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domingo, 8 de abril de 2018

No meu copo 667 - Valdazar 2011

Adquirido em Setembro de 2015, este tinto com a assinatura de Carlos Campolargo foge, como é habitual, ao perfil clássico da Bairrada, apresentando um lote de castas pouco usual, onde a Baga não é base mas complemento.

O próprio rótulo é invulgar, com cores e padrões que chamam a atenção através dum certo choque visual. Tudo dentro da postura habitual de Carlos Campolargo que faz questão de andar contra a corrente (nome de um dos seus vinhos, de que aqui falaremos um dia destes).

As castas fermentaram em conjunto, passando depois para barricas usadas de carvalho francês onde se deu a fermentação maloláctica e estagiou 12 meses.

Mostrou cor rubi, aroma algo discreto com notas de fruta preta e silvestre com algum vegetal. Na boca é elegante e macio, não muito estruturado, com final suave e mediano.

Um vinho “fora da caixa” que é interessante provar, mas não se espere que encante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valdazar 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Baga, Tinta Barroca
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 3 de dezembro de 2016

No meu copo 568 - Diga? branco 2009; Campolargo branco 2015

Falamos agora de dois brancos com a marca Campolargo: um clássico e um moderno.

Começando pelo Diga? 2009 (um nome original para um vinho), embora seja produzido apenas a partir de uma casta que nem sequer é portuguesa mas sim típica de Côtes du Rhône, trata-se dum branco clássico, austero, de aroma fechado, com ligeiras notas fumadas.

De cor amarelo palha, no aroma predominam algumas notas cítricas e a frutos tropicais. Na boca é macio e untuoso, com boa estrutura e final longo, com boa acidez e persistência. Estagia 6 a 8 meses em barricas de carvalho francês, parte novas e parte usadas.

Um grande branco, em suma, que tem lugar nas nossas escolhas (refira-se que o preço indicado se reporta ao ano da compra, 2011).

O Campolargo branco 2015, apresentado na Revista de Vinhos de Agosto de 2016, feito com um lote improvável mas que resulta bem. De cor citrina e aroma frutado, na boca apresenta-se leve, aberto e suave, com final macio sem deixar de manter alguma estrutura e persistência. Um bom compromisso entre a leveza e a estrutura.

É um bom branco de Verão e uma referência a rever.

Mais uma vez os vinhos Campolargo a não desiludirem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros

Vinho: Diga? 2009 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Viognier
Preço: 11,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Campolargo 2015 (B)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Bical, Verdelho, Viognier
Preço: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

No meu copo 551 - A Jovem Calda Bordaleza 2011

Este é mais um vinho produzido sob a batuta de Carlos Campolargo e a fugir ao padrão tradicional da Bairrada. Neste caso, como o próprio nome indica, pretende-se obter um vinho de perfil bordalês, e assim se compreende a inclusão unicamente de castas francesas, com duas delas – Cabernet Sauvignon e Merlot – a constituírem a base dos vinhos tintos da região de Bordéus.

Fez a fermentação alcoólica separada por castas, com desengace total, em pequenos lagares com pisa mecânica ou manual, e fermentação maloláctica em madeira nova e usada. Estagiou depois em barricas de carvalho francês até 14 meses.

Apresenta uma cor rubi concentrada, aroma a frutos vermelhos com algumas notas compotadas e um ligeiro toque balsâmico. Na boca é fresco e envolvente, com boa acidez e final persistente e elegante.

É de facto um vinho de perfil menos habitual naquelas paragens mas que, mesmo não sendo extraordinário, vale a pena conhecer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: A Jovem Calda Bordaleza 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

No meu copo 494 - Bairrada: os clássicos rebeldes

Quinta das Bágeiras Reserva tinto 2010; Pato Rebel 2009; Campolargo, Baga 2010


Por uma curiosa coincidência, tivemos oportunidade de provar em ocasiões muito próximas três tintos da Bairrada provenientes de três produtores que funcionam “fora da caixa”, ou fora dos cânones que marcam a tradição da região. A descrição que se segue coincide apenas com a ordem da prova, e nada mais.

Comecemos então pelo tinto Reserva da Quinta das Bágeiras. Uma marca clássica da Bairrada de um produtor que foge aos cânones, e é desalinhado das tendências dominantes, de tal forma que nem sequer faz questão de ter o nome “Bairrada” nos rótulos dos seus vinhos. Nos anos mais recente, um vinho branco chumbado pela Comissão Vitivinícola tornou-se um caso raro de sucesso junto dos apreciadores (estamos a falar do Pai Abel Chumbado).

Este Quinta das Bágeiras Reserva 2010, fermentado em pequenos lagares, sem desengace, estagiou em tonel de madeira avinhada e foi engarrafado sem colagem ou filtragem. Foram adquiridas duas garrafas Março de 2013, portanto ainda relativamente novo. A primeira já tinha sido consumida e na altura o vinho mostrou-se algo rugoso e duro na prova.

Entretanto amaciou. Apresentou-se encorpado, persistente, com boa estrutura na boca e aroma vinoso intenso. Um vinho para carnes com algum requinte, um Bairrada com uma base clássica mas com alguns laivos de modernidade. Para quem não quer ou não pode chegar ao excelente (e bem mais dispendioso) Garrafeira, aqui está outro bom produto por um valor bem mais acessível, em que vale a pena apostar.

Em seguida, o Pato Rebel 2009, um tinto que estava à espreita para ser provado, mais uma inovação do enfant terrible da Bairrada, Luís Pato, o “Senhor Baga”. Sempre a inovar defendendo as raízes da região, e sempre com especial carinho pela Baga. Este é um Regional Beiras, mas quem se importa com isso?

Aqui nasceu um vinho também feito fora dos cânones: um Baga para beber com facilidade, jovem, para o Verão. Mostrou-se macio, aberto na cor, mas com o arejamento foi desenvolvendo aromas e mostrando uma pujança e estrutura que o caracterizam como muito mais do que um tinto de Verão. É um tinto que merece respeito.

Finalmente, o Campolargo Baga 2010. Outro produtor que, assentando raízes na Bairrada, também pouco liga às tradições. Pouco importa que as castas sejam clássicas ou modernas, nacionais ou estrangeiras, típicas ou atípicas: o que interessa é o resultado final. Aqui temos, por coincidência, um monocasta de Baga, que também se apresenta muito macio e pronto a beber.

Tal como é prática habitual em Luís Pato, este fermentou com desengace total das uvas. A fermentação terminou em balseiro e barricas, nas quais fez a fermentação maloláctica e onde permaneceu até Março de 2012. Outro Bairrada de respeito, a precisar de algum tempo para se mostrar em plenitude.

E assim se fez um pequeno percurso por produtores que defendem o melhor que se faz na região, cada um com o seu cunho muito próprio que permite perceber que, afinal, mesmo com a dominância da Baga, podem existir várias e diferentes “Bagas”...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta das Bágeiras Reserva 2010 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Mário Sérgio Alves Nuno
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Pato Rebel 2009 (T)
Região: Regional Beiras
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Preço: 10,46 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Campolargo, Baga 2010 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 16 de abril de 2014

No meu copo, na minha mesa 377 - Vinha do Putto 2009; Restaurante Salsa & Coentros (Lisboa)

Há alguns anos, a convite dum familiar, conheci este restaurante, situado no bairro de Alvalade e quase em frente do Regimento de Sapadores Bombeiros da Avenida Rio de Janeiro, e não voltei a entrar lá desde então. Por circunstâncias diversas, agora passo várias noites por semana mesmo na esquina do restaurante no canto da rua. De tanto olhar para lá, e vê-lo sempre praticamente cheio, fui aguçando o apetite para lá voltar. Aproveitei uma ocasião de efeméride para ir lá fazer um jantar comemorativo em casal.

O ponto de partida deste restaurante, fundado por dois jovens cozinheiros provenientes de outros locais, é a comida alentejana. A carta é bem recheada no que respeita aos pratos típicos da vasta região: desde as entradas às sobremesas, passando pelas sopas e pelos pratos de caça, está lá um pouco de tudo o que caracteriza a cozinha alentejana.

Sendo eu um indefectível apreciador dos pratos de caça, a minha primeira escolha pendeu logo para o arroz de perdiz ou o arroz de lebre. Tratando-se de escolher dois pratos, e como não se esperava uma refeição muito volumosa, optámos por partilhar dois pratos: uma sopa de cação para entrada e um arroz de perdiz como prato principal. Ambos excelentes, muito bem apaladados. É difícil dizer qual dos dois estava melhor, porque não consigo encontrar defeitos em nenhum. O arroz de perdiz, claro, é uma das minhas paixões e estava malandrinho, cozido no ponto, perfeito.

Para terminar, outro doce incontornável entre a vasta oferta: uma encharcada de Mourão, com todos os requisitos.

Como a minha consorte não é grande consumidora, quando chegou à parte da escolha do vinho deparei-me com o problema habitual nestas circunstâncias: que vinho escolher e em que formato. À partida a opção iria recair sobre meia-garrafa, e havia diversas opções agradáveis. No entanto, vistos os preços e deparando-me com um vinho da casa praticamente ao mesmo preço das meias garrafas (variavam entre os 7 e 8 €), e sendo uma garrafa de 7,5 dl, acabei por escolhê-lo, sabendo que o que sobrasse na garrafa seria levado para casa. Tratava-se dum vinho de Carlos Campolargo, chamado Vinha do Putto e com o qual só me tinha cruzado há uns anos num winebar, na altura numa garrafa de branco.

Fiquei satisfeito com a escolha. Não sendo extraordinário, o vinho está bem concebido, é frutado com um toque inicial a amoras, bem estruturado e com alguma robustez, com final persistente mas arredondado. Não muito marcado pela madeira e sem que os seus 14% de álcool se sobreponham ao equilíbrio do conjunto. Não deslustra e tem um toque de modernidade que pode torná-lo apelativo para os mais resistentes aos tintos bairradinos.

Para os apreciadores da boa comida, de bom serviço e simpatia e, em particular, de comida alentejana, este Salsa & Coentros é um local que se recomenda e que merece ter sucesso. Uma equipa jovem, rápida, eficiente, atenciosa mas sem exageros nem demasiados salamaleques nem complicações faz um restaurante de ambiente descontraído onde o cliente se sente à vontade e é bem servido sem estar sempre a ser vigiado.

Em família ou em grupo, hei-de voltar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha do Putto 2009 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo
Grau alcoólico: 14%
Castas: não indicadas; conforme os anos, todas ou algumas das seguintes: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Syrah e Merlot (indicação no site do produtor)
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Restaurante: Salsa & Coentros
Rua Coronel Marques Leitão, 12
1700-125 Lisboa
Tel: 21.841.09.90
Preço médio por refeição: 25-30 €
Nota (0 a 5): 4,5

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

No meu copo 342 - Termeão Pássaro Branco 2007

Guaraz – Pássaro brasileiro, de que se diz ser branco quando nasce e tornar-se depois vermelho.

É com base nesta filosofia que, sob a batuta de Carlos Campolargo, se produz este Termeão em duas versões: o Pássaro Branco e o Pássaro Vermelho.

Este último é o mais elaborado, com estágio prolongado em madeira, enquanto nesta versão do Pássaro Branco o estágio se fez até um máximo de 12 meses. Mas não é o menor estágio que lhe retira qualidade! Boa estrutura, pujante, longo e persistente, mas ao mesmo tempo vibrante e fresco, é um Bairrada moderno mas à moda clássica, a fazer lembrar os melhores Baga sem ter Baga... É feito com desengace total, o que lhe permite ser menos adstringente em relação ao tradicional que tanto assusta alguns consumidores mais renitentes...

É um vinho muito bem feito, a mostrar que a nova Bairrada também pode impor-se de modo a elevar a qualidade da região e recolocá-la no lugar de destaque que merece. Também se conclui daqui que, afinal, nem só duma casta vive a região, porque aqui temos claramente o famoso terroir (palavra da moda) a mostrar ao consumidor aquilo que vale.

Por esta amostra, vale a pena (re)descobrir esta “outra” Bairrada. Atreva-se, descubra, experimente. Saia da sua zona de conforto de beber sempre os mesmos e ouse experimentar algo diferente e menos usual. Talvez conclua que vale a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Termeão Pássaro Branco 2007 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional (75%), Castelão (25%)
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 17 de abril de 2013

No meu copo 310 - Campolargo, Pinot Noir rosé 2011

Cada vez mais os vinhos rosados estão na moda. Um pouco à semelhança dos espumantes, de norte a sul tem-se assistido à proliferação deste tipo de vinho, que a pouco e pouco vai ganhando o seu espaço entre os brancos e os tintos graças à sua versatilidade que lhe permite, muitas vezes, substituir qualquer um dos outros conjugando as vantagens de ambos. Não disponho de números, mas estou em crer que uma parte muito significativa dos produtores nacionais de vinho (já serão mais de 50%?) já tem pelo menos um vinho rosé no seu portefólio. Sem embargo desta nova realidade, a aquisição de vinhos rosados não é muito fácil em determinadas superfícies. Custa a compreender como é que nos grandes supermercados dificilmente se encontra mais de 10 referências...

Desde os mais leves, pouco alcoólicos e desmaiados, cor de salmão, aos mais robustos, muito alcoólicos, pesados e quase tintos, encontra-se um pouco de tudo, sendo que quase sempre é no meio que está a virtude, e neste caso concreto dos rosés não se trata apenas duma frase feita, mas sim duma forte convicção formada e consolidada ao longo das muitas provas realizadas.

Este vinho rosé, sob a batuta de Carlos Campolargo, insere-se na galeria dos primeiros. Feito exclusivamente a partir de Pinot Noir, já de si uma casta que dá origem a tintos leves e pouco carregados na cor, resultou num rosé muito aberto e quase descolorido, leve e fresco, ligeiramente floral no aroma, o que aliado a um grau alcoólico excepcionalmente baixo nos tempos que correm faz dele uma companhia adequada para petiscos leves.

O típico “vinho de esplanada”, vocacionado para as tardes de Verão. O próprio rótulo, com o desenho dum veleiro vogando ao sabor do vento, apela aos fins de tarde de veraneio.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Campolargo, Pinot Noir 2011 (R)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Pinot Noir
Preço com a revista de vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5