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sábado, 3 de agosto de 2019

Na Empor Spirits & Wine 2 - Luís Pato



Não têm sido muitas as incursões a esta garrafeira que surgiu há cerca de 5 anos junto ao Parque Eduardo VII, em Lisboa, embora as provas sejam frequentes.

A mais recente aconteceu com a presença do produtor Luís Pato, sempre uma presença que vale a pena acompanhar, não só pelos vinhos que nos mostra mas também pelo que nos ensina sobre a sua experiência no mundo dos vinhos.

Luís Pato foi pioneiro no conceito de vinhas velhas e no conceito de vinho de uma única vinha, desde 1995.

Explicou também que o clima da Bairrada é similar ao de Bordéus para efeitos de influência na vinha. A Bairrada tem noites mais frias por efeito da água do mar (24º C em Bordéus em Agosto, 16º C na Bairrada). No calor mediterrânico, mesmo que se vindime mais cedo, há sempre a marca do calor diário e das noites quentes.

Foram provados vinhos de diversos tipos e idades: brancos, tintos, espumantes, novos e velhos. Eis algumas notas sobre os referidos vinhos.

  • Espumante Informal rosado 2014, elaborado apenas com Baga, o primeiro espumante com uvas da famosa Vinha Pan. Nesta vinha são efectuadas duas vindimas: as uvas da primeira destinam-se ao espumante, enquanto a segunda destina-se ao vinho tinto. Não tem madeira, estagiando sobre borras até ao engarrafamento. Não me agradou por aí além, mostrando-se um pouco rústico.
  • Vinha formal rosé 2011. Bical, Touriga e um bocadinho (residual) de Cercial. Suave e redondo.
  • Vinha Formal branco 2017. 100% Bical. Fermentou em madeira de castanho. Não marca o vinho com baunilha, pois é mais porosa que o carvalho pelo que convive com mais ar.
  • Vinha Formal tinto 2015. 100% Baga. Pouco concentrado. Elaborado a partir da segunda colheita do espumante Informal. Estagia 2 anos em madeira. Suave mas pouco expressivo na boca, mais intenso no nariz.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 2014. Foi um grande ano de brancos, difícil para tintos. Estagiou 2 anos em madeira. Muito bom nariz, fechado na boca.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 2008. Mais evoluído. Taninos mais redondos e mais volume de boca.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 1992. Bastante evoluído mas com alguma adstringência e persistência.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 1988. Primeira designação de Vinhas Velhas em Portugal. Teve 2 meses de madeira. Algo em queda.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 2018. Bical, Cercial e Sercialinho. Achei-o desinteressante, parecendo aguado. Frutadinho mas algo inexpressivo.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 2014. Mais sério, encorpado e estruturado.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 2000. Nascido em areia, fermentado em madeira. Muito evoluído, quase melado.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 1995. Adocicado, quase a tender para a colheita tardia.

Foi uma prova bastante didáctica, na qual a panóplia de vinhos provados permitiu aos presentes provar toda esta gama de vinhos e perceber os seus diferentes perfis. O resto... fica ao gosto de cada um, pois houve para todos os gostos.

Kroniketas, enófilo itinerante

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

No meu copo 695 - Luís Pato Vinhas Velhas 2004

Quem tem pachorra para nos ler sabe que gostamos de vinhos velhos. E que gostamos de vinhos da Bairrada. E que gostamos ainda mais de vinhos velhos da Bairrada. E que gostamos particularmente dos de Luís Pato, o “Senhor Baga”.

É dum destes que aqui se fala. Há umas colheitas mais recentes em casa, mas este foi considerado como estando na hora de ir para o copo.

Temos bebido grandes vinhos de Luís Pato, que têm sempre a capacidade de nos surpreender, mas desta vez não foi o caso. Talvez estivesse num patamar de evolução menos favorável – é sabido que os vinhos têm ciclos com altos e baixos mesmo dentro da garrafa, mas como nós não estamos dentro da garrafa só podemos sabê-lo depois de a termos aberto. E como voltar a pôr o vinho na garrafa não é opção, há que bebê-lo como estiver.

Não estava estragado, passado, morto, oxidado, demasiado evoluído, nada disso. Apenas pouco expressivo, com os aromas muito discretos, acidez pouco vincada. Os taninos redondos mas talvez demasiado escondidos. Algo liso e com final discreto.

Vinificado em cubas de inox durante 10 dias, foi amadurecido em pipos usados (de 650 L) durante 12 meses.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Luís Pato Vinhas Velhas 2004 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Baga
Preço: 10,39 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

No meu copo 494 - Bairrada: os clássicos rebeldes

Quinta das Bágeiras Reserva tinto 2010; Pato Rebel 2009; Campolargo, Baga 2010


Por uma curiosa coincidência, tivemos oportunidade de provar em ocasiões muito próximas três tintos da Bairrada provenientes de três produtores que funcionam “fora da caixa”, ou fora dos cânones que marcam a tradição da região. A descrição que se segue coincide apenas com a ordem da prova, e nada mais.

Comecemos então pelo tinto Reserva da Quinta das Bágeiras. Uma marca clássica da Bairrada de um produtor que foge aos cânones, e é desalinhado das tendências dominantes, de tal forma que nem sequer faz questão de ter o nome “Bairrada” nos rótulos dos seus vinhos. Nos anos mais recente, um vinho branco chumbado pela Comissão Vitivinícola tornou-se um caso raro de sucesso junto dos apreciadores (estamos a falar do Pai Abel Chumbado).

Este Quinta das Bágeiras Reserva 2010, fermentado em pequenos lagares, sem desengace, estagiou em tonel de madeira avinhada e foi engarrafado sem colagem ou filtragem. Foram adquiridas duas garrafas Março de 2013, portanto ainda relativamente novo. A primeira já tinha sido consumida e na altura o vinho mostrou-se algo rugoso e duro na prova.

Entretanto amaciou. Apresentou-se encorpado, persistente, com boa estrutura na boca e aroma vinoso intenso. Um vinho para carnes com algum requinte, um Bairrada com uma base clássica mas com alguns laivos de modernidade. Para quem não quer ou não pode chegar ao excelente (e bem mais dispendioso) Garrafeira, aqui está outro bom produto por um valor bem mais acessível, em que vale a pena apostar.

Em seguida, o Pato Rebel 2009, um tinto que estava à espreita para ser provado, mais uma inovação do enfant terrible da Bairrada, Luís Pato, o “Senhor Baga”. Sempre a inovar defendendo as raízes da região, e sempre com especial carinho pela Baga. Este é um Regional Beiras, mas quem se importa com isso?

Aqui nasceu um vinho também feito fora dos cânones: um Baga para beber com facilidade, jovem, para o Verão. Mostrou-se macio, aberto na cor, mas com o arejamento foi desenvolvendo aromas e mostrando uma pujança e estrutura que o caracterizam como muito mais do que um tinto de Verão. É um tinto que merece respeito.

Finalmente, o Campolargo Baga 2010. Outro produtor que, assentando raízes na Bairrada, também pouco liga às tradições. Pouco importa que as castas sejam clássicas ou modernas, nacionais ou estrangeiras, típicas ou atípicas: o que interessa é o resultado final. Aqui temos, por coincidência, um monocasta de Baga, que também se apresenta muito macio e pronto a beber.

Tal como é prática habitual em Luís Pato, este fermentou com desengace total das uvas. A fermentação terminou em balseiro e barricas, nas quais fez a fermentação maloláctica e onde permaneceu até Março de 2012. Outro Bairrada de respeito, a precisar de algum tempo para se mostrar em plenitude.

E assim se fez um pequeno percurso por produtores que defendem o melhor que se faz na região, cada um com o seu cunho muito próprio que permite perceber que, afinal, mesmo com a dominância da Baga, podem existir várias e diferentes “Bagas”...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta das Bágeiras Reserva 2010 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Mário Sérgio Alves Nuno
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Pato Rebel 2009 (T)
Região: Regional Beiras
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Preço: 10,46 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Campolargo, Baga 2010 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Na Delidelux 4 - Luís Pato

   

O mês de Junho terminou com duas provas apenas com dois dias de intervalo na Delidelux, com o tema “Duas grandes provas com dois grandes produtores”: Luís Pato na primeira e Quinta do Monte d’Oiro na segunda.

Começámos com Luís Pato, que apresentou novidades fora do comum, como é habitual. Para além do já conhecido espumante branco Luis Pato bruto 2012, feito com 95% de Maria Gomes e 5% de Sercialinho, tivemos um espumante rosé muito interessante, o Informal 2013, 100% Baga e 100% proveniente da Vinha Pan. Depois houve ainda outro espumante, o Vinha Formal 2009, com uma cor que não era nem branco nem rosé, mas uma cor pálida, quase alaranjada: feito com Bical e Touriga Nacional, é um espumante muito aromático e interessante, vivo na boca e com uma acidez muito refrescante, vocacionado para entradas, pratos leves ou simplesmente para a conversa.

Para além destes foram apresentados dois tintos: o BTT 2009 (Baga, Tinto Cão e Touriga Nacional em partes iguais), um vinho em que a Baga está praticamente escondida e quase nada mostra de Bairrada, misturando-se os aromas de cada uma duma forma pouco vulgar, que torna difícil identificá-lo. Mas é um vinho fascinante por isso mesmo, porque requer que se descubra aquilo que ele pode mostrar: estrutura, alguma robustez, persistência, um certo floral.

Finalmente um dos vinhos emblemáticos do produtor, o Vinha Pan 2009, baseado na Baga, um vinho estruturado e concentrado, longo e a prometer longa vida pela frente.

Como sempre, valeu a pena conhecer as criações de Luís Pato, em que a grande curiosidade foi sem dúvida o espumante Vinha Formal, com aquela cor fora do comum.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

No meu copo 343 - Luís Pato 2003

Para enquadrar o relato sobre o evento na Bairrada, nada melhor que voltar a provar um clássico da Bairrada, neste caso sob o lema da “tradição de inovar”: trata-se de um Luís Pato 2003, produzido apenas com a casta Baga, já com a nova roupagem que o distingue das colheitas até aos anos 90.

Tratando-se dum vinho com 10 anos, e que esperou 8 anos para ser consumido (foi adquirido em 2005, portanto ainda bastante jovem), espera-se que esteja no ponto óptimo para beber, e de facto assim aconteceu. Na boca apresentou-se cheio, estruturado e robusto, ainda com potencial para continuar em garrafa, mas ao mesmo tempo já amaciado e com taninos suaves e sedosos. Acompanhou na perfeição um frango assado no forno, batendo-se bem com alguma acidez dos temperos, ao mesmo tempo que limpou o palato e deixou sempre espaço em aberto para mais um copo.

Claro que não tem nada de parecido com os vinhos da moda, felizmente digo eu, e era isso que eu esperava dele. Só me faz confusão haver quem prefira o outro estilo a este...

É sem dúvida um clássico com um toque moderno por um preço muito apelativo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Luís Pato 2003 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Baga
Preço em feira de vinhos: 4,14 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 15 de outubro de 2013

1º Encontro com os Vinhos e Sabores da Bairrada 2013 (3ª parte)

Luís Pato fala sobre os seus vinhos e sobre a casta Baga


Com a devida vénia, aqui reproduzimos um excerto da exposição de Luís Pato sobre os seus vinhos e a sua devoção pela casta Baga. Este vídeo foi gravado na cave da adega. Vale a pena ouvir com atenção esta lição de sabedoria. Kroniketas, enófilo viajante

domingo, 13 de outubro de 2013

1º Encontro com os Vinhos e Sabores da Bairrada 2013 (2ª parte)

Almoço na Adega Luís Pato


        
   

O autocarro aguardava já para arrancar rumo ao próximo destino, e a Joana Pratas chamava os retardatários, que tardavam em abandonar as instalações das Caves São João...

Tomámos assento rapidamente e rumámos a Amoreira da Gândara, em Óis do Bairro, para ir ao encontro de Luís Pato. O estacionamento fez-se junto duma zona de vinhas enquanto o enólogo aguardava já à porta os visitantes. Lá dentro, na zona de recepção, mais dois elementos da Revista de Vinhos (João Afonso e Fernando Melo, alvo de leituras regulares na revista) entretinham-se já com uns brancos de Vinhas Velhas, de 1995 e 1998.

Feita a recepção aos visitantes e após uma pequena introdução por parte do “senhor Bairrada” acerca do seu projecto, descemos à cave onde se situam as salas de barricas e de armazenamento, em ambiente naturalmente fresco por estarem no piso abaixo da entrada que, no exterior, está forrada a relva, conseguindo assim uma variação anual de temperatura lenta e que oscila apenas entre os 13 e os 18 graus.

Reunidos em frente às salas de barricas, o enólogo dissertou pacientemente sobre as virtualidades da sua amada Baga, uma casta difícil mas que bem trabalhada pode guindar-se ao nível de algumas das mais famosas dos mais famosos países produtores de vinho, como o Pinot Noir, da Borgonha, e o Sangiovese, do Brunello di Montalcino. Luís Pato fez também questão de frisar que não planta castas estrangeiras a não ser as que vieram de regiões vizinhas: a Touriga Nacional, do Dão, e o Tinto Cão, do Douro (por sinal são as que utiliza no seu BTT). E deixou no ar uma pergunta: se eu tenho aqui condições para produzir com castas ao nível das melhores do mundo, porquê importá-las do estrangeiro?

A hora ia adiantada, e a fome já apertada, pelo que era tempo de voltarmos a subir para o almoço. Passámos pelo exterior para uma ampla esplanada onde pudemos servir-nos das diversas iguarias disponíveis (destaque para a originalidade duma cabidela de leitão) e dum amplo leque de vinhos, entre brancos, tintos e espumantes brancos e rosés.

À volta da mesa, fomo-nos deliciando com os néctares que conseguíamos trazer, e dos quais tirámos alguns momentos sublimes. Destaque particular para as colheitas de Luís Pato 1988, 1990 e 1995, verdadeiramente sublimes, vinhos sem idade, expoentes máximos da casta Baga que mostram como estão desfasados da excelência aqueles que lhe viraram as costas. Porque como realçam os grandes mestres do vinho, quando mais trabalho o vinho dá a fazer, mais prazer vai proporcionar no futuro. E graças ao “mister Baga” esta casta não morrerá e, mais dia menos dia, acabará por retomar o lugar de excelência que os resultados obtidos proporcionam. Assim os consumidores não queiram beber apenas o vinho do ano...

Chegámos a meio da tarde, e mais uma vez estávamos a queimar o horário. Para as 16 h estava marcada a prova de brancos de excelência, no Velódromo de Sangalhos. Ainda com o almoço a digerir, rumámos de novo apressadamente para o autocarro a caminho de Sangalhos, onde nos esperava Luís Antunes.

Kroniketas, enófilo viajante

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Nas Coisas do Arco do Vinho - Com Luís Pato

   


Esta era outra oportunidade que não se podia deixar passar, a não ser que fosse de todo impossível estar presente. Coincidindo com o dia de greve e de outras provas a decorrer em simultâneo na capital, desloquei-me sozinho à loja Coisas do Arco do Vinho, de novo com outros proprietários, para assistir à apresentação de algumas novidades de Luís Pato, o “senhor Bairrada”, simultaneamente com a apresentação de um livro sobre os vinhos de Portugal, na vertente da prova, degustação e harmonização, da autoria de Carlos Freire Correia.

De Luís Pato espera-se sempre algo de original, irreverente fora dos cânones. Mais uma vez não defraudou essas expectativas. Mostrou aos presentes um espumante bruto feito apenas com Maria Gomes, um tinto Informal, mais leve e despretensioso, um branco igualmente de Maria Gomes, e depois a grande surpresa, um tinto... de uvas brancas, chamado Fernão Pires! Explica-se: o nome é em honra do neto, aproveitando o nome equivalente para a casta que tem o nome Maria Gomes na Bairrada. 94% do vinho foi feito com uvas de Fernão Pires/Maria Gomes e 6% fermentou apenas com as películas da Baga. Daqui saiu um vinho que, sendo na origem branco, obteve a cor tinta de uma pequena quantidade de películas de uva tinta... confuso, não é? Estamos a prová-lo e não percebemos bem se estamos a beber um branco ou um tinto... Bem, a verdade é que no rótulo consta como tinto, pois é essa a cor dele.

Seguiu-se um tinto de Baga, esse sim verdadeiro, depois o original BTT, cuja colheita de 2009 tinha provado aquando do lançamento do Grande livro da oliveira, e finalmente o Abafado Molecular, sempre um vinho diferente e curioso.

Paralelamente, o agrónomo Carlos Freire Correia, que ministra cursos de formação na área da enogastronomia, falou-nos do seu livro, que pretende ajudar o consumidor a perceber o que está a beber, caracterizando os vinhos portugueses, e abordando os princípios fundamentais da prova, serviço e harmonização do vinho, como se destaca no subtítulo: degustar, adequar, servir. Parece um bom princípio para novos enófilos que queiram ter um guia por onde se orientarem.

Resta desejar sucesso a ambos os participantes no evento, que nos proporcionaram interessantes momentos de prova e de conversa. Quanto ao livro, já o adquiri já o adquiri e espero recolher dele mais alguns ensinamentos.

Aos novos proprietários, que pareceram ainda um pouco perdidos no meio dos procedimentos a efectuar na gestão da prova, fica uma sugestão: talvez alguma formação na gestão do negócio e na forma de realização destas provas ajudasse. Fiquei com a sensação de que se anda um pouco à deriva e ao sabor dos pedidos do produtor. Não é dum momento para o outro que apenas por autodidatismo se passa a ser um profissional da matéria...

Kroniketas, enófilo esclarecido

sábado, 30 de março de 2013

O ciclo da vinha ao vinho

  

Há dias tive oportunidade de assistir, juntamente com o Politikos (ao fim e ao cabo, os dois marretas resistentes) à apresentação, no sumptuoso salão nobre da Academia das Ciências de Lisboa, da obra O grande livro da oliveira e do azeite - Portugal oleícola. Coordenada por Jorge Böhm, o produtor dos vinhos Plansel, a obra conta com textos da autoria de diversos técnicos da área da olivicultura, bem como a participação de diversas entidades oficiais, nomeadamente o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) e o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV). O mesmo autor já tinha lançado O grande livro das castas - Portugal vitícola, onde são apresentadas detalhadamente as castas de uva de origem portuguesa.

Colaborando com o projecto esteve uma pequena empresa da área informática que, em parceria com as entidades envolvidas, fez a apresentação do site intitulado Vine to wine circle, que pretende ser um repositório das castas existentes em Portugal, disponibilizando informação pormenorizada acerca da sua origem, características, regiões e produtores dessas regiõesVine to wine circle, que pretende ser um repositório das castas existentes em Portugal, com informação pormenorizada acerca da sua origem e das suas características, regiões onde existem e com ligação a produtores das respectivas regiões.

Embora ainda numa fase embrionária, o site pareceu-nos bastante interessante e com um grande potencial informativo, servindo de base para os enófilos (e naturalmente os bloguistas) irem “beber” informação técnica especializada e rigorosa, à qual nem sempre é possível aceder de forma fácil.

Formulamos votos para que este novo site possa crescer e melhorar. Estaremos atentos e disponíveis para contactar os autores sempre que, tal como foi pedido à assistência, forem encontradas falhas, ou mesmo para sugerir melhorias. Com o contributo de todos, todos certamente irão beneficiar da informação existente.

Resta acrescentar que após a apresentação da obra e do site Vine to wine circle, teve lugar um beberete/cocktail onde foi possível provar e degustar alguns produtos regionais, entre pão, queijos, enchidos e doces, acompanhados de vinhos e azeites de várias regiões. Sem entrarmos na análise de cada vinho provado, não queremos deixar de dar o merecido destaque ao bairradino BTT, da autoria de Luís Pato (sempre ele a inovar), cujo nome resulta da junção das iniciais das castas que lhe dão origem: Baga, Tinto Cão e Touriga Nacional. No meio de vários vinhos da moda com a habitual doçura frutada que já se vai tornando maçadora, não pudemos deixar de fazer o seguinte comentário: “este, sim, é um vinho a sério”. Há coisas que, realmente, são só para quem sabe... Mais uma vez, aquele a quem já chamaram o «senhor Bairrada», o enfant terrible eternamente jovem e inovador, deu cartas no meio da concorrência. Se o próprio lá estivesse, eu ter-lhe-ia dado os parabéns.

Resta acrescentar que após a apresentação dos temas em destaque houve lugar a um beberete/cocktail onde foi possível provar e degustar alguns produtos regionais, entre pão, queijos, enchidos e doces, acompanhados de vinhos e azeites de várias regiões. Sem entrarmos na análise de cada vinho provado, não queremos deixar de dar o merecido destaque ao bairradino BTT, da autoria de Luís Pato (sempre ele a inovar), cujo nome resulta da junção das iniciais das castas que lhe dão origem: Baga, Tinto Cão e Touriga Nacional. No meio de vários vinhos da moda com a habitual doçura frutada que já se vai tornando maçadora, não pudemos deixar de escapar o comentário “este sim, é um vinho a sério”. Há coisas que, realmente, são só para quem sabe… Mais uma vez o “senhor Bairrada”, o enfant terrbile eternamente jovem e inovador, deu cartas no meio da concorrência. Se o próprio lá estivesse, eu ter-lhe-ia dado os parabéns.

Kroniketas com Politikos, por entre vinhos e azeites, mas sem estarem com os azeites...

quinta-feira, 28 de março de 2013

No meu copo 307 - Luís Pato espumante bruto, Maria Gomes 2010

Vem mesmo a propósito dos relatos anteriores. Um aniversário de um dos comensais habituais foi um pretexto para abrir uma garrafa de espumante para festejar o meio da década dos 50...

Voltei a escolher um espumante da Bairrada, e optei por um Luís Pato, espumante bruto feito com 90% de Maria Gomes e 10% de Baga. Ao fim e ao cabo, seguindo o mesmo princípio dos champanhes, com a utilização de castas brancas e tintas, embora neste caso com a percentagem de Baga muito mitigada, pois o produtor também elabora um espumante blanc de noirs, só com Baga.

Gostei deste. A Maria Gomes é uma casta que se comporta sempre muito bem nos vinhos da Bairrada, conferindo alguma consistência e frescura aos vinhos em que entra, sendo a Baga quase um complemento para acrescentar alguma estrutura. O vinho é suave, macio, agradável na prova e com boca fresca e média persistência. Bom para entradas, sobremesas, pratos leves, em suma para beber e conviver. O preço é excelente, pelo que tem uma óptima relação qualidade-preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Luís Pato espumante bruto, Maria Gomes 2010 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 12%
Castas: Maria Gomes (90%), Baga (10%)
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 18 de maio de 2008

O “senhor Bairrada”



Excelente programa na “Hora de Baco” de ontem, com Luís Pato. Uma verdadeira lição de fazer vinho e de cultura da vinha por parte de um dos mais sabedores e estudiosos enólogos do país.

Para quem ainda puder ver ou gravar, repete na noite de 2ª para 3ª feira na RTP N, com início agendado para a 1 da manhã. A não perder.

Kroniketas, enófilo atento

Foto obtida através de motor de busca

domingo, 9 de julho de 2006

No meu copo 49 - Luís Pato Vinha Pan 1999

Por ocasião do benfazejo Portugal-Inglaterra, os dois basbaques que produzem este blog resolveram digerir uma bifalhada. Após consulta à lista da garrafeira, optámos por ver como estava de saúde um Luís Pato – Vinha Pan 1999, um regional das Beiras (foi feito numa altura em que Luís Pato andava de candeias às avessas com a comissão vitivinícola da Bairrada) adquirido nos idos de 2000 por 2500$00, preço especial.

A vinha da Panasqueira, dizia no contra-rótulo, fica numa encosta virada a Sul, tem solo argilo-calcário e 6900 videiras de casta Baga que agora terão a idade de 22 anos. Confesso que tinha alguns receios, visto que a vetusta idade já poderia ter feito tropelias com o néctar. Por isso foi aberta e cheirada logo a seguir – por aí nada se detectou, o que era bom sinal. Decantámo-la, que é uma coisa que se pode fazer mesmo que não se tenha voz, e a cor não revelou sinais de velhice senil, como receávamos. Provámo-lo logo aí, para aquilatar da qualidade, e revelou-se em condições de ser servido – foi apenas um gole diminuto, para saber se teríamos de abrir outra garrafa e deitar o Luís pelo cano abaixo (salvo seja!).

Abrímo-lo e decantámo-lo com antecedência para que pudesse respirar e soltar-se e bem o fizemos: um certo pico gasoso que se notou na prova precoce já tinha desaparecido quando o bebemos mesmo, cerca de uma hora depois. Devido à temperatura ambiente, optámos por colocar sob o decantador de fundo largo uma manga refrigeradora (daquelas que abrem, com fecho de velcro), cerca de 20 minutos antes de o beber, o que se veio a revelar uma decisão sábia. Estas mangas revelam-se bem mais eficazes do que o próprio estágio no frigorífico (não, não é sacrilégio fazer isso com tintos...)!

Vamos lá a aspectos mais palpáveis: apesar dos 7 anos de idade a cor continuava profunda, de tons granada (não, caro iniciado nestas coisas, não era verde-camuflado – a granada de que falo é a pedra preciosa, de um vermelho profundo), com um aroma discreto e um corpo excelente. Continuava a revelar ligeira adstringência, como que a mostrar que ainda estava ali para se aguentar por mais algum tempo, o que até bate certo com a informação no site do produtor. A casta Baga tem destas coisas, e ainda bem. Revelou-se seco na boca, com sabor a frutos secos e talvez lembranças de couro, e o fim de boca era agradável, sem ser longo por aí além.

Em conclusão, além de bom, pode e deve guardar-se umas quantas garrafas para se irem degustando ao longo dos anos, porque este é daqueles vinhos que não se vai abaixo com facilidade.

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Luís Pato Vinha Pan 1999 (T)
Região: Regional Beiras
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Baga
Preço: cerca de 20 €
Nota (0 a 10): 7,5