Provei este vinho pela primeira vez num restaurante da Praia da Rocha que já não existe (agora no mesmo espaço existe uma casa de refeições do tipo americano, chamada American Diner). Não é um vinho muito falado, mas a verdade é quem em termos de relação qualidade/preço deve ser do melhor que por aí anda. É um dos tais tintos de perfil moderno, mas ao qual é difícil ficar indiferente.
No primeiro contacto agradou-me, depois cruzei-me com ele esporadicamente e agora esta colheita de 2011 voltou a ser alvo de diversos elogios. O perfil mantém-se: encorpado, robusto, estruturado, uma bomba de fruta! Muito extraído, muito concentrado, muito alcoólico. Tudo aquilo contra o que tenho andado aqui a fazer campanha... Mas a verdade é que também é longo e persistente, está muito bem feito e bebe-se com agrado, pois é um vinho guloso.
Tenho alguma dificuldade em admitir isto, mas é um vinho que tendo tudo aquilo que normalmente não aprecio, gosto dele... Que se há-de fazer, então? Esqueçam-se os dogmas e beba-se, naturalmente a acompanhar pratos de carne muito bem temperados, para se bater com tanto tanino e tanto álcool. Mas cuidado ao levantar da cadeira...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Convento da Tomina 2011 (T)
Região: Alentejo (Moura)
Produtor: Francisco Nunes Garcia
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8
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domingo, 15 de dezembro de 2013
quarta-feira, 9 de agosto de 2006
No meu copo, na minha mesa 56 - Convento da Tomina 2005; Restaurante Lusitano (Praia da Rocha)
Já aqui falámos há alguns meses dum restaurante na Praia da Rocha (Portimão) a propósito do réveillon 2005-2006. Agora com a chegada do Verão, como frequentador indefectível do local, as oportunidades de passar por outros restaurantes da zona são imensas.
Recentemente tive oportunidade de conhecer outro restaurante no mesmo edifício do anterior. Chama-se este Lusitano, abriu há alguns meses e por enquanto não tem grande frequência. Mas o aspecto, visto de fora, é bom e convida a uma visita.
À porta está um mapa de Portugal, onde são anunciados pratos regionais que cobrem praticamente todo o país, desde a posta mirandesa à carne de porco com amêijoas, passando pela açorda de marisco e pelos grelhados de porco preto, chegando até à espetada madeirense. Talvez demasiado ambicioso, mas nada como experimentar. Por enquanto deparamo-nos com uma sala praticamente vazia, que só se compõe um pouco para lá das 21 horas, mas mesmo assim ainda fica menos de meia.
Entre os comensais presentes escolheram-se os rojões à minhota, duas espetadas madeirenses e, no meu caso, um bife à Marrare, obviamente mal passado.
O bife estava excelente de tempero, o molho espesso e no ponto certo de fritura, ainda meio ensanguentado. Veio acompanhado com batatas fritas e grelos cozidos, que ligaram na perfeição.
Quanto às espetadas, acompanhadas com uma maçaroca de milho, pecaram por estar, ao contrário do bife, demasiado passadas, para mais sendo carne de vaca. Os rojões, acompanhados com castanhas, pelo menos de aspecto, também estavam satisfatórios.
Para sobremesa, também abarcando todas as regiões, a preferência caiu numas encharcadas do Convento de Santa Clara e em dois D. Rodrigos. A encharcada estava apetitosa, polvilhada com canela, embora talvez demasiado sólida, pois é um doce que se come à colher e não deve necessitar de ser cortado.
O serviço primou pelo esmero e pela atenção. O encarregado do atendimento à mesa, ainda novo, não pareceu ser um novato nestas andanças, ou pelo menos amador. Pelo contrário, pela postura revelada pareceu ser alguém com formação na área e não um biscateiro para os meses de Verão. Sempre atento às necessidades e com a preocupação de saber se estava tudo em ordem ao longo da refeição, não hesitando em aconselhar nas escolhas, quer dos pratos quer dos vinhos. Foi precisamente seguindo uma sugestão sua que escolhemos o vinho, um Convento da Tomina 2005, regional alentejano, de Francisco Nunes Garcia (que apareceu no mercado com um vinho com o seu próprio nome a um preço exorbitante). Também neste aspecto o serviço mereceu boa nota, pois ao servir o vinho para prova, já vinha munido com uma manga de refrigeração, prevendo desde logo que a temperatura não seria a adequada. Que diferença para 95% dos restaurantes portugueses, que no Verão nos tentam impingir vinho quente dizendo que está bom porque é à temperatura ambiente!
Depois de arrefecido para a temperatura adequada, o Convento da Tomina pôde então ser apreciado nas melhores condições, a que não faltaram os copos de pé alto e boca larga (outra raridade). Nas primeiras impressões mostrou um aroma profundo e intenso, a que não serão alheios os 14,5% de álcool, uma cor rubi carregada, a que se seguiu uma prova de corpo cheio, com um toque ligeiramente frutado e alguma predominância de especiarias que prolongam o final de boca. Devidamente acompanhado por pratos com algum requinte mas também generosamente temperados, para aguentar o corpo e o álcool, é um vinho que pode fazer excelente figura numa grande refeição e que não é excessivamente caro para o que vale. Podemos colocá-lo sem dificuldade na gama média-alta, ao nível dos grandes vinhos que não custam fortunas.
Em resumo, o restaurante Lusitano merece ser novamente visitado, restando saber como se comportará o serviço no pico do Verão com a afluência maciça de veraneantes. Não me parece, contudo, que se dirija aos turistas estrangeiros, pois o menu virado para os produtos regionais será chamariz apenas para o cliente português que quer experimentar produtos diversos.
Kroniketas, enófilo veraneante
Vinho: Convento da Tomina 2005 (T)
Região: Alentejo (Moura)
Produtor: Francisco Nunes Garcia
Grau alcoólico: 14,5%
Preço em feira de vinhos: cerca de 6 €
Nota (0 a 10): 8
Restaurante: Lusitano
Avenida Tomás Cabreira - Edifício Casa da Praia
Praia da Rocha - Portimão
Telef: 282.412.177
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4
PS - Actualização da informação: infelizmente o Lusitano não escapou à crise e encontrava-se fechado no Verão de 2011.
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