Passados mais de 10 anos voltei ao local do crime, para repetir o prato e o vinho. Um almoço no Curral dos Caprinos trouxe à mesa o inevitável cabrito assado no forno com batata assada e esparregado, e ao copo o par quase ideal, o Cabriz Reserva tinto 2013.
Quanto ao prato não há muito a acrescentar ao que já se sabe: é um dos pratos emblemáticos da casa, que justifica sempre a visita. Tudo confeccionado no ponto certo.
Quanto ao vinho, que é o que nos traz aqui, também não há muito de novo, porque cumpriu com distinção aquilo que dele sempre se espera.
Sem ter sido pedido, o vinho foi previamente decantado e deixado repousar alguns minutos enquanto arejava, o que se revelou uma prática bastante adequada para o vinho em causa.
Tal como é mais ou menos habitual, este Cabriz Reserva mostrou um perfil robusto sem descurar a elegância, sempre contrastante com o lado mais elegante e suave do Casa da Santar Reserva. Aroma predominante a frutos vermelhos e do bosque, algumas notas balsâmicas, bem estruturado na boca, ainda com sinais evidentes de juventude e taninos bem presentes, com final vivo e persistente.
Aconselha-se assim a guarda por mais algum tempo, pois irá certamente amaciar na garrafa. Voltaremos a ele, pois há mais em casa para beber.
É um vinho que nunca nos desilude e uma aposta sempre segura, num patamar de preço quase imbatível para a qualidade que apresenta. Nem outra coisa seria de esperar, vindo donde vem.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Cabriz Reserva 2013 (T)
Região: Dão
Produtor: Global Wines
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 5,64 €
Nota (0 a 10): 8
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sexta-feira, 13 de abril de 2018
sábado, 14 de março de 2015
No meu copo 438 - Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2005; Quinta de Cabriz, Touriga Nacional 2004
Tínhamos estes vinhos há alguns anos na garrafeira, juntamente com outros de gama alta, e achámos que era chegada a hora de abri-los. Já tínhamos provado o Vinha do Contador branco e tinto noutras ocasiões, nomeadamente nalguns encontros do #daowinelover. Nesta prova fizemos uma parelha entre dois produtos da Dão Sul já com alguma idade.
O Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador apresentou-se encorpado e estruturado mas bastante equilibrado. No primeiro ataque mostrou-se bastante recolhido, mas foi-se libertando e surpreendeu pela exuberância aromática e persistência. Muito volumoso e vigoroso na boca, com as notas de madeira muito discretas a dar complexidade e personalidade ao conjunto. Um grande vinho, como já se sabia, que a idade ajudou a domar. Precisa de tempo para se libertar, é um vinho para degustar lentamente ao longo duma noite e ir descobrindo toda a sua complexidade e panóplia de aromas.
O Quinta de Cabriz Touriga Nacional (ainda com a designação antiga, onde constava a palavra “quinta”) apareceu inicialmente discreto e algo simples no aroma, parecendo ficar ofuscado pelo parceiro de ocasião, mas foi abrindo lentamente com o passar do tempo e terminou com alguma exuberância aromática. Apresenta uma cor granada intensa mas é algo pesado na boca, tornando-se um pouco cansativo na prova. A Touriga Nacional impõe-se com as suas características florais mas o teor alcoólico confere alguma doçura que acaba por ofuscar o resto do conjunto. Aliás, é uma característica que parece manter-se neste vinho pelos anos fora, e que quanto a mim o penaliza na comparação com os outros monocasta do universo Dão Sul, e em particular os da Casa de Santar. Não é dos vinhos mais atractivos da casa neste segmento.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Dão
Produtor: Global Wines - Dão Sul
Vinho: Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2005 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço: 44,80 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Quinta de Cabriz, Touriga Nacional 2004 (T)
Grau alcoólico: 15%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 14,18 €
Nota (0 a 10): 8
O Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador apresentou-se encorpado e estruturado mas bastante equilibrado. No primeiro ataque mostrou-se bastante recolhido, mas foi-se libertando e surpreendeu pela exuberância aromática e persistência. Muito volumoso e vigoroso na boca, com as notas de madeira muito discretas a dar complexidade e personalidade ao conjunto. Um grande vinho, como já se sabia, que a idade ajudou a domar. Precisa de tempo para se libertar, é um vinho para degustar lentamente ao longo duma noite e ir descobrindo toda a sua complexidade e panóplia de aromas.
O Quinta de Cabriz Touriga Nacional (ainda com a designação antiga, onde constava a palavra “quinta”) apareceu inicialmente discreto e algo simples no aroma, parecendo ficar ofuscado pelo parceiro de ocasião, mas foi abrindo lentamente com o passar do tempo e terminou com alguma exuberância aromática. Apresenta uma cor granada intensa mas é algo pesado na boca, tornando-se um pouco cansativo na prova. A Touriga Nacional impõe-se com as suas características florais mas o teor alcoólico confere alguma doçura que acaba por ofuscar o resto do conjunto. Aliás, é uma característica que parece manter-se neste vinho pelos anos fora, e que quanto a mim o penaliza na comparação com os outros monocasta do universo Dão Sul, e em particular os da Casa de Santar. Não é dos vinhos mais atractivos da casa neste segmento.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Dão
Produtor: Global Wines - Dão Sul
Vinho: Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2005 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço: 44,80 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Quinta de Cabriz, Touriga Nacional 2004 (T)
Grau alcoólico: 15%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 14,18 €
Nota (0 a 10): 8
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Dãowinelover Masterclass: Dão Sul - Quinta de Cabriz (2ª parte)

Falemos agora um pouco dos vinhos provados, cuja prova se repartiu entre os períodos antes e depois do almoço. Em 35 referências colocadas à disposição dos visitantes, seria fastidioso enumerar ou querer dissertar sobre cada uma delas. No entanto, alguns dos vinhos provados mereceram-nos especial atenção.
Desde logo, numa das mesas estavam disponíveis provas verticais de 3 marcas de vinhos, mesmo anteriores à criação da Dão Sul e à aquisição da Casa de Santar pela empresa. Destaque para os Casa de Santar de 1965, 1975 e 1983, que dividiram opiniões. Houve quem preferisse claramente o de 1965 (como foi o caso do Politikos, um dos meus companheiros de viagem), e houve quem preferisse o de 1983 e que considerasse que o de 1965 apresentava oxidação em demasia e já aromas a lembrar o vinho do Porto, como foi o meu caso. A colheita de 1983, por sua vez, mostrava uma cor ainda bastante concentrada, alguma frescura no aroma e vivacidade na prova de boca, parecendo um vinho bem mais novo do que os 30 anos que ostentava. Mas a discussão continuou e não se chegaria a nenhum consenso, pelo que as opiniões se mantiveram de ambos os lados.
Em parceria com estes, havia 4 colheitas do Casa de Santar Touriga Nacional (colheitas de 2000, 2006, 2007 e 2010) e do Quinta de Cabriz Touriga Nacional (colheitas de 2003, 2004, 2007 e 2010). Em ambos os casos, a minha preferência foi para a colheita mais antiga, mas o que ficou mais evidente foi a superior elegância e suavidade dos vinhos provenientes de Santar, em contraponto com os vinhos de Cabriz, genericamente mais robustos e rústicos. Como foi explicado na apresentação inicial, existe uma diferença de altitude e de clima entre as vinhas das duas quintas, com mais calor em Cabriz e mais frescura em Santar, o que proporciona maturações mais lentas. Estas pequenas diferenças estão claramente marcadas desde há muitos anos nos vinhos das duas marcas, atravessando toda a gama. No caso do Cabriz Touriga Nacional de 2003, a idade já nos permitiu apreciar um vinho bem integrado, amaciado pelo tempo e ainda com grande concentração mas já bem equilibrado, o que já não se verifica nas colheitas mais recentes, e em particular na de 2010.
Noutra mesa, os brancos de topo: Conde de Santar, Cabriz Encruzado, Four CCCC, Condessa de Santar, Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador, Casa de Santar Reserva. Cinco pesos pesados no portefólio de brancos, com destaque para o Condessa de Santar. Há alguns anos tínhamos adquirido e bebido uma garrafa da colheita de 2005, que o tuguinho fez questão de abrir com um arroz de tamboril, que não agradou à generalidade dos presentes e que calhou pessimamente com o prato: muito pesado e marcado pela madeira, enjoativo, difícil de conjugar com qualquer prato. Agora, pelo contrário, encontrámos um vinho com a madeira na devida conta, peso e medida, quase imperceptível, e mais marcado pela frescura, pelos aromas a fruta e boa estrutura com final longo e vivo. Uma bela surpresa.
Melhor surpresa nos esperava na 3ª mesa, onde estavam os vinhos desde as gamas de entrada até aos Reservas, passando pelo Colheita Tardia e pelos espumantes. Para além do já conhecido Cabriz bruto, a grande revelação foi o espumante Condessa de Santar, um vinho de grande nível quase a alcandorar-se ao patamar dos champanhes e a bater-se com os melhores espumantes do país.
No caso do Outono de Santar Colheita Tardia, elaborado apenas a partir de Encruzado, apresenta um perfil algo diferente da maioria dos vinhos do género, mais aberto e fresco, com uma cor menos carregada. É um vinho que se bebe a solo, podendo servir-se como aperitivo ou para acompanhar sobremesas. Apresenta a doçura expectável num colheita tardia combinada com um toque cítrico que lhe confere um perfil diferente, com menos melaço do que o habitual, pelo que apresenta uma frescura que também permite que seja bebido a solo. É uma aposta que tem todas as condições para dar certo.
Dentro da restante gama, marcou pontos o Casa de Santar Colheita branco, em vias de sair para o mercado, assim como o Casa de Santar Reserva tinto, sempre uma referência nos vinhos a rondar os 10 €, com uma elegância e uma suavidade notáveis, um daqueles vinhos que nunca desilude. Muito equilibrado o Cabriz Encruzado, leve e aromático. De todos, um dos brancos mais bem conseguidos.
E assim fomos passando o resto da tarde até anoitecer e ser horas de regressar, sempre em agradável convívio com os outros Dãowinelovers e com a equipa que sempre nos acompanhou. Após algumas fotografias de família para a posteridade, restou agradecer a toda a equipa da Dão Sul que tão simpaticamente nos recebeu, sempre com o muito simpático e disponível director de enologia Osvaldo Amado no comando das operações, e muito bem assessorado pelos seus não menos simpáticos e disponíveis colaboradores. Mais uma vez, os nossos parabéns e agradecimentos aos criadores, organizadores e dinamizadores do evento, Rui e Miguel.
Foi mais uma excelente jornada de propaganda aos vinhos do Dão e a melhor forma de assinalar o primeiro aniversário do primeiro evento dos Dãowinelovers. Ficamos agora à espera das próximas iniciativas, onde aguardo com particular expectativa e entusiamo o anunciado... Bairradão: um evento dedicado aos amantes dos vinhos da Bairrada e do Dão.
Continua nos próximos episódios...
Kroniketas, Dãowinelover
Nota: por não dispormos de fotos dos vinhos com a qualidade necessária, algumas das imagens deste post foram obtidas a partir de outras publicações no grupo #daowinelover no Facebook, com a devida vénia aos nossos comparsas.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Dãowinelover Masterclass: Dão Sul - Quinta de Cabriz (1ª parte)
No passado dia 25 de Janeiro, precisamente um ano menos um dia após a primeira iniciativa do género levada a cabo pelo grupo surgido e desenvolvido no Facebook, os Dãowinelovers deslocaram-se a Carregal do Sal para uma visita à Quinta de Cabriz, o berço da Dão Sul, uma das maiores empresas do país no sector da produção e comercialização de vinhos.
Por coincidência, aquando de uma anterior iniciativa que tinha decorrido em Outubro, dessa vez à volta dum almoço na Quinta da Espinhosa, já tinha tido oportunidade de, no regresso a casa, parar e almoçar no restaurante da Quinta de Cabriz, mas dessa vez só contemplando de fora o resto das instalações. Desta vez, com o amável contributo dos responsáveis da empresa, na companhia de dois dos comensais habituais, pudemos mergulhar no universo da Dão Sul, visitar os escritórios, as salas de fermentação em cuba, as linhas de engarrafamento, as salas de barricas e as caves onde milhares de garrafas de vinho repousam desafiando a prova do tempo.
O evento decorreu em várias etapas. A primeira consistiu na apresentação do universo Global Wines/Dão Sul, com uma introdução feita pelo enólogo Osvaldo Amado, que apresentou toda a equipa, desde o director-geral aos técnicos de viticultura ou laboratório, passando pelo marketing.
Vários oradores, apoiados numa apresentação de slides bastante clara, abordaram diversas vertentes da empresa, das diversas quintas que vão da Região dos Vinhos Verdes ao Alentejo, sem esquecer o Brasil, à respectiva caracterização geográfica e climática, e, obviamente, ao vasto portefólio de vinhos.
Esta primeira etapa serviu para abrir o apetite aos enófilos (e também alguns enólogos) presentes, pois foi-nos anunciado que teríamos à disposição nada menos de 35 vinhos para provar ao longo do dia!!! Antes, porém, os presentes divididos em dois grupos fizeram um percurso pelas instalações da empresa, terminando numa cave de barricas com ligação à cave de envelhecimento em garrafa. Aí estavam dispostas em várias mesas, e em barricas servindo de mesas, diversos grupos de garrafas de vinhos da Dão Sul produzidos no Dão: brancos fermentados em inox e madeira, tintos novos e velhos, espumantes, colheita tardia e licoroso. Os vários tipos de vinhos foram dispostos de forma organizada, permitindo aos visitantes escolher que tipo de vinho estariam a provar em cada momento.
Para além das colheitas mais recentes, numa das mesas tivemos oportunidade de provar quatro do Casa de Santar Touriga Nacional e outras tantas do Cabriz Touriga Nacional, e também pudemos degustar três colheitas mais antigas: o Casa de Santar de 1965, 1975 e 1983.
A manhã foi longa e, como a prova também o era, foi interrompida quando a fome apertava e eram horas de almoço. Este decorreu numa sala contígua ao restaurante aberto ao público, tendo-se provado entradas da Beira, massada de bacalhau e arroz de pato como pratos principais, e ainda requeijão com doce de abóbora e arroz doce como sobremesa. Para acompanhar estas iguarias estiveram à disposição os espumantes Quinta de Cabriz e Condessa de Santar, brancos, tintos, o Outono de Santar Colheita Tardia e o Cabriz licoroso.
Depois desta longa função, ainda houve oportunidade de voltar à cave para provar os vinhos que não tivéssemos tido oportunidade de provar durante a manhã. Aí, já em ambiente mais calmo, visitámos a enorme garrafeira onde se encontram as colheitas mais antigas do enorme espólio da Dão Sul.
Durante todo o evento, inclusive à mesa durante o almoço, tivemos sempre a companhia de alguém da equipa da Dão Sul, quer para nos darem os vinhos a provar, quer para ir trocando impressões sobre outros temas relacionados com o vinho ou a empresa.
Na segunda parte falaremos um pouco – ainda que não de forma exaustiva – de alguns dos vinhos provados, aqueles que mais nos impressionaram.
Kroniketas, Dãowinelover
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Dãowinelover na Quinta de Cabriz
É já no próximo sábado que se realiza mais um evento promovido pelo grupo #daowinelover, desta vez a ter lugar nas instalações da Dão Sul na Quinta de Cabriz.
Desta vez esta baiuca vai fazer-se representar por três participantes. Já estamos em contagem decrescente.
Kroniketas
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Um passeio pelo Dão - 2 (por entre serras e vinhas)
No meu copo, na minha mesa 345 - Cabriz, Touriga Nacional 2010; Restaurante Quinta de Cabriz (Carregal do Sal)
O resto do fim-de-semana foi para passear e conhecer a zona, tanto quanto possível dentro dos limites da região demarcada do Dão. De tarde fomos a Penalva do Castelo, passeámos nos enormes jardins da Casa da Ínsua, depois fomos a Fornos de Algodres e regressámos a Mangualde. Seguimos a sugestão do Pingus Vinicus e tentámos jantar no Valério... só que estava fechado, num sábado à noite. Foi difícil encontrar algo decente para jantar, e acabámos numa churrasqueira/pizzaria, a comer pizza e lombinhos de porco com cogumelos. Jantar tipicamente beirão, portanto...
Estranhámos a falta de oferta gastronómica na cidade num sábado à noite, mas talvez a crise ajude a explicar o fenómeno, pois no distrito de Viseu, para além da capital de distrito, Manugalde parece ser a cidade mais em destaque e naquela zona, para sueste, não há mais nenhuma cidade. Talvez o turismo não seja muito tido em conta por aquelas paragens...
O domingo foi dedicado a mais passeios, mas já apontando a sudoeste: primeiro em direcção a Nelas, com passagem à porta do Bem-Haja, uma referência obrigatória nos guias de restaurantes e com menção no Guia Michelin (pelo sim pelo não, já está localizado...), junto à adega Pedra Cancela e, quase por acaso, acabámos por topar com a entrada do Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, essa entidade histórica e que tão importante papel teve ao longo de décadas no vinho da região, que acabou de completar 105 anos de existência!
De Nelas rumámos a Santar, onde quase somos inundados pela vasta área de vinha da Casa de Santar, que começa a ser visível quando se começa a descer para o vale antes da povoação, depois de passar Vilar Seco. Passámos junto à adega da Casa de Santar, espreitámos o Paço dos Cunhas e a Quinta do Sobral e serpenteámos pelas ruas estreitas da povoação, que mantém uma traça quase medieval muito bem preservada. Para além das empresas produtoras de vinho ali sediadas, vale a pena visitar a pequena povoação pela beleza e enquadramento paisagístico.
Em todo este périplo, acabámos por deixar para trás um dos alvos possíveis da viagem, a Quinta dos Carvalhais, que implica um desvio em direcção a Alcafache. Mas ficou na agenda para uma próxima oportunidade, assim como o Bem-Haja, porque a seguir apontámos o trajecto em direcção a Carregal do Sal para chegar à Quinta de Cabriz à hora de almoço - ainda era demasiado cedo para parar em Nelas e abancar no Bem-Haja.
Mesmo ao pé da rotunda à entrada de Carregal do Sal, quando se entra pelo lado do IC12, logo junto à estrada vemos a placa que indica Restaurante Quinta de Cabriz – Enoturismo. Enoturismo a sério, é o mínimo que se pode dizer. Serviço impecável, rápido, simpático, eficiente, sempre em cima do acontecimento mas sem maçar o cliente.
Antes do prato principal fomos brindados com uma oferta do chefe, que nos enviou uns rissóis e uns pastelinhos de bacalhau ainda quentes, e com um espumante de boas-vindas, um Quinta do Encontro rosé feito exclusivamente de Touriga Nacional, muito leve e aberto, de cor salmão clara e um bom complemento para as entradas.
Havia um menu de degustação por 17,50 €, que incluía uma entrada, um prato e uma sobremesa, cada um acompanhado com o seu vinho, mas com um pequeno senão: era tudo baseado em maçã bravo de Esmolfe, do princípio ao fim, e considerámos que era maçã a mais, pelo que fomos para o menu da casa e escolhemos um cabrito à moda de Cabriz, de confecção irrepreensível, com batatinhas assadas, esparregado e arroz de feijão. De realçar a possibilidade, assinalada no menu, de pedir dose e meia do prato principal, o que também é de saudar e ajuda a gerir as quantidades que se pode comer, e foi essa a opção escolhida.
No final, um carrinho de sobremesas com múltiplas escolhas, tendo-se pedido apenas uma versão cremosa de tiramisu a lembrar mais o leite-creme, que estava bom mas muito consistente, dando para dividir por dois.
Os vinhos são vendidos a preços de produtor, mais baratos que no supermercado, o que se saúda. Por exemplo, o Cabriz Colheita Seleccionada, que se compra por cerca de 2,70 € no comércio, estava à venda a 2,20 € por garrafa de 75 cl, e a 1,10 € a garrafa de 37,5 cl. O preço dos pratos também não escalda. No final, com vinho, sobremesa e café, 20 € por pessoa é bastante razoável para a qualidade do restaurante nas suas diversas vertentes.
O ponto menos positivo acabou por recair precisamente no vinho escolhido. Estando disponível todo o portefólio da Dão Sul, desde os Portos das Tecedeiras até ao alentejanos do Monte da Cal, passando pela Quinta do Encontro na Bairrada e pela Casa de Santar e pelo Paço dos Cunhas no Dão, a dificuldade está em adequar a quantidade que se vai beber e o perfil do vinho ao prato. Dentro dos preços ajuizados, a escolha foi um Cabriz Touriga Nacional 2010, que decepcionou e se revelou uma má opção: 14,5% de álcool, um vinho pesadíssimo, superconcentrado, enjoativo, impossível de beber por muito tempo. Ao segundo copo já farta a ficamos com o palato completamente saturado. Com algum sacrifício, eu e a minha mulher não conseguimos sequer beber metade da garrafa, pelo que o resto veio rolhado para casa. Não é que se possa dizer que o vinho é defeituoso, mas com vinhos deste perfil, infelizmente, por este caminho não vamos lá.
Definitivamente, estou farto deste tipo de vinhos e não consigo mais bebê-los. Bem refere Luís Antunes, no seu artigo na Revista de Vinhos de Outubro, os casos em que em vez de apetecer uma segunda garrafa, nem se consegue acabar a primeira. Foi esse o caso. Se soubesse que esta colheita estava assim, tinha pedido um Casa de Santar Reserva, que de certeza ficava mais bem servido.
Enquanto os produtores e enólogos insistirem neste caminho, estão a dar tiros nos pés. Porque quando o cliente não consegue consumir, sequer, metade duma garrafa de vinho que se espera que seja de qualidade superior, certamente a culpa não é do cliente... Senhores produtores e enólogos, duma vez por todas abram os olhos e não insistam em trilhar este caminho, porque mais cedo ou mais tarde vão arrepender-se. Pela parte que me toca, enquanto este vinho mantiver este perfil não voltarei a pedi-lo nem a comprá-lo em lado nenhum. É pena, porque a Dão Sul é uma das empresas de que se espera sempre o melhor, mas ir atrás da moda é capaz de não ser a melhor política.
No fim, ainda antes do regresso a casa e para ajudar a digerir o almoço, ainda houve tempo para um pequeno passeio pelo jardim entre o restaurante, a loja de vinhos e a adega, uma espreitadela às gigantescas cubas de fermentação por trás desta e ainda a observação de 10 fileiras de cepas com amostras de castas tintas usadas nos vinhos da empresa, que bordejam a entrada da adega. Por ordem alfabética, encontramos Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonês, Baga, Jaen, Syrah, Tinto Cão, Touriga Franca, Touriga Nacional e Trincadeira. Aliás, já tínhamos visto o mesmo nos jardins da Casa da Ínsua, onde está devidamente assinalado o Canteiro das Castas que são usadas nos vinhos da casa.
A partir daqui, o regresso à capital com uma sensação de satisfação pelos passeios dados e pelos locais visitados, mas com vontade de voltar ao Dão mais cedo ou mais tarde. De preferência mais cedo...
Viva o Dão e os 105 anos da região demarcada!
Kroniketas, enófilo itinerante
Vinho: Cabriz, Touriga Nacional 2010 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço no restaurante: 10,40 €
Nota (0 a 10): 5,5
Restaurante: Quinta de Cabriz
Carregal do Sal
Tel: 232.961.222 / 232.960.140
Preço médio por refeição: 20 a 25 €
Nota (0 a 5): 4,5
sábado, 20 de julho de 2013
No meu copo 327 - Cabriz rosé 2011; Quinta de Saes rosé 2011
Estas duas garrafas tinham sido compradas por mim e pelo Politikos para levarmos ao Dão Winelover Pinkday, no qual por motivos pessoais acabámos por não poder comparecer. Face à escassa oferta encontrada, não houve grandes alternativas pelo que só nos pudemos cingir a estas. Acabámos por deixá-las em lista de espera para abrir quando a ocasião se proporcionasse, e esta aconteceu em mais um encontro do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comenais Dionisíacos”, onde avançaram em primeiro lugar para acompanhar os entreténs-de-boca.Dada a sua proveniência (entenda-se produtores), esperávamos um nível sempre acima do aceitável, mas a verdade é que neste caso ficámos pela mediania. Eu já tinha provado o Cabriz há uns anos, e não me desagradou, bem pelo contrário, tinha ficado bem impressionado. A verdade é que desta vez ficou um pouco aquém das expectativas. Aroma a frutos vermelhos muito discreto e pouco pronunciado, corpo leve (o que para um rosé não é um defeito, antes pelo contrário) mas o final a esvair-se, deixando pouca sensação na boca.
Quanto ao Quinta de Saes, que é uma das marcas de referência nos tintos de Álvaro Castro, o perfil foi algo semelhante. Mostrou algum corpo um pouco mais pronunciado, maior persistência, alguns aromas a morangos ou framboesas, mas também um final curto. Serão um pouco estes os perfis que os produtores querem obter, o que não se discute, pelo que temos aqui dois rosés com perfil mais adequado para os tais “vinhos de Verão”, “de piscina” ou “de esplanada”, primando pela leveza e prova de boca curta e pouco impressiva.
Apenas uma curiosidade, as castas usadas em ambos os casos são as mesmas. Em todo o caso fico na expectativa relativamente ao perfil dos próximos rosés do Dão que vou encontrar. Vamos ver se serão vinhos apenas para refrescar ou se serão para apreciar algo mais...
Kroniketas, enófilo desiludido
Região: Dão
Vinho: Cabriz 2011 (R)
Produtor: Quinta de Cabriz - Dão Sul
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 6
Vinho: Quinta de Saes 2011 (R)
Produtor: Álvaro Castro - Quinta da Pellada
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7
terça-feira, 19 de março de 2013
No meu copo, na minha mesa 306 - Jantar Dão Sul no restaurante Jacinto
Encontro espumante bruto 2006; Vinha de Saturno branco 2009;
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco 2009; Four C tinto 2007;
Vinha de Saturno tinto 2007; Porto Quinta das Tecedeiras Vintage 2007




A visita ao Rubro para um jantar com vinhos da Quinta do Encontro, relatada no post anterior, reavivou-nos as memórias dum outro jantar ocorrido em Dezembro de 2010, por ocasião do 8º aniversário da garrafeira Vinodivino.
Esteve presente o enólogo Carlos Lucas, que à data estava à frente da enologia da empresa, que nos recebeu com a apresentação do já citado espumante Encontro Bruto, e que já nessa ocasião nos agradou sobremaneira. Para além do espumante tivemos aí, também, o primeiro contacto com alguns vinhos de topo da empresa, como o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco, o Four C tinto, o Vinha de Saturno, branco e tinto, e para finalizar um Porto Vintage Quinta das Tecedeiras. Fica aqui o registo para a posteridade e as fotos a assinalar o evento.
Socorrendo-nos do registo no site da garrafeira, dos nossos apontamentos da altura e dos registos fotográficos, recordamos como decorreu a função.
- Entradas: Os Jacintinhos (pastelinhos de bacalhau, rissóis de camarão, croquetes de carne, chamuças) Vinho: Encontro espumante bruto 2006 (B) Região: Bairrada Castas: Bical, Arinto, Maria Gomes Grau alcoólico: 12% Nota (0 a 10): 8 Bolha fina, aroma delicado, medianamente encorpado, fresco, suave e apelativo.
- Prato: Portobelos recheados com queijo de cabra, rúcula e pesto Vinho: Vinha de Saturno 2009 (B) Região: Alentejo Casta: Alvarinho Grau alcoólico: 13,5% Nota (0 a 10): 8,5 Um branco alentejano surpreendente, feito apenas da casta Alvarinho e fermentado em madeira mas sem marcar minimamente o perfil do vinho. Robusto, bem estruturado mas com a acidez e frescura do Alvarinho a dar uma ligação perfeita com o prato.
- Prato: Tacos de bacalhau confitado em cama de espinafres e pasta de azeitonas Vinho: Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009 (B) Região: Dão Castas: Encruzado, Bical, Cerceal Grau alcoólico: 14% Nota (0 a 10): 8,5 Encorpado, final mais pesado mas elegante, excelente acidez e profundidade. Fermentado em madeira com micro-oxigenação, resultando em ligeira tosta no final. Um branco clássico.
- Prato: Bochechas de novilho estufadas em vinho tinto com chalotas e batata gratinada Vinho: Vinha de Saturno 2007 (T) Região: Alentejo Casta: Baga Grau alcoólico: 14,5% Nota (0 a 10): 9 Discreto no início mas abrindo-se num perfil robusto, poderoso, com grande estrutura na boca e final longo. Um corredor de fundo. Vinho: Four C 2007 (T) Região: Dão Castas: Baga, Touriga Nacional, Tinto Cão, Trincadeira Grau alcoólico: 14,5% Nota (0 a 10): 8,5 Aroma de ataque exuberante e profundo, taninos firmes mas sedosos, garra, persistência, mas acabando por se desvanecer um pouco. Favorece uma prova mais imediata e menos prolongada.
- Sobremesa: Chiffon de chocolate com gelado de baunilha e espuma de frutos silvestres Vinho: Porto Quinta das Tecedeiras Vintage 2007 Região: Douro/Porto Grau alcoólico: 20% Nota (0 a 10): 9 Doce, untuoso, vibrante, grande concentração de aromas e sabores a frutos vermelhos, sem sombra de aguardente, vibrante, sedoso, aveludado e redondo na boca. Novo mas com grande potencial de envelhecimento. Quase perfeito.
Do que nos recordamos desta ocasião, este jantar esteve praticamente ao nível do realizado uns meses antes com vinhos Niepoort, primando pela excelente confecção dos pratos e pelo nível dos vinhos apresentados, todos de qualidade a roçar o excepcional. Difícil é destacar algum, sendo que tanto os dois brancos (o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador, do Dão, e o Vinha de Saturno, do Alentejo) como os tintos (o Four C do Dão e de novo o Vinha de Saturno) se apresentaram em elevadíssimo nível, cada um dentro do seu perfil. São vinhos de excepção que merecem uma degustação adequada e demorada. O mesmo se aplica quanto ao Porto Vintage da Quinta das Tecedeiras, um vintage ainda em fase de crescimento e a caminho do seu melhor.
Os preços estão em conformidade, o que torna menos apelativa a sua aquisição, mas neste tipo de jantares consegue-se tirar partido da qualidade apresentada, conjugada com um conjunto de pratos de confecção a condizer, pelo que o custo compensa. Depois do jantar Niepoort (contado aqui - 1ª parte - e aqui - 2ª parte) - e das últimas visitas ao restaurante Jacinto, este voltou a fazer jus à escolha e impõe-se como um ponto de referência para eventos do género.
Kroniketas, enófilo saudoso e satisfeito
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