Este vinho é uma novidade relativamente recente da CARMIM (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz), e foi adicionado ao portefólio como parceiro do clássico Garrafeira dos Sócios. A primeira colheita com que tive contacto foi a de 2012, e desde logo me agradou.
À semelhança do que já acontece com alguns vinhos emblemáticos do país (na Sogrape, o que não é seleccionado para ter o rótulo de Barca Velha vai para Reserva Especial; nas Cortes de Cima, o que não é seleccionado para ter o rótulo de Incógnito vai para Homenagem a Hans Christian Andersen), este vinho aparece como aquele que não foi seleccionado para ter o rótulo de Garrafeira dos Sócios.
Depois dum primeiro estágio de um ano, onde é sujeito a provas regulares, o vinho dá origem a dois lotes em que o melhor irá para Garrafeira dos Sócios e o segundo melhor irá para Reserva. É neste momento que se estabelece a diferença, pois o Garrafeira continuará em estágio por mais 8 a 12 meses passando ainda por um período posterior de repouso em garrafa, enquanto o Reserva será então engarrafado. Em resumo, a diferença essencial entre os dois vinhos prende-se com o tempo de estágio em barrica e em garrafa.
Daqui resulta que este Reserva dos Sócios se apresentará, em princípio, como um vinho um pouco mais jovem, mais robusto e adstringente, com aromas mais frutados. Assim nos pareceu a primeira prova da colheita de 2012 e agora, à mesa, com este 2014.
Muito carregado na cor (com o contributo de 50% de Alicante Bouschet para o lote), denota aromas de fruta preta e silvestre bem como especiarias, dando um prova longa e com boa amplitude. No primeiro contacto apresenta-se com os aromas bastante fechados, evoluindo para uma boca mais macia e aromas mais intensos ao longo da prova.
Dada a sua estrutura e robustez, bate-se bem com pratos de carnes fortes, em que a caça poderá ser a parceria ideal.
É mais um excelente produto proveniente da sub-região de Reguengos de Monsaraz e uma boa alternativa ao Garrafeira dos Sócios por um preço mais atractivo. Um vinho para acompanhar com atenção e que merece entrada directa nas nossas escolhas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Reserva dos Sócios 2014 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 6,50 €
Nota (0 a 10): 8
Foto da garrafa obtida no site do produtor
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terça-feira, 2 de julho de 2019
domingo, 14 de abril de 2019
No meu copo 754 - CARMIM, Bastardo 2000
Outro clássico da CARMIM, mas um pouco menos clássico que o Trincadeira. Este monocasta de Bastardo, que também aparece (mesmo no Alentejo) com a designação de Tinta Caiada, mostra-se com um perfil mais robusto e estruturado, mas agora já muito macio e também com elegância.
Na cor apresenta-se muito aberto, com um tom rubi brilhante e aberto, com notórios laivos de envelhecimento.
O nariz aparece intenso e ainda com algumas notas (as possíveis) de juventude, e na boa apresenta-se muito saudável, sem sinais de declínio e a não precisar de muito arejamento para se mostrar.
A sua estrutura e os taninos ainda presentes, apesar da idade, aconselham-no para pratos fortes e bem temperados, porque ele promete aguentar-se no confronto.
Mais um vinho velho a mostrar o quanto podemos retirar prazer destes vinhos quando apanhamos boas garrafas. Tal como o Trincadeira, valeu bem a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: CARMIM, Bastardo 2000 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Casta: Bastardo
Preço em garrafeira: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8
Na cor apresenta-se muito aberto, com um tom rubi brilhante e aberto, com notórios laivos de envelhecimento.
O nariz aparece intenso e ainda com algumas notas (as possíveis) de juventude, e na boa apresenta-se muito saudável, sem sinais de declínio e a não precisar de muito arejamento para se mostrar.
A sua estrutura e os taninos ainda presentes, apesar da idade, aconselham-no para pratos fortes e bem temperados, porque ele promete aguentar-se no confronto.
Mais um vinho velho a mostrar o quanto podemos retirar prazer destes vinhos quando apanhamos boas garrafas. Tal como o Trincadeira, valeu bem a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: CARMIM, Bastardo 2000 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Casta: Bastardo
Preço em garrafeira: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8
sexta-feira, 5 de abril de 2019
No meu copo 753 - CARMIM, Trincadeira 2000
Este é um clássico de há muitos anos, que de vez em quando se consegue encontrar por aí esquecido nos stocks antigos de algumas garrafeiras.
Como sempre fomos aficionados destes vinhos, vamos aproveitando para voltar a prová-los por um preço convidativo.
Por vezes temos boas surpresas, e doutras vezes temos más. Esta foi uma das boas e ficou muito acima das expectativas.
Descontando o facto da rolha se ter desfeito, o que obrigou desde logo a decantar e filtrar o vinho, todo o resto do processo decorreu da melhor forma.
Inicialmente com o aroma muito fechado, pouco depois começou a mostrar um toque algo terroso que rapidamente evoluiu para algum frutado discreto com predominância mais compotada e um fundo de especiarias.
Na boca mostrou-se redondo e macio, ao mesmo tempo que cheio e bem estruturado, com os taninos muito suaves. Final de boca longo e elegante.
Para um vinho com esta idade, toda a envolvência do conjunto mostrou-se muito bem, conseguindo juntar ainda alguma vivacidade com a suavidade que a evolução lhe conferiu. Foi uma aposta muito feliz e bem conseguida.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: CARMIM, Trincadeira 2000 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Casta: Trincadeira
Preço em garrafeira: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8
Como sempre fomos aficionados destes vinhos, vamos aproveitando para voltar a prová-los por um preço convidativo.
Por vezes temos boas surpresas, e doutras vezes temos más. Esta foi uma das boas e ficou muito acima das expectativas.
Descontando o facto da rolha se ter desfeito, o que obrigou desde logo a decantar e filtrar o vinho, todo o resto do processo decorreu da melhor forma.
Inicialmente com o aroma muito fechado, pouco depois começou a mostrar um toque algo terroso que rapidamente evoluiu para algum frutado discreto com predominância mais compotada e um fundo de especiarias.
Na boca mostrou-se redondo e macio, ao mesmo tempo que cheio e bem estruturado, com os taninos muito suaves. Final de boca longo e elegante.
Para um vinho com esta idade, toda a envolvência do conjunto mostrou-se muito bem, conseguindo juntar ainda alguma vivacidade com a suavidade que a evolução lhe conferiu. Foi uma aposta muito feliz e bem conseguida.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: CARMIM, Trincadeira 2000 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Casta: Trincadeira
Preço em garrafeira: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
No meu copo 738 - Reguengos Reserva tinto 2015
Este é porventura um dos vinhos menos valorizados no panorama nacional. Ao longo dos anos habituei-me a bebê-lo sempre como uma garantia de qualidade acima da média e muito acima daquilo que custa.
A verdade é que a CARMIM sempre o posicionou numa faixa de preços muito competitiva e ao lado de outros vinhos de gama média-baixa. E nesse patamar sempre se destacou, tendo mesmo vindo a baixar o preço ao contrário das tendências habituais.
Seguindo os novos tempos, as versões mais recentes incorporam o Alicante Bouschet (aqui em 50% do lote), quando antes predominavam o Castelão, o Aragonês e a Trincadeira.
Com este novo lote o vinho mudou. Está mais aberto, mais leve e mais suave, perdendo aquela estrutura que o tornava claramente um vinho fadado para a cozinha alentejana mais típica, saindo-se sempre muito bem de pratos de borrego ou cabrito no forno, por exemplo.
Continua a ser um vinho muito agradável de beber, mas perdeu alguma tipicidade e aquela identidade que o distinguia. Pessoalmente, confesso, preferia a versão anterior.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Reserva 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,24 €
Nota (0 a 10): 7,5
A verdade é que a CARMIM sempre o posicionou numa faixa de preços muito competitiva e ao lado de outros vinhos de gama média-baixa. E nesse patamar sempre se destacou, tendo mesmo vindo a baixar o preço ao contrário das tendências habituais.
Seguindo os novos tempos, as versões mais recentes incorporam o Alicante Bouschet (aqui em 50% do lote), quando antes predominavam o Castelão, o Aragonês e a Trincadeira.
Com este novo lote o vinho mudou. Está mais aberto, mais leve e mais suave, perdendo aquela estrutura que o tornava claramente um vinho fadado para a cozinha alentejana mais típica, saindo-se sempre muito bem de pratos de borrego ou cabrito no forno, por exemplo.
Continua a ser um vinho muito agradável de beber, mas perdeu alguma tipicidade e aquela identidade que o distinguia. Pessoalmente, confesso, preferia a versão anterior.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Reserva 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,24 €
Nota (0 a 10): 7,5
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
No meu copo 708 - Reguengos Selecção branco e tinto 2016
Estes dois vinhos foram provados em restaurante, ao almoço, durante a semana. Trata-se de duas novas marcas intermédias deste vinho clássico, que fizeram provas agradáveis.
O branco mostrou-se particularmente interessante pela acidez que revelou. Ao tradicional Antão Vaz, casta branca emblemática do Alentejo, juntou-se o Gouveio, típico do Douro, do que resultou um lote com boa frescura, acidez e algum floral (por acaso gostava de saber se ou Gouveio já é uma casta autorizada, pois o vinho é DOC Alentejo). De cor amarelo palha aberto, mostrou-se persistente na boca e com notas de frutos tropicais, com final elegante e fresco.
O tinto, com um lote mais típico da região, apresentou-se de cor granada, igualmente fresco na prova de boca e com boa estrutura, encorpado e macio como é habitual nestes vinhos, com aromas de frutos silvestres e final redondo mas persistente.
São dois vinhos interessantes para consumo diário por uma qualidade bastante satisfatória. Surpreenderam pela positiva. Em relação ao Reguengos DOC habitual, nota-se um acréscimo de qualidade evidente.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Vinho: Reguengos Selecção 2016 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Antão Vaz, Gouveio
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Reguengos Selecção 2016 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 7
O branco mostrou-se particularmente interessante pela acidez que revelou. Ao tradicional Antão Vaz, casta branca emblemática do Alentejo, juntou-se o Gouveio, típico do Douro, do que resultou um lote com boa frescura, acidez e algum floral (por acaso gostava de saber se ou Gouveio já é uma casta autorizada, pois o vinho é DOC Alentejo). De cor amarelo palha aberto, mostrou-se persistente na boca e com notas de frutos tropicais, com final elegante e fresco.
O tinto, com um lote mais típico da região, apresentou-se de cor granada, igualmente fresco na prova de boca e com boa estrutura, encorpado e macio como é habitual nestes vinhos, com aromas de frutos silvestres e final redondo mas persistente.
São dois vinhos interessantes para consumo diário por uma qualidade bastante satisfatória. Surpreenderam pela positiva. Em relação ao Reguengos DOC habitual, nota-se um acréscimo de qualidade evidente.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Vinho: Reguengos Selecção 2016 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Antão Vaz, Gouveio
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Reguengos Selecção 2016 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 7
sábado, 10 de março de 2018
No meu copo 661 - Reguengos DOC tinto 2016
Descemos ainda mais, quase até à base da pirâmide. Numa passagem por um restaurante, este era o vinho da casa a 7 €. Como as alternativas não eram particularmente atractivas, experimentou-se.
Estamos a falar dum vinho abaixo dos 3 €, preço de mercado. Não se pode esperar qualquer semelhança com os que estão nos patamares acima.
Produzido com o mesmo lote clássico Garrafeira dos Sócios, os primeiros goles, enquanto se espera por um bife, não convencem. Estamos perante um vinho vulgar, em que nada o distingue de outros da mesma gama.
Já com o prato na mesa, o vinho parece diferente. Há alguma estrutura e uma certa persistência, com algumas notas a frutadas e a especiarias, com algum tanino lá ao fundo a querer mostrar-se.
Bebeu-se, sem encantar e sem esperar muito mais.
Apenas para confirmar que há um patamar abaixo do qual é quase indiferente aquilo que se escolhe. Do Douro ao Alentejo...
Depois de ter saboreado um Garrafeira dos Sócios, beber um Reguengos DOC é como passar dum Ferrari para um Fiat Panda...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos 2016 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira (40%), Aragonês (40%), Castelão (20%)
Nota (0 a 10): 6,5
Foto da garrafa obtida no site do produtor
Estamos a falar dum vinho abaixo dos 3 €, preço de mercado. Não se pode esperar qualquer semelhança com os que estão nos patamares acima.
Produzido com o mesmo lote clássico Garrafeira dos Sócios, os primeiros goles, enquanto se espera por um bife, não convencem. Estamos perante um vinho vulgar, em que nada o distingue de outros da mesma gama.
Já com o prato na mesa, o vinho parece diferente. Há alguma estrutura e uma certa persistência, com algumas notas a frutadas e a especiarias, com algum tanino lá ao fundo a querer mostrar-se.
Bebeu-se, sem encantar e sem esperar muito mais.
Apenas para confirmar que há um patamar abaixo do qual é quase indiferente aquilo que se escolhe. Do Douro ao Alentejo...
Depois de ter saboreado um Garrafeira dos Sócios, beber um Reguengos DOC é como passar dum Ferrari para um Fiat Panda...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos 2016 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira (40%), Aragonês (40%), Castelão (20%)
Nota (0 a 10): 6,5
Foto da garrafa obtida no site do produtor
quarta-feira, 7 de março de 2018
No meu copo 660 - Reguengos Reserva tinto: 2008 e 2013
Descemos uns patamares para chegar a outro clássico, passando por cima do novo Reserva dos Sócios (também lá chegaremos), do Bom Juiz e dos monocastas, para chegar a outro clássico, o Reserva, neste caso com duas colheitas separadas por 5 anos. Muito mais barato que o topo de gama da casa, mas com uma qualidade irrepreensível que o preço não reflecte.
Tal como o Garrafeira dos Sócios, este também é um bom vinho de guarda. O 2008 mostrou-se mais estruturado e encorpado que o 2013, com um aroma vinoso profundo e intenso, muito pujante na boca.
Já o 2013, conquanto mais novo e até mais alcoólico, revelou-se menos complexo. Mais frutado, ainda com os aromas primários bem evidentes com notas de frutos pretos e especiarias, mas a mostrar que mais tempo em garrafa lhe faria bem. São assim estes vinhos da CARMIM, e o melhor é mesmo dar-lhes tempo de repouso.
Como bons alentejanos...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Preço em feira de vinhos: 3,24 €
Vinho: Reguengos Reserva 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Reguengos Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Nota (0 a 10): 7,5
Tal como o Garrafeira dos Sócios, este também é um bom vinho de guarda. O 2008 mostrou-se mais estruturado e encorpado que o 2013, com um aroma vinoso profundo e intenso, muito pujante na boca.
Já o 2013, conquanto mais novo e até mais alcoólico, revelou-se menos complexo. Mais frutado, ainda com os aromas primários bem evidentes com notas de frutos pretos e especiarias, mas a mostrar que mais tempo em garrafa lhe faria bem. São assim estes vinhos da CARMIM, e o melhor é mesmo dar-lhes tempo de repouso.
Como bons alentejanos...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Preço em feira de vinhos: 3,24 €
Vinho: Reguengos Reserva 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Reguengos Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Nota (0 a 10): 7,5
domingo, 4 de março de 2018
No meu copo 659 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2007
Um clássico dos clássicos, desta vez revisitado mais depressa do que habitualmente. Uma ou duas vezes por ano é sempre chamado à nossa mesa.
Já aqui contámos por mais de uma vez a história de como conhecemos este vinhos e da nossa paixão por ele. Então, o que haverá ainda para dizer?
Em primeiro lugar, a prova do tempo. Só os grandes vinhos superam a prova do tempo, e poucos o fazem com distinção.
O que acaba por impressionar mais neste vinho é a consistência qualitativa de colheita para colheita. O lote de uvas que o compõem tem-se mantido estável, com castas típicas da região (a partir da colheita de 2011 já houve alterações, mas a seu tempo lá chegaremos), o que permite manter sempre um mesmo perfil ao longo de mais de duas décadas.
No caso desta garrafa, é um vinho com 10 anos, comprado em 2014. Compramo-lo quase sempre para guardar, ficando esquecido na garrafeira até que a oportunidade surja. Ao fim deste tempo, os aromas primários mais frutados já lá não estão, mas a profundidade aromática acaba por surgir.
Neste caso foi decantado uma hora e meia antes da refeição, sendo que apenas quase uma hora depois de começar a ser bebido é que se libertou e abriu os aromas. Apareceu muito contido, de aroma muito fechado. No entanto, aquela suavidade que sempre o marcou, uma espécie de elegância rústica que sempre o caracterizou, estava bem presente. Lembro-me sempre da frase do saudoso Mancha (que hoje faria 53 anos se ainda estivesse entre nós), que dizia “este vinho é veludo”. E continua a ser, independentemente de gostarmos mais ou menos de cada colheita.
Não é apenas um vinho para beber: é um vinho para degustar, saborear e apreciar.
Com tempo, muito tempo. Com calma, muita calma. Com paciência, muita paciência.
Como um bom e típico alentejano.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2007 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 11,29 €
Nota (0 a 10): 8,5
Já aqui contámos por mais de uma vez a história de como conhecemos este vinhos e da nossa paixão por ele. Então, o que haverá ainda para dizer?
Em primeiro lugar, a prova do tempo. Só os grandes vinhos superam a prova do tempo, e poucos o fazem com distinção.
O que acaba por impressionar mais neste vinho é a consistência qualitativa de colheita para colheita. O lote de uvas que o compõem tem-se mantido estável, com castas típicas da região (a partir da colheita de 2011 já houve alterações, mas a seu tempo lá chegaremos), o que permite manter sempre um mesmo perfil ao longo de mais de duas décadas.
No caso desta garrafa, é um vinho com 10 anos, comprado em 2014. Compramo-lo quase sempre para guardar, ficando esquecido na garrafeira até que a oportunidade surja. Ao fim deste tempo, os aromas primários mais frutados já lá não estão, mas a profundidade aromática acaba por surgir.
Neste caso foi decantado uma hora e meia antes da refeição, sendo que apenas quase uma hora depois de começar a ser bebido é que se libertou e abriu os aromas. Apareceu muito contido, de aroma muito fechado. No entanto, aquela suavidade que sempre o marcou, uma espécie de elegância rústica que sempre o caracterizou, estava bem presente. Lembro-me sempre da frase do saudoso Mancha (que hoje faria 53 anos se ainda estivesse entre nós), que dizia “este vinho é veludo”. E continua a ser, independentemente de gostarmos mais ou menos de cada colheita.
Não é apenas um vinho para beber: é um vinho para degustar, saborear e apreciar.
Com tempo, muito tempo. Com calma, muita calma. Com paciência, muita paciência.
Como um bom e típico alentejano.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2007 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 11,29 €
Nota (0 a 10): 8,5
sábado, 30 de dezembro de 2017
No meu copo 642 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 1993
Para terminar o ano, tinha de ser em grande! E para isso fomos buscar uns dos nossos vinhos míticos, um daqueles que há mais tempo conhecemos, provamos e veneramos.
Trata-se duma colheita antiga do Reguengos Garrafeira dos Sócios, precisamente do ano em que o bebemos pela primeira vez (nessa altura a colheita que provámos era de 1989).
É um clássico que para nós é incontornável. Claro que com esta idade já perdeu alguma frescura e exuberância aromática, mas ganhou em elegância e suavidade e mantém um “bouquet” profundo e longo, a pedir copos largos e tempo de espera para libertar todos os aromas terciários. A madeira está lá mas apenas confere um certo tempero e estrutura ao vinho.
Ainda e sempre, para nós, um grande vinho!
E atenção, que agora já aí está o novo Reserva dos Sócios, que é uma espécie de irmão mais novo e que também promete altos voos. Já o provámos mas ainda não o bebemos à mesa. A seu tempo aqui falaremos dele.
Como sempre, os vinhos da CARMIM a deixarem-nos... com água na boca.
Bom ano para todos os nossos leitores e amigos. E boas provas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1993 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em garrafeira: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8
Trata-se duma colheita antiga do Reguengos Garrafeira dos Sócios, precisamente do ano em que o bebemos pela primeira vez (nessa altura a colheita que provámos era de 1989).
É um clássico que para nós é incontornável. Claro que com esta idade já perdeu alguma frescura e exuberância aromática, mas ganhou em elegância e suavidade e mantém um “bouquet” profundo e longo, a pedir copos largos e tempo de espera para libertar todos os aromas terciários. A madeira está lá mas apenas confere um certo tempero e estrutura ao vinho.
Ainda e sempre, para nós, um grande vinho!
E atenção, que agora já aí está o novo Reserva dos Sócios, que é uma espécie de irmão mais novo e que também promete altos voos. Já o provámos mas ainda não o bebemos à mesa. A seu tempo aqui falaremos dele.
Como sempre, os vinhos da CARMIM a deixarem-nos... com água na boca.
Bom ano para todos os nossos leitores e amigos. E boas provas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1993 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em garrafeira: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8
domingo, 19 de março de 2017
No meu copo 590 - Terra Lenta Premium 2015
Continuando em Reguengos, passamos da Herdade do Esporão para a CARMIM.
A Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz tem vindo a aumentar o seu portefólio nos últimos anos, saindo daquele circuito fechado Monsaraz-Reguengos Reserva-Garrafeira dos Sócios, com mais algumas marcas a serem lançadas de vez em quando, como os monocastas. Agora há o Millennium, um novo Reserva dos Sócios e este Terra Lenta, nome ou alcunha dada a uma parcela de uma vinha que tardou em produzir.
Desta vinha surgiu o vinho que aqui aparece, com recurso às castas mais tradicionais.
Encorpado mas não muito concentrado, mais aberto, suave e macio.
A cor apresenta um granada não muito profundo, no nariz predominam os frutos silvestres, com final elegante e taninos redondos.
É um vinho interessante, que poderá valer a pena revisitar, embora o preço antes do desconto seja um pouco elevado. Continua o mistério dos descontos de 60 e 70% num determinado hipermercado...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Terra Lenta Premium 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão
Preço em hipermercado: 9,99 € (em promoção: 3,49 €)
Nota (0 a 10): 7
A Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz tem vindo a aumentar o seu portefólio nos últimos anos, saindo daquele circuito fechado Monsaraz-Reguengos Reserva-Garrafeira dos Sócios, com mais algumas marcas a serem lançadas de vez em quando, como os monocastas. Agora há o Millennium, um novo Reserva dos Sócios e este Terra Lenta, nome ou alcunha dada a uma parcela de uma vinha que tardou em produzir.
Desta vinha surgiu o vinho que aqui aparece, com recurso às castas mais tradicionais.
Encorpado mas não muito concentrado, mais aberto, suave e macio.
A cor apresenta um granada não muito profundo, no nariz predominam os frutos silvestres, com final elegante e taninos redondos.
É um vinho interessante, que poderá valer a pena revisitar, embora o preço antes do desconto seja um pouco elevado. Continua o mistério dos descontos de 60 e 70% num determinado hipermercado...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Terra Lenta Premium 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão
Preço em hipermercado: 9,99 € (em promoção: 3,49 €)
Nota (0 a 10): 7
terça-feira, 10 de maio de 2016
No meu copo 527 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2004
Juntamos agora 3 artigos sobre vinhos de créditos firmados, dois deles presença habitual à nossa mesa, para mostrar que nem sempre as mudanças são benéficas.
Começamos com este clássico, provado anteriormente no final de 2015 com a colheita de 2003. Agora foi a ver da colheita de 2004, que ao contrário do que é habitual decepcionou. Em vez dos muitos encómios que aqui temos deixado ao longo dos anos (é só procurar pelo nome do vinho ou pela etiqueta CARMIM e os posts vão aparecer), neste caso não convenceu.
Já quase com 12 anos, apareceu encorpado, robusto, longo, com aroma profundo, ainda muito exuberante e rústico, demasiado concentrado e com excesso de álcool. Em vez do vinho estruturado mas aveludado que é habitual, apareceu uma bomba de álcool, algo sobrematurado. A matriz de um grande vinho está lá, sem dúvida, mas este, para fazer jus à imagem que temos dele, se calhar precisaria de mais 10 anos na garrafa para amaciar e ficar mais bebível.
Apesar de tudo, bom... mas sem encantar. Espero que as próximas colheitas que tenho para consumir voltem ao equilíbrio a que nos habituaram.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Garrafeira dos Sócios 2004 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 15%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 14,49 €
Nota (0 a 10): 8
Começamos com este clássico, provado anteriormente no final de 2015 com a colheita de 2003. Agora foi a ver da colheita de 2004, que ao contrário do que é habitual decepcionou. Em vez dos muitos encómios que aqui temos deixado ao longo dos anos (é só procurar pelo nome do vinho ou pela etiqueta CARMIM e os posts vão aparecer), neste caso não convenceu.
Já quase com 12 anos, apareceu encorpado, robusto, longo, com aroma profundo, ainda muito exuberante e rústico, demasiado concentrado e com excesso de álcool. Em vez do vinho estruturado mas aveludado que é habitual, apareceu uma bomba de álcool, algo sobrematurado. A matriz de um grande vinho está lá, sem dúvida, mas este, para fazer jus à imagem que temos dele, se calhar precisaria de mais 10 anos na garrafa para amaciar e ficar mais bebível.
Apesar de tudo, bom... mas sem encantar. Espero que as próximas colheitas que tenho para consumir voltem ao equilíbrio a que nos habituaram.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Garrafeira dos Sócios 2004 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 15%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 14,49 €
Nota (0 a 10): 8
sexta-feira, 6 de maio de 2016
No meu copo 526 - Monsaraz Reserva 2011; Reguengos Reserva 2011
Temos aqui dois vinhos de Reguengos, da mesma casa e da mesma colheita. Um clássico e um moderno.
Proveniente da junção das castas Alicante Bouschet (50%), Trincadeira (30%) e Touriga Nacional (20%), o Monsaraz Reserva 2011 é um vinho de cor granada carregada, com aroma de amora e framboesa, na boca é encorpado, de profundidade e estrutura médias e final discreto. Estagia em barricas de carvalho francês e americano durante 9 meses.
Não parece ser melhor que o já clássico Reguengos Reserva, pelo que até prova em contrário este continuará a merecer a nossa preferência.
Já este mantém o perfil habitual: encorpado e com alguma robustez, adstringência domada e boa persistência, com alguma complexidade na boca, predominando as notas de especiarias e frutos pretos, com um toque de madeira muito ligeiro a dar uma boa envolvência ao conjunto.
Continua a ser uma boa aposta que vale muito mais do que aquilo que custa, e continua também a ser uma vinho com apetência para guardar, pois aguenta muito bem o tempo em garrafa.
Conclusão: o classicismo e a tradição ganharam à modernidade, e o mais barato ganhou ao mais caro.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Vinho: Monsaraz Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Reguengos Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 3,36 €
Nota (0 a 10): 8
Proveniente da junção das castas Alicante Bouschet (50%), Trincadeira (30%) e Touriga Nacional (20%), o Monsaraz Reserva 2011 é um vinho de cor granada carregada, com aroma de amora e framboesa, na boca é encorpado, de profundidade e estrutura médias e final discreto. Estagia em barricas de carvalho francês e americano durante 9 meses.
Não parece ser melhor que o já clássico Reguengos Reserva, pelo que até prova em contrário este continuará a merecer a nossa preferência.
Já este mantém o perfil habitual: encorpado e com alguma robustez, adstringência domada e boa persistência, com alguma complexidade na boca, predominando as notas de especiarias e frutos pretos, com um toque de madeira muito ligeiro a dar uma boa envolvência ao conjunto.
Continua a ser uma boa aposta que vale muito mais do que aquilo que custa, e continua também a ser uma vinho com apetência para guardar, pois aguenta muito bem o tempo em garrafa.
Conclusão: o classicismo e a tradição ganharam à modernidade, e o mais barato ganhou ao mais caro.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Vinho: Monsaraz Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Reguengos Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 3,36 €
Nota (0 a 10): 8
domingo, 24 de janeiro de 2016
No meu copo 502 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2003
Como não podia deixar de ser, para não fugir à tradição, depois dos monocasta do Esporão e dos Reservas da Sogrape, juntámos mais um exemplar de Garrafeira dos Sócios aos festejos de fim de ano. Vamos consumindo estas garrafas moderadamente e com parcimónia.
Surpresa? Nenhuma! Continua com o mesmo perfil a que nos habituou. O lote de castas mantém-se inalterável e fiel às origens e à sua própria tradição: Aragonês, Castelão e Trincadeira, tradicionalíssimas no Alentejo, constituem o trio inseparável há mais de 20 anos.
É macio, aveludado, de aroma profundo, bem estruturado e persistente, com madeira quanto baste, longo, longo longo... Para ir bebericando, saboreando e conversando com ele ao longo de um serão em que terá muito para dar e mostrar. E para ir tendo sempre de prevenção na garrafeira.
Finalmente, em 2014 houve uma colheita (de 2008) reconhecida com um prémio Escolha da Imprensa pelo júri da Revista de Vinhos. Foi exemplo quase único entre portas, a contrastar com as medalhas que traz lá de fora. E bem merece.
Para nós continua a ser uma referência entre os vinhos clássicos do Alentejo. É o “veludo” dentro duma garrafa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Garrafeira dos Sócios 2003 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 14,49 €
Nota (0 a 10): 8,5
Surpresa? Nenhuma! Continua com o mesmo perfil a que nos habituou. O lote de castas mantém-se inalterável e fiel às origens e à sua própria tradição: Aragonês, Castelão e Trincadeira, tradicionalíssimas no Alentejo, constituem o trio inseparável há mais de 20 anos.
É macio, aveludado, de aroma profundo, bem estruturado e persistente, com madeira quanto baste, longo, longo longo... Para ir bebericando, saboreando e conversando com ele ao longo de um serão em que terá muito para dar e mostrar. E para ir tendo sempre de prevenção na garrafeira.
Finalmente, em 2014 houve uma colheita (de 2008) reconhecida com um prémio Escolha da Imprensa pelo júri da Revista de Vinhos. Foi exemplo quase único entre portas, a contrastar com as medalhas que traz lá de fora. E bem merece.
Para nós continua a ser uma referência entre os vinhos clássicos do Alentejo. É o “veludo” dentro duma garrafa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Garrafeira dos Sócios 2003 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 14,49 €
Nota (0 a 10): 8,5
domingo, 26 de julho de 2015
No meu copo 468 - Monsaraz Millennium 2014
De repente, e de onde menos se esperava, a surpresa desagradável...
Quem se der ao trabalho de nos ler sabe que temos sido pródigos em elogios aos vinhos da CARMIM ao longo dos anos, tendo mesmo feito do Garrafeira dos Sócios um dos nossos vinhos de eleição e presença obrigatória nas nossas garrafeiras.
O Reguengos Reserva tinto também tem merecido frequente destaque, assim como os monocasta, sempre que a ocasião se proporciona.
Há algumas semanas vi numa prateleira um Monsaraz Millennium, com 3 € de desconto sobre o PVP de base, 5,99 €. Pensei que era de aproveitar. Só tinha provado este vinho uma vez, há cerca de 4 anos, e não me lembrava bem dele, porque foi numas férias de Verão e não houve tempo para grandes registos, nem por escrito nem de memória. Mas tinha-me agradado.
Desta vez, aberta a garrafa, fiquei estarrecido: quase não conseguia acreditar naquilo que estava a provar. O que vou escrever em seguida não é de ânimo leve nem com qualquer prazer. Aliás, tive oportunidade de enviar desde logo um e-mail para o produtor, a dar conta das minhas impressões acerca do vinho (não recebi, até ao momento, qualquer resposta), e só passado mais de um mês resolvi publicar este post.
A verdade é que, para grande espanto dos presentes (não estava sozinho na ocasião), aquele vinho parecia acabado de sair dum garrafão! Parece estar inacabado, cheira e sabe a vinho de taberna. Nada ali está como deve estar. Mantive-o aberto durante vários dias (pois se não conseguia bebê-lo...), na esperança de ver como evoluía, e fiquei sem perceber como é que se põe um vinho no mercado naquelas condições. Pior, como é que o PVP é de 5,99 €, se nem para criado do Reguengos Reserva serve...
Diz o contra-rótulo que é um vinho feito para as novas gerações... Mas é com este produto que querem ensinar as novas gerações a gostar de vinho? É que assim vamos por muito mau caminho.
Quero acreditar que poderá ter sido apenas um descuido, uma escolha resultante dum momento menos feliz. Mas cuidado, porque é assim que se destrói o prestígio duma marca em dois tempos. Se eu não conhecesse tão bem e há tanto tempo os vinhos da CARMIM e tivesse começado por este, provavelmente não compraria mais nenhum.
Final da história: como o vinho se mostrou quase imbebível, acabou por ir sendo consumido aos poucos ao longo de vários dias, conservado no frigorífico e com rolha de vácuo. Passados uns cinco dias, afinal, já se mostrou mais bebível e pareceu ter ali algo para contar. O cheiro a taberna desapareceu, apresentou alguma estrutura e alguns aromas frutados (poucos...). Mas se for aquilo que se pretende, como é que se resolve a questão? Põem um aviso no rótulo a dizer “abra a garrafa e deixe-a ficar cinco dias aberta no frigorífico”???
Kroniketas, enófilo desiludido
Vinho: Monsaraz Millennium 2014 (T)
Região: Alenmtejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah
Preço em supermercado: 5,99 €
Nota (0 a 10): 3
Quem se der ao trabalho de nos ler sabe que temos sido pródigos em elogios aos vinhos da CARMIM ao longo dos anos, tendo mesmo feito do Garrafeira dos Sócios um dos nossos vinhos de eleição e presença obrigatória nas nossas garrafeiras.
O Reguengos Reserva tinto também tem merecido frequente destaque, assim como os monocasta, sempre que a ocasião se proporciona.
Há algumas semanas vi numa prateleira um Monsaraz Millennium, com 3 € de desconto sobre o PVP de base, 5,99 €. Pensei que era de aproveitar. Só tinha provado este vinho uma vez, há cerca de 4 anos, e não me lembrava bem dele, porque foi numas férias de Verão e não houve tempo para grandes registos, nem por escrito nem de memória. Mas tinha-me agradado.
Desta vez, aberta a garrafa, fiquei estarrecido: quase não conseguia acreditar naquilo que estava a provar. O que vou escrever em seguida não é de ânimo leve nem com qualquer prazer. Aliás, tive oportunidade de enviar desde logo um e-mail para o produtor, a dar conta das minhas impressões acerca do vinho (não recebi, até ao momento, qualquer resposta), e só passado mais de um mês resolvi publicar este post.
A verdade é que, para grande espanto dos presentes (não estava sozinho na ocasião), aquele vinho parecia acabado de sair dum garrafão! Parece estar inacabado, cheira e sabe a vinho de taberna. Nada ali está como deve estar. Mantive-o aberto durante vários dias (pois se não conseguia bebê-lo...), na esperança de ver como evoluía, e fiquei sem perceber como é que se põe um vinho no mercado naquelas condições. Pior, como é que o PVP é de 5,99 €, se nem para criado do Reguengos Reserva serve...
Diz o contra-rótulo que é um vinho feito para as novas gerações... Mas é com este produto que querem ensinar as novas gerações a gostar de vinho? É que assim vamos por muito mau caminho.
Quero acreditar que poderá ter sido apenas um descuido, uma escolha resultante dum momento menos feliz. Mas cuidado, porque é assim que se destrói o prestígio duma marca em dois tempos. Se eu não conhecesse tão bem e há tanto tempo os vinhos da CARMIM e tivesse começado por este, provavelmente não compraria mais nenhum.
Final da história: como o vinho se mostrou quase imbebível, acabou por ir sendo consumido aos poucos ao longo de vários dias, conservado no frigorífico e com rolha de vácuo. Passados uns cinco dias, afinal, já se mostrou mais bebível e pareceu ter ali algo para contar. O cheiro a taberna desapareceu, apresentou alguma estrutura e alguns aromas frutados (poucos...). Mas se for aquilo que se pretende, como é que se resolve a questão? Põem um aviso no rótulo a dizer “abra a garrafa e deixe-a ficar cinco dias aberta no frigorífico”???
Kroniketas, enófilo desiludido
Vinho: Monsaraz Millennium 2014 (T)
Região: Alenmtejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah
Preço em supermercado: 5,99 €
Nota (0 a 10): 3
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
No meu copo 422 - Reguengos: Reserva tinto 2005; Reserva branco 2011
Iniciamos agora um pequeno périplo por alguns vinhos alentejanos, uns mais conhecidos que outros.
Começamos por Reguengos de Monsaraz, uma das nossas sub-regiões preferidas. Da Cooperativa Agrícola sai há longos anos este Reguengos Reserva tinto que tem mantido um perfil e uma qualidade consistentes (ver aqui colheitas anteriores). O preço, entretanto, foi baixando, ao ponto de chegar a um patamar onde o vinho é muito melhor do que aquilo que custa. Continua também a ser um vinho que vale a pena guardar algum tempo em vez de o beber em novo, pois normalmente melhora com o tempo em garrafa.
Esta colheita de 2005 confirmou essa impressão. Com 9 anos de idade, apresentou-se com grande frescura, com todos os aromas e sabores bem integrados, taninos macios embora ainda presentes. Aroma vinoso, intenso, com notas de frutos pretos. Encorpado, bem estruturado e robusto, persistente e com final marcado por um toque de madeira e especiarias.
Continua a ser um bom vinho para pratos de carne fortes e bem temperados, como a típica cozinha alentejana. E continua a ser um vinho que gostamos de ter sempre em stock, pois normalmente porta-se à altura.
Novidade, desta vez, foi a prova do Reserva branco, que nunca tínhamos experimentado. Apresentou um volume de boca interessante, aroma discreto com notas a frutos brancos e amarelos, um ligeiro toque vegetal e herbáceo, acidez suave e final mediano. Não é um vinho de qualidade média/alta ao nível do tinto, mas faz uma boa companhia a pratos de peixe não muito complexos nem condimentados. Não desilude e não é um daqueles brancos pesados que aparecem muitas vezes no Alentejo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Vinho: Reguengos Reserva 2005 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Reguengos Reserva 2011 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7
Começamos por Reguengos de Monsaraz, uma das nossas sub-regiões preferidas. Da Cooperativa Agrícola sai há longos anos este Reguengos Reserva tinto que tem mantido um perfil e uma qualidade consistentes (ver aqui colheitas anteriores). O preço, entretanto, foi baixando, ao ponto de chegar a um patamar onde o vinho é muito melhor do que aquilo que custa. Continua também a ser um vinho que vale a pena guardar algum tempo em vez de o beber em novo, pois normalmente melhora com o tempo em garrafa.
Esta colheita de 2005 confirmou essa impressão. Com 9 anos de idade, apresentou-se com grande frescura, com todos os aromas e sabores bem integrados, taninos macios embora ainda presentes. Aroma vinoso, intenso, com notas de frutos pretos. Encorpado, bem estruturado e robusto, persistente e com final marcado por um toque de madeira e especiarias.
Continua a ser um bom vinho para pratos de carne fortes e bem temperados, como a típica cozinha alentejana. E continua a ser um vinho que gostamos de ter sempre em stock, pois normalmente porta-se à altura.
Novidade, desta vez, foi a prova do Reserva branco, que nunca tínhamos experimentado. Apresentou um volume de boca interessante, aroma discreto com notas a frutos brancos e amarelos, um ligeiro toque vegetal e herbáceo, acidez suave e final mediano. Não é um vinho de qualidade média/alta ao nível do tinto, mas faz uma boa companhia a pratos de peixe não muito complexos nem condimentados. Não desilude e não é um daqueles brancos pesados que aparecem muitas vezes no Alentejo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Vinho: Reguengos Reserva 2005 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Reguengos Reserva 2011 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7
segunda-feira, 31 de março de 2014
No meu copo 373 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002
Depois dumas ensaboadelas dos chatíssimos, maçadores e monocórdicos “vinhos da moda”, de vez em quando sabe bem sair da modernidade e retomar os clássicos que repousam na garrafeira.
É o caso deste, uma referência incontornável nas nossas escolhas há muitos anos. Uma vez por ano, ou até mais espaçadamente, lá vamos abrindo uma ou duas garrafas para ver como ele está. Sabendo o risco que podemos correr em mantê-los tanto tempo guardados, a verdade é que na maior parte dos casos a espera compensa. E esta compensou, e de que maneira...
Desta vez houve o cuidado de decantar o vinho com cerca de uma hora de antecedência, colocá-lo na rua para arrefecer pois a temperatura interior estava algo elevada, e esperar pela hora de servir. Um dos aspectos que desde logo se notou foi a total ausência de qualquer depósito no fundo da garrafa, pelo que o vinho apresentou uma total limpidez após a decantação da totalidade do conteúdo.
Na cor, mostrou uma tonalidade granada não muito carregada, brilhante mas sem demasiados laivos de evolução, tão característicos pelo acastanhado que aparece na orla do vinho. Nada disso, nenhum sinal de envelhecimento precoce. O que cheirámos e provámos foi um vinho pleno de saúde, com um aroma tranquilo e profundo, um bouquet que se libertava lentamente, uma estrutura firme na boca mas com grande equilíbrio e macieza. Poderia estar ali para durar mais uns anos, mas mostrou estar num ponto óptimo de consumo.
Mais uma vez muito bem, não nos desiludiu e mostrou compensar a espera e as expectativas que nele sempre depositamos. Um clássico que vale sempre a pena revisitar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 12,99 € (adquirido em 2009 - este preço já não corresponde aos valores actuais)
Nota (0 a 10): 8,5
É o caso deste, uma referência incontornável nas nossas escolhas há muitos anos. Uma vez por ano, ou até mais espaçadamente, lá vamos abrindo uma ou duas garrafas para ver como ele está. Sabendo o risco que podemos correr em mantê-los tanto tempo guardados, a verdade é que na maior parte dos casos a espera compensa. E esta compensou, e de que maneira...
Desta vez houve o cuidado de decantar o vinho com cerca de uma hora de antecedência, colocá-lo na rua para arrefecer pois a temperatura interior estava algo elevada, e esperar pela hora de servir. Um dos aspectos que desde logo se notou foi a total ausência de qualquer depósito no fundo da garrafa, pelo que o vinho apresentou uma total limpidez após a decantação da totalidade do conteúdo.
Na cor, mostrou uma tonalidade granada não muito carregada, brilhante mas sem demasiados laivos de evolução, tão característicos pelo acastanhado que aparece na orla do vinho. Nada disso, nenhum sinal de envelhecimento precoce. O que cheirámos e provámos foi um vinho pleno de saúde, com um aroma tranquilo e profundo, um bouquet que se libertava lentamente, uma estrutura firme na boca mas com grande equilíbrio e macieza. Poderia estar ali para durar mais uns anos, mas mostrou estar num ponto óptimo de consumo.
Mais uma vez muito bem, não nos desiludiu e mostrou compensar a espera e as expectativas que nele sempre depositamos. Um clássico que vale sempre a pena revisitar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 12,99 € (adquirido em 2009 - este preço já não corresponde aos valores actuais)
Nota (0 a 10): 8,5
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
No meu copo 260 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001
Para finalizar o ano, nada melhor que assinalar a quadra festiva com um dos nossos vinhos de referência, já aqui mencionado várias vezes: o Garrafeira dos Sócios da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz.Desta vez escolhemos uma garrafa da colheita de 2001 que, tal como as colheitas anteriores, não fugiu ao que se esperava. Sempre a mesma suavidade, o aroma frutado profundo, e ainda assim mantendo uma persistência e um fim de boca assinalável.
De colheita para colheita mantém as mesmas características, sempre muito equilibrado, com a madeira na conta certa e conjugando uma estrutura que mantém alguma vivacidade com o aveludado habitual.
E assim terminamos o ano da melhor forma. Desejamos a todos boas provas para 2010.
Kroniketas, enófilo celebrante
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8,5
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
No meu copo 232 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 1997 e 1999
E como estamos numa onda de regressos, eis aqui outra repetição. A última prova da colheita de 1999 tinha sido colocada pelo tuguinho há uns dois anos, quando ele ainda escrevia uns posts para este blog. Daí para cá já tive oportunidade de provar outras colheitas, mais recentes e mais antigas, a última há cerca de um ano. Mas como este vinho, tal como o do post anterior, é um daqueles que tenho sempre em stock, as colheitas vão-se juntando na garrafeira e os vinhos vão ficando por ali à espera de serem lembrados.Assim sendo, depois do Quatro Castas resolvi ir revisitar o Garrafeira dos Sócios da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz. Não é novidade nenhuma dizer que quanto mais tempo esperamos para consumir um vinho maior é a probabilidade de termos uma surpresa desagradável. Felizmente não tenho tido tantas como receava, embora por vezes o azar bata à porta. Mas quando a surpresa é boa, sentimo-nos recompensados pela espera e ultimamente o deus Baco tem-me presenteado com alguns néctares deliciosos que só têm dado razão às vozes que, cada vez mais, se levantam contra a febre da venda e do consumo dos vinhos acabados de fazer (voltarei a este tema no próximo post).
Já contei na última prova a história da nossa relação com este vinho, um caso de verdadeira paixão. E esta prova da colheita de 99 não defraudou: estava lá tudo, e também aqui parece que o tempo em garrafa, ao invés de o fazer decair, o fez melhorar e lhe deu um vigor rejuvenescido. Continua com as características de que sempre gostei nele mas mantém-se vivo na boca, prolongado e aveludado.
Posteriormente a esta prova houve a oportunidade de beber, no restaurante O Ganhão, uma garrafa de litro e meio da colheita de 97. Para isso juntámos o núcleo duro dos Comensais Dionisíacos, tendo reservado previamente a dita garrafa. O resultado não defraudou minimamente as expectativas. Apresentou uma cor acastanhada a denotar a evolução já evidente, mas desta vez não achámos necessário decantá-lo, porque os aromas iniciais se apresentaram totalmente limpos, sem qualquer vestígio de mofo, e tal como tinha acontecido há um ano com o de 96 no restaurante A Gruta, em Portalegre, à medida que foi arejando os aromas foram-se libertando e toda a macieza e o aveludado que sempre esperamos aí estavam a marcar presença. Já não apresentava a mesma vivacidade do de 99, mas para um vinho com esta idade a saúde estava notável.
Após estas três últimas provas (estas duas e o Quatro Castas) fiquei com a sensação de ter provado três vinhos que estavam na idade adulta. É certo que já não se espera que possam melhorar, mas se não os tivesse deixado repousar durante todos estes anos (o Quatro Castas, comprado com 3 anos de idade, esperou 4 anos depois da compra e o Garrafeira dos Sócios 99, comprado com 4 anos, esperou 5) e não tivesse referenciado aquela garrafa magnum de 97 no Ganhão, teria agora o prazer de desfrutar de três vinhos verdadeiramente maduros e completos?
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 11,95 €
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1997 (T) (garrafa de 1,5 L)
Grau alcoólico: 13%
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1999 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Nota (0 a 10): 8,5
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
No meu copo 153 - Reguengos Garrafeira dos Sócios, 1996 e 2000
Há muitos anos, no Edmundo de Benfica (na esquina da Estrada de Benfica com a Avenida Gomes Pereira), estávamos nos primórdios das incursões vinícolas, eu e o Mancha pedimos um Esporão Reserva para acompanhar um naco na pedra ou uma costeleta de vitela grelhada.
Na altura havia, basicamente, quatro regiões conhecidas no Alentejo: Borba, Redondo, Reguengos e Vidigueira. De Portalegre pouco se falava, de Évora ainda menos e os produtores mais conhecidos eram sobretudo adegas cooperativas. No Douro havia uma meia-dúzia de vinhos de mesa, no Ribatejo era carrascão e na Estremadura havia muito... e mau. Dão, Bairrada e Península de Setúbal eram zonas vitivinícolas de referência.
O Esporão Reserva era já um vinho de referência e um dos melhores do Alentejo, senão mesmo o melhor da época. Mas não havia... O chefe sugeriu-nos um outro que disse ser parecido. O seu nome: Garrafeira dos Sócios, da Cooperativa de Reguengos de Monsaraz. Aceitámos com alguma relutância mas em boa hora o fizemos, porque nos deu a conhecer um vinho que, à época, nos encantou. Uma suavidade extraordinária, um bouquet profundo, um certo aroma floral e um corpo de grande elegância. Imediatamente o equiparámos ao Esporão em qualidade!
Durante vários anos este tornou-se o nosso vinho preferido. O Mancha dizia que este vinho era veludo, e de facto era. Merecia sempre nota máxima. Lendo o contra-rótulo ficámos então a saber que era uma produção especial para os sócios da cooperativa, com uvas seleccionadas, e só depois de estes se terem abastecido o restante era colocado no mercado. Até hoje continua a ser assim.
Com o tempo fomos conhecendo muitos outros vinhos, as referências foram aumentando e o gosto foi-se alterando, o próprio perfil do vinho foi-se alterando, acompanhando um pouco as tendências da moda, e o Garrafeira dos Sócios deixou de ter o protagonismo nas nossas preferências que antes tinha, mas nunca perdeu um lugar de destaque. É certo que hoje o bebemos muito menos vezes do que há 10 anos mas ele está sempre lá, nas nossas garrafeiras, e voltar a degustá-lo é como reencontrar um velho amigo que não se vê há muitos anos, ou ouvir uma daquelas músicas antigas dos grupos que fizeram as delícias da nossa juventude.
Há algum tempo tive oportunidade de provar a colheita de 2000. Voltou a encantar-me. Continua com aquela suavidade que lhe conhecia, uma bela cor rubi carregada, um leve amadeirado sem ser em excesso, final longo e sedoso, tudo muito equilibrado e harmonioso.
Mas a grande surpresa aconteceu precisamente esta noite, num jantar em Portalegre, no restaurante A Gruta, de que darei conta qualquer dia (há vários artigos para publicar antes...). Em exposição estavam, entre vastas dezenas de garrafas, algumas garrafas de Garrafeira dos Sócios 1996. Ficámos na dúvida. Um vinho com esta idade... Perguntei ao chefe se achava que o vinho estaria bebível. Experimentámos num copo de prova. Começou por apresentar um tom acastanhado, sinal de evolução avançada que muitas vezes não augura nada de bom. O primeiro aroma mostrou os mesmos sinais, de que já tinha passado o ponto óptimo. Resolvemos esperar pela decantação e deixá-lo respirar enquanto fomos bebericando em copos de boca larga. Aos poucos os aromas foram-se libertando e ficando mais limpos. A melhoria foi evidente e passada cerca de meia-hora ele aí estava em todo o seu esplendor. Era este o Garrafeira dos Sócios que eu conhecia há 10 anos. Macio, aromático, suave, verdadeiro veludo. Até chamámos o chefe Felício para o provar e o veredicto foi o mesmo: fantástico.
Um vinho que se impõe pela diferença. Enquanto outros (a maioria) primam pelo frutado, pela pujança, pelo corpo e pelo álcool, este prima pela elegância, pela delicadeza, pela suavidade, sem perder os traços marcantes de um vinho alentejano. Um dos raros vinhos que actualmente se destacam dos demais, por isso é um vinho que continuamos a beber com verdadeira paixão.
Só me espanta que seja tão pouco falado, pois é dos poucos onde ainda se podem procurar traços que não sejam só de fruta, especiarias, álcool ou madeira. Não é um vinho da moda, e ainda bem. Oxalá continue assim.
Kroniketas, enófilo esclarecido
PS: Para tranquilizar os espíritos mais inquietos, o vinho branco que se vê nos copos não é, definitivamente, o Garrafeira dos Sócios... :-)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 9,95 €
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1996 (T)
Grau alcoólico: 13%
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Nota (0 a 10): 8,5
Na altura havia, basicamente, quatro regiões conhecidas no Alentejo: Borba, Redondo, Reguengos e Vidigueira. De Portalegre pouco se falava, de Évora ainda menos e os produtores mais conhecidos eram sobretudo adegas cooperativas. No Douro havia uma meia-dúzia de vinhos de mesa, no Ribatejo era carrascão e na Estremadura havia muito... e mau. Dão, Bairrada e Península de Setúbal eram zonas vitivinícolas de referência.
O Esporão Reserva era já um vinho de referência e um dos melhores do Alentejo, senão mesmo o melhor da época. Mas não havia... O chefe sugeriu-nos um outro que disse ser parecido. O seu nome: Garrafeira dos Sócios, da Cooperativa de Reguengos de Monsaraz. Aceitámos com alguma relutância mas em boa hora o fizemos, porque nos deu a conhecer um vinho que, à época, nos encantou. Uma suavidade extraordinária, um bouquet profundo, um certo aroma floral e um corpo de grande elegância. Imediatamente o equiparámos ao Esporão em qualidade!
Durante vários anos este tornou-se o nosso vinho preferido. O Mancha dizia que este vinho era veludo, e de facto era. Merecia sempre nota máxima. Lendo o contra-rótulo ficámos então a saber que era uma produção especial para os sócios da cooperativa, com uvas seleccionadas, e só depois de estes se terem abastecido o restante era colocado no mercado. Até hoje continua a ser assim.
Com o tempo fomos conhecendo muitos outros vinhos, as referências foram aumentando e o gosto foi-se alterando, o próprio perfil do vinho foi-se alterando, acompanhando um pouco as tendências da moda, e o Garrafeira dos Sócios deixou de ter o protagonismo nas nossas preferências que antes tinha, mas nunca perdeu um lugar de destaque. É certo que hoje o bebemos muito menos vezes do que há 10 anos mas ele está sempre lá, nas nossas garrafeiras, e voltar a degustá-lo é como reencontrar um velho amigo que não se vê há muitos anos, ou ouvir uma daquelas músicas antigas dos grupos que fizeram as delícias da nossa juventude.
Há algum tempo tive oportunidade de provar a colheita de 2000. Voltou a encantar-me. Continua com aquela suavidade que lhe conhecia, uma bela cor rubi carregada, um leve amadeirado sem ser em excesso, final longo e sedoso, tudo muito equilibrado e harmonioso.
Mas a grande surpresa aconteceu precisamente esta noite, num jantar em Portalegre, no restaurante A Gruta, de que darei conta qualquer dia (há vários artigos para publicar antes...). Em exposição estavam, entre vastas dezenas de garrafas, algumas garrafas de Garrafeira dos Sócios 1996. Ficámos na dúvida. Um vinho com esta idade... Perguntei ao chefe se achava que o vinho estaria bebível. Experimentámos num copo de prova. Começou por apresentar um tom acastanhado, sinal de evolução avançada que muitas vezes não augura nada de bom. O primeiro aroma mostrou os mesmos sinais, de que já tinha passado o ponto óptimo. Resolvemos esperar pela decantação e deixá-lo respirar enquanto fomos bebericando em copos de boca larga. Aos poucos os aromas foram-se libertando e ficando mais limpos. A melhoria foi evidente e passada cerca de meia-hora ele aí estava em todo o seu esplendor. Era este o Garrafeira dos Sócios que eu conhecia há 10 anos. Macio, aromático, suave, verdadeiro veludo. Até chamámos o chefe Felício para o provar e o veredicto foi o mesmo: fantástico.
Um vinho que se impõe pela diferença. Enquanto outros (a maioria) primam pelo frutado, pela pujança, pelo corpo e pelo álcool, este prima pela elegância, pela delicadeza, pela suavidade, sem perder os traços marcantes de um vinho alentejano. Um dos raros vinhos que actualmente se destacam dos demais, por isso é um vinho que continuamos a beber com verdadeira paixão.
Só me espanta que seja tão pouco falado, pois é dos poucos onde ainda se podem procurar traços que não sejam só de fruta, especiarias, álcool ou madeira. Não é um vinho da moda, e ainda bem. Oxalá continue assim.
Kroniketas, enófilo esclarecido
PS: Para tranquilizar os espíritos mais inquietos, o vinho branco que se vê nos copos não é, definitivamente, o Garrafeira dos Sócios... :-)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 9,95 €
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1996 (T)
Grau alcoólico: 13%
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Nota (0 a 10): 8,5
terça-feira, 19 de junho de 2007
No meu copo 121 - Reguengos Reserva: 1999, 2000, 2001
Terminamos esta ronda por terras do Alentejo voltando a Reguengos de Monsaraz e à Carmim para falar do Reserva, que acompanhamos há muitos anos e que tínhamos em stock desde Janeiro de 2004. Quando provámos a colheita de 1999 fomos logo a seguir comprar umas quantas garrafas, que ficaram esquecidas até há pouco tempo, quando achámos que era tempo de fazer uma rotação de stock porque o tempo útil de consumo já tinha sido ultrapassado.
A verdade é que o vinho se mostrou ainda em forma. Nas colheitas que saem para o mercado é um vinho de cor granada e bastante encorpado, com a madeira bem marcada mas sem ser em excesso, resultado dos cerca de 4 anos de estágio a que é submetido.
Apresenta normalmente um fim de boca prolongado, taninos bem presentes mas redondos. A curiosidade aqui era ver como se comportavam estas três colheitas. A de 1999 mostrou-se ainda em boa forma, sem mostrar sinais claros de declínio, podendo beber-se desde logo e aguentando mesmo uma garrafa aberta até ao dia seguinte sem afectar a frescura do vinho. Não deixando de ser uma surpresa, dado ser um vinho alentejano já com quase 8 anos, a verdade é que fez jus à apreciação que mereceu no final de 2003 e que nos levou a apostar nele para guardar durante uns anos.
Já a colheita de 2000 apresentou-se muito mais fechada, com um aroma inicial com algum mofo, que tornou necessário decantá-lo para o deixar respirar e limpar mais os aromas. Ao fim de uma hora a evolução era evidente, desenvolvendo aromas a passas e especiarias e mostrando um fim de boca cada vez mais persistente.
O da colheita de 2001 tinha um problema: a garrafa tinha vertido algumas gotas e receávamos que estivesse passado. Depois de retirada a rolha que, apesar de ter vertido, estava em bom estado, ao cheirar o vinho perpassou pelas nossas mentes a lembrança do vinho do Porto, o que não era bom presságio. Verteu-se um pouco para o copo. A cor, granada profunda como já referido, não denotava a evolução que o odor deixava prever e, quando o provámos, o sabor era óptimo, a especiarias e madeira bem casada, os taninos redondos mas vincados e um fim de boca suave e de média duração. Aliás, cheirado no copo, o vinho do Porto não estava lá, apenas um aroma também discreto e complexo, a mostrar a boa saúde do vinho.
Não sendo nenhuma das colheitas mais recentes e não tendo a vivacidade que aquelas normalmente apresentam, estas três demonstraram, ainda assim, que este Reserva pode ser guardado algum tempo sem nos pregar uma partida e é uma excelente aposta para acompanhar pratos de carne alentejanos tradicionais, daqueles bem fortes e consistentes que pedem um vinho robusto sem ser agressivo. Tem também a vantagem de apresentar um preço bastante convidativo, podendo actualmente comprar-se a menos de 4 €. Em 2000 chegou a comprar-se a 1125$. Recentemente, uma promoção no Pingo Doce apresentava 6 garrafas ao preço de 5, o que resultava em 3,325 € por garrafa, que é um excelente preço para o vinho em questão.
Nota: este vinho usa as uvas do mesmo lote que, depois de devidamente seleccionadas, servem para fazer o topo de gama da casa, o Garrafeira dos Sócios.
tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçado e esclarecido (respectivamente)
Vinho: Reguengos Reserva 1999 (T)
Grau alcoólico: 13%
Vinho: Reguengos Reserva 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Vinho: Reguengos Reserva 2001 (T)
Grau alcoólico: 14%
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão, Moreto
Preço em feira de vinhos: 3,78 €
Nota (0 a 10): 8
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