nos deixam ficar mal, e portanto recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão, Verdelho 2017 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeos em https://youtu.be/e7NZyMNpvPQ (1ª parte) e https://youtu.be/SrEgOXLXjDQ (2ª parte)

sábado, 11 de julho de 2020

No meu copo 863 - Zagalos Reserva tinto 2012

Situada em Estremoz, a Quinta dos Mouros destaca-se pela sua beleza, pela sua história e agora também pelos excelentes vinhos que produz. O produtor Miguel Viegas Louro tem-se destacado pela sua irreverência e pela sua postura irreverente e desalinhada.

Alguns dos seus vinhos, como os que têm o nome da quinta, são casos de sucesso entre os vinhos alentejanos.

Aqui falamos doutra marca, o Zagalos Reserva tinto. Elaborado com metade de Trincadeira, complementada com outras três castas muito usadas na região, apresenta-se de cor granada, boa profundidade aromática com notas de fruta madura e um toque ligeiramente especiado.

Na boca é bem estruturado e com boa amplitude, com taninos firmes mas macios e bem domados, equilibrado com e final longo. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês e português de 300 litros, tendo a madeira bem integrada no conjunto.

É um bom vinho mas tem um preço algo elevado em comparação com outros da mesma gama.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Zagalos Reserva 2012 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Miguel Viegas Louro
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço: 12,55 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/1u84ZqLWxHo

terça-feira, 7 de julho de 2020

No meu copo 862 - Invisível, Aragonez branco 2018

Alguns anos depois, revisitamos este branco de uvas tintas elaborado pela Ervideira.

O primeiro contacto com este vinho foi verdadeiramente surpreendente pela positiva. Até hoje continua a verificar-se. Este vinho é realmente diferente e original, e vale a pena ser conhecido.

Já não é tão invisível como em edições anteriores, pois este apresentou-se de cor citrina bem evidente. Mas o resto continua a marcar pela originalidade e pela diferença.

Tem um aroma intenso em que não se percebe bem se é branco ou tinto, e surpreendentemente apresenta um toque cítrico tão característico de algumas castas brancas (fez lembrar vagamente algumas características do Arinto).

Na boca é fresco, vibrante, intenso e persistente. É elaborado a partir de uvas colhidas em vindima nocturna, um método usado para preservar a frescura das uvas durante o transporte para a adega.

Continua a ser um vinho que me cativa, e que continuarei a revisitar periodicamente. Um vinho que deve ser bem visível para os enófilos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Invisível, Aragonez 2018 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 13%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 8,93 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeos em https://youtu.be/2FtsEb4UOqk (1ª parte) e https://youtu.be/-4OP0b-PZpI (2ª parte)