Amareleja, freguesia do interior alentejano situada no concelho de Moura, quase a fazer fronteira com Espanha. Local mais quente do país. Aqui se registaram as temperaturas mais altas de Portugal desde que existem registos meteorológicos.
Granja-Amareleja, umas das 8 sub-regiões vitivinícolas do Alentejo, dividida entre os concelhos de Moura (distrito de Beja) e Mourão (distrito de Évora).
Há muitos anos que aqui se produz vinho, como comprova a fundação da Cooperativa Agrícola de Granja, que data de 1952. Também resulta daí a demarcação da região para a produção de vinhos DOC Alentejo, um pouco à semelhança das outras 7 sub-regiões onde existiam adegas cooperativas.
Esta região é algo diferente das outras. Desde logo por ter muito menos visibilidade quando comparada, por exemplo, com as sub-regiões vizinhas de Reguengos e Vidigueira, com as quais faz fronteira. Depois pelas temperaturas extremas no Verão. Finalmente porque ainda utiliza predominantemente as que há 25 anos eram as castas habituais no Alentejo. Ainda me recordo de começar a provar vinhos de Borba, Redondo e Reguengos em que o lote era quase sempre Moreto, Aragonês, Trincadeira e Periquita, como então ainda era conhecido o Castelão.
Entretanto houve a revolução vinícola que conhecemos e a explosão de produtores e área plantada, e a posterior migração de castas, tanto tintas como brancas, de sul para norte e, principalmente, de norte para sul, com o Alvarinho e as Tourigas a tornarem-se habituais nos lotes dos vinhos a sul do Tejo.
Já neste século, um dos nomes fortes da enologia portuguesa começou a dar uma mãozinha nos vinhos da Cooperativa da Granja. Sob a batuta do Prof. Virgílio Loureiro, surgiram novas marcas, deu-se ênfase à produção de vinhos em talha e recuperou-se o protagonismo do quase esquecido Moreto, esmagado pela ubiquidade de Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional ou Syrah.
E eis que surge este vinho de marca minimalista – tão minimalista que não consegui encontrá-la em lado nenhum nas minhas pesquisas no Google... – e com um lote tradicional: Aragonês, Moreto e Trincadeira.
E que vinho temos aqui? Talvez com alguma surpresa, dado o clima, encontrei um vinho estruturado e encorpado, com algumas notas de frutos pretos no aroma, final persistente mas suave e com alguma elegância. Ou seja, ao invés dum vinho robusto e pesado a reflectir o rigor do clima, obteve-se um vinho que mostra elegância, não parecendo ser originário dum terroir tão rigoroso.
Daqui se conclui que houve um bom trabalho na vinha e na adega para conseguir esta elegância no vinho. Não sendo de nos deixar de queixo caído, é um vinho que surpreende pela positiva, e merece certamente novas oportunidades.
Nota final: não consegui saber quanto custa este vinho, porque foi oferta.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: GA 2016 (T)
Região: Alentejo (Granja-Amareleja)
Produtor: Coop. Agrícola de Granja
Grau alcoólico: 14%
Castas: Moreto, Aragonês, Trincadeira
Nota (0 a 10): 7,5
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sábado, 17 de fevereiro de 2018
sábado, 15 de junho de 2013
No meu copo 321 - Tintos velhos da Bairrada (2)
Frei João 1992; Quinta do Poço do Lobo 1990; Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995
De vez em quando vamos fazendo umas visitas às relíquias que foram ficando esquecidas nas garrafeiras, as quais incidem maioritariamente em tintos do Dão e sobretudo da Bairrada. Ao longo dos anos vamos abrindo umas quantas quando calha, tentando reter na memória as impressões que nos causaram e que são quase irrepetíveis. Um traço distintivo parece uni-los, pois tanto os tintos do Dão como os da Bairrada envelhecem talvez como nenhuns outros em Portugal. A idade não lhes retira o carácter, amacia-lhes o perfil e confere uma complexidade impossível de encontrar nas bombas de fruta e juventude actuais. São algumas dessas impressões que vamos tentando, uma vez por outra, dar a conhecer. Pelo menos para memória futura e para ajudar esses impressões a perdurar no tempo...Estas abordagens são feitas quer em conjunto com os comparsas do costume, quer, uma vez por outra, a solo em casa, sempre bem acompanhadas por uns bifes fritos em molho, costeletas de novilho ou até com as já habituais gravatinhas do restaurante David que têm acompanhado alguns repastos.
Já lá vão uns anos desde que aqui escrevi um apontamento sobre uma abordagem feita a solo. Agora esta abordagem foi feita em grupo, perante o plenário dos habituais comensais e a bater-se com uma bela peça de veado abatida pelo nosso caçador de serviço e, para grande pesar nosso, a última em que pudemos contar com a presença do nosso Mancha, o amigo que nos deixou recentemente. A única coisa que me consola é o facto de na última prova ter contado com os seus vinhos de eleição, cuja escolha contou com a sua colaboração.
Estavam disponíveis vinhos do Dão e da Bairrada e, perante o aroma que se desprendia durante a cozedura do cervídeo, foi rapidamente decidido que os da Bairrada seriam os mais adequados para a função. Assim se fez, tendo a escolha recaído apenas em vinhos das Caves São João e com a decantação a ajudar em dois dos casos, depois duma rápida apreciação ao estado de cada vinho.
O Frei João, um clássico da Bairrada que não é dos mais badalados, sempre foi dos nossos vinhos preferidos, não obstante em termos de preço se situar na gama baixa, mas é daqueles que nunca nos deixou ficar mal, e bate-se excelentemente com carnes poderosas. Tem alguma macieza a par com suficiente robustez para não se perder nos temperos. Um valor seguro, e este, adquirido o ano passado na Garrafeira de Campo de Ourique já com 20 anos de idade, embora com sinais evidentes de evolução, a mostrar que já não iria melhorar mas também sem denotar um claro declínio, estava perfeitamente bebível e justificou plenamente o valor que demos por ele.
Os dois exemplares da Quinta do Poço do Lobo suscitaram opiniões desencontradas. Houve quem preferisse o da colheita de 1990 (o mais caro dos três), que apresentou alguma elegância mas ao mesmo tempo boa estrutura e persistência, com bastante equilíbrio de conjunto.
Já o Reserva de 1995 acabou por colher a preferência da maioria, como foi também o meu caso, pois além das características mostradas pelo de 1990 ainda lhe acrescentou uma complexidade aromática com uma panóplia de aromas terciários e uma persistência notáveis, com maior vivacidade no palato e taninos arredondados mas ainda evidentes e firmes, o que fez pender a balança para o seu lado. De tal forma que, comprado há uns meses numa promoção no Continente e pelo que custou, nos faz agora lamentar não ter comprado mais garrafas... ou até todas as que estavam em stock!!! Notável, um daqueles vinhos que nos fazem sempre reconciliar com os vinhos antigos.
Eu sei que já é uma frase repetitiva, mas não nos cansamos de beber e elogiar estes vinhos, e cada vez mais vamos concluindo que vale a pena comprar todos os que pudermos.
Kroniketas, enófilo esclarecido e o resto da cambada
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Vinho: Frei João 1992 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço: 7,5 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta do Poço do Lobo 1990 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga, Castelão, Moreto
Preço: 14,75 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Castelão, Moreto
Preço: 8,30 €
Nota (0 a 10): 8,5
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Na minha mesa 226 - O Chico (São Manços)
Uma saída em família até ao interior alentejano levou-me a revisitar um restaurante que descobri, quase por acaso, ao consultar o guia de restaurantes da Visão, que coleccionei há uns anos. Em trânsito pelas proximidades de Évora, olhando para os restaurantes da zona vimos um em São Manços, localidade situada junto ao IP2 em direcção ao sul. Lá fomos à procura do Chico.
Em São Manços quase que se entra por uma rua a sai-se por outra. E o Chico parece um simples café de aldeia, sem nada de especial que nos faça pensar em ir lá procurar algo de especial. A verdade é que, para além dum pequeno balcão à entrada e duma pequena sala com capacidade para não mais de 30 lugares, não se descobre o que nos espera antes de nos sentarmos à mesa.
Primeiro deparamo-nos com várias prateleiras onde estão expostas dezenas de vinhos alentejanos de todos os tipos. Pode-se percorrer as garrafas à procura de qualquer marca e quase que é difícil lembrarmo-nos de uma que não esteja lá. Enquanto esperamos pela refeição podemo-nos ir entretendo com umas excelentes empadas de carne, ainda quentinhas, que saem a grande ritmo para as mesas de todos os clientes. Mas a melhor parte vem quando se pega na ementa para passar aos pratos de resistência. Os pratos típicos alentejanos dominam, com destaque para a caça na época apropriada. Nas vezes que lá fui tive a felicidade de ser essa época e desta vez assim voltou a acontecer. À minha espera estava um delicioso arroz de lebre malandrinho, servido com uma concha em terrina de sopa, muito bem temperado e com um toque de hortelã a completar o panorama. É de comer até à última peça e até ao último bago de arroz. Para os apreciadores de caça, um verdadeiro maná!
Depois de já termos o estômago e o palato regalados com uma tal refeição, ainda arranjamos espaço para provar as deliciosas sobremesas. A escolha recaiu numa encharcada e numa sericaia com ameixa de Elvas. A encharcada estava esplêndida, com a consistência certa e com calda na quantidade adequada, enquanto a sericaia estava um pouco maçuda.
Como só eu é que ia beber álcool tive de me socorrer de meia-garrafa de vinho. Escolhi um vinho da zona, o EA tinto, da Fundação Eugénio de Almeida, que já não provava há alguns anos. E francamente decepcionou-me. Achei-o desequilibrado, delgado e pouco aromático, demasiado ácido na boca, muito longe do padrão que esperava. Posso ter tido azar mas se é este o perfil actual deste vinho, mais vale esquecê-lo. De tal forma que achei que nem valia a pena mencioná-lo no título deste post.
Em suma, este Chico é um local a revisitar sempre que a oportunidade se proporcione, principalmente em tempo de caça. Quem passar pelos lados de Évora ou pelo IP2, vale a pena marcar mesa e fazer um pequeno desvio por São Manços para se deliciar com uma bela refeição. O preço é moderado (pagámos 45 € por uma refeição para dois adultos, um adolescente e uma criança), o serviço simpático e acolhedor, quase familiar, num ambiente descontraído e informal à boa maneira alentejana, onde nos sentimos como em casa.
Kroniketas, gastrónomo viajante
Restaurante: O Chico
Rua do Sol, 44-C
7005-739 São Manços
Tel: 266.722.208
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: EA (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Castelão, Alfrocheiro, Moreto
Preço em feira de vinhos: 4,87 €
Nota (0 a 10): 4
terça-feira, 19 de junho de 2007
No meu copo 121 - Reguengos Reserva: 1999, 2000, 2001
Terminamos esta ronda por terras do Alentejo voltando a Reguengos de Monsaraz e à Carmim para falar do Reserva, que acompanhamos há muitos anos e que tínhamos em stock desde Janeiro de 2004. Quando provámos a colheita de 1999 fomos logo a seguir comprar umas quantas garrafas, que ficaram esquecidas até há pouco tempo, quando achámos que era tempo de fazer uma rotação de stock porque o tempo útil de consumo já tinha sido ultrapassado.
A verdade é que o vinho se mostrou ainda em forma. Nas colheitas que saem para o mercado é um vinho de cor granada e bastante encorpado, com a madeira bem marcada mas sem ser em excesso, resultado dos cerca de 4 anos de estágio a que é submetido.
Apresenta normalmente um fim de boca prolongado, taninos bem presentes mas redondos. A curiosidade aqui era ver como se comportavam estas três colheitas. A de 1999 mostrou-se ainda em boa forma, sem mostrar sinais claros de declínio, podendo beber-se desde logo e aguentando mesmo uma garrafa aberta até ao dia seguinte sem afectar a frescura do vinho. Não deixando de ser uma surpresa, dado ser um vinho alentejano já com quase 8 anos, a verdade é que fez jus à apreciação que mereceu no final de 2003 e que nos levou a apostar nele para guardar durante uns anos.
Já a colheita de 2000 apresentou-se muito mais fechada, com um aroma inicial com algum mofo, que tornou necessário decantá-lo para o deixar respirar e limpar mais os aromas. Ao fim de uma hora a evolução era evidente, desenvolvendo aromas a passas e especiarias e mostrando um fim de boca cada vez mais persistente.
O da colheita de 2001 tinha um problema: a garrafa tinha vertido algumas gotas e receávamos que estivesse passado. Depois de retirada a rolha que, apesar de ter vertido, estava em bom estado, ao cheirar o vinho perpassou pelas nossas mentes a lembrança do vinho do Porto, o que não era bom presságio. Verteu-se um pouco para o copo. A cor, granada profunda como já referido, não denotava a evolução que o odor deixava prever e, quando o provámos, o sabor era óptimo, a especiarias e madeira bem casada, os taninos redondos mas vincados e um fim de boca suave e de média duração. Aliás, cheirado no copo, o vinho do Porto não estava lá, apenas um aroma também discreto e complexo, a mostrar a boa saúde do vinho.
Não sendo nenhuma das colheitas mais recentes e não tendo a vivacidade que aquelas normalmente apresentam, estas três demonstraram, ainda assim, que este Reserva pode ser guardado algum tempo sem nos pregar uma partida e é uma excelente aposta para acompanhar pratos de carne alentejanos tradicionais, daqueles bem fortes e consistentes que pedem um vinho robusto sem ser agressivo. Tem também a vantagem de apresentar um preço bastante convidativo, podendo actualmente comprar-se a menos de 4 €. Em 2000 chegou a comprar-se a 1125$. Recentemente, uma promoção no Pingo Doce apresentava 6 garrafas ao preço de 5, o que resultava em 3,325 € por garrafa, que é um excelente preço para o vinho em questão.
Nota: este vinho usa as uvas do mesmo lote que, depois de devidamente seleccionadas, servem para fazer o topo de gama da casa, o Garrafeira dos Sócios.
tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçado e esclarecido (respectivamente)
Vinho: Reguengos Reserva 1999 (T)
Grau alcoólico: 13%
Vinho: Reguengos Reserva 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Vinho: Reguengos Reserva 2001 (T)
Grau alcoólico: 14%
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão, Moreto
Preço em feira de vinhos: 3,78 €
Nota (0 a 10): 8
quarta-feira, 6 de junho de 2007
No meu copo, na minha mesa 118 - Alandra; Restaurante Tia Rosa (Melides)
Foi há 12 anos que conheci este restaurante, após uma estada no parque de campismo da Praia da Galé, próximo de Melides. Era recomendado pelo pato no forno. Passados 12 anos, voltei lá com o mesmo casal com que tinha estado da outra vez, mas agora acompanhados de mais 3 crianças que naquela altura. E voltámos ao pato.
O restaurante fica mesmo junto à estrada. Para quem apanha o ferry-boat para Tróia em Setúbal, depois de passar pela Comporta vira-se em direcção a Melides e depois de passar Pinheiro da Cruz e alguns parques, encontra-se o Tia Rosa à esquerda. Tem duas salas contíguas, uma mais iluminada que a outra, sendo que esta se torna algo escura se ficarmos longe da janela. Se bem me lembro, há 12 anos só existia a primeira sala, pelo que deve ter havido ampliação do espaço.
O pato assado no forno, primeira opção da ementa, vem cortado em metades, acompanhado de batatinhas assadas e rodelas de laranja. O molho é que se torna um pouco gorduroso demais, pelo que é preferível evitá-lo. Mas a melhor parte é o arroz de miúdos que vem à parte, que também passa pelo forno.Uma verdadeira delícia. Vale a pena lá ir pelo pato.
Para acompanhar pedimos um Alandra, o mais baixo da gama da Herdade do Esporão. Logo à entrada há umas estantes com várias garrafas em exposição, onde estão os varietais do Esporão, vários outros vinhos alentejanos e, claro, o Pinheiro da Cruz (que fica logo ali ao lado), embora na ementa só constem meia-dúzia de referências, e escolhemos a mais barata, a 4,5 €. Curiosamente, em cima das mesas já estavam garrafas de Conventual, ao preço de 7,5 €, mas rejeitámos essa opção por ser um vinho que não nos convence.
O Alandra continua a ser um vinho simples mas que se bebe com agrado. Aconselha-se até que seja ligeiramente refrescado, o que não era o caso, mas não deixa de ser uma aposta simpática. De cor rubi brilhante, ligeiramente frutado, aberto, leve, macio, ainda assim com um final de boca agradável. Sem grandes pretensões, bom quanto baste e barato, para o dia-a-dia.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Alandra (T) - sem data de colheita
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 13%
Castas: Moreto, Castelão
Preço em feira de vinhos: 1,72 €
Nota (0 a 10): 6
Restaurante: Tia Rosa
Estrada Nacional 261 - Fontainhas do Mar
7560-661 Melides
Tel: 269.907.144
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4
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