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terça-feira, 16 de outubro de 2018

No meu copo 706 - Quinta de Pancas: Reserva Arinto 2015; Reserva Chardonnay 2015

A nova era da Quinta de Pancas compreende uma nova linha de vinhos onde se inclui um conjunto de monocastas brancos.

Os dois vinhos que agora apresentamos foram-nos oferecidos pelo produtor, o que muito agradecemos, e aqui estamos a fazer a primeira apreciação dos brancos. Mais tarde seguir-se-ão dois tintos que também nos fizeram chegar.

O Arinto, como se sabe, é uma das castas brancas emblemáticas do país, dando-se particularmente bem no centro e no sul e tendo na Estremadura (região vitivinícola de Lisboa) o seu berço natural e porventura o local onde melhor expressa as suas qualidades.

Este Reserva Arinto 2015 da Quinta de Pancas mostrou-se muito intenso no aroma citrino, com muita frescura na boca e marcada mineralidade, com um final vivo, persistente e suave. É um vinho que se adapta perfeitamente a pratos elaborados de peixe e carnes brancas e de aves. Muito bem conseguido.

O Reserva Chardonnay 2015 mostrou-se menos expressivo no aroma. O habitual casamento do Chardonnay com o estágio em madeira (9 meses em barrica de carvalho francês) não se expressa claramente na complexidade do vinho, que no aroma mostra as habituais notas de frutos tropicais. O final é algo curto e na boca apresenta-se algo delgado. Talvez um perfil a melhorar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas Vinhos - Companhia das Quintas

Vinho: Quinta de Pancas Reserva, Arinto 2015 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço: 13,70 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta de Pancas Reserva, Chardonnay 2015 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 13,70 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Quinta de Pancas (3ª parte)


(continuação)


Depois da visita à quinta passámos à sala de provas, onde foi efectuada uma apresentação sobre a nova estratégia de gestão, sobre as várias parcelas de vinha e dos tipos de vinhos a que se destinam.

Seguiu-se a parte de prova livre dos vinhos que estavam disponíveis, seguindo-se o almoço.

Dois vinhos da gama de entrada, já referidos em post anterior, estiveram nesta fase, em que a prova foi em crescendo.

Destaque para o Reserva, o Merlot e o Petit Verdot Special Selection, nos tintos, e também um Arinto Reserva nos brancos. Em prova, igualmente ainda sem rótulo, um lote de Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Merlot.

Dentro da vasta gama disponível, os da gama Reserva e Special Selection são, naturalmente, aqueles que mais captam a nossa atenção, mas entre todos os que estava expostos apenas foi possível provar os mencionados.

A Quinta de Pancas, como se sabe, tem uma longa tradição na produção de vinhos na região de Lisboa e, em particular, desde há muitos anos que se destaca pelos seus tintos de Cabernet Sauvignon. No crescimento qualitativo dos vinhos em redor da capital, a Quinta de Pancas sempre foi uma referência no puxar da carruagem da recuperação.

Com os novos moldes e a nova estratégia de gestão, acompanhada da renovação da gama, espera-se que os vinhos da quinta voltem a ter o lugar de destaque que merecem no panorama nacional. Lá em casa há uma referências doutro patamar para provar um dia destes...

Resta acrescentar à equipa da Quinta de Pancas pela simpatia com que nos recebeu, e a toda a organização pelo convite endereçado e pelo acompanhamento em todos os passos desta jornada.

Kroniketas, enófilo viajante

Fotos: Vítor Pires

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

No meu copo 569 - Quinta de Pancas: branco 2015; tinto 2014

Por ocasião da visita à Quinta de Pancas fomos presenteados com duas garrafas do Quinta de Pancas colheita, branco e tinto.

São dois vinhos de gama média da empresa, que não primam pela complexidade.

No branco o aroma é discreto, algo floral com notas tropicais e algum mineral. Apresenta alguma estrutura na boca, mas o final é relativamente curto.

O tinto apresenta-se de corpo médio, estruturado e persistente, mas também de aroma discreto. Algumas notas de fruta preta e tostados do estágio em carvalho francês durante 9 meses. Final persistente com alguma elegância.

Não são, obviamente, vinhos de encantar, como as grandes marcas da quinta. Não se espere mais do que podem dar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas Vinhos - Companhia das Quintas

Vinho: Quinta de Pancas 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Chardonnay (60%), Arinto (30%), Vital (10%)
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta de Pancas 2014 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Quinta de Pancas (1ª parte)

    

Mais uma etapa na tentativa de pôr a escrita, com vários meses de atraso, em dia.

No início de Junho, a convite da empresa Parceiros de Comunicação, desloquei-me, juntamente com outros enófilos, bloggers e jornalistas, à Quinta de Pancas para uma visita com apresentação do portefólio actualizado dos vinhos ali produzidos.

O programa incluía um passeio pelas vinhas, prova de vinhos e almoço com os vinhos provados. Foi-nos disponibilizado transporte a partir de Lisboa, pelo que partimos em conjunto da gare do Oriente.
Existe uma nova estratégia na empresa, com uma renovação da imagem e dos vinhos. Desde há alguns anos sob gestão da Companhia das Quintas, nesta nova etapa a gestão da Quinta de Pancas será autonomizada.

Localizada junto a Alenquer, no lugar de Pancas na freguesia de Santo Estevão e Triana, a Quinta de Pancas foi fundada em 1495 e contém cerca de 50 hectares de vinha, com uma variada gama de castas brancas e tintas, portuguesas e também bordalesas, que se estendem por algumas encostas entre a Serra de Montejunto e a margem direita do Tejo, com altitudes variáveis entre os 40 e os 280 metros.

Os solos apresentam características similares a regiões como Champagne, Borgonha (Chablis), Vale do Loire e sul do Vale do Ródano, com predominância de calcários vermelhos. Na quinta estão identificados 34 talhões diferentes com diferentes características que determinam as castas aí plantadas. A maioritária é a Cabernet Sauvignon, em que a quinta tem grande tradição, com 14 ha. Seguem-se a Touriga Nacional com 5,3 ha e outras castas importadas como Syrah e Merlot, só depois aparecendo o Castelão, Alicante Bouschet e Tinta Roriz.

Nas brancas predominam o Arinto, Chardonnay e Vital, com 1 hectare.

Os talhões foram classificados como A, B e C, sendo os de letra A destinados à produção dos vinhos mais complexos, com foco exclusivo na qualidade e sem olhar a custos, enquanto os da letra C destinam-se aos vinhos de maior volume, que não têm potencial para a produção da gama Reserva. No segmento B temos então os vinhos de gama média e média-alta, com qualidade elevada e preço ainda acessível.

Conduzidos em dois tractores, saímos do edifício principal e fomos por montes e vales percorrer algumas parcelas de vinha, onde nos eram indicadas as castas presentes em cada uma. Claro que naquela época do ano a paisagem não permite distinguir umas de outras, pois todas parecem iguais.

No regresso ao Solar de Pancas, passou-se a uma apresentação da história da quinta, seguindo-se prova livre e depois o almoço.

(continua)

Kroniketas, enófilo itinerante

Fotos: Vítor Pires

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

No meu copo 505 - Quinta de Pancas Reserva 2008

Continuamos na região de Lisboa, com um produtor clássico numa quinta que já mudou de mãos algumas vezes, que tem tido altos e baixos.

Recuperada e revigorada pela Companhia das Quintas, a Quinta de Pancas é há muitos anos conhecida por um dos primeiros tintos de Cabernet Sauvignon do país, tenho mais recentemente estendido o seu portefólio.

Aqui estamos perante um Reseva que incorpora um conjunto de 5 castas, entre nacionais e estrangeiras, onde o Cabernet se junta ao Merlot na parte bordalesa do lote, incluindo ainda o Petit Verdot e as nacionais Alicante Bouschet e Touriga. Estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês.

Esta mistura deixa-me algo confuso, pois não se percebe bem o carácter do vinho. Se o apimentado e compotado do Cabernet Sauvignon, se o vegetal do Merlot, se o floral da Touriga, se a estrutura do Alicante. Será um pouco de todas e muito de nenhuma?

Tentando perceber como é o vinho, a impressão que fica é marcadamente vegetal, com estrutura mediana, final persistente e suave, fruta discreta e aroma pouco exuberante. Bebe-se com facilidade, sem dúvida, mas parece que lhe falta algum carácter mais marcado, alguma personalidade. Parecendo querer ser tudo, corre o risco de acabar por não ser quase nada.

Talvez mais novo tivesse mais frescura e outra vivacidade que lhe conferissem outras características mais marcadas, mas deixou algo a desejar... Em comparação com o tradicional monocasta de Cabernet Sauvignon ou o mais recente Selecção do Enólogo, estes convenceram mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Pancas Reserva 2008 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Merlot, Touriga Nacional, Petit Verdot, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,45 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 27 de maio de 2015

No meu copo 456 - Grand'Arte, Tinta Roriz 2005; Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2005

Voltamos aos vinhos de Lisboa, continuando a desbastar os mais antigos, com cerca de uma década. Neste caso abriu-se uma garrafa de Grand’Arte Tinta Roriz e uma de Quinta de Pancas Selecção do Enólogo, de que já tínhamos provado a colheita de 2004 e que tinha agradado bastante.

Sendo dois vinhos da mesma região e do mesmo ano de colheita, encontraram-se bastantes semelhanças entre eles. Desde logo um aroma contido e algo fechado no início. A primeira impressão, em ambos os casos, foi de estarmos perante dois vinhos que já tinham dado tudo o que havia para dar. No entanto, essa sensação inicial não se confirmou. Como não se bebeu a totalidade de nenhuma das garrafas no próprio dia, pude ir verificando a evolução do vinho nos dias seguintes, com as garrafas devidamente fechadas com rolha de vácuo.

O Grand’Arte Tinta Roriz, um dos vários monocastas produzidos pela DFJ (nesta versão ainda com o rótulo antigo), à medida que foi abrindo mostrou alguma adstringência e robustez e final longo, tão típicos da casta.

Já o Quinta de Pancas Selecção do Enólogo mostrou-se mais aromático, intenso e um pouco mais profundo no nariz, mais macio na boca mas também volumoso e persistente.

Em ambos os vinhos os aromas frutados já quase desapareceram, os taninos estão polidos e sobressaem os aromas terciários, mas os vinhos não perderam frescura nem vivacidade, parecendo que ainda poderiam ter mais vida pela frente. Em qualquer caso, ficámos mais uma vez cientes de que estes vinhos com 10 anos estão de perfeita saúde e mais que prontos para beber. Assim se confirma que continuamos a beber a maioria dos vinhos (os tintos, pelo menos) cedo demais, pois os vinhos com alguma qualidade aguentam perfeitamente 10 anos na garrafa sem entrarem em declínio. Na dúvida, eu continuo a preferir guardá-los algum tempo em vez de ir a correr beber qualquer garrafa acabada de comprar.

Saber esperar é uma virtude, e em matéria de vinhos também.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)

Vinho: Grand’Arte, Tinta Roriz 2005 (T)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 13,5 %
Casta: Tinta Roriz
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2005 (T)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço: 5,02 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

No meu copo 431 - Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2007

Depois da prova do Cabernet Sauvignon em versão ribatejana da Fiúza, provámos a versão estremenha da Quinta de Pancas, uma das marcas há mais tempo implantadas no mercado nesta versão monocasta.

Ligeiramente apimentado, com um certo aroma a pimentos verdes (o tal...), apareceu macio e algo delgado no início, parecendo pouco encorpado. Depois desenvolveu aromas e estrutura, mostrou-se robusto e persistente e com potencial para durar ainda mais tempo em garrafa, ainda com uma certa adstringência a marcar o conjunto. Na comparação com a versão ribatejana da Fiúza, preferimos aquela, pois mostrou-se mais equilibrada.

Este Quinta de Pancas, embora mais robusto, esteve demasiado marcado pelo tal aroma a pimentos verdes, que se impôs de certa forma no conjunto. Tendo em conta a idade do vinho, provavelmente já não iria melhorar.

De notar que recentemente verificaram-se algumas alterações estruturais de fundo na Companhia das Quintas, onde se enquadrou a venda da emblemática Quinta da Romeira, em Bucelas. Não sabemos o que se vai seguir, mas no momento em que este post é publicado, tanto quanto sabemos, a Quinta de Pancas continua a pertencer ao universo da Companhia das Quintas. Qualquer desactualização desta informação não é da nossa responsabilidade, pelo que pedimos a devida compreensão aos leitores.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2007 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 7,45 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

No meu copo 263 - Quinta de Pancas 2007


Uma nova versão para a gama de entrada dum clássico da Quinta de Pancas, agora propriedade da Companhia das Quintas, que desde que tomou conta da produção de Pancas renovou o portefólio da casa, agrupando os seus vinhos numa designação comum chamada “The Quinta Collection”.

Ao tradicional Cabernet Sauvignon juntaram-se neste Quinta de Pancas “simples” a Touriga Nacional e o Alicante Bouschet. Sem ter as mesmas pretensões do ícone da casa, não deixa de ser um vinho bem elaborado e estruturado, com aroma frutado e algumas notas de compota e especiarias, suave na boca e com final persistente. Estagiou 9 meses em carvalho francês e apresenta a madeira bem integrada e discreta conferindo alguma complexidade ao conjunto.

Tratando-se de um vinho de combate, parece-me bem posicionado para ter sucesso nesta gama e bater-se com os campeões de vendas de outras casas. Merece entrar nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo recatado


Vinho: Quinta de Pancas 2007 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pondo a escrita em dia... (2)

No meu copo 254 - Casa Burmester Reserva 2005; Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2004; Gouvyas Vinhas Velhas 2004; Porto Quinta de La Rosa Vintage 2000




(continuação)

O pontapé de saída foi dado por um Casa Burmester Reserva 2005 que já havia estado escalado várias vezes para jogar na equipa principal mas fora sempre preterido em função de outras escolhas. Entrou agora e teve uma boa prestação. É um vinho frutado mas não em excesso, o que lhe confere elegância e sofisticação. A fruta está lá mas não abafa tudo à sua volta. É uma escolha para ser revisitada.

Seguiu-se um Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2004, um blend de três castas muito bem casadas. Um vinho equilibrado, resultado do casamento harmonioso das boas características das 3 castas presentes: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, em que nenhuma se sobrepõe às outras. De realçar a boa integração das especiarias do Cabernet Sauvignon, que não são fáceis de abafar mas que ali estão presentes no ponto certo, não sobressaindo em demasia. A mim, convenceu-me, e se pensarmos na relação preço-qualidade, temos ali um vinho muito competitivo para o patamar de preço em que se encontra. É um vinho moderno, bem feito. Uns dirão que um pouco redondo e sem traço de diferenciação com outros, o que é verdade, mas que não deixa, por isso, de ser um bom vinho.

Passámos, então, a um Gouvyas Vinhas Velhas 2004. A opinião geral foi que se tratava de um vinho com grande personalidade. Muito diferente dos anteriores. É um vinho feito à moda antiga, complexo, estruturado, espesso, robusto, que evoca vinhos passados. Atrever-me-ia mesmo a dizer um vinho rústico, descontando aqui a componente negativa da palavra. Integrou-se na refeição e com os vinhos já provados como aquelas mobílias rústicas de boa qualidade que podem estar na mesma divisão com móveis Luís XVI, sem destoar e, pelo contrário, brilhar e até os ofuscar pela diferença. É feito de uvas provenientes de vinhas velhas, o que se nota bem. Não há muitos vinhos como este Gouvyas e os que há só existem no Douro. É um vinho que claramente pode marcar a tal diferenciação que o vinho português procura face aos outros. Sendo eu apreciador de vinho do Porto, e por isso tendencioso, continuo a achar, ao beber estes Douros, ou Douros com este perfil, que estou a provar um Porto, sem aguardente. E que se perdeu ali um belo vintage.

Fechámos a refeição com uma mousse de chocolate, que é uma das incondicionais sobremesas dos repastos da sociedade, acompanhada por um elegante vintage Quinta de La Rosa 2005. É um vinho de cor rubi, límpido no copo. No nariz tem um ataque ainda algo vinoso mas na boca mostrou-se já com a fruta – framboesa e amora – bastante arredondada. Apesar de estar pronto a beber, ganharia ainda mais em sofisticação e elegância se fosse bebido mais tarde. É sempre uma pena bebê-los novos, mas pena maior é não chegar a velho para os beber...

Politikos, artista amador convidado em versão enófilo-futebolística

Vinho: Casa Burmester Reserva 2005 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Burmester - Sogevinus
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em hipermercado: 10,90 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2004 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Gouvyas Vinhas Velhas 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Bago de Touriga
Grau alcoólico: 14,5%
Preço em hipermercado: 36,5 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Porto Quinta de La Rosa Vintage 2000
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta de La Rosa
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 23 de abril de 2007

No meu copo 108 - Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2000

Este é um dos vinhos que procuramos ter sempre nas nossas garrafeiras. Tanto assim é que até o tive demais, como se prova por esta abertura tardia de uma garrafa da colheita de 2000.

Foi um vinho degustado em duas etapas: no dia em que o abri não se bebeu mais de ¼ da garrafa, da segunda vez acabou-se, uma semana depois. Mantive-o durante esse tempo com uma rolha de vácuo e o que posso dizer é que essa semana fez muito bem ao vinho.

Na abertura mostrou-se com algum “pico”, como que a dizer que se estava a ir embora, e havia um fundo de sabores espúrios, identificáveis com um vinho já decadente. Uma semana depois estava completamente transfigurado. Claro que a cor era a mesma, um grená profundo, ainda não castanho, mas quase lá, e bem opaco. Os aromas eram complexos embora discretos, terciários, e na boca já não mostrou nada do tal pico – estava com um sabor aberto, agradável, couro e sabores maduros, que já não me atrevo a chamar fruta. Fim de boca longo e agradável, com o couro e algum fumo a dominarem.

Ou seja, mais uma vez tive uma boa surpresa com um vinho que abri quase em estado de urgência. Enquanto for assim, estamos bem.

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2000 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,88 €
Nota (0 a 10): 7,5