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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

No meu copo 784 - Monte da Ravasqueira (novas marcas)

Clássico: branco 2016; rosé 2016; tinto 2016
Seleção do Ano: branco 2016; rosé 2016; tinto 2016
Superior: branco 2016; tinto 2016




Na sequência da presença no evento Atrelados à Ravasqueira, (aqui e aqui) fomos presenteados com 8 vinhos – 8!!! – por pessoa. Não foi fácil fazer a prova de todos de modo a poder estabelecer uma comparação clara entre eles.

Percebe-se que estão posicionados em patamares de preço diferentes, mas as diferenças não são completamente evidentes.

A marca Superior está posicionada logo abaixo dos 10 € e apresenta-se com mais complexidade e mais estrutura. O Clássico anda entre os 5 e os 6 € e pretende representar a maior tipicidade da região. A Seleção do Ano estará abaixo dos 5 € e pretende expressar de forma mais evidente o carácter do ano de colheita.

Perante esta panóplia de vinhos, optámos por eliminar a habitual pontuação para não criar situações de comparação injusta, uma vez que demorou algum tempo até conseguirmos provar todos os vinhos.

Devo dizer no entanto que o vinho mais surpreendente acabou por ser um rosé: o Seleção do Ano 2016 apresentou-se com uma personalidade inesperada, com uma boa estrutura e aroma frutado persistente. Poderá ser uma boa aposta de futuro.

Dito isto, o melhor é experimentá-los pois começam a estar facilmente disponíveis nas grandes superfícies.

Para terminar, reforçamos os agradecimentos à equipa que tão bem nos recebeu, pelo convite, pela simpatia e pelas lembranças.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Sociedade Agrícola D. Diniz

Vinho: Monte da Ravasqueira Clássico 2016 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Viognier

Vinho: Monte da Ravasqueira Clássico 2016 (R)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Syrah

Vinho: Monte da Ravasqueira Clássico 2016 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Syrah, Alicante Bouschet

Vinho: Monte da Ravasqueira Seleção do Ano 2016 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Viognier

Vinho: Monte da Ravasqueira Seleção do Ano 2016 (R)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Syrah

Vinho: Monte da Ravasqueira Seleção do Ano 2016 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Syrah, Alicante Bouschet

Vinho: Monte da Ravasqueira Superior 2016 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alvarinho, Arinto, Viognier, Semillon

Vinho: Monte da Ravasqueira Superior 2016 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Syrah, Alicante Bouschet

domingo, 18 de agosto de 2019

Atrelados à Ravasqueira - III Edição (2ª parte)



O segundo dia começa com o pequeno-almoço na mesma sala onde se jantou na véspera. Seguir-se-ão as visitas guiadas, que constituirão outro ponto alto da nossa passagem por lá.

O percurso começa pelas várias casas que por ali existem, desembocando na sala dos Atrelados, que alberga uma vasta colecção de coches desde o tempo na monarquia, impecavelmente conservados. Existem modelos de todos os tipos e feitios, até alguns chamados coupé, uma designação que ainda hoje se mantém para os automóveis. Alguns detalhes que podemos observar naqueles veículos viajaram até aos nossos dias, tendo alguns conceitos surgido nestes modelos.

As corridas de atrelados eram uma paixão antiga dos proprietários, tendo a empresa conseguido sagrar-se campeã mundial em 1996, em Waregem (Bélgica), e vencido a Taça Ibérica de Atrelagem em 2006 em Portugal.

O percurso segue para as vinhas, que começaram a ser plantadas em 1998. Em 2001 realizou-se a primeira vindima e em 2003 foi lançado o primeiro vinho com a marca Monte da Ravasqueira, da colheita de 2002.

São 45 hectares dedicados à vinha em 29 talhões 8 tipos de solo diferenciados. Passamos pela famosa Vinha das Romãs e durante este passeio é-nos chamada a atenção para a quantidade e relevância de produtores de vinho sediados sensivelmente ao longo dum eixo longitudinal que vai desde Montemor-o-Novo até Elvas, passando pelas sub-regiões de Évora, Borba, Redondo e Reguengos.

De facto, estas quatro sub-regiões, numa área de aproximadamente 50 km de alto por cerca de 40 km de largo, concentram uma parte significativa dos produtores e dos vinhos mais emblemáticos do Alentejo, incluindo-se aqui alguns que estão fora da área de denominação DOC, como a Tapada de Coelheiros (ver mapa em cima).

Significa isto que, nesta faixa, existirão condições muito particulares para a produção dos vinhos mais típicos do Alentejo. Não por acaso, aqui surgiram algumas das primeiras adegas cooperativas e metade das sub-regiões demarcadas da região.

Em 2017 houve um reposicionamento de algumas marcas no mercado, com criação de novas gamas e ajustamento de preços. Foi com essas novas gamas que ainda fomos presenteados antes de dar por finda a jornada. Cada um dos convidados presentes teve direito a 8 garrafas de vinho para levar para casa, das gamas Clássico, Superior e Seleção do Ano. Desses vinhos teremos oportunidade de falar em seguida, pois uma tal quantidade justifica um artigo separado.

No final desta visita, só nos resta agradecer à equipa do Monte da Ravasqueira que nos acompanhou, a simpatia com que fomos tratados e tudo o que nos proporcionaram – alojamento, alimentação, transporte, visita e ofertas! Não poderíamos esperar mais.

Uma palavra especial de agradecimento à Carlota Burnay, que estabeleceu os contactos e fez os convites.

Quanto aos outros convivas, um cumprimento para todos os que já conhecia e tive oportunidade de rever, e para os que conheci de novo, e que proporcionaram um animado convívio.

Obrigado por partilharem este mundo tão interessante, e que tão bons momentos tem proporcionado.

Kroniketas, enófilo itinerante

sábado, 17 de agosto de 2019

Atrelados à Ravasqueira - III Edição (1ª parte)


Mais um evento que ficou lá para trás, e que agora em período de férias é tempo de pôr em dia.

Estamos no Monte da Ravasqueira, no coração do Alentejo, em Arraiolos, distrito de Évora. Em termos geográficos, é quase o centro de toda a região transtagana, com Évora a ficar mais ou menos a meio caminho entre o ponto mais a sul, no distrito de Beja, e o ponto mais a norte, no distrito de Portalegre.

Trata-se dum evento denominado “Atrelados à Ravasqueira”, para o qual fui convidado juntamente com um grupo de enófilos, jornalistas e bloggers... mas não é apenas mais um evento para provar vinhos, porque este tem mais que se lhe diga: inclui transporte de ida e volta (que por sinal não utilizei porque aproveitei a ocasião para ficar mais algum tempo na região), jantar e prova de vinhos, serão musical, visita à herdade e alojamento até ao dia seguinte, e pode-se levar companhia. É uma espécie de pacote de enoturismo completo!

Estamos no Outono, pelo que a chegada faz-se já de noite. Somos desde logo recebidos amavelmente recebidos pelo simpatiquíssimo João Vilar, responsável de marketing e vendas, que nos guia desde logo para os nossos aposentos e nos indica para onde nos devemos dirigir em seguida. O transporte colectivo ainda não chegou...

Já com todos os presentes, passamos à sala de refeições, onde o portefólio de vinhos da empresa está exposto, e onde vamos provando daqui e dali enquanto se debica algumas entradas. Aqui conhecemos toda a equipa presente (nomeadamente o enólogo Pedro Gonçalves), e entre conversas vai-nos sendo contada a história deste empreendimento, deste a sua aquisição por D. Manuel de Mello em 1943 para casa de família, bem como as diversas valências da propriedade, em que a produção de vinho é apenas uma das facetas, a par com a criação do Cavalo Lusitano e a participação em prova de atrelagem.

Começa-se pelo espumante Grande Reserva, mas um dos destaques é o rosé MR Premium, um vinho de qualidade superior e com uma complexidade pouco habitual dentro do género. O preço de venda ao público (mais de 25 €) corresponde...

Outro dos destaques é o conhecido Vinha das Romãs, que teremos oportunidade de degustar durante o jantar que se vai seguir daí a pouco.

Neste servimo-nos dos líquidos e dos sólidos à discrição, e como não se trata duma prova orientada, com vinhos específicos para cada prato, vão desfilam brancos e tintos como o Viognier, o Sauvignon Blanc, o Touriga Franca e o já referido Vinha das Romãs, entre outros. Para cada prato, dois ou três vinhos diferentes à procura das melhores harmonizações e daqueles que melhor expressam o carácter da região, enquanto as conversas fluem à volta da mesa onde se sentam 20 mastigantes. As notas de prova terão de ficar para outra ocasião...

Já adiantados na hora, e depois duma deliciosa sobremesa de chocolate e dos cafés, dois cantores (um português e um espanhol) acompanham-se à guitarra e animam o resto do serão.

Mais logo é hora de nos dirigirmos aos quartos com casa de banho privativa, decorados à moda rústica mas com requinte. Tudo está escrupulosamente preparado para nos sentirmos em casa. Amanhã o programa continua.

Kroniketas, enófilo itinerante

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

No meu copo 426 - Monte da Ravasqueira Reserva 2011

O Monte da Ravasqueira tem vindo nos últimos anos a ganhar alguma notoriedade entre os vinhos do Alentejo, e esta garrafa apresentada pela Revista de Vinhos mereceu os melhores encómios, tendo em conta que todas as garrafas promovidas são seleccionadas pelo painel de provadores e sujeitas a um escrutínio que obriga a que atinjam uma classificação mínima, creio que 16.

Teoricamente, isso significa que estaremos sempre próximos dum patamar de qualidade bem acima da média, com classificações de bom ou muito bom (não esquecer que se trata de vinhos vendidos a 6 € que apresentam um preço de mercado a rondar os 9/10 €), mas às vezes, na prática, não é bem isso que acontece. Já se sabe que os gostos não são iguais, e nem sempre os gostos e opiniões alheiras coincidem com os nossos. E quando se fala de vinhos, então, é impossível impor um padrão seja a quem for...

Aconteceu isso com esta garrafa, que me desiludiu. Este Reserva 2011 apresentou-se demasiado alcoólico, com muita fruta no nariz mas algo curto, pouco estruturado e sem persistência. A combinação de Touriga com Syrah não revelou nada de especial, o que veio mais uma vez confirmar as impressões que tenho ido formando acerca do Syrah nos vinhos alentejanos.

Mais recentemente a Revista de Vinhos voltou a apresentar uma nova colheita deste vinho, referindo de passagem o enorme sucesso que foi o lançamento anterior. Se o que se pretende é um vinho da moda, pois então que seja, já que a receita está lá toda: fruta, álcool e madeira, o trio inefável e inevitável que inundou o mercado na última década.

A impressão que me fica deste reserva, com muita pena minha pelo dinheiro gasto, é esta: nada de novo, mais do mesmo. Não surpreende, não encanta, não inova, não acrescenta nada às dezenas que invadem as prateleiras e são quase iguais. É apenas mais um na torrente. Por mim, passo. Passei o de 2012 e continuarei a passar os seguintes. Qualquer coincidência com o Julian Reynolds, referido no post anterior, será... inexistente!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Monte da Ravasqueira Reserva 2011 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Sociedade Agrícola D. Diniz
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 5