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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Na Empor Spirits & Wine 3 - Vinhos da Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida)




Mais distante no tempo, e também na Empor Spirits & Wine, realizou-se uma prova de vinhos da herdade da Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida), em que se pôde provar várias colheitas do Scala Coeli, um dos vinhos de topo da empresa, além de espumantes e outras marcas.

Foi uma prova ampla e longa, em que desfilaram nada mais nada menos que 16 vinhos! No final, já se tornava difícil perceber o que se estava a provar. A verdade é que foram apresentadas todas as colheitas disponíveis na empresa, com o intuito de perceber as diferenças de ano para ano.

A Fundação Eugénio de Almeida possui cerca de 1000 ha de vinha e produz 7,5 milhões de garrafas por ano (estamos a falar das vinhas associadas à produção dos vinhos da Cartuxa, não se incluindo aqui a nova aquisição da Tapada do Chaves, em Portalegre).

A prova começou com três espumantes:

  • Espumante rosé 2013, elaborado a partir de Touriga Nacional.
  • Espumante branco 2011, elaborado a partir de Arinto.
  • Espumante Reserva branco 2010, parte do lote fermentado em balseiros.

Os vinhos base estagiam sobre borras, depois 6 meses em inox, mais 12 meses em garrafa após remoagem. Gostei mais do branco, muito vivo e com excelente acidez.

Seguiram-se os vinhos tranquilos, começando pela marca de entrada, o EA.

  • EA rosé 2016, elaborado com Touriga Nacional, Syrah e Alfrocheiro. Achei-o adocicado e algo chato.
  • EA branco biológico 2016, elaborado com Assario (Malvasia Fina). Um toque mineral mas nada de relevante que perdure na memória.
  • Cartuxa branco 2015. Elaborado com Antão Vaz, que transmite aroma e fruta, Roupeiro que transmite estrutura, e Arinto que transmite frescura e acidez. Frutado, estruturado e complexo, estagia 8 meses sobre borras finas com bâtonnage.

Passou-se então ao Scala Coeli (que significa escada para o céu), uma referência ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli (normalmente conhecido por Convento da Cartuxa). É produzido desde 2005 com a melhor casta branca e a melhor casta tinta, em cada ano, que não seja tipicamente alentejana. Por isso vamos encontrar sempre castas estrangeiras ou castas de outras regiões do país. Neste caso foram provadas apenas as colheitas elaboradas com castas brancas.

A produção é elaborada com a quantidade de 7500 garrafas como padrão.

  • Scala Coeli branco 2008 (Alvarinho). Primeiro Scala branco. Muito escuro e melado, oxidado na cor e nos aromas, muito envelhecido.
  • Scala Coeli branco 2009 (Verdelho). Bastante frescura, acidez e persistência, mais mineral que o anterior. Também apresentou alguma oxidação, mas menos evidente.
  • Scala Coeli branco 2010 (Viognier). Bastante intenso no nariz, mais compotado e fresco na boca.
  • Scala Coeli branco 2011 (Sauvignon Blanc). Nada típico do Alentejo, menos fresco e mais pesado.
  • Scala Coeli branco 2012 (Pinot Gris). Muito intenso e frutado cítrico no nariz, menos agradável na boca.
  • Scala Coeli branco 2014 (Viosinho). Muito equilibrado no conjunto.

Subiu-se depois mais um patamar e provou-se o Pêra Manca branco 2014.
Foram produzidas 120.000 garrafas, sendo uma parte fermentada em barrica e inox, com bâtonnage. Estagia no final em barricas usadas.

Finalmente três extras.

  • Cartuxa 50 anos branco 2012. Feito com Arinto, Roupeiro e Antão Vaz. Elaborado com curtimenta e estágio de 12 meses.
  • Licoroso 2011 (Alicante Bouschet), tipo LBV.
  • Licoroso 2008 (Touriga nacional), tipo Tawny.

Estes já foram bem mais difíceis de provar, pois já se estava na fase de saturação, e torna-se mais complicado seguir vinhos licorosos que pretendem replicar o estilo do vinho do Porto. Talvez para rever noutra ocasião.

Ufff...

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: Já depois da publicação deste texto, tivemos conhecimento do falecimento, neste mesmo dia, do Presidente do Conselho Executivo da Fundação Eugénio de Almeida, José Mateus Ginó.

A todos quantos o conheciam, à família, aos amigos e à Fundacão apresentamos a nossas sentidas condolências e prestamos uma singela homenagem com a publicação da sua foto.



terça-feira, 19 de junho de 2018

No meu copo 681 - Pêra-Manca branco 2005

Passados anos, voltei a cruzar-me com esta versão em branco deste vinho emblemático da Fundação Eugénio de Almeida.

É sempre um vinho que se bebe com elevada expectativa, mas neste caso esperou tempo demais. Se os tintos velhos me deliciam, com os brancos não se passa o mesmo.

A cor era quase de mel, a frescura já se foi embora, o corpo também fazia lembrar mel, mas eram evidentes as notas de redução.

Há um ponto limite nos brancos a partir do qual o perfil muda completamente, e não é nesse que me sinto de todo confortável.

Dado o custo do vinho, é demasiado tempo na garrafa, acabando por se perder o melhor que ele tem para dar.

São gostos, e este não é o meu. Da próxima vez será um bem mais novo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pêra-Manca 2005 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Arinto
Preço em feira de vinhos: 26,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

No meu copo 657 - Cartuxa branco 2015

Os vinhos da Fundação Eugénio de Almeida, produzidos na Adega da Cartuxa, ganharam fama essencialmente devido aos seus tintos de perfil alentejano clássico. O grande ícone é o famosíssimo Pêra Manca, cujo preço já ultrapassou os 200 €, mas a marca emblemática é mesmo a do vinho Cartuxa, secundado pelo Cartuxa Reserva.

No entanto, nem só de tintos vive a Cartuxa. Com um preço inferior a 1/5 do tinto, também existe o Pêra Manca branco, assim como outros brancos sob a marca Scala Coeli, na gama de entrada a marca EA e ainda o espumante.

No meio aparece este Cartuxa branco, com muito menos visibilidade que o tinto, o que não deixa de ser normal no Alentejo.

De cor citrina, apresenta aroma algo discreto a fruta branca com ligeiro cítrico. Suave na boca e com estrutura média, final suave mas não muito intenso e com persistência média.

É um branco agradável, mas que não encanta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cartuxa 2015 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 31 de maio de 2013

No meu copo 319 - Foral de Évora 2009

Tinha alguma expectativa relativamente a este vinho, ao qual já tinha ouvido alguns elogios. Tratando-se dum vinho da gama média da Fundação Eugénio de Almeida esperava-se que fizesse jus à fama da casa e dos seus vinhos mais emblemáticos. Como sabemos, é da Adega da Cartuxa que sai um dos vinhos mais famosos do país - quase tão famoso como o Barca Velha - , o Pera-Manca (do qual infelizmente só ainda provei o branco, já lá vão uns bons pares de anos), para além dos vinhos com o nome da casa e um outro vinho de topo, de produção mais recente, o Scala Coeli.

No entanto, no nível de entrada o EA não me agradou particularmente. Foi, portanto, com um misto de expectativa e curiosidade que abordei este vinho de nível médio. A verdade é que fiquei com a sensação de que lhe falta qualquer coisa. Pouco fruto, estrutura média, final curto e discreto, aroma pouco marcante. Estagiou cerca de 12 meses em barricas novas de carvalho francês e pelo menos mais 12 meses em garrafa, mas falta-lhe alguma coisa para ser verdadeiramente bom. Não é mau, obviamente, mas pelo preço que custa e em comparação com os da mesma gama, espera-se, obviamente, algo mais.

Admito que possa ter sido uma colheita menos bem conseguida, ou que o vinho desta garrafa estivesse num ponto de evolução pouco favorável, a atravessar uma fase discreta. Aguardemos por outras oportunidades para que, eventualmente, possa mostrar o que vale.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Foral de Évora 2009 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira
Preço em hipermercado: 6,49 €
Nota (0 a 10): 6,5

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

No meu copo 303 - Cartuxa Reserva 2005; Quinta do Carmo 2007

Falamos agora de dois vinhos conceituados e com longa tradição no Alentejo, dois nomes clássicos.

A Fundação Eugénio de Almeida produz há décadas na Adega da Cartuxa alguns vinhos emblemáticos, com destaque para o Pera-Manca. O Cartuxa Reserva é um dos produtos de topo da casa, abaixo do Pera-Manca e do mais recente Scala Coeli. Esperei algum tempo por este Reserva 2005, mantendo as dúvidas sobre qual seria o momento ideal de consumo. Com 7 anos de idade após a colheita, acabou por ser estrela na mesa do jantar de Natal de 2012 a acompanhar borrego assado no forno, curiosamente tal como tinha acontecido com o último colheita que tinha sido bebido em ocasião semelhante em 2009.

Este Cartuxa Reserva de 2005 estagiou 15 meses em barricas novas de carvalho francês e 12 meses em garrafa. Saiu-se muito bem da função, com um perfil algo diferente das provas dos seus antecessores, mais robustos e pujantes. Precisou de tempo para se mostrar, tendo beneficiado com a decantação que lhe permitiu mostrar um aroma mais intenso, tendo-se apresentado mais macio e elegante do que os colheitas provados anteriormente, com taninos bem domados, já com as notas de fruta algo escondidas, madeira muito discreta mas a dar consistência a um conjunto bem estruturado e persistente, com final marcado por um toque a especiarias.

Uma boa aposta, embora com um preço algo dissuasor (neste caso conseguiu-se uma promoção que permitiu pagar apenas 17,50 €). Já provámos outros vinhos nesta gama de preços que nos pareceram estar alguns furos acima.

Seguiu-se o Quinta do Carmo de 2007, outro clássico produzido em Estremoz, numa propriedade que tem andado a mudar de mãos. Os vinhos Quinta do Carmo eram produzidos numa quinta de passou a ser chamada Quinta de Dona Maria quando mudou para a posse Júlio Bastos, enquanto a anterior Quinta do Carmo ficava nas mãos dos franceses Lafite Rothschild, tendo estado em parceria com a Bacalhôa até 2008, ano em que a empresa de Azeitão adquiriu a totalidade da quinta. Esta colheita de 2007 provém, portanto, da fase da parceria entre os franceses e portugueses.

Estagiou um ano em barricas de carvalho francês e apresentou-se mais pujante que o Cartuxa Reserva. Sendo um vinho de patamar inferior, não se diminuiu na comparação com o seu concorrente de Évora, tendo mesmo marcado pontos no acompanhamento do borrego, ganhando em exuberância e profundidade aromática o que perde em complexidade e fim de boca. Apresentou taninos sólidos e madeira em equilíbrio com uma boa estrutura e volume de boca. Tem um perfil de apreciação mais imediato, mas não tem tanto potencial para se aguentar ao longo duma refeição mais prolongada.

É igualmente um vinho que não é barato, mas também foi adquirido numa promoção que permitiu retirar 3 € ao preço base. Também nesta gama poderemos encontrar alguns mais apelativos, pelo que poderá ser uma proposta penalizada quando se procurar dentro dos melhores do Alentejo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cartuxa Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alfrocheiro
Preço: 24,75 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta do Carmo 2007 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

No meu copo 259 - Cartuxa 2005

Este não tem sido um dos vinhos mais provados cá pela casa, embora seja um dos que mais prestígio ostenta em terras do Alentejo. Não sendo o topo de gama da Fundação Eugénio de Almeida (esse lugar está reservado para o Pêra Manca branco e tinto), será contudo o seu principal ícone, assim como uma espécie de “Esporão da Adega da Cartuxa”.

Com ele tenho mantido uma relação algo distante e nem sempre fácil. Conheço-o há muitos anos mas nem sempre me convenceu de que valia a pena pagar por ele o preço que custa (e a comparação com os vinhos do Esporão é quase inevitável neste patamar de preços). A última prova, contudo, já tinha deixado uma óptima impressão com a colheita de 2006. Agora este 2005 que estava guardado, bebido em quadra natalícia a acompanhar uma perna de borrego, esteve excelente. Pujante, vigoroso, com grande estrutura e um longo fim de boca, muito fechado no início ganhou bastante com a decantação quando começou a libertar os aromas e a amaciar um pouco os taninos.

Mostrou estar ali para durar, parecendo ser um vinho para durar uns 10 anos em plena forma e até pareceu estar mais vivo que o de 2006 que tínhamos provado em Maio. Ou já tinha evoluído melhor ou então a idade faz-lhe bem e está ainda na fase ascendente. Se assim for teremos um grande vinho (que já é) daqui por uma boa meia-dúzia de anos.

A verdade é que esta garrafa convenceu-me plenamente, pelo que o Cartuxa passará a ser um vinho a revisitar com maior frequência.

Kroniketas, enófilo natalício

Vinho: Cartuxa 2005 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 14,85 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Perdizes por um, perdizes por mil

No meu copo 238 - Hexagon 2000; Cartuxa 2006; Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005


Os Comensais Dionisíacos, braço político gastro-etilista que integra os escribas das KV, além dos repastos “oficiais” entre membros celebra também refeições não menos bem regadas, mas mais alargadas em termos de mastigantes, sendo estes supranumerários geralmente os familiares mais próximos.

Sendo caçador um dos associados, é normal que por vezes nestas refeições intervenham como mastigados espécimes das nobres raças abatidas pelo dito cujo ou pelo grupo de caçadores a que se junta na função, geralmente perdizes, lebres ou javalis. Fomos portanto reunidos em casa do Kroniketas (que não é o membro caçador – é mais deglutidor) para degustar um grupo de perdizes incautas, cozinhadas pela consorte do caçador de formas simples mas saborosas: umas com um molho à base de natas e whisky com cogumelos, outras envolvidas em couve lombarda acolitada por tirinhas de bacon.

Outro objectivo que se mantém nestes repastos alargados é acompanhá-los de bons néctares – também conhecido no meio como “desbaste da garrafeira”! Para este em particular escolheram-se, além de alguns brancos sortidos e fresquinhos – provenientes da sempre bem recheada garrafeira do anfitrião (Alvor 2007, Quinta de Camarate branco seco 2007, Murganheira 2007) – para acompanharem as entradas, um Esporão Reserva 2006, um Hexagon de 2000 em formato magnum (o tal vinho das 6 castas e 6 gerações) e um Cartuxa de 2006 que apareceu à última hora pela mão de um dos convivas. Para as sobremesas abriu-se um Porto Taylor’s Vargellas Vintage de 2005.

Coleccionando as reacções dos presentes, poderá dizer-se que o Esporão Reserva, após a recente experiência, re-deslumbrou, depois de uma travessia do deserto em algumas colheitas anteriores, com o Alicante Bouschet a dar-lhe um toque muito especial. Definitivamente um regressado aos mais altos lugares da nossa consideração vínica. O Hexagon, completamente diferente do anterior, mostrou-se um vinho de alto gabarito, com um perfil austero, ainda mais depois da festa que o Esporão tinha provocado no nariz e na boca dos beberrões, mas com uma estrutura extraordinária e a deixar-nos desconfiados de que ainda havia por ali muita coisa escondida. Comprem e bebam, porque é assim que um vinho excelente deve ser (uma das maneiras de o ser, como é óbvio). (Mete aqui a colherada o Kroniketas para ser mais generoso mas sucinto nos encómios. Só uma palavra: extraordinário!).

Ficou o Cartuxa para o final – uma ou outra ordem teria sempre justificação ou recusa – e não se deixou diminuir perante os outros dois. Sendo mais novo que o Hexagon e da mesma colheita que o Esporão, justificou-se plenamente a vivacidade exuberante, mostrando-se mais corpulento, mais fechado e mais robusto que o seu compadre alentejano, disse bem alto que estava ali para lutar: um vinho excelente que seria o centro das atenções se estivesse só. Teve um pouco de azar com os competidores.

Enfim, para não vos causar mais inveja, direi que, embora pessoalmente prefira os Vintage com um perfil como o utilizado pela Ramos Pinto, o Porto Vintage Vargellas cumpriu em pleno. Um festival de aromas a frutos vermelhos, de grande exuberância na boca e no nariz, pleno de vigor e juventude, a mostrar que está ali pronto para altos voos e longa vida na garrafa. O nosso único problema é comprá-lo e esperar uns 10 ou 20 anos até voltar a prová-lo. A verdade é que nem os morangos, nem a mousse de chocolate ou o bolo rançoso se queixaram.

Em resumo, um repasto que se pautou pela delícia gastronómica e pela excelência vínica. Para recordar.

tuguinho, enófilo impenitente e bloguista intermitente

Vinho: Hexagon 2000 (T) (garrafa magnum)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Syrah e Tannat
Preço em supermercado: 53,89 €
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Cartuxa 2006 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 13,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005
Região: Douro/Porto
Produtor: Taylor’s
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: 33,48 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Na minha mesa 226 - O Chico (São Manços)



Uma saída em família até ao interior alentejano levou-me a revisitar um restaurante que descobri, quase por acaso, ao consultar o guia de restaurantes da Visão, que coleccionei há uns anos. Em trânsito pelas proximidades de Évora, olhando para os restaurantes da zona vimos um em São Manços, localidade situada junto ao IP2 em direcção ao sul. Lá fomos à procura do Chico.

Em São Manços quase que se entra por uma rua a sai-se por outra. E o Chico parece um simples café de aldeia, sem nada de especial que nos faça pensar em ir lá procurar algo de especial. A verdade é que, para além dum pequeno balcão à entrada e duma pequena sala com capacidade para não mais de 30 lugares, não se descobre o que nos espera antes de nos sentarmos à mesa.

Primeiro deparamo-nos com várias prateleiras onde estão expostas dezenas de vinhos alentejanos de todos os tipos. Pode-se percorrer as garrafas à procura de qualquer marca e quase que é difícil lembrarmo-nos de uma que não esteja lá. Enquanto esperamos pela refeição podemo-nos ir entretendo com umas excelentes empadas de carne, ainda quentinhas, que saem a grande ritmo para as mesas de todos os clientes. Mas a melhor parte vem quando se pega na ementa para passar aos pratos de resistência. Os pratos típicos alentejanos dominam, com destaque para a caça na época apropriada. Nas vezes que lá fui tive a felicidade de ser essa época e desta vez assim voltou a acontecer. À minha espera estava um delicioso arroz de lebre malandrinho, servido com uma concha em terrina de sopa, muito bem temperado e com um toque de hortelã a completar o panorama. É de comer até à última peça e até ao último bago de arroz. Para os apreciadores de caça, um verdadeiro maná!

Depois de já termos o estômago e o palato regalados com uma tal refeição, ainda arranjamos espaço para provar as deliciosas sobremesas. A escolha recaiu numa encharcada e numa sericaia com ameixa de Elvas. A encharcada estava esplêndida, com a consistência certa e com calda na quantidade adequada, enquanto a sericaia estava um pouco maçuda.

Como só eu é que ia beber álcool tive de me socorrer de meia-garrafa de vinho. Escolhi um vinho da zona, o EA tinto, da Fundação Eugénio de Almeida, que já não provava há alguns anos. E francamente decepcionou-me. Achei-o desequilibrado, delgado e pouco aromático, demasiado ácido na boca, muito longe do padrão que esperava. Posso ter tido azar mas se é este o perfil actual deste vinho, mais vale esquecê-lo. De tal forma que achei que nem valia a pena mencioná-lo no título deste post.

Em suma, este Chico é um local a revisitar sempre que a oportunidade se proporcione, principalmente em tempo de caça. Quem passar pelos lados de Évora ou pelo IP2, vale a pena marcar mesa e fazer um pequeno desvio por São Manços para se deliciar com uma bela refeição. O preço é moderado (pagámos 45 € por uma refeição para dois adultos, um adolescente e uma criança), o serviço simpático e acolhedor, quase familiar, num ambiente descontraído e informal à boa maneira alentejana, onde nos sentimos como em casa. 

Kroniketas, gastrónomo viajante

Restaurante: O Chico
Rua do Sol, 44-C
7005-739 São Manços
Tel: 266.722.208
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: EA (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Castelão, Alfrocheiro, Moreto
Preço em feira de vinhos: 4,87 €
Nota (0 a 10): 4

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Prova à Quinta - O sétimo



Pêra-Manca branco 2003; Periquita 2004


Para este desafio lançado em tempo oportuno pelo Vinho da Casa, para encontrar vinhos produzidos por casas com mais de 20 anos, resolvemos seleccionar dois vinhos, a exemplo do que já fizemos nos dois desafios anteriores, em que apresentámos 4 na prova de Cabernet Sauvignon e 2 na prova de brancos varietais. Escolhemos um branco e um tinto com tradição secular: o Pera-Manca e o Periquita.

No caso do Pera-Manca, estamos perante um dos vinhos brancos mais famosos (e caros) do país. Já existe desde o século XV e obteve medalhas de ouro em Bordéus nos já longínquos anos de 1897 e 1898. Contudo, andei anos (não desde o século XV...) para me decidir a comprá-lo por duvidar que valesse o elevado preço que custa, até pela minha desconfiança em relação aos brancos alentejanos, que já tive oportunidade de referir em mais que uma ocasião. Mas como a vida também é feita de alguns mitos, por vezes é preciso ir ao seu encontro para sabermos da razão ou não da sua existência. No caso dos vinhos trata-se, tão-somente e na maior parte dos casos, de abrir os cordões à bolsa.

Este foi comprado numa feira de vinhos em 2004 e ficou à espera de uma oportunidade que justificasse abri-lo. Foi num almoço de família à volta dum pargo assado no forno, tendo havido o cuidado de o refrescar de véspera, para garantir que à hora de bebê-lo não íamos encontrar um vinho meio morno.

Perante tão grande expectativa, o mínimo que posso dizer é que o vinho não defraudou. De facto, apresenta alguma elegância que é raro encontrar nos brancos alentejanos, sem deixar de fazer prevalecer um corpo com alguma pujança, um aroma frutado e complexo em equilíbrio com uma boa acidez, que resultam num fim de boca fresco e prolongado. Sem dúvida um vinho adequado para pratos de peixe elaborados, como o pargo ou o bacalhau no forno. Feito com 85% de Antão Vaz e 15% de Arinto, a sua boa estrutura e acidez permitem uma boa ligação com os sabores intensos e a gordura destes pratos. Como ainda não o tinha provado, não sei se mudou o perfil ou não, mas não é, seguramente, um vinho da moda.

Continuo, no entanto, a ser mais fã de outro tipo de brancos, mas não rejeito a hipótese de voltar a este Pera-Manca, porque estes brancos também fazem falta. E também podemos deliciar-nos com a arte do rótulo, que é uma coisa rara. Como entretanto mudaram o rótulo, esta garrafa ficou como recordação.

No caso do Periquita, é apenas a marca de vinho mais antiga comercializada em Portugal, desde 1850, daí a razão da nossa escolha. Segundo a José Maria da Fonseca, é também o vinho tinto português mais vendido no estrangeiro. Também há algum tempo que não o consumia, mas o vinho modernizou-se um pouco, seguindo agora o perfil dos vinhos com muito álcool (embora sem exagero, apesar de tudo), com algum frutado. Na boca é medianamente encorpado com taninos suaves e bem integrados com um toque discreto de madeira e apresenta um fim prolongado, com bastante especiaria. É um vinho que pede pratos grelhados ou assados com algum condimento, embora sem exageros.

A garrafa também se modernizou, passando da tradicional borgonhesa que durante décadas marcou a imagem do vinho para a bordalesa que ostenta agora. Sendo agora um vinho mais moderno, não sei, contudo, se é melhor do que era. Se calhar tornou-se igual a muitos outros.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pêra-Manca 2003 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14%
Castas: Antão Vaz, Arinto
Preço em feira de vinhos: 12,89 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Periquita 2004 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,29 €
Nota (0 a 10): 6,5