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quinta-feira, 16 de março de 2017

Dão Capital 2016 - Os novos vinhos Dão Nobre




Em Julho de 2016, por ocasião do evento Dão Capital, que decorreu no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço em Lisboa, foram apresentados os dois primeiros vinhos certificados pela CVR do Dão com a designação Dão Nobre: Fonte do Ouro branco 2015 e o Casa de Santar tinto 2013. Apesar de esta classificação já estar contemplada há vários anos, por questões de ordem burocrática ainda não tinha sido utilizada, sendo agora estes dois vinhos os primeiros a sair para o mercado com a designação “Nobre” no rótulo.

De acordo com as regras estabelecidas para a certificação de vinhos do Dão, estes podem receber as seguintes classificações de acordo com a pontuação obtida na Câmara de Provadores:
58 - Vinho de qualidade - Certificação DOC
68 - Qualidade destacada - Reserva ou Colheita Seleccionada
75 - Qualidade muito destacada - Grande Reserva
90 - Nobre


Os vinhos foram apresentados pelos respectivos enólogos, na presença do Presidente da Comissão Vitivinícola Regional, Dr. Arlindo Cunha, que fez o lançamento do evento. Presente também o Presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, Frederico Falcão, que acabou por se juntar aos presentes na mesa e participar na animada conversa que se seguiu à apresentação dos vinhos, com diversas perguntas e respostas por parte dos presentes.

O Fonte do Ouro Nobre branco 2015, produzido por Nuno Cancela de Abreu na Sociedade Agrícola Boas Quintas, é composto por Encruzado (85%), Arinto (10%) e Cerceal (5%). Ao Encruzado vai buscar estrutura, fruta branca, mineralidade e volume de boca; o Arinto confere acidez e aromas a frutos verdes; o Cerceal dá-lhe elegância e acidez. Fermentou um mês e meio em barricas novas e estagiou 6 meses com bâtonnage. Apresenta cor amarelo palha, aroma frutado complexo com notas de tosta. Foram produzidas 1200 garrafas e tem um preço recomendado de 35 €.

O Casa de Santar Nobre tinto 2013 foi elaborado por Osvaldo Amado da Dão Sul, a partir das castas Touriga Nacional (50%), Alfrocheiro (20%), Tinta Roriz (20%) e Jaen (10%), a partir das 15 melhores barricas dum total de 100. Fermentou 75% em barricas de carvalho francês e 25% em barricas de segundo ano, seguindo-se o estágio em barrica. De cor intensa fechada, Apresenta elegância, harmonia e potência. O preço recomendado ronda os 60 €.

Após a apresentação e prova destes dois vinhos, foi possível dar uma curta volta pelo recinto e provar alguns (poucos) dos vinhos presentes e alguns produtos regionais (imperdiveis os pastéis de Vouzela). O meu destaque vai para um vinho da Caminhos Cruzados, o Teixuga branco 2013, um grande vinho que expressa o melhor do Encruzado, com grande expressividade aromática e persistência na boca, com madeira muito bem integrada no conjunto. Um vinho a visitar quando for possível, com o preço a rondar os 35 €.

Sendo um dia de semana, não houve possibilidade de guardar grandes registos da visita, pois esta teve de ser abreviada. Em todo o caso, apraz mais uma vez registar esta descida dos vinhos do Dão a capital do país para se mostrar, aparecendo sempre novas marcas com novos perfis. O Dão é uma região que se reinventa a cada dia e que merece ser redescoberta pelos consumidores.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Fotos das garrafas obtidas nos sites dos produtores

segunda-feira, 18 de maio de 2015

No meu copo 454 - Quinta da Giesta tinto 2011

Nuno Cancela de Abreu é nome de um enólogo sobejamente conhecido no mundo do vinho português, pelas suas passagens mais ou menos prolongadas por Bucelas, onde foi um dos dinamizadores da popularidade da casta Arinto na Quinta da Romeira, e pela Quinta da Alorna. Nos anos mais recentes regressou, segundo o próprio, à região donde é oriundo, o Dão, criando o seu próprio projecto, e tornando-se responsável pela produção dos vinhos da Quinta da Fonte do Ouro, propriedade familiar, e da Quinta da Giesta.

Tive oportunidade de me cruzar com ele em alguns dos eventos organizados pelo grupo #daowinelover, nomeadamente aquando do Dãowinelover whiteday, em que provei um belo branco da Quinta da Fonte do Ouro. Foi, portanto, com curiosidade acrescida que provei este tinto da Quinta da Giesta.

Com muita pena minha, devo dizer que me desiludiu e que esperava bastante melhor. Às vezes trata-se apenas de um desencontro de gostos, de uma garrafa num estado de evolução menos favorável (há quem diga que actualmente não há maus vinhos, há apenas más garrafas), ou de um momento menos apetecível para quem bebe. Mas a verdade é que, em vários dias de prova ao longo dos quais fui consumindo o conteúdo da garrafa, a impressão não se alterou. Achei-o pouco aromático, com pouco sabor, final curto, desinteressante.

Há vinhos que ao primeiro contacto não se mostram e precisam de horas (ou dias) para se libertar e mostrar-se em todo o esplendor. Neste caso nem assim. Portanto não era um caso de necessidade de arejamento.

Não se pode acertar sempre, mas quero crer que o vinho terá de ser melhor do que este me pareceu. Portanto, reservo uma segunda opinião para uma nova prova quando a oportunidade surgir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Giesta 2011 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Jaen, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 5