Outro clássico da CARMIM, mas um pouco menos clássico que o Trincadeira. Este monocasta de Bastardo, que também aparece (mesmo no Alentejo) com a designação de Tinta Caiada, mostra-se com um perfil mais robusto e estruturado, mas agora já muito macio e também com elegância.
Na cor apresenta-se muito aberto, com um tom rubi brilhante e aberto, com notórios laivos de envelhecimento.
O nariz aparece intenso e ainda com algumas notas (as possíveis) de juventude, e na boa apresenta-se muito saudável, sem sinais de declínio e a não precisar de muito arejamento para se mostrar.
A sua estrutura e os taninos ainda presentes, apesar da idade, aconselham-no para pratos fortes e bem temperados, porque ele promete aguentar-se no confronto.
Mais um vinho velho a mostrar o quanto podemos retirar prazer destes vinhos quando apanhamos boas garrafas. Tal como o Trincadeira, valeu bem a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: CARMIM, Bastardo 2000 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Casta: Bastardo
Preço em garrafeira: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8
O blog onde os néctares de Baco nunca se entornam
Blog livre do Aborto Horto Gráfico
Mostrar mensagens com a etiqueta Bastardo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bastardo. Mostrar todas as mensagens
domingo, 14 de abril de 2019
terça-feira, 18 de dezembro de 2018
No meu copo 723 - Esporão: monocastas em garrafa de 0,5 L
Aragonês 2000; Bastardo 1999; Bastardo 2000; Cabernet Sauvignon 1998; Trincadeira 2000
Passados alguns anos de ausência, tive oportunidade de voltar a provar calmamente estes monocastas do Esporão lançados durante a década de 90 em garrafas de meio-litro. Foram, na altura, algumas das melhores garrafas a que tivemos acesso em vinhos monocastas, e também se revelaram importantes para o conhecimento das características de cada casta per se.
Agora que os monocastas tintos do Esporão mudaram para um patamar de preços completamente diferente e por isso inacessível com a frequência com que acedíamos a estes, é sempre uma boa oportunidade adquirir estas garrafinhas pela singela quantia de 5€ a unidade.
As cinco garrafas de que se fala abaixo foram adquiridas por esse valor e degustadas ao longo dos últimos meses. Não desiludiram, bem pelo contrário: algumas superaram em muito as expectativas.
Por ordem alfabética:
- Aragonês 2000: grande aroma, grande corpo, pujante e robusto na boca com alguma adstringência ainda evidente, final prolongado. Em belíssima forma.
- Bastardo 1999: encorpado e macio, ligeiramente delgado de corpo em comparação com os restantes, mas muito elegante e sem sinais de declínio.
- Bastardo 2000: um pouco mais estruturado e persistente que o de 1999, mas bastante mais macio e aveludado do que os 14,5º de álcool poderiam pressupor.
- Cabernet Sauvignon 1998: a estrela da companhia. Brilhou a grande altura, com tudo no sítio certo. Com 20 anos de idade, pareceu ser um vinho quase perfeito e curiosamente em melhor forma do que as últimas garrafas desta colheita (a última de Cabernet Sauvignon como monocasta) que me tinha sido possível provar. Belíssimo equilíbrio entre corpo, estrutura, acidez e macieza, com aroma intenso e um bouquet quase inebriante. A expressão que soltei quando o provei foi “que delícia!”
- Trincadeira 2000: uma bela estrutura na boca mas ao mesmo tempo elegante e redondo. Final persistente e complexo.
Belos vinhos, em suma. Oxalá possa encontrar mais destes.
Kroniketas, enófilo embevecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Vinho: Esporão, Aragonês 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Esporão, Bastardo 1999 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Bastardo
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Esporão, Bastardo 2000 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Bastardo
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Esporão, Cabernet Sauvignon 1998 (T)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Esporão, Trincadeira 2000 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Trincadeira
Nota (0 a 10): 8,5
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
No meu copo 720 - Serras de Grândola Cepas Cinquentenárias tinto 2015
Sou cliente deste produtor há alguns anos, desde que provei um branco de Verdelho no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno.
Junto ao branco veio o tinto e as diversas variantes que foram aparecendo.
Este ano já provámos o Verdelho 2015, agora chegou a vez deste tinto Cepas Cinquentenárias, também ele já em repetição.
Confirmou as boas impressões das provas anteriores. É um tinto com uma boa estrutura, complexo mas ao mesmo tempo delicado, com uma boa frescura na prova de boca.
Apresenta notas de aromas balsâmicos, fruto maduro e algum vegetal, com taninos presentes mas redondos. O final é persistente revelando elegância no fim de boca.
Um vinho para continuar a acompanhar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Serras de Grândola Cepas Cinquentenárias 2015 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 8
Junto ao branco veio o tinto e as diversas variantes que foram aparecendo.
Este ano já provámos o Verdelho 2015, agora chegou a vez deste tinto Cepas Cinquentenárias, também ele já em repetição.
Confirmou as boas impressões das provas anteriores. É um tinto com uma boa estrutura, complexo mas ao mesmo tempo delicado, com uma boa frescura na prova de boca.
Apresenta notas de aromas balsâmicos, fruto maduro e algum vegetal, com taninos presentes mas redondos. O final é persistente revelando elegância no fim de boca.
Um vinho para continuar a acompanhar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Serras de Grândola Cepas Cinquentenárias 2015 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 8
terça-feira, 13 de outubro de 2015
No meu copo 483 - Serras de Grândola: Edição Especial branco 2014; Cepas Cinquentenárias tinto 2013
Pela segunda vez em menos de um ano cruzei-me com os vinhos deste produtor. Foi no evento Hello Summer WineParty, em Julho passado. Voltei a provar os vinhos e voltei a levar duas garrafas para casa. Repeti o tinto e mudei de branco: desta vez foi um Edição Especial, uma variante que passa por estágio em madeira.
De facto este branco mostra-se ligeiramente amadeirado, estruturado, longo, com bom equilíbrio entre corpo, estrutura e acidez. No entanto, como fã de brancos mais aromáticos e frescos, prefiro claramente o outro branco anteriormente provado, o monocasta Verdelho, embora este Edição Especial não deslustre.
Quanto ao tinto Cepas Cinquentenárias, repetiram-se as impressões colhidas da primeira vez. Boa estrutura, aroma balsâmico, persistente e elegante. Um vinho com potencial para guardar.
Vou continuar a seguir com atenção os vinhos deste produtor e, quando me cruzar novamente com estes vinhos, certamente levarei sempre algumas garrafas para casa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada
Vinho: Serras de Grândola, Edição Especial 2014 (B)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Viognier, Gouveio
Preço: 9,00 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2013 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 9,00 €
Nota (0 a 10): 8
De facto este branco mostra-se ligeiramente amadeirado, estruturado, longo, com bom equilíbrio entre corpo, estrutura e acidez. No entanto, como fã de brancos mais aromáticos e frescos, prefiro claramente o outro branco anteriormente provado, o monocasta Verdelho, embora este Edição Especial não deslustre.
Quanto ao tinto Cepas Cinquentenárias, repetiram-se as impressões colhidas da primeira vez. Boa estrutura, aroma balsâmico, persistente e elegante. Um vinho com potencial para guardar.
Vou continuar a seguir com atenção os vinhos deste produtor e, quando me cruzar novamente com estes vinhos, certamente levarei sempre algumas garrafas para casa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada
Vinho: Serras de Grândola, Edição Especial 2014 (B)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Viognier, Gouveio
Preço: 9,00 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2013 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 9,00 €
Nota (0 a 10): 8
terça-feira, 10 de março de 2015
No meu copo 437 - Serras de Grândola: Verdelho branco 2013; Cepas Cinquentenárias tinto 2012
E de repente, donde e quando menos se esperava, surgem dois belos vinhos. Aliás, poderíamos mesmo dizer: um belo vinho e um belíssimo vinho! Foi no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno que deparei com este produtor dos arredores de Grândola, algures na serra a meio caminho entre Melides e a praia da Galé. Estamos em pleno Baixo Alentejo mas, graças às originalidades da nossa legislação, trata-se de vinhos regionais da Península de Setúbal, que se prolonga até Santiago do Cacém...
Mas, quer seja no Alentejo ou na Península de Setúbal, a casta Verdelho é uma das que dão cartas na produção de vinhos brancos. Na prova que tive oportunidade de fazer no Campo Pequeno, junto da banca do produtor, o vinho desde logo me agradou bastante, sendo uma completa surpresa, e tendo em conta as minhas origens resolvi comprar uma garrafa deste branco e uma de tinto, em parte para ajudar a divulgar um produtor praticamente desconhecido.
A prova decisiva, contudo, fez-se em casa, na companhia de um prato de peixe no forno, e a surpresa ainda mais se acentuou. Mostrou-se um vinho guloso, com excelente acidez, muita frescura, boa estrutura e final longo, daqueles de que apetece beber sempre mais um copo. E mais uma vez encontrei no copo um branco que nada tem a ver com os brancos pesados e enjoativos dum passado recente mas que já parece longínquo... A altitude e a proximidade do mar (cerca de 15 km em linha recta) contribuem decisivamente para o perfil deste vinho, mas há que dar mérito a quem o fez. O segredo para o sucesso parece ser mesmo esse: aproveitar as zonas mais frescas, próximas da costa ou em altitude, usar castas que transmitam boa acidez ao vinho, e assim se obtêm brancos de elevado nível! É assim que, mesmo na planície e no interior, a Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, ou João Portugal Ramos, em Estremoz, produzem brancos com este tipo de perfil...
Ficou-se também a saber que estamos em presença duma empresa que se dedica ao enoturismo e ficou o convite para passarmos por lá. Mas para já, o que mais me interessa é saber como voltar a adquirir este belíssimo vinho!
Depois veio o tinto, descrito como de cepas cinquentenárias. Resultante duma combinação de castas pouco usual, apresentou-se muito fresco, frutado, macio, encorpado, estruturado e persistente, com notas predominantes de fruta madura e ligeiro vegetal. Pareceu ser um bom tinto para tempos mais quentes e pratos de carne não muito pesados nem condimentados. Outra boa relação qualidade/preço.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada
Vinho: Serras de Grândola, Verdelho 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7,5
Mas, quer seja no Alentejo ou na Península de Setúbal, a casta Verdelho é uma das que dão cartas na produção de vinhos brancos. Na prova que tive oportunidade de fazer no Campo Pequeno, junto da banca do produtor, o vinho desde logo me agradou bastante, sendo uma completa surpresa, e tendo em conta as minhas origens resolvi comprar uma garrafa deste branco e uma de tinto, em parte para ajudar a divulgar um produtor praticamente desconhecido.
A prova decisiva, contudo, fez-se em casa, na companhia de um prato de peixe no forno, e a surpresa ainda mais se acentuou. Mostrou-se um vinho guloso, com excelente acidez, muita frescura, boa estrutura e final longo, daqueles de que apetece beber sempre mais um copo. E mais uma vez encontrei no copo um branco que nada tem a ver com os brancos pesados e enjoativos dum passado recente mas que já parece longínquo... A altitude e a proximidade do mar (cerca de 15 km em linha recta) contribuem decisivamente para o perfil deste vinho, mas há que dar mérito a quem o fez. O segredo para o sucesso parece ser mesmo esse: aproveitar as zonas mais frescas, próximas da costa ou em altitude, usar castas que transmitam boa acidez ao vinho, e assim se obtêm brancos de elevado nível! É assim que, mesmo na planície e no interior, a Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, ou João Portugal Ramos, em Estremoz, produzem brancos com este tipo de perfil...
Ficou-se também a saber que estamos em presença duma empresa que se dedica ao enoturismo e ficou o convite para passarmos por lá. Mas para já, o que mais me interessa é saber como voltar a adquirir este belíssimo vinho!
Depois veio o tinto, descrito como de cepas cinquentenárias. Resultante duma combinação de castas pouco usual, apresentou-se muito fresco, frutado, macio, encorpado, estruturado e persistente, com notas predominantes de fruta madura e ligeiro vegetal. Pareceu ser um bom tinto para tempos mais quentes e pratos de carne não muito pesados nem condimentados. Outra boa relação qualidade/preço.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada
Vinho: Serras de Grândola, Verdelho 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7,5
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
No meu copo 158 - Quatro Castas Reserva 2001
Há uns 6 anos deparámos com um novo vinho da Herdade do Esporão, denominado Quatro Castas. Tal como acontece com os vinhos da Sogrape, todos os vinhos provenientes do Esporão interessam-nos sobremaneira e este não fugiu à regra.
Rapidamente tratámos de o adquirir e degustar com todo o interesse. O resultado foi... esmagador! Durante algum tempo considerámo-lo um dos melhores vinhos do país (dentro daqueles que conhecíamos, obviamente). E até hoje, excluindo o Torre do Esporão e os Private Selections, que ainda não bebemos, consideramo-lo sem dúvida o melhor vinho da herdade, acima do Esporão Reserva. Convém referir que há mais de 10 anos que conhecemos todos os outros vinhos da Herdade do Esporão, desde o Esporão Reserva, que foi uma das nossas primeiras preferências, passando pelo Monte Velho (de que acompanhámos praticamente todas as colheitas, quando ainda era um VQPRD com 11,5º de álcool macio e suave), o Alandra, todos os monocasta (a começar pelo Cabernet Sauvignon, seguindo pelo Aragonês e o Trincadeira, até aos neófitos Bastardo, Syrah, Touriga Nacional e Alicante Bouschet) e o mais recente Vinha da Defesa, sem esquecer os brancos.
O Quatro Castas foi uma surpresa, com um corpo, um bouquet, uma profundidade aromática, uma complexidade e uma persistência extraordinários, e as sucessivas provas confirmaram esta impressão: para nós, tornou-se inquestionavelmente o melhor vinho do Esporão. É um vinho feito com as melhores quatro castas de cada ano vinificadas em partes iguais, pelo que nunca sabemos que castas lá estão em cada colheita (essa informação não é mencionada no contra-rótulo, apenas no site e só para a colheita apresentada), mas a tendência é para ser entre Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Bastardo e Cabernet Sauvignon (esta ultimamente abandonada nos varietais por, segundo os responsáveis, “perder a tipicidade”). É fermentado durante uma semana a temperaturas controladas em cubas de inox, com maceração prolongada, seguindo-se um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho americano e francês e mais 6 meses em garrafa. Normalmente chega ao mercado já com cerca de 3 anos de idade.
Agora, desde que temos o blog, as provas são mais diversificadas pelo que as oportunidades de repetir são menores. Mas um dia destes provámos a colheita de 2001, que confirmou tudo o que pensamos deste vinho. Não apresentou a exuberância de outros tempos, porque o tempo também não perdoa e nos vinhos do Alentejo ainda menos, mas continua (para nós) a ser um vinho de excepção: o bouquet já é mais discreto, o frutado menos pronunciado e a persistência menos prolongada. Mas as características originais estão todas lá. Além disso, tem um grau alcoólico elevadíssimo mas que não se sente na prova, pois como é apanágio dos vinhos do Esporão, está tão bem feito que não se sente o álcool. Tomara muitos dos vinhos da moda conseguirem ser assim.
Como ainda temos em stock as colheitas de 2002 e 2003, um dia destes vamos voltar à carga com uma comparação das várias colheitas. Porque este é outro daqueles vinhos que quase passam despercebidos, como o Garrafeira dos Sócios de que falámos noutro dia. Porque, como aquele, também não é um vinho da moda, daqueles que nos querem impingir à viva força como sendo os que os consumidores “preferem” (isso ainda está por provar). Pedimos desculpa pelo incómodo e por continuar a fugir à moda, mas para nós este é um vinho de excepção. E ninguém nos desvia daqui.
tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal
Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas: quatro destas, conforme o ano - Aragonês, Alicante Bouschet, Bastardo, Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Nacional, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9
Rapidamente tratámos de o adquirir e degustar com todo o interesse. O resultado foi... esmagador! Durante algum tempo considerámo-lo um dos melhores vinhos do país (dentro daqueles que conhecíamos, obviamente). E até hoje, excluindo o Torre do Esporão e os Private Selections, que ainda não bebemos, consideramo-lo sem dúvida o melhor vinho da herdade, acima do Esporão Reserva. Convém referir que há mais de 10 anos que conhecemos todos os outros vinhos da Herdade do Esporão, desde o Esporão Reserva, que foi uma das nossas primeiras preferências, passando pelo Monte Velho (de que acompanhámos praticamente todas as colheitas, quando ainda era um VQPRD com 11,5º de álcool macio e suave), o Alandra, todos os monocasta (a começar pelo Cabernet Sauvignon, seguindo pelo Aragonês e o Trincadeira, até aos neófitos Bastardo, Syrah, Touriga Nacional e Alicante Bouschet) e o mais recente Vinha da Defesa, sem esquecer os brancos.
O Quatro Castas foi uma surpresa, com um corpo, um bouquet, uma profundidade aromática, uma complexidade e uma persistência extraordinários, e as sucessivas provas confirmaram esta impressão: para nós, tornou-se inquestionavelmente o melhor vinho do Esporão. É um vinho feito com as melhores quatro castas de cada ano vinificadas em partes iguais, pelo que nunca sabemos que castas lá estão em cada colheita (essa informação não é mencionada no contra-rótulo, apenas no site e só para a colheita apresentada), mas a tendência é para ser entre Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Bastardo e Cabernet Sauvignon (esta ultimamente abandonada nos varietais por, segundo os responsáveis, “perder a tipicidade”). É fermentado durante uma semana a temperaturas controladas em cubas de inox, com maceração prolongada, seguindo-se um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho americano e francês e mais 6 meses em garrafa. Normalmente chega ao mercado já com cerca de 3 anos de idade.
Agora, desde que temos o blog, as provas são mais diversificadas pelo que as oportunidades de repetir são menores. Mas um dia destes provámos a colheita de 2001, que confirmou tudo o que pensamos deste vinho. Não apresentou a exuberância de outros tempos, porque o tempo também não perdoa e nos vinhos do Alentejo ainda menos, mas continua (para nós) a ser um vinho de excepção: o bouquet já é mais discreto, o frutado menos pronunciado e a persistência menos prolongada. Mas as características originais estão todas lá. Além disso, tem um grau alcoólico elevadíssimo mas que não se sente na prova, pois como é apanágio dos vinhos do Esporão, está tão bem feito que não se sente o álcool. Tomara muitos dos vinhos da moda conseguirem ser assim.
Como ainda temos em stock as colheitas de 2002 e 2003, um dia destes vamos voltar à carga com uma comparação das várias colheitas. Porque este é outro daqueles vinhos que quase passam despercebidos, como o Garrafeira dos Sócios de que falámos noutro dia. Porque, como aquele, também não é um vinho da moda, daqueles que nos querem impingir à viva força como sendo os que os consumidores “preferem” (isso ainda está por provar). Pedimos desculpa pelo incómodo e por continuar a fugir à moda, mas para nós este é um vinho de excepção. E ninguém nos desvia daqui.
tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal
Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas: quatro destas, conforme o ano - Aragonês, Alicante Bouschet, Bastardo, Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Nacional, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9
Etiquetas:
Alentejo,
Alicante Bouschet,
Aragonez,
Bastardo,
Cabernet Sauvignon,
Esporao,
Reguengos,
Syrah,
Tintos,
Touriga Nacional,
Trincadeira
terça-feira, 24 de janeiro de 2006
No meu copo 12 - CARMIM, Bastardo e Cabernet Sauvignon 2000
Na região de Reguengos de Monsaraz são produzidos alguns dos melhores vinhos não só do Alentejo, mas de Portugal (na opinião das Krónikas Viníkolas, obviamente). À semelhança da vizinha Herdade do Esporão (sempre uma referência incontornável nas nossas escolhas), a Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz também produz alguns vinhos de grande nível, quer para a região quer para o país, abrangendo também uma gama alargada de produtos que vão desde a gama baixa até ao topo (e já agora, sem os preços obscenos praticados noutras zonas), começando no Terras d’El-Rei e no Reguengos para os produtos de combate, seguindo-se o Monsaraz já no ponto intermédio, depois o Reguengos Reserva, os varietais e o Garrafeira dos Sócios lá em cima.Seguindo uma prática muito em voga desde há alguns anos, também a CARMIM (sigla adoptada pela cooperativa porque, estranhamente, deixou que alguém registasse antes a sigla CARM) enveredou pela produção de vinhos varietais. No passado fim-de-semana tive oportunidade de degustar e saborear (e poucas vezes o termo será tão adequado) dois destes tintos: o Bastardo 2000 e o Cabernet Sauvignon 2000. Foram convidados para acompanhar uma feijoada de lebre e, posso garantir-vos, bateram-se galhardamente.
Começámos pelo Cabernet Sauvignon, casta francesa com berço na região de Bordéus que encontrou em Portugal (e no Alentejo em particular) um meio excelente para a sua implantação, devido à elevada maturação conseguida, que permite amaciá-la. Devo confessar que sou fã dos vinhos desta casta, seja em que região for. Tem um aroma frutado que muito me agrada (deve ser aquilo a que os especialistas chamam “frutos maduros” ou “frutos vermelhos”) combinado com um toque a especiarias e uma força de taninos que lhe conferem grande pujança e longevidade. Daqui resulta que tenho bebido vinhos de Cabernet com características muito diferenciadas, que vão desde os muito macios aos extremamente adstringentes.
Este Cabernet de 2000 mostrou bem a sua faceta mais exuberante, com corpo cheio, aroma intenso, uma combinação equilibrada entre a fruta e as especiarias, final de boca prolongado e taninos ainda bem presentes, alguma complexidade dada pela madeira no ponto certo. Merecia ter sido decantado meia-hora antes de se beber, até para libertar os seus 14% de álcool, mas infelizmente não houve tempo. Mas mostrou que estava ali para durar mais uns anos na garrafa.
Já o Bastardo de 2000, também conhecido como Tinta Caiada e igualmente com 14% de álcool, mostrou um carácter mais suave embora também tenha revelado um corpo e uma estrutura assinaláveis e aguentou valorosamente o ligeiro picante do prato. Tanto um como outro justificaram amplamente a sua presença entre os nossos eleitos.
Por último, importa destacar que os varietais da CARMIM já estiveram no mercado a preços exorbitantes (em 2001 cheguei a comprá-los a 2200$), mas passada a euforia especulativa, e quando os produtores começaram a pôr os pés na terra, estes vinhos desceram para um patamar normal e actualmente já se conseguem comprar abaixo dos 5 euros. Infelizmente nos últimos anos não tenho visto estas duas variedades à venda, mas tem havido umas caixas com uma garrafa de Aragonês e uma de Trincadeira (as outras duas castas produzidas) que costumam estar à venda pelo Natal por pouco mais de 6 €. Mas estes dois monocastas ficam reservados para uma próxima ocasião.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Vinho: Bastardo 2000 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Bastardo
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Cabernet Sauvignon 2000 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 8,5
Subscrever:
Mensagens (Atom)





