Os poucos encontros que tive até à data com os vinhos desta casa não me deixaram particularmente encantado. A Herdade da Malhadinha Nova tem vindo a afirmar-se no panorama dos novos vinhos alentejanos, com uma forte componente de enoturismo (que chega ao requinte de incluir um SPA) a ajudar a alavancar o nome da casa.
Este Monte da Peceguina 2010, à semelhança de uma prova de outra colheita do mesmo vinho, mostrou o mesmo perfil de moderno frutado, mas continua a não me mostrar nada de particularmente novo ou aliciante. Aliás, já quando estive numa prova na Delidelux também fiquei com a sensação que as pretensões e os elevados preços praticados na casa não têm correspondência naquilo que se pode beber. Na sua maioria são vinhos de preços proibitivos que não justificam aquilo que custam.
Claro que este vinho é bom, é bem feito, segue todos os cânones da modernidade. Tem o tal perfil adequado para agradar aos fanáticos dos “vinhos da moda”. É fácil de beber, tem fruta para dar e vender e por isso salta imediatamente ao nariz quando o aproximamos do copo. Mas continuo a não lhe descobrir os encantos que se apregoam, nem aos outros vinhos da casa. Se calhar sou eu que ainda não os compreendi...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Monte da Peceguina 2010 (T)
Região: Alentejo (Albernoa - Beja)
Produtor: Herdade da Malhadinha Nova
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço: 9,5 €
Nota (0 a 10): 7,5
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domingo, 23 de março de 2014
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Na Delidelux 2 - Herdade da Malhadinha Nova
Outro dia, outro comparsa, outra prova, o mesmo local. A Delidelux, mercearia-charcutaria-garrafeira – tudo no mesmo espaço físico – com prateleiras bem preenchidas com vinhos de gabarito, produtos gourmet nacionais e estrangeiros e esplanada a poucos metros da água. Um local aprazível à beira-Tejo, junto ao cais de embarque de cruzeiros frente a Santa Apolónia, a convidar a um remanso de fim de tarde nestes dias temperados de primavera que se vai mostrando timidamente, na companhia dum cálice de vinho e mais alguns petiscos.
Voltei então ao local para a prova de vinhos da Herdade da Malhadinha Nova. Depois de penosamente atravessarmos o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço (mais de um quarto de hora para fazer estes troços, graças às excelentes políticas de expulsão dos automóveis da cidade de Lisboa promovidas pelo excelentíssimo presidente da câmara António Costa, cuja principal distracção parece ser infernizar a vida aos automobilistas que circulam pela capital), chegámos ao destino pelas 19h45, quase uma hora de atraso em relação ao previsto...
Após uma espera de copo vazio na mão, fruto das conversas que, junto à mesa, se sobrepunham às provas, começámos a função por um rosé Monte da Peceguina, com 14% de álcool, o que não foi propriamente um bom começo. Rosés com 14% servem para quê, para apanhar bebedeiras rosadas? Na nossa opinião um rosé deve ser antes de mais um vinho leve, a apelar ao aperitivo e a comidas leves de Verão. Para beber um vinho com 14% bebe-se tinto! Se há coisa que não compreendo é que haja produtores a fazer rosés anunciando que lhes querem dar um perfil de tinto… Por mim dispenso-os a todos. Concluindo, por 8,30 € não o levaria para casa. A bem dizer, não o levaria para casa, ponto.
Passámos aos brancos, um deles feito em inox (o Antão Vaz) e o outro com estágio em madeira (o Malhadinha). Este último estava quase morno porque não tinha sido posto a arrefecer com o devido tempo. Nenhum deles encantou, mas pior foi quando olhámos para os preços. De memória, penso que um custava 11 € e o outro 20!!! É certo que não eram maus, mas para darmos um tal valor por um vinho branco, tem de ser algo de muito bom. Assim como um Redoma...
Finalmente, 3 tintos: Pequeno João, Malhadinha e Menino António. Preços: 25 € (garrafa de 0,5 L), 33 € e 41 €!!! Um despautério!
Nenhum deles convenceu verdadeiramente e, tendo em conta os preços, ficámos com a sensação de que aquilo é mais para exportação, porque duvido que, por aqueles valores, os consigam vender em terras lusas. Nenhum deles justifica os preços referidos, nem de perto, nem de longe, principalmente tendo em conta os termos de comparação que existem por aí e que bem conhecemos. Dos que nos são mais caros (não em termos de custo mas de afeição), pensamos imediatamente em Quinta da Leda, Callabriga, Duas Quintas Reserva, Redoma e Batuta, Esporão Reserva e Private Selection, Hexagon, ou mesmo alguns Bairrada clássicos, como um Quinta das Bágeiras Garrafeira ou um Baga Encontro, e mesmo um mais moderno como o Quinta das Baceladas, que passaram pelos nossos copos há pouco tempo. Perante estes exemplos, como justificar os preços praticados nos vinhos desta prova?
É certo que estaremos na presença de vinhos de topo deste produtor, que está bem implantado a nível de enoturismo com o seu Country House & Spa, mas francamente!... Para justificar estes preços é preciso muito, muito mais... Basta lembrar-me do modo como, ainda recentemente na Wine O’Clock, numa prova com José Bento dos Santos, eu e o colega Mancha nos sentimos como que esmagados ao primeiro golo do Aurius 2002! E este custou-nos 33 € no dia da prova. Ora o Menino António custa 41 e nem serve para criado do outro...
Como comentei com os comparsas no final da prova, ainda bem que lá fomos para ficarmos a saber o que são aqueles vinhos... e o que não são.
Kroniketas, enófilo reaparecido
terça-feira, 14 de outubro de 2008
No meu copo, na minha mesa 205 - Monte da Peceguina 2007; Restaurante O Casalinho (Praia da Rocha)
Outro jantar de férias, no passadiço da Praia da Rocha, junto à descida central da praia. Este restaurante era uma das referências há uns anos antes das obras na praia e da remodelação de todos os bares, e ali comi uma refeição fantástica confeccionada à vista e servida num carrinho. Agora tem duas salas separadas, uma mais restaurante e outra mais para pizzas e afins, mas fomos para a parte das pizzas para ficar mais à vontade e com mais espaço.
A escolha é extensa e variada, permitindo um leque de opções que podem ir desde a pizza ao bife pimenta passando por bacalhau no forno. Tal como há anos, escolhi o bife, enquanto outros escolheram um T-bone e bacalhau à Narcisa, que por sinal estava magnífico, talvez o melhor prato da noite.
O bife estava bastante tenro e suculento, mas o serviço não correspondeu ao que se esperava. Nem o serviço de mesa nem o serviço de vinhos, e o facto de estarmos na pizzaria não serve de desculpa. Primeiro o vinho escolhido veio morno para a mesa, pelo que foi necessário pedir um frappé. Depois, à segunda garrafa um dos empregados serviu vinho no copo de um dos comensais onde ainda estava vinho da garrafa anterior, o que como se sabe é um erro primário no serviço de vinhos.
Para fecho da noite, foi pedida uma sobremesa (crepes Suzete) que não pôde ser servida porque... a cozinheira estava ocupada com outras coisas e não tinha tempo para a fazer! Esta é original.
Para o vinho escolhemos um Monte da Peceguina, da Herdade da Malhadinha Nova, que se tem tornado notada pelo seu hotel com SPA, situada ali para os lados de Alberona, a sul de Beja, e próxima da Herdade dos Grous e da Casa da Santa Vitória. Já o tinha provado uma vez e não me encantou, e desta vez voltou a não encantar. É um vinho que se bebe com facilidade, com aquele perfil moderno que tantos (ainda) elogiam, ainda com o resquício do excesso de álcool e muita fruta. Estagiou parcialmente 7 meses em barricas de carvalho francês e é predominantemente frutado, sem que a madeira se sobreponha aos aromas e relativamente equilibrado entre a acidez e o álcool que neste caso está bem disfarçado. Em suma, é fácil de beber mas não é marcante.
Quanto ao restaurante, sinceramente esperava melhor. Para o nível de preços praticado e a sofisticação nos nomes dos pratos, exige-se algo mais. Mais profissionalismo e eficiência, sobretudo. Lembrei-me dos muitos restaurantes visitados em Portalegre e Estremoz no último ano, e talvez pudessem ensinar alguma coisa a estes.
Kroniketas, enófilo veraneante
Vinho: Monte da Peceguina 2007 (T)
Região: Alentejo (Albernoa)
Produtor: Herdade da Malhadinha Nova
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 9,65 €
Nota (0 a 10): 7
Restaurante: O Casalinho
Areal da Praia da Rocha
Portimão
Preço por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 3,5
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