quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

No meu copo 743 - Pousio Selection tinto 2016

Eu tento. Juro que tento!

No que respeita ao vinho, não tenho preconceitos, ou tento não ter.

Bebo brancos, tintos e rosés. Portugueses e estrangeiros. Do Velho Mundo e do Novo Mundo. De norte a sul, do litoral ao interior, da planície à montanha. Leves e encorpados, macios e adstringentes, com madeira e sem madeira, velhos e novos. Tranquilos e com bolhinhas. Champanhes e espumantes (não bebo Asti, porque aquilo é uma mistela vagamente parecida com espumante). De mesa e generosos. De aperitivo e de sobremesa. Caros e baratos. Encontro vinhos de que gosto em todas as regiões de Portugal e em todos os países de que já tive oportunidade de provar algum(ns).

Desde que comecei a apreciar vinho, e principalmente desde que este blog existe, alarguei muito os meus horizontes e os meus conhecimentos e multipliquei várias vezes o meu leque de escolhas. Passei a gostar de vinhos que antes rejeitava. Tenho posts escritos sobre brancos de Chardonnay e de Sauvignon Blanc em que manifestava a minha vontade de não voltar a encontrá-los, e hoje o Sauvignon Blanc é uma das minhas castas preferidas...

Sou um mero consumidor amador, que paga 99% daquilo que bebe. Respeito o trabalho de produtores e enólogos, e não sou ninguém para criticar quem trabalha e estuda para pôr um produto cá fora.

Mas caramba, se há casos de paixão, e vinhos que me acompanham desde sempre e que provo regular mas moderadamente e de modo quase religioso (para manter a chama da paixão a arder lentamente – o caso mais evidente é o Reguengos Garrafeira dos Sócios que me acompanha há mais de 25 anos), há outros casos em que, por mais que tente, não consigo gostar de vinhos de certas proveniências e certas marcas. Não são casos de má-vontade. Se calhar são casos, tal como acontece com as pessoas, de falta de empatia. Por exemplo, há uma empresa de cervejas que também passou a fazer vinhos, mas as minhas experiências com eles foram tão más que acho que eles deviam continuar a dedicar-se só às cervejas...

A verdade é que algumas marcas não me conseguem provocar qualquer sensação. Este vinho, bebido num almoço em restaurante, foi um desses casos. Rústico, deselegante, roufenho é a palavra que melhor me ocorre para descrevê-lo. Ainda procurei os comentários dos especialistas; nada do que vi escrito reflecte aquilo que senti quando bebi este vinho.

Tenho pena, mas já não é de agora. Até admito que o problema possa ser meu. Mas dada a repetição de experiências, sempre no mesmo sentido, estou fortemente inclinado a pensar que o problema está mesmo no vinho...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pousio Selection 2016 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Herdade do Monte da Ribeira
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Syrah, Trincadeira
Preço: 6 €
Nota (0 a 10): 5

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

No meu copo 742 - Quinta do Gradil Reserva tinto 2010

A Quinta do Gradil tem-se afirmado nos últimos anos como uma das empresas mais proeminentes na produção de vinhos na região de Lisboa, com um vasto portefólio que engloba tanto vinhos monocasta como de lote, incluindo também uma aguardente e uma colheita tardia.

Aqui falamos do Reserva tinto, estagiado 8 meses em barricas novas de carvalho francês seguidos de mais 24 meses em garrafa.

É um vinho de cor concentrada e opaca, com aroma complexo pontuado por algumas notas balsâmicas e de frutos do bosque. Na boca é encorpado e robusto, com taninos firmes mas macios, apresentando uma boa estrutura que termina em final persistente.

Esta garrafa foi adquirida em 2015, e daí para cá o preço disparou para mais do dobro. Nada que a qualidade do vinho não justifique plenamente.

A rever.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Gradil Reserva 2010 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

No meu copo 741 - Quinta de São Francisco Colheita Tardia 2010

Este foi mais um vinho que trouxe para casa depois dum evento para o qual este blog foi convidado e que decorreu na Quinta do Sanguinhal (a publicar brevemente).

Dentro da linha que vai fazendo escola nos vinhos de colheita tardia produzidos em Portugal, apresentou-se de cor dourada, com a doçura habitual mas sem ser enjoativa nem em excesso, com aroma onde predomina algum melado a par com notas de frutos secos e citrinos.

Muita frescura na prova de boca, marcada pelo equilíbrio entre o corpo, a acidez e a doçura, que não se impõe de forma exagerada. Final persistente e elegante.

Fez uma boa parceria com um bolo de aniversário e recomenda-se para sobremesas não demasiado doces. Também apresenta um perfil adequado para aperitivos, por exemplo patés.

A repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de São Francisco Colheita Tardia 2010 (B) (garrafa de 50 cl)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12%
Castas: Sauvignon Blanc, Fernão Pires
Preço: 18 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

No meu copo 740 - Cabeça de Toiro Reserva, Castelão 2016

À semelhança do Sauvignon Blanc, já aqui referido, este vinho foi oferecido pela Enoport no final da Festa das Vindimas 2018, o que merece o nosso agradecimento.

Tenho alguma dificuldade em qualificá-lo. Já o provei uma vez, outra e outra, já vou na segunda garrafa, e ainda não consegui interagir com ele.

Já tentei várias opções de harmonização, mas não acertei.

É verdade que a casta Castelão é mal-amada por muita gente, mas nos vinhos de Setúbal costuma portar-se bem. Este, no entanto, não parece ter sido completamente bem sucedido.

É um vinho estruturado e com final persistente, mas mostrou-se algo desequilibrado em termos de taninos e corpo, algo agreste.

Parece algo incompleto. Talvez precise de muito mais tempo em garrafa para crescer e amaciar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabeça de Toiro Reserva, Castelão 2016 (T)
Região: Tejo
Produtor: Enoport - Produção de Bebidas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Castelão
Nota (0 a 10): 7

sábado, 16 de fevereiro de 2019

No meu copo 739 - Defesa do Esporão tinto 2014

Aquele que durante bastantes anos se chamou Vinha da Defesa, chama-se agora Defesa do Esporão. No site da empresa está a explicação da origem do nome Defesa, que reza assim:

“No século XIII, D. João de Aboim, descendente de Egas Moniz e figura central no tempo do rei D. Afonso III, formou, a partir de vários territórios doados pelos concelhos de Monsaraz e de Portel, a Defesa do Esporão – uma das mais antigas propriedades no Sul de Portugal.

As Defesas eram grandes propriedades coutadas, defendidas das pastagens de gado vindo de outras paragens, e estão directamente ligadas à formação de Portugal, no período da reconquista cristã do Sul. Exemplos de sistemas agrosilvopastoris, as Defesas caracterizavam-se por uma diversidade de utilização. Derivando do bosque mediterrânico, as Defesas conquistaram, nesses tempos fundadores, terrenos aos bosques para pastagens.

A Defesa do Esporão foi um dos grandes exemplos deste tipo de propriedades ligadas à formação de Portugal. A sua delimitação por carta de finais do século XIII, guardada na Torre do Tombo, permanece até hoje inalterada com séculos de práticas agrosilvopastoris, baseadas na conservação da biodiversidade e numa multifuncionalidade que o Esporão continua hoje a eleger como boa prática na protecção do nosso ecossistema.”


Sobre o vinho, já aqui falámos desta nova composição do lote, que lhe mudou o perfil. Está mais moderno (será isso que “o mercado pede”?), nenhuma das castas é da região, mas não está, actualmente, um vinho que me atraia particularmente.

Parte do lote estagiou em cubas de inox, outra parte em madeira de carvalho francês durante 6 meses, seguindo-se mais 6 meses de estágio em garrafa.

Apresenta-se de cor rubi intensa, com aromas de fruto maduro e alguma especiaria, com taninos macios e final médio. Na boca aparece redondo e suave.

Aparentemente tem tudo no sítio. No entanto parece que lhe falta alguma coisa que o torne verdadeiramente apelativo... Já me convenceu mais do que agora. Parece ser daqueles vinhos que não se sabe bem o que é nem para que lado vai cair.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Defesa do Esporão 2014 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 5,64 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

No meu copo 738 - Reguengos Reserva tinto 2015

Este é porventura um dos vinhos menos valorizados no panorama nacional. Ao longo dos anos habituei-me a bebê-lo sempre como uma garantia de qualidade acima da média e muito acima daquilo que custa.

A verdade é que a CARMIM sempre o posicionou numa faixa de preços muito competitiva e ao lado de outros vinhos de gama média-baixa. E nesse patamar sempre se destacou, tendo mesmo vindo a baixar o preço ao contrário das tendências habituais.

Seguindo os novos tempos, as versões mais recentes incorporam o Alicante Bouschet (aqui em 50% do lote), quando antes predominavam o Castelão, o Aragonês e a Trincadeira.

Com este novo lote o vinho mudou. Está mais aberto, mais leve e mais suave, perdendo aquela estrutura que o tornava claramente um vinho fadado para a cozinha alentejana mais típica, saindo-se sempre muito bem de pratos de borrego ou cabrito no forno, por exemplo.

Continua a ser um vinho muito agradável de beber, mas perdeu alguma tipicidade e aquela identidade que o distinguia. Pessoalmente, confesso, preferia a versão anterior.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos Reserva 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,24 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 10 de fevereiro de 2019

No meu copo 737 - Colinas do Douro Superior branco 2016

Tive oportunidade de conhecer este vinho elaborado no Douro Superior, na zona de Figueira de Castelo Rodrigo, bebendo-o a copo num almoço durante a semana, a acompanhar umas pataniscas de bacalhau com arroz de feijão.

Mostrou-se um vinho leve e ligeiro, aberto na cor, suave no aroma com algumas notas cítricas. Na boca mostra frescura com alguma mineralidade, com acidez viva e final elegante. Para primeiro contacto, agradou. Beba-se com pratos de peixe não muito exigentes.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Colinas do Douro Superior 2016 (B)
Região: Douro
Produtor: Colinas do Douro - Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Rabigato
Preço: 5,35 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

No meu copo 736 - Cabeça de Burro Reserva tinto 2014

aqui provámos este vinho não há muito tempo, e não há novidades nesta prova da colheita de 2014.

É um vinho predominantemente elegante, suave, com taninos macios e final médio. Não muito exuberante no aroma nem muito estruturado.

Poderá melhorar com mais tempo de garrafa, pois mostra uma complexidade relativamente discreta lá por trás.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabeça de Burro Reserva 2014 (T)
Região: Douro
Produtor: Caves Vale do Rodo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,35 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 3 de fevereiro de 2019

No meu copo, na minha mesa 735 - Bafarela Reserva tinto 2016; Restaurante Velho Mirante (Pontinha)



Depois de muito tempo, voltamos a falar dum restaurante. Há uns 20 anos, ou mais, que não ia a este. Tive oportunidade de revisita-lo por duas vezes no final de 2018 e descobrir a nova fase deste que era um restaurante típico na Pontinha, às portas de Lisboa, mesmo ao lado do quartel que serviu como centro de operações no movimento dos capitães a 25 de Abril de 1974.

Do que parecia quase uma tasca, passou-se agora para um restaurante de estilo moderno, com cores claras, ambiente recatado e serviço a condizer, com um pequeno grupo de funcionários de sala trajados a rigor.

O serviço é eficiente, simpático, atencioso e descontraído. A sala é relativamente pequena, com duas zonas contíguas mas distintas com vista directa para a porta da rua. Num armário estão armazenados os vinhos à temperatura adequada e, dependendo do vinho escolhido, é sugerida a sua decantação sem ser necessário pedir.

A ementa é baseada em pratos típicos da culinária portuguesa mais tradicional, confeccionada a rigor. Desde costeletas de borrego ou borreguinho assado no forno a bacalhau à Brás, passando por arroz de cabidela, existe um leque não muito extenso mas suficientemente variado de opções para satisfazer todos os gostos. Confecção cuidada e irrepreensível. Os preços são ajuizados, com a maioria dos pratos abaixo dos 10 €, uma raridade nos tempos que correm em restaurantes de algum nível.

Quanto ao vinho, a escolha recaiu num Bafarela Reserva, sugerido por uma garrafa que estava exposta por cima do armário. Este vinho surgiu há uns anos como uma espécie de vendaval no panorama vínico português, pois a primeira colheita apresentava a barbaridade de 17º de álcool! A verdade é que a curiosidade foi tanta que o vinho esgotou rapidamente e tornou-se um caso de sucesso instantâneo.

Este Reserva agora provado é um vinho “normal”, com um grau alcoólico dentro dos parâmetros habituais. Mostrou-se encorpado, com aroma frutado intenso e cor muito carregada, com as Tourigas a ditarem leis, complementadas com a estrutura dada pelas Tintas. A decantação fez-lhe bem, e só lá para o final da garrafa o vinho abriu a se mostrou mais macio.

Não se tendo mostrado encantador, é um bom vinho na linha dos tintos típicos do Douro com todas as características habituais.

Quanto ao novo Velho Mirante, é um restaurante que merece ser revisitado de forma descontraída. Obrigatório marcar, especialmente aos fins-de-semana, dada a escassez do espaço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bafarela Reserva 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Brites Aguiar
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Roriz
Preço: 4,25 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: Velho Mirante
Rua de Santo Elóy, 2
Pontinha (Odivelas)
Telef: 21.401.75.64
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4