sexta-feira, 31 de agosto de 2018

No meu copo 698 - Titular: tinto 2014; branco 2015

A Caminhos Cruzados é uma empresa de origem familiar, situada na zona de Nelas, que tem vindo a ganhar espaço entre os produtores do Dão com excelentes vinhos, dos quais o maior destaque vai para um branco de excelência, o Teixuga, que já tivemos oportunidade de provar, mas ainda não de degustar à mesa.

Este par branco e tinto de que aqui se fala situam-se na gama média/média-baixa. Nesta marca existem várias versões monocasta, tanto nos brancos como nos tintos, e um tinto Reserva. Estas serão, portanto, as versões colheita mais simples. E assim se apresentaram.

O tinto 2014, com um lote típico da região, mostrou-se algo linear e simples na boca, com aroma discreto e final curto, delicado mas com alguma falta de estrutura, que o beneficiaria.

No caso do branco 2015, igualmente com um trio muito típico de castas, mostrou um aroma floral com mineralidade, boa acidez e frescura na boca, com estrutura e final de intensidade média.

No conjunto, melhor o branco, mais próximo do que é a região, do que o tinto, a que pareceu faltar algo mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Caminhos Cruzados

Vinho: Titular 2014 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Titular 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Bical
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 28 de agosto de 2018

No meu copo 697 - Tazem Reserva 2011

Este vinho foi adquirido numa garrafeira online, e despertou a curiosidade por ser dum produtor pouco falado. Conhecendo as características dos tintos do Dão, sabemos ao que vamos.

Na cor apresentou-se com um rubi brilhante típico da região. No aroma predominam frutos vermelhos e violetas. Na boca é delicado e suave, com final elegante e persistência média.

Para o vinho que é, o preço parece um pouco inflacionado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tazem Reserva 2011 (T)
Região: Dão
Produtor: Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazem
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço: 8,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

No meu copo 696 - Tinto da Talha Grande Escolha, Touriga Nacional e Alicante Bouschet 2009

A primeira prova deste vinho da Roquevale aconteceu já lá vai uma década. Na altura o vinho agradou bastante, mostrando uma pujança assinalável complementada com alguma elegância.

Entretanto foi adquirida esta colheita de 2009 que repousou vários anos na garrafeira. Foi bebido, portanto, com muito mais idade que a colheita de 2004. No lote, o Syrah deu lugar ao Alicante Bouschet. Estagiou em barricas novas de carvalho francês e americano.

O perfil do vinho é diferente e, dada a idade, a evolução também é necessariamente diferente. Esta colheita mostrou um vinho ainda encorpado, com alguma estrutura e persistência, marcado pela elegância na prova de boca, mas com menos intensidade no aroma. Mais redondo mas menos vivo.

Parece ser claramente um vinho para consumir mais novo. Numa próxima ocasião esse factor será tido em conta, pois a versão mais jovem pareceu num melhor ponto para consumo. Por outro lado, as castas que compõem o lote também são diferentes, pelo que não será de esperar nunca vinhos iguais, pois as duas castas escolhidas variam de ano para ano, numa prática que vai sendo habitual noutros vinhos.

A rever.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tinto da Talha Grande Escolha, Touriga Nacional e Alicante Bouschet 2009 (T)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Roquevale - Sociedade Agrícola da Herdade da Madeira
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 5,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

No meu copo 695 - Luís Pato Vinhas Velhas 2004

Quem tem pachorra para nos ler sabe que gostamos de vinhos velhos. E que gostamos de vinhos da Bairrada. E que gostamos ainda mais de vinhos velhos da Bairrada. E que gostamos particularmente dos de Luís Pato, o “Senhor Baga”.

É dum destes que aqui se fala. Há umas colheitas mais recentes em casa, mas este foi considerado como estando na hora de ir para o copo.

Temos bebido grandes vinhos de Luís Pato, que têm sempre a capacidade de nos surpreender, mas desta vez não foi o caso. Talvez estivesse num patamar de evolução menos favorável – é sabido que os vinhos têm ciclos com altos e baixos mesmo dentro da garrafa, mas como nós não estamos dentro da garrafa só podemos sabê-lo depois de a termos aberto. E como voltar a pôr o vinho na garrafa não é opção, há que bebê-lo como estiver.

Não estava estragado, passado, morto, oxidado, demasiado evoluído, nada disso. Apenas pouco expressivo, com os aromas muito discretos, acidez pouco vincada. Os taninos redondos mas talvez demasiado escondidos. Algo liso e com final discreto.

Vinificado em cubas de inox durante 10 dias, foi amadurecido em pipos usados (de 650 L) durante 12 meses.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Luís Pato Vinhas Velhas 2004 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Baga
Preço: 10,39 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

No meu copo 694 - Vinha da Nora 2005

Este também é uma repetição, e foi provado na mesma ocasião do Vallado Prima referido no post anterior.

A última prova desta colheita (e última com este nome, pois em 2006 já apareceu com o novo rótulo e com o actual nome, Lybra) já tinha acontecido há alguns anos, mas ainda sobreviveram duas garrafas (e ainda se encontram por aí no mercado), que resolvi deixar para abrir em ocasião que o justificasse. E nada melhor que fazê-lo em boa companhia e a acompanhar uns belos bifes à café.

Começámos por deparar-nos com dificuldades inultrapassáveis na remoção da rolha, que se recusou a sair do gargalo e nem com todos os artefactos disponíveis foi possível extrair inteira. Depois de meio esfarelada e extraída em vários pedaços, a parte final teve de ser empurrada para dentro da garrafa. Seguiu-se a inevitável operação de decantação e filtragem para outro recipiente, para nos livrarmos dos restos de rolha que boiavam.

Como esta situação já aconteceu antes, não fiquei nada preocupado com o facto de ter empurrado a rolha para dentro do vinho, uma vez que depois de arejado ele acaba sempre por recuperar. E assim voltou a acontecer. Nem sinal de contaminação pela rolha, com os aromas muito limpos e a cor bastante concentrada.

Já se falou deste vinho por várias vezes neste blog, pelo que não há muito para acrescentar pelas suas características. Há muitos anos que o baptizei como vinho aristocrático (um adjectivo que é mais ou menos transversal a todos os vinhos da casa) e mais uma vez confirmei essa impressão. Para um vinho com 13 anos, sujeito a este mau trato na abertura, a saúde, juventude, concentração e acidez com que se apresentou são notáveis, e só confirmam estar-se em presença dum vinho de grande nível, que se pode beber com qualquer idade. Este não mostrou quaisquer sinais de envelhecimento precoce nem declínio, parecendo ter apenas uma meia-dúzia de anos. Está ali para durar, a julgar por aquilo que se bebeu.

De resto, é um vinho que se bate estoicamente com as marcas mais prestigiadas (e mais caras) da casa, e, não me canso de dizê-lo, dos melhores exemplares do Syrah produzido em Portugal. O Lybra manteve esta linha e tradição, mas a memória deste Vinha da Nora é daquelas que perduram no tempo.

Mais um grande vinho! Se o encontrarem à venda, não hesitem: comprem-no. Ou então avisem-me para eu ir lá comprá-lo!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Nora 2005 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,24 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 12 de agosto de 2018

No meu copo 693 - Vallado Prima 2016

Não é habitual repetirmos uma prova do mesmo vinho aqui no blog com apenas um ano de intervalo, mas desta vez não resisti a publicar esta nota. Tive oportunidade de voltar a provar este vinho na companhia dum apreciador que ainda não o tinha provado, e ambos ficámos rendidos.

Este é daqueles vinhos que encantam à primeira prova! Uma elegância, uma finesse, uma delicadeza no paladar só ao alcance dos grandes vinhos! Confirmou – e reforçou – todas as impressões da prova anterior. Grande branco! Obrigatório ter na garrafeira.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vallado Prima 2016
Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 6,59 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

No meu copo 692 - João Portugal Ramos, Loureiro 2014 e 2017

Voltamos ao universo dos vinhos de João Portugal Ramos, agora com duas colheitas do verde monocasta elaborado com Loureiro.

Se o Alvarinho é o ex-libris de toda a região dos Vinhos Verdes e a casta emblemática de Monção e Melgaço, o Loureiro é-o em Ponte de Lima e Ponte da Barca. Juntas fazem muito bons lotes, mas o Loureiro tem ganho algum protagonismo e saído da sombra, permitindo-nos apreciar as suas características a solo.

Na realidade, este vinho não é 100% Loureiro, pois contém 15% de Alvarinho no lote, percentagem que segundo a legislação portuguesa permite denominá-lo como monocasta.

Estas duas colheitas não estavam muito diferentes, embora a de 2014 já mostrasse menos intensidade aromática. No conjunto, mostraram-se dois vinhos elegantes, com aromas predominantemente florais e algum cítrico (lima, limão), com uma discreta mineralidade.

É um vinho descomplicado, para beber descomplicadamente. Aprecie-se com saladas, entradas frias ou mariscos e fará um par perfeito numa tarde ou noite de Verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Vinho Verde
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Preço em feira de vinhos: 2,84 €

Vinho: João Portugal Ramos, Loureiro 2014 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Loureiro (85%), Alvarinho (15%)
Nota (0 a 10): 7

Vinho: João Portugal Ramos, Loureiro 2017 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Loureiro (85%), Alvarinho (15%)
Nota (0 a 10): 7


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

sábado, 4 de agosto de 2018

No meu copo 691 - Portal do Fidalgo, Alvarinho 2011

Comprei este vinho em 2017, na garrafeira Néctar das Avenidas, mais por curiosidade do que outra coisa. Tratava-se de perceber se um Alvarinho de 2011 aguentava a prova do tempo com galhardia. É sabido que muitos brancos não são feitos para envelhecer, mas é mais ou menos consensual que os monocasta Alvarinho são dos que se aguentam melhor sem perda de qualidade.

A cor apareceu já carregada, um amarelo-palha quase a tender para o mel, e o aroma bastante contido e com alguns sinais de redução. Mas isto foi só na primeira impressão ao cair dentro do copo. Passados alguns minutos, e depois de servido o segundo copo, o vinho começou a mostrar-se na plenitude. Os aromas tropicais sobressaíram, a acidez também e pouco a pouco revelou-se uma explosão de sabores que mostraram um Alvarinho adulto e em grande forma.

Já não tinha aqueles aromas primários da juventude mas foi revelando cada vez mais complexidade, muita vivacidade e estrutura na prova de boca e um final vibrante e persistente.

Muito bem! Passou com distinção.

Confirmou-se como um dos obrigatórios na nossa lista de preferências.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Portal do Fidalgo, Alvarinho 2011 (B)
Região: Vinho Verde (Monção)
Produtor: Provam - Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

No meu copo 690 - 3 Podas 2015

No rótulo aprecem 3 caras mais ou menos conhecidas do grande público. 3 actores, 3 humoristas: António Raminhos, Luís Filipe Borges e Pedro Fernandes, que deram as suas caras e nomes para baptizar este vinho.

Descontando o evidente trocadilho malicioso com o nome do vinho (traz uma etiqueta no gargalo com a inscrição “3 podas: aguentas?”) e o tom jocoso das indicações do contra-rótulo (“se você souber abrir uma garrafa como deve ser nem sequer vai saber a rolha”; “Acompanha bem qualquer tipo de carnes. Aliás, Quanto mais beber, mais bonitas e tenras lhe vão parecer as carnes”), falemos um pouco deste vinho que me veio parar às mãos no final duma visita ao restaurante da Quinta do Gradil para um delicioso e suculento jantar (qualquer dia será contado com mais pormenor).

Elaborado com 3 castas estrangeiras (Syrah, Petit Verdot e Tannat), apresenta um aroma intenso a frutos pretos e do bosque. Encorpado e longo na boca, mostra-se suave com taninos macios e final redondo e persistente.

Embora apresentado em tom de brincadeira, é um vinho bastante sério.

Mais informações sobre o conceito do vinho aqui.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: 3 Podas 2015 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Syrah, Petit Verdot, Tannat
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5


Foto da garrafa obtida no site do produtor