Num jantar caseiro com a companhia do Politikos, para acompanhar uns escalopes de vitela resolvi abrir dois vinhos franceses: um tinto da Borgonha que tinha na garrafeira há algum tempo e um de Bordéus que me foi oferecido aquando do jantar de apresentação dos vinhos franceses comercializados no LIDL, que decorreu no Hotel Ritz Four Seasons.
Abrimos as garrafas em simultâneo, para podermos ir comparando estes tintos de duas regiões emblemáticas na produção mundial de vinho. Foi uma prova interessante, porque nos permitiu verificar as enormes diferenças entre os perfis de vinho daquelas duas regiões.
O Domaine Felix mostrou as duas principais características que marcam a casta e a região: a leveza e pouca concentração do Pinot Noir, e a elegância e suavidade da Borgonha. Quase parecia um clarete. Para quem está habituado a beber vinhos poderosos e concentradíssimos, deve ser muito difícil gostar dum vinho destes. A verdade é que, apreciando este vinho com calma, percebemos a razão de haver tantos enólogos que são fãs dos tintos da Borgonha e que muitas vezes tentam encontrar um paralelo entre os seus próprios vinhos e os borgonheses. Dirk Niepoort tem a Borgonha como referência, Luís Pato compara o terroir da Bairrada com o da Borgonha e a casta Baga com o Pinot Noir, e há ainda quem diga que o Dão é a Borgonha portuguesa. Por alguma razão tantos querem ser como a Borgonha...
O Château Grand Champ, sem indicação das castas mas presumivelmente contendo Cabernet Sauvignon, mostrou-se mais encorpado e algo rústico, mais “roufenho”, digamos assim. Com alguma adstringência evidente e taninos bem marcados, talvez precise de tempo em garrafa para amaciar, mas ficou claro que não era um vinho do mesmo gabarito do borgonhês. Em todo o caso também deu para perceber como é diferente da generalidade dos vinhos portugueses. Será preciso, contudo, subir um patamar para entrarmos num nível qualitativo que permita aquilatar de real qualidade dos tintos da região, de que este vinho é apenas um representante da gama baixa.
Voltaremos, certamente, aos vinhos destas regiões quando a ocasião se proporcionar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Domaine Felix, Pinot Noir 2010 (T)
Região: Côtes d'Auxerre - Borgonha (França)
Produtor: Felix et Fils – Saint-Bris-Le-Vineux
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Pinot Noir
Preço: 7,29 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Château Grand Champ 2011 (T)
Região: Bordéus (França)
Produtor: Yvon Mau – Gironde-sur-Dropt
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Nota (0 a 10): 7
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sexta-feira, 3 de abril de 2015
domingo, 2 de novembro de 2014
Vinhos franceses no LIDL
Decorreu no passado dia 25 de Setembro no Hotel Ritz Four Seasons, em Lisboa, um jantar de apresentação de vinhos franceses promovido pela cadeia de supermercados LIDL, com o objectivo de promover os vinhos que iriam ser colocados à venda nesta superfície comercial a partir de 2 de Outubro, num total e 24 referências. O tempo (ou a falta dele) não nos permitiu publicar este apontamento mais em cima do acontecimento, mas cá vai.
Com um menu especificamente concebido para o efeito, o jantar decorreu com a presença de enólogos, jornalistas, bloggers e outros enófilos, cabendo a apresentação dos vinhos em presença ao enólogo Paulo Laureano, que fez uma pequena introdução a cada vinho que era servido.
Alguns dos pratos apresentados foram acompanhados por mais do que um vinho, de modo a podermos testar as harmonizações dos pratos com vinhos diferentes.
A função iniciou-se com um espumante de boas-vindas, servido na varanda do hotel sobranceira à Rua Castilho, que nos permitiu ir degustando um vinho fresco por entre dois dedos de conversa enquanto contemplávamos o entardecer na capital junto ao Parque Eduardo VII. Este espumante não é um champagne produzido na região com o mesmo nome, sendo designado como crémant e originário da região de Bordéus. Não tem grandes semelhanças com um verdadeiro champagne, sendo mais parecido com os muitos vinhos espumantes disponíveis no mercado, oriundos de vários países e regiões. Este foi também o vinho que começou por acompanhar o primeiro prato à mesa, como está descrito no menu apresentado na primeira foto. Bolha fina e suave na boca, aroma discreto e final mediano.
Seguiu-se o robalo ao vapor, acompanhado por dois brancos: um Riesling, da Alsácia, e um Sauvignon Blanc de Côtes de Gascogne. Ambos suaves e secos, ligaram bem com o prato, sendo o Sauvignon Blanc um pouco mais exuberante de aroma e o Riesling mais redondo e discreto. Depois ainda foi servido um tinto frutado das Côtes du Rhône, , que se destacou essencialmente pela suavidade aroma a frutos vermelhos, embora fosse estivesse mais ou menos neutro na harmonização com o prato.
Com o prato seguinte, um excelente lombo de novilho, tivemos dois tintos de Bordéus: um da sub-região Médoc e outro de Saint-Émillion, basicamente um de cada lado do rio Gironde.
Mostraram uma suavidade a par com uma estrutura bem marcada, com taninos polidos e macios, sendo difícil distinguir qual ligou melhor com o prato.
Finalmente um vinho doce para a sobremesa, talvez a querer imitar o famoso Sautérnes, que não se saiu nada mal da função.
Importa referir que os vinhos servidos são vendidos a preços que variam entre os 2,5 e os 11 euros, portanto estamos a falar duma gama que começa bastante em baixo e vai até ao princípio da gama média alta. Neste enquadramento não se pode dizer que os vinhos desiludiram, bem pelo contrário. Podem constituir uma boa oportunidade para quem não está familiarizado com os vinhos do país mais famoso do mundo nessa matéria poder adquirir alguns vinhos interessantes a preços bastante simpáticos, permitindo assim ficar a conhecer o perfil do que por lá se faz. Claro que não se pode esperar a excelência, mas também não é isso que se pede aqui, porque para tal os preços subiriam 2, 3, 4, 5 vezes...
Os nossos agradecimentos ao Hotel Ritz Four Seasons Lisboa pela excelente refeição que nos preparou, ao enólogo Paulo Laureano pelas informações que nos transmitiu, sempre com aquela bonomia e simpatia que o caracteriza, e aos supermercados LIDL por nos terem proporcionado esta oportunidade de conhecer um leque de vinhos tão variado. Agora, quem quiser saber mais é ir lá comprá-los.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Menu e vinhos apresentados no jantar
Salada de polvo marinado com citrinos, gomos de gaspacho e legumes crocantes
Crémant de Bordeaux AOC Baron Louis Felix (PVP. 6,99€)
Robalo ao vapor de citronela, ravioli de camarão e coentros, espargos grelhados
Sud Ouest IGP Côtes de Gascogne Sauvignon branco L´Escargot 2013 (2,99€)
Alsace Riesling AOP Cave Coopérative branco 2013 (4,49€)
Côtes du Rhône Fruité tinto 2013 (2,79€)
Lombo de novilho glacé com Vinho do Porto, cogumelos e batata confit com tomilho
Bordeaux Haut-Médoc AOP Château Quimper tinto 2010 (7,99€)
Bordeaux Saint-Émilion Grand Cru AOP Château Vieux Labarthe tinto 2011 (8,99€)
Torta de laranja, mousse de clementina, espuma de poejo e sorbet de toranja
Bordeaux Sainte-Croix-du-Mont AOP Château de Berne branco 2013 (5,99€)
segunda-feira, 12 de março de 2007
No meu copo 96 - Barons de Rothschild, Saga R 2005
Nas feiras de vinhos de 2006 aproveitei alguns bons preços de vinhos estrangeiros no Jumbo para adquirir umas quantas garrafas de vinhos espanhóis, franceses e italianos por pouco dinheiro. Consumo habitualmente poucos vinhos destes porque não costumo comprá-los. Seguindo um pouco a lógica de não sobrecarregar demasiado a vasta lista de compras, escolhi alguns brancos, tintos e rosés dentro das opções disponíveis, uns com algum conhecimento de causa e outros apostando um pouco no escuro.
Dentro destes apareceu um branco de Bordéus da famosa casa Barons de Rothschild, o que tornou a aposta menos incerta. Um destes fins-de-semana, perante um apetitoso pargo no forno (sim, no forno aquilo até se come muito bem, não é tuguinho?), refresquei esta garrafa para acompanhar a refeição. Posso dizer que em boa hora o fiz, porque me saiu uma excelente surpresa. Duma assentada bebi meia garrafa ao almoço. É destes brancos que eu gosto. Uma cor citrina aberta e brilhante, cristalina, um aroma entre o frutado e o floral, com grande elegância e suavidade, fez uma excelente companhia ao peixe com batatas às rodelas e molho espesso.
Como refere o contra-rótulo, este vinho feito de Sauvignon e Sémillon tem aquilo que falta quase sempre nos brancos portugueses de castas estrangeiras que tenho apreciado aqui no blog: a finesse. É isso mesmo que não encontro nos Chardonnay e Sauvignon Blanc portugueses, que me aparecem sempre agressivos, enjoativos e com álcool em excesso.
Cada vez que provo um branco francês, mais me convenço que o nosso país não é, definitivamente, um país de brancos na maior parte das regiões, e que estas castas estrangeiras não são adequadas para o nosso clima. O excesso de calor tira-lhes a frescura e a elegância, ao contrário do que acontece com as tintas, como o Cabernet Sauvignon, para as quais o clima é propício a um maior amadurecimento que lhes arredonda os taninos.
Este Saga R de 2005 vai ficar com uma referência de destaque para futuras compras. Pareceu-me ser um branco muito versátil, próprio para pratos de peixe mais fortes como o pargo no forno, ou mais leves, dada a sua elegância. A não esquecer: um branco com finesse.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Saga R 2005 (B)
Região: Bordéus (França)
Produtor: Les Domaines Barons de Rothschild - Bordéus
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon, Sémillon
Preço em feira de vinhos: 6,14 €
Nota (0 a 10): 8
Dentro destes apareceu um branco de Bordéus da famosa casa Barons de Rothschild, o que tornou a aposta menos incerta. Um destes fins-de-semana, perante um apetitoso pargo no forno (sim, no forno aquilo até se come muito bem, não é tuguinho?), refresquei esta garrafa para acompanhar a refeição. Posso dizer que em boa hora o fiz, porque me saiu uma excelente surpresa. Duma assentada bebi meia garrafa ao almoço. É destes brancos que eu gosto. Uma cor citrina aberta e brilhante, cristalina, um aroma entre o frutado e o floral, com grande elegância e suavidade, fez uma excelente companhia ao peixe com batatas às rodelas e molho espesso.
Como refere o contra-rótulo, este vinho feito de Sauvignon e Sémillon tem aquilo que falta quase sempre nos brancos portugueses de castas estrangeiras que tenho apreciado aqui no blog: a finesse. É isso mesmo que não encontro nos Chardonnay e Sauvignon Blanc portugueses, que me aparecem sempre agressivos, enjoativos e com álcool em excesso.
Cada vez que provo um branco francês, mais me convenço que o nosso país não é, definitivamente, um país de brancos na maior parte das regiões, e que estas castas estrangeiras não são adequadas para o nosso clima. O excesso de calor tira-lhes a frescura e a elegância, ao contrário do que acontece com as tintas, como o Cabernet Sauvignon, para as quais o clima é propício a um maior amadurecimento que lhes arredonda os taninos.
Este Saga R de 2005 vai ficar com uma referência de destaque para futuras compras. Pareceu-me ser um branco muito versátil, próprio para pratos de peixe mais fortes como o pargo no forno, ou mais leves, dada a sua elegância. A não esquecer: um branco com finesse.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Saga R 2005 (B)
Região: Bordéus (França)
Produtor: Les Domaines Barons de Rothschild - Bordéus
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon, Sémillon
Preço em feira de vinhos: 6,14 €
Nota (0 a 10): 8
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