sexta-feira, 28 de junho de 2019

No meu copo 772 - Valle Pradinhos Reserva tinto 2016

Já há algum tempo que não tinha oportunidade de provar este vinho. Por nenhuma razão especial, apenas porque não calhou.

De facto, desde que o conheci sempre foi um vinho que me agradou, pelo seu perfil mais delicado do que o habitual, fugindo ao mais tradicional em terras durienses e transmontanas. Vai para mais de 10 anos a última prova referida aqui no blog, que não foi brilhante, mas depois dessa houve outras ocasiões não relatadas.

E foi assim que numa ocasião em que se reuniram vários comensais, e para fugir à ditadura do Douro (omnipresente) e do Alentejo, optámos por este vinho para acompanhar uns deliciosos bifes à cortador.

Na verdade, começa a tornar-se cansativo aquele tipo de vinhos super-extraídos e super-concentrados, onde já não espero encontrar nada de novo nem de surpreendente.

Este Valle Pradinhos (que agora tem a designação “Reserva” adicionada ao nome), pelo contrário, apresenta-se bem longe dum vinho que transmita as agruras da região para dentro da garrafa. Tem uma cor rubi concentrada, apresenta um aroma intenso a frutos vermelhos e do bosque, corpo médio e elegante, final persistente e estruturado mas suave.

Faz uma parceria quase perfeita com pratos de carne grelhada ou assados no forno (também já o provei a acompanhar cabrito e foi delicioso).

Não é nada caro para o prazer que nos proporciona e merece, obviamente, figurar na nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valle Pradinhos Reserva 2016 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Maria Antónia Mascarenhas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Amarela, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 24 de junho de 2019

No meu copo 771 - Morgado de Sta. Catherina Reserva 2016

Numa fase em que a Quinta da Romeira passa por um período de transformação, resultante da sua aquisição pela Sogrape depois de já ter transitado pela Companhia das Quintas e pela Wine Ventures (que ainda produziu esta colheita), tivemos um “encontro imediato” com um dos vinhos mais emblemáticos produzidos na quinta.

Este é um lídimo representante do melhor que o Arinto produz na sua região de eleição. Servido à temperatura certa, cerca de 10º C, parece o branco quase perfeito para todos os pratos e todas as estações.

Está lá tudo. A intensidade aromática do Arinto, as notas cítricas e florais, a estrutura e amplitude de boca, o final persistente, intenso e vibrante, tudo bem envolvido por uma acidez crocante e notas de madeira muito discreta que não atrapalha nem distorce o perfil do vinho.

A colheita provada foi a de 2016 e mostrou-se de excelente saúde, sem sinais de decadência precoce, parecendo estar no ponto óptimo de consumo.

Está um grande vinho e tem entrada directa nas nossas escolhas!

Vamos ver como sairão as próximas colheitas, sob a nova orientação da Sogrape.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Morgado de Sta. Catherina Reserva 2016 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Wine Ventures - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 6,89 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 21 de junho de 2019

No meu copo 770 - Grandjó Meio Doce 2018

Esta é uma das marcas mais tradicionais da Real Companhia Velha.

Raramente nos temos cruzado com este vinho, que agora é por vezes incluído no lote dos vinhos mais doces de colheita tardia (embora a empresa produza também um Late Harvest desta marca).

Esta versão meio doce fica a meio caminho, com a incorporação de duas castas que lhe conferem o maior teor de açúcar, como o Gewürztraminer e o Moscatel.

Apresenta-se com uma cor citrina clara e brilhante, aromas florais e algum frutado exótico. Na boca a doçura sobressai sem ser enjoativa, apresentando um final suave e delicado.

Não sendo claramente um vinho tradicional de sobremesa, também não é um vinho para a refeição. É preciso escolher as parcerias adequadas em que se equilibre o líquido com os sólidos. Talvez algumas entradas, como patés, ou gelados de fruta sejam boas companhias.

Não é um vinho encantador, mas é agradável dentro do género e tem de ser consumido na ocasião adequada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grandjó Meio Doce 2018 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Gewürztraminer, Moscatel
Preço em feira de vinhos: 4,27 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 17 de junho de 2019

No meu copo 769 - Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 1996

O regresso dum clássico. Reencontrámo-lo num jantar promovido pela garrafeira Néctar das Avenidas com vinhos das Caves São João (também falaremos dele um dia destes). No meio duma panóplia de grandes vinhos, alguns deles sendo novidades absolutas e outros clássicos, este brilhou a grande altura e cotou-se, provavelmente, como a vedeta da ocasião.

Verdade, verdadinha, é que não há nada como voltar a prová-lo em casa, em boa companhia. Assim se fez, na mesma ocasião em que bebemos o Veuve Clicquot e o Reserva do Comendador 2013, e confirmaram-se as melhores impressões e as melhores expectativas.

Estes vinhos antigos que as Caves São João nos vão disponibilizando tornam-se difíceis de descrever, tal é a forma como nos impressionam os sentidos. Neste caso, não são as imagens que valem mais do que mil palavras, mas sim os goles e os aromas com que vamos degustando e aspirando lentamente este néctar delicioso.

Este é um dos exemplares onde nos é mostrado como o Cabernet Sauvignon se expressa na sua melhor forma, com todos os aromas e sabores na conta certa. Nada de excessos, aroma intenso como se fosse 20 anos mais novo, estrutura, persistência e delicadeza bem conjugadas.

Mais do que gastar palavras a tentar descrevê-lo, beba-se! A repetir uma vez, e outra, e outra...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 1996 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 14 de junho de 2019

No meu copo 768 - Marquês de Borba Vinhas Velhas: branco 2017; tinto 2017

Recentemente João Portugal Ramos apresentou novidades do seu portefólio vínico num restaurante de Lisboa. Sobre esse evento falaremos em breve.

Hoje falamos sobre dois vinhos que foram apresentados há cerca de um ano na Adega Vila Santa, em Estremoz, e que na altura deixaram algumas questões em aberto. Como foi referido na altura, foram oferecidas aos presentes duas garrafas do novo Marquês de Borba Vinhas Velhas, um branco e um tinto.

O branco 2017 mostrou-se claramente um vinho a precisar de tempo em garrafa, pois apareceu demasiado marcado pelo estágio em madeira, onde fermentou durante 6 meses.

Nesta mais recente apresentação, no restaurante Faz Figura, voltámos a ter oportunidade de provar o mesmo vinho, que o enólogo considera que pode ter sido o melhor branco que já produziu e que revelou ter também uma pequena quantidade de Petit Maseng além das castas identificadas na ficha técnica. Mas a prova definitiva fez-se em casa, calmamente e em várias refeições.

O vinho apresenta-se com aspecto cristalino num amarelo palha, com aroma predominante de evidenciam-se frutos cítricos. As notas de tosta provenientes da barrica ainda lá estão mas bastante mais domadas e discretas, integrando-se melhor no conjunto. Na boca apresenta-se fresco e com alguma mineralidade, num conjunto com alguma estrutura e volume de boca, com final amplo mas já macio.

A manter-se este perfil, nunca será um vinho para beber demasiado novo, precisando de pelo menos um ano e meio após a colheita para estar bebível de modo a poder ser usufruído em pleno.

Entretanto tivemos oportunidade de voltar a provar o tinto, agora já da colheita de 2017. Fermentou em lagares de mármore com pisa a pé e estagiou durante um ano em barricas de carvalho.

Apresenta uma cor granada intensa, aroma concentrado de frutos pretos e algumas notas de especiarias. Na boca é volumoso e redondo, com taninos aveludados. O final não é exuberante, sendo mais marcado pela suavidade.

Dois novos produtos para explorar noutro patamar de preços.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Alvarinho, Roupeiro
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Castelão, Syrah
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

segunda-feira, 10 de junho de 2019

No meu copo 767 - Reserva do Comendador tinto 2013

Continuamos no Alto Alentejo, mas agora um pouco mais para sul, parando em Campo Maior e num vinho da Adega Mayor.

Este vinho estava a repousar tranquilamente à espera duma boa oportunidade para ser bebido. Não quisemos consumi-lo muito novo, e nesta fase já parecia estar a caminho da maturidade suficiente para se mostrar em pleno à mesa.

De facto, assim aconteceu. Este vinho é um daqueles que não enganam, logo que se chega o nariz ao copo. O primeiro aroma causa grande impacto, com notas de frutos vermelhos e do bosque a sobressair com grande intensidade. Apresenta uma bela cor granada aberta que nos faz olhar para ele e agitá-lo no copo para ver o seu brilho transparente.

Aberto algum tempo antes do consumo, mas sem ter sido decantado, na boca revelou-se já liberto do tempo de garrafa, com leves notas da barrica em que estagiou durante 18 meses, antes de um ano em garrafa.

Com taninos firmes mas sedosos, na boca é encorpado e envolvente, redondo e persistente e com final de grande amplitude e prolongado.

É um daqueles vinhos que nos apetece que não acabe, e que nos mostra aquele patamar de excelência a que só alguns têm o privilégio de se alcandorar.

Brilhante e, obviamente, mais um para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reserva do Comendador 2013 (T)
Região: Alentejo (Campo Maior)
Produtor: Adega Mayor
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional
Preço: 17,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 7 de junho de 2019

No meu copo 766 - Vale Barqueiros Reserva tinto 2015

Voltamos à Herdade de Vale Barqueiros, agora para provar o Reserva tinto.

Como o próprio nome indica, este vinho está num patamar acima dos Colheita Seleccionada provados anteriormente, sendo marcado sobretudo pela estrutura e robustez.

No nariz apresenta notas compotadas e de especiarias, com algum fruto maduro. Na boca é encorpado, persistente e longo.

O elevado grau alcoólico é compensado pelos taninos redondos e maduros.

Um produto muito interessante, que valerá a pena provar novamente em tempo mais frio e com pratos mais invernais, pois todo o seu perfil aponta para ser um vinho de inverno.

Pratos de caça poderão ser um desafio muito interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Vale Barqueiros Reserva 2015 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão)
Produtor: Sociedade Agrícola de Vale Barqueiros
Grau alcoólico: 15%
Castas: Cabernet Sauvignon (55%), Syrah (25%), Alicante Bouschet (20%)
Preço: 11,70 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 3 de junho de 2019

No meu copo 765 - Champanhe Veuve Clicquot

Aproveitando a improvável vitória do Benfica no campeonato nacional de futebol, juntámos um núcleo de bandalhos na celebração anual para degustar uma garrafa de champanhe, a que associámos também a vitória do Sporting na Taça de Portugal pois um dos presentes torce pelos verdes!

Nos últimos anos, eu e o tuguinho tínhamos optado pelo G. H. Mumm Cordon Rouge, aproveitando a associação de nome do champanhe à vitória dos encarnados!

Desta vez, não tendo encontrado esta marca, voltámos a um clássico que já há uns anos não provávamos.

E o que dizer desta viúva? Que nunca nos desilude! É encorpado, intenso de aroma e com boa estrutura na boca, com bolha fina e persistente e final vibrante e refrescante. Continua a ser, dentro deste patamar, um dos melhores na relação qualidade-preço, embora o preço tenha vindo inevitavelmente a subir, mas não deixa de ser uma aposta bem conseguida. Tão bem conseguida que parece que da próxima vez vai ser preciso comprar duas garrafas!

Bom para celebração... e para muito mais!

tuguinho e Kroniketas, enófilos em celebração

Vinho: Veuve Clicquot Champagne Brut (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Maison Veuve Clicquot Ponsardin - Reims
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier
Preço: 48,49 €
Nota (0 a 10): 9