Voltamos aos vinhos João Portugal Ramos para revisitar o emblemático Marquês de Borba tinto.
A prova da colheita de 2016 tinha sido surpreendente, pois mostrou um vinho em crescimento na garrafa, fruto duma bela colheita.
Este 2018, pela sua juventude, voltou ao perfil mais habitual, não tão exuberante no aroma mas muito elegante na prova de boca, mantendo-se num registo mais leve e menos estruturado que já se tinha notado nas colheitas mais recentes.
Continua a ser um vinho de sucesso garantido, uma aposta sempre segura por um valor muito simpático.
Mais uma vez um muito obrigado à Marta Lopes pelo envio desta garrafa.
E votos dum bom Natal, de preferência com bons vinhos!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Marquês de Borba Colheita 2018 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot, Merlot
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
Foto da garrafa obtida no site do produtor
O blog onde os néctares de Baco nunca se entornam
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
sábado, 15 de dezembro de 2018
No meu copo 722 - Marquês de Borba tinto 2016; Marquês de Borba Colheita tinto 2017
Voltamos ao universo de João Portugal Ramos para uma prova de duas colheitas de tinto da marca mais emblemática da casa.
Já depois da visita às instalações da Adega Vila Santa, em Estremoz, onde foi possível degustar alguns dos mais recentes lançamentos, tivemos a oferta do novo Marquês de Borba Colheita tinto 2017, que agradecemos, e voltámos a prová-lo após aquela visita.
As impressões colhidas naquele almoço confirmaram-se. É um vinho fresco e aromático, com um perfil um pouco mais leve do que o tradicional.
A parte mas curiosa é que num jantar fora houve oportunidade de provar várias garrafas da colheita de 2016, que se revelou em grande forma e com uma intensidade e estrutura muito mais exuberantes! Quase não parecia o mesmo vinho, mas a verdade é que o ano adicional em garrafa tornou-o um vinho muito mais crescido e adulto, guindando-se a outro patamar.
Muito boa estrutura na boca com final persistente e vibrante, com os taninos macios mas a darem consistência ao conjunto.
Se fosse preciso, esta prova confirmou que os vinhos tintos demasiados jovens têm muito que crescer. Neste caso, atrevo-me a dizer que o lote de uvas utilizado também ajudou.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Vinho: Marquês de Borba 2016 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Marquês de Borba Colheita 2017 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot, Merlot
Nota (0 a 10): 7,5
Fotos das garrafas obtidas no site do produtor
Já depois da visita às instalações da Adega Vila Santa, em Estremoz, onde foi possível degustar alguns dos mais recentes lançamentos, tivemos a oferta do novo Marquês de Borba Colheita tinto 2017, que agradecemos, e voltámos a prová-lo após aquela visita.
As impressões colhidas naquele almoço confirmaram-se. É um vinho fresco e aromático, com um perfil um pouco mais leve do que o tradicional.
A parte mas curiosa é que num jantar fora houve oportunidade de provar várias garrafas da colheita de 2016, que se revelou em grande forma e com uma intensidade e estrutura muito mais exuberantes! Quase não parecia o mesmo vinho, mas a verdade é que o ano adicional em garrafa tornou-o um vinho muito mais crescido e adulto, guindando-se a outro patamar.
Muito boa estrutura na boca com final persistente e vibrante, com os taninos macios mas a darem consistência ao conjunto.
Se fosse preciso, esta prova confirmou que os vinhos tintos demasiados jovens têm muito que crescer. Neste caso, atrevo-me a dizer que o lote de uvas utilizado também ajudou.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Vinho: Marquês de Borba 2016 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Marquês de Borba Colheita 2017 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot, Merlot
Nota (0 a 10): 7,5
Fotos das garrafas obtidas no site do produtor
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
No meu copo 690 - 3 Podas 2015
No rótulo aprecem 3 caras mais ou menos conhecidas do grande público. 3 actores, 3 humoristas: António Raminhos, Luís Filipe Borges e Pedro Fernandes, que deram as suas caras e nomes para baptizar este vinho.
Descontando o evidente trocadilho malicioso com o nome do vinho (traz uma etiqueta no gargalo com a inscrição “3 podas: aguentas?”) e o tom jocoso das indicações do contra-rótulo (“se você souber abrir uma garrafa como deve ser nem sequer vai saber a rolha”; “Acompanha bem qualquer tipo de carnes. Aliás, Quanto mais beber, mais bonitas e tenras lhe vão parecer as carnes”), falemos um pouco deste vinho que me veio parar às mãos no final duma visita ao restaurante da Quinta do Gradil para um delicioso e suculento jantar (qualquer dia será contado com mais pormenor).
Elaborado com 3 castas estrangeiras (Syrah, Petit Verdot e Tannat), apresenta um aroma intenso a frutos pretos e do bosque. Encorpado e longo na boca, mostra-se suave com taninos macios e final redondo e persistente.
Embora apresentado em tom de brincadeira, é um vinho bastante sério.
Mais informações sobre o conceito do vinho aqui.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: 3 Podas 2015 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Syrah, Petit Verdot, Tannat
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
Foto da garrafa obtida no site do produtor
Descontando o evidente trocadilho malicioso com o nome do vinho (traz uma etiqueta no gargalo com a inscrição “3 podas: aguentas?”) e o tom jocoso das indicações do contra-rótulo (“se você souber abrir uma garrafa como deve ser nem sequer vai saber a rolha”; “Acompanha bem qualquer tipo de carnes. Aliás, Quanto mais beber, mais bonitas e tenras lhe vão parecer as carnes”), falemos um pouco deste vinho que me veio parar às mãos no final duma visita ao restaurante da Quinta do Gradil para um delicioso e suculento jantar (qualquer dia será contado com mais pormenor).
Elaborado com 3 castas estrangeiras (Syrah, Petit Verdot e Tannat), apresenta um aroma intenso a frutos pretos e do bosque. Encorpado e longo na boca, mostra-se suave com taninos macios e final redondo e persistente.
Embora apresentado em tom de brincadeira, é um vinho bastante sério.
Mais informações sobre o conceito do vinho aqui.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: 3 Podas 2015 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Syrah, Petit Verdot, Tannat
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
Foto da garrafa obtida no site do produtor
domingo, 29 de julho de 2018
No meu copo 689 - Quinta do Gradil, Petit Verdot 2012
Continuamos na vasta região vitivinícola de Lisboa, agora rumando bem mais para norte, para um dos nomes mais importantes da região.
A Quinta do Gradil, situada junto à povoação de Vilar, próxima do Cadaval, possui um largo portefólio de vinhos brancos, tintos e rosés, com destaque para vários mono ou bi-varietais, geralmente com uma qualidade acima da média. Já aqui provámos mais de uma vez o belíssimo branco de Arinto e Sauvignon Blanc, um dos nossos preferidos e que nunca nos deixou ficar mal, e já estivemos no restaurante da quinta, mas dessa ocasião falaremos oportunamente.
Desta vez falamos dum tinto monocasta Petit Verdot, uma casta originária de Bordéus que tem vindo a aparecer de modo algo esparso em Portugal, sendo poucos os produtores que apostam nela a solo. Já provámos um do Esporão e pouco mais que isso.
É uma casta que talvez ainda não esteja tão bem estudada como outras, e por isso aparece timidamente. Mas as provas realizadas são satisfatórias. Os vinhos são bastante encorpados, de cor grená opaca, mostrando-se de aroma fechado no início e com os taninos algo agrestes.
Esta colheita de 2012 precisou de respirar algum tempo para se mostrar no copo. Algum tempo depois de aberto os aromas libertaram-se e o corpo amaciou, mostrando-se então mais redondo e suave. Na boca uma estrutura robusta envolvia taninos bem firmes mas já mais redondos, com persistência num fim de boca longo. No aroma mostrou notas de fruta preta e do bosque, com madeira muito discreta.
É um vinho para acompanhar pratos exigentes de carne, bem temperados, pois a sua estrutura e acidez batem-se bem com temperos desafiantes. Tudo intenso mas sem exageros, sem ser daqueles vinhos muito extraídos e cansativos. E com um preço bastante simpático para aquilo que temos na garrafa.
Prova do tempo superada com distinção, pois mostrou ainda evidentes sinais de juventude.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Gradil, Petit Verdot 2012 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13%
Casta: Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8
A Quinta do Gradil, situada junto à povoação de Vilar, próxima do Cadaval, possui um largo portefólio de vinhos brancos, tintos e rosés, com destaque para vários mono ou bi-varietais, geralmente com uma qualidade acima da média. Já aqui provámos mais de uma vez o belíssimo branco de Arinto e Sauvignon Blanc, um dos nossos preferidos e que nunca nos deixou ficar mal, e já estivemos no restaurante da quinta, mas dessa ocasião falaremos oportunamente.
Desta vez falamos dum tinto monocasta Petit Verdot, uma casta originária de Bordéus que tem vindo a aparecer de modo algo esparso em Portugal, sendo poucos os produtores que apostam nela a solo. Já provámos um do Esporão e pouco mais que isso.
É uma casta que talvez ainda não esteja tão bem estudada como outras, e por isso aparece timidamente. Mas as provas realizadas são satisfatórias. Os vinhos são bastante encorpados, de cor grená opaca, mostrando-se de aroma fechado no início e com os taninos algo agrestes.
Esta colheita de 2012 precisou de respirar algum tempo para se mostrar no copo. Algum tempo depois de aberto os aromas libertaram-se e o corpo amaciou, mostrando-se então mais redondo e suave. Na boca uma estrutura robusta envolvia taninos bem firmes mas já mais redondos, com persistência num fim de boca longo. No aroma mostrou notas de fruta preta e do bosque, com madeira muito discreta.
É um vinho para acompanhar pratos exigentes de carne, bem temperados, pois a sua estrutura e acidez batem-se bem com temperos desafiantes. Tudo intenso mas sem exageros, sem ser daqueles vinhos muito extraídos e cansativos. E com um preço bastante simpático para aquilo que temos na garrafa.
Prova do tempo superada com distinção, pois mostrou ainda evidentes sinais de juventude.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Gradil, Petit Verdot 2012 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13%
Casta: Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8
segunda-feira, 16 de julho de 2018
No meu copo 686 - Dory Reserva tinto 2013; Dory branco 2015
A região vitivinícola de Lisboa movimenta-se.
Por toda a extensa área aparecem produtores com vinhos de qualidade e ganham o seu espaço no mercado. Nomes como AdegaMãe, Casa Santos Lima, Companhia Agrícola do Sanguinhal, Enoport, Quinta do Monte d’Oiro, Quinta de Chocapalha, Quinta de Pancas, Quinta do Gradil, Quinta de Sant´Ana do Gradil, Wine Ventures, são alguns dos que se destacam no actual panorama com vinhos de qualidade e que deixaram definitivamente para trás a era do vinho a granel, muito e mau.
Hoje falamos pela primeira vez dum dos produtores mais recentes entre os referidos. A AdegaMãe surgiu próximo de Torres Vedras, na freguesia da Ventosa, pela mão do grupo Riberalves, dispondo de 30 hectares de vinha e uma capacidade de produção de 1,2 milhões de litros por ano.
Uma das suas marcas de destaque é esta, Dory. Composta por várias referências, tivemos oportunidade de provar recentemente o colheita branco e o Reserva tinto.
Sendo dois vinhos substancialmente diferentes no preço, o mesmo se verifica na qualidade. O Reserva tinto 2013 apresenta-se pujante, com aroma vinoso e alguma salinidade a fazer lembrar o ar atlântico, com notas de fruta madura. Na cor apresenta-se carregado e compacto, e na boca mostra uma estrutura envolvente, persistente e arredondada, com final fresco, intenso e longo. Muito bem no estado de evolução, mostrou estar num ponto óptimo de consumo com pratos de carne bem temperados e algo desafiantes.
O branco 2015, pelo contrário, mostrando a acidez e frescura habituais por estas paragens da Estremadura, apresentou-se delgado e de corpo, com aroma discreto, corpo médio e final suave mas curto. Nada de surpreendente dada a diferença de patamar entre os dois vinhos provados.
Dito isto, há que experimentar as alternativas, e investir no branco Reserva. A julgar pelo tinto, promete.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Lisboa (Torres Vedras)
Produtor: AdegaMãe, Soc. Agrícola
Vinho: Dory Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Dory 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Alvarinho, Arinto, Viognier
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7
Por toda a extensa área aparecem produtores com vinhos de qualidade e ganham o seu espaço no mercado. Nomes como AdegaMãe, Casa Santos Lima, Companhia Agrícola do Sanguinhal, Enoport, Quinta do Monte d’Oiro, Quinta de Chocapalha, Quinta de Pancas, Quinta do Gradil, Quinta de Sant´Ana do Gradil, Wine Ventures, são alguns dos que se destacam no actual panorama com vinhos de qualidade e que deixaram definitivamente para trás a era do vinho a granel, muito e mau.
Hoje falamos pela primeira vez dum dos produtores mais recentes entre os referidos. A AdegaMãe surgiu próximo de Torres Vedras, na freguesia da Ventosa, pela mão do grupo Riberalves, dispondo de 30 hectares de vinha e uma capacidade de produção de 1,2 milhões de litros por ano.
Uma das suas marcas de destaque é esta, Dory. Composta por várias referências, tivemos oportunidade de provar recentemente o colheita branco e o Reserva tinto.
Sendo dois vinhos substancialmente diferentes no preço, o mesmo se verifica na qualidade. O Reserva tinto 2013 apresenta-se pujante, com aroma vinoso e alguma salinidade a fazer lembrar o ar atlântico, com notas de fruta madura. Na cor apresenta-se carregado e compacto, e na boca mostra uma estrutura envolvente, persistente e arredondada, com final fresco, intenso e longo. Muito bem no estado de evolução, mostrou estar num ponto óptimo de consumo com pratos de carne bem temperados e algo desafiantes.
O branco 2015, pelo contrário, mostrando a acidez e frescura habituais por estas paragens da Estremadura, apresentou-se delgado e de corpo, com aroma discreto, corpo médio e final suave mas curto. Nada de surpreendente dada a diferença de patamar entre os dois vinhos provados.
Dito isto, há que experimentar as alternativas, e investir no branco Reserva. A julgar pelo tinto, promete.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Lisboa (Torres Vedras)
Produtor: AdegaMãe, Soc. Agrícola
Vinho: Dory Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Dory 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Alvarinho, Arinto, Viognier
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7
Etiquetas:
AdegaMae,
Alvarinho,
Arinto,
Brancos,
Cabernet Sauvignon,
Lisboa/Estremadura,
Merlot,
Petit Verdot,
Tintos,
Torres Vedras,
Touriga Nacional,
Viognier,
Viosinho
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
No meu copo 505 - Quinta de Pancas Reserva 2008
Continuamos na região de Lisboa, com um produtor clássico numa quinta que já mudou de mãos algumas vezes, que tem tido altos e baixos.
Recuperada e revigorada pela Companhia das Quintas, a Quinta de Pancas é há muitos anos conhecida por um dos primeiros tintos de Cabernet Sauvignon do país, tenho mais recentemente estendido o seu portefólio.
Aqui estamos perante um Reseva que incorpora um conjunto de 5 castas, entre nacionais e estrangeiras, onde o Cabernet se junta ao Merlot na parte bordalesa do lote, incluindo ainda o Petit Verdot e as nacionais Alicante Bouschet e Touriga. Estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês.
Esta mistura deixa-me algo confuso, pois não se percebe bem o carácter do vinho. Se o apimentado e compotado do Cabernet Sauvignon, se o vegetal do Merlot, se o floral da Touriga, se a estrutura do Alicante. Será um pouco de todas e muito de nenhuma?
Tentando perceber como é o vinho, a impressão que fica é marcadamente vegetal, com estrutura mediana, final persistente e suave, fruta discreta e aroma pouco exuberante. Bebe-se com facilidade, sem dúvida, mas parece que lhe falta algum carácter mais marcado, alguma personalidade. Parecendo querer ser tudo, corre o risco de acabar por não ser quase nada.
Talvez mais novo tivesse mais frescura e outra vivacidade que lhe conferissem outras características mais marcadas, mas deixou algo a desejar... Em comparação com o tradicional monocasta de Cabernet Sauvignon ou o mais recente Selecção do Enólogo, estes convenceram mais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Pancas Reserva 2008 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Merlot, Touriga Nacional, Petit Verdot, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,45 €
Nota (0 a 10): 7
Recuperada e revigorada pela Companhia das Quintas, a Quinta de Pancas é há muitos anos conhecida por um dos primeiros tintos de Cabernet Sauvignon do país, tenho mais recentemente estendido o seu portefólio.
Aqui estamos perante um Reseva que incorpora um conjunto de 5 castas, entre nacionais e estrangeiras, onde o Cabernet se junta ao Merlot na parte bordalesa do lote, incluindo ainda o Petit Verdot e as nacionais Alicante Bouschet e Touriga. Estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês.
Esta mistura deixa-me algo confuso, pois não se percebe bem o carácter do vinho. Se o apimentado e compotado do Cabernet Sauvignon, se o vegetal do Merlot, se o floral da Touriga, se a estrutura do Alicante. Será um pouco de todas e muito de nenhuma?
Tentando perceber como é o vinho, a impressão que fica é marcadamente vegetal, com estrutura mediana, final persistente e suave, fruta discreta e aroma pouco exuberante. Bebe-se com facilidade, sem dúvida, mas parece que lhe falta algum carácter mais marcado, alguma personalidade. Parecendo querer ser tudo, corre o risco de acabar por não ser quase nada.
Talvez mais novo tivesse mais frescura e outra vivacidade que lhe conferissem outras características mais marcadas, mas deixou algo a desejar... Em comparação com o tradicional monocasta de Cabernet Sauvignon ou o mais recente Selecção do Enólogo, estes convenceram mais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Pancas Reserva 2008 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Merlot, Touriga Nacional, Petit Verdot, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,45 €
Nota (0 a 10): 7
Etiquetas:
Alenquer,
Alicante Bouschet,
Cabernet Sauvignon,
Companhia Quintas,
Lisboa/Estremadura,
Merlot,
Petit Verdot,
Qta Pancas,
Tintos,
Touriga Nacional
sábado, 19 de dezembro de 2015
No meu copo 496 - Quinta do Monte d'Oiro: Aurius 2002; Têmpera 2004; Reserva 2004
A descrição da prova que se segue foi uma ocasião especialíssima, daquelas que acontecem uma vez por acaso e que tornam cada momento único.
Tratou-se de uma prova horizontal de vinhos de topo da Quinta do Monte d’Oiro. Por ordem crescente de qualidade e de preço, a ordem da prova seguiu o mesmo critério: tivemos um Aurius 2002 (que já tinha sido provado há uns anos), um Têmpera 2004 e um Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004, tudo adquirido numa única caixa pelo valor imbatível de 66,50 €.
Os três vinhos foram arrefecidos e decantados atempadamente, de modo a estarem nas condições óptimas de consumo quando chegasse o momento de os verter nos copos. A acompanhar, umas costeletas de novilho assadas na brasa ao momento, complementadas com alho moído, molho de alho e molho cocktail.
Decantados os três vinhos como era requerido, fomos provando pela ordem requerida e intercalando cada um deles para estabelecer comparações. A qualidade de todos é tão elevada que quase parece um sacrilégio tentar diferenciá-los. Em todo o caso, em traços gerais as impressões colhidas foram as que se seguem.
Aurius 2002 – No ponto óptimo de consumo. Elegante, encorpado, persistente, profundo. Magnífico.
Têmpera 2004 – Estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês. Muito estruturado, persistente, encorpado, longo. Elegante e persistente na boca e equilibrado no aroma.
Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004 – Estagiou em barricas 100% novas de carvalho francês Seguin Moreau. Estruturado e longo, elegante e com taninos de seda. De cor vermelho escuro, que não deixa revela a idade do vinho, apresenta aromas de fruta preta e alguma especiaria, madeira discretíssima e integrada, acidez irrepreensível, tudo no ponto certo. Um vinho quase perfeito. A mestria de José Bento dos Santos no seu auge.
Em resumo: são momentos como os que nos permitem usufruir de néctares de excepção como estes que nos fazem sentir como há coisas belas nesta vida.
Obviamente, perante este nível qualitativo, e apesar do preço, estes vinhos merecem estar nas nossas escolhas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Vinho: Aurius 2002 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Tinta Roriz, Petit Verdot
Preço: 19 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Têmpera 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Tinta Roriz
Preço: 26 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Syrah (96%), Viognier (4%)
Preço: 37,50 €
Nota (0 a 10): 9,5
Tratou-se de uma prova horizontal de vinhos de topo da Quinta do Monte d’Oiro. Por ordem crescente de qualidade e de preço, a ordem da prova seguiu o mesmo critério: tivemos um Aurius 2002 (que já tinha sido provado há uns anos), um Têmpera 2004 e um Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004, tudo adquirido numa única caixa pelo valor imbatível de 66,50 €.
Os três vinhos foram arrefecidos e decantados atempadamente, de modo a estarem nas condições óptimas de consumo quando chegasse o momento de os verter nos copos. A acompanhar, umas costeletas de novilho assadas na brasa ao momento, complementadas com alho moído, molho de alho e molho cocktail.
Decantados os três vinhos como era requerido, fomos provando pela ordem requerida e intercalando cada um deles para estabelecer comparações. A qualidade de todos é tão elevada que quase parece um sacrilégio tentar diferenciá-los. Em todo o caso, em traços gerais as impressões colhidas foram as que se seguem.
Aurius 2002 – No ponto óptimo de consumo. Elegante, encorpado, persistente, profundo. Magnífico.
Têmpera 2004 – Estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês. Muito estruturado, persistente, encorpado, longo. Elegante e persistente na boca e equilibrado no aroma.
Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004 – Estagiou em barricas 100% novas de carvalho francês Seguin Moreau. Estruturado e longo, elegante e com taninos de seda. De cor vermelho escuro, que não deixa revela a idade do vinho, apresenta aromas de fruta preta e alguma especiaria, madeira discretíssima e integrada, acidez irrepreensível, tudo no ponto certo. Um vinho quase perfeito. A mestria de José Bento dos Santos no seu auge.
Em resumo: são momentos como os que nos permitem usufruir de néctares de excepção como estes que nos fazem sentir como há coisas belas nesta vida.
Obviamente, perante este nível qualitativo, e apesar do preço, estes vinhos merecem estar nas nossas escolhas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Vinho: Aurius 2002 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Tinta Roriz, Petit Verdot
Preço: 19 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Têmpera 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Tinta Roriz
Preço: 26 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Syrah (96%), Viognier (4%)
Preço: 37,50 €
Nota (0 a 10): 9,5
domingo, 16 de agosto de 2015
No meu copo 470 - Tintos do Algarve
Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011; Quinta da Penina Reserva 2010; Lagos 2012; Lagoa Estagiado 2012




O Algarve é uma região vinícola em ascensão. Pouco a pouco, vão sendo dados a conhecer os vinhos produzidos na região mais a sul do país, a zona turística de Portugal por excelência. A produção é pequena, e quase invisível fora da região, mas o número de produtores aumenta a cada passo, enquanto alguns alargam o seu portefólio e diversificam as marcas que disponibilizam no mercado, como é o caso dos dois mencionados neste post, sendo que a agora denominada Única - Adega Cooperativa do Algarve é a sucessora da Adega Cooperativa de Lagoa, e alargou já a sua área de actuação às sub-regiões de Lagos e Portimão.
Assim sendo, tenho aproveitado as férias algarvias de Verão para comprar alguns vinhos, que só se encontram por lá, e mesmo assim só em certas lojas.
No caso dos tintos, a qualidade não me tem convencido grandemente. São geralmente adocicados, pouco estruturados e pouco frescos, tornando-se algo chatos e enjoativos. Os que tenho provado ficam-se, normalmente, pela mediania.
Os quatro vinhos cuja prova se descreve confirmaram um pouco esse panorama.
O Foral de Portimão Colheita Seleccionada, com um grau alcoólico elevado e um lote de castas prometedor, apresentou-se aberto e suave, e ao mesmo tempo pouco estruturado, delgado na boca e com final curto. Tudo somado, um vinho mediano.
Já o Quinta da Penina Reserva, do mesmo produtor, apresentou-se com boa estrutura e persistência, aroma intenso e frutado quanto baste. É vinho capaz de se alcandorar a voos um pouco mais ambiciosos.
O vinho de Lagos – quase uma raridade desde há décadas – foi o mais discreto de aroma e menos exuberante no nariz e na boca. Não deixa grandes memórias.
Finalmente uma nova versão do vinho de Lagoa.Finalmente uma nova versão do vinho de Lagoa. Encorpado, com alguma estrutura, robustez e complexidade, persistente e com aroma a frutos vermelhos, mostrou-se um vinho com alguma personalidade e capaz de acompanhar pratos fortes de carne.
No conjunto, estes vinhos não apresentam uma grande robustez nem complexidade de aromas, nalguns casos tendem mais para o delgado e com final de boca algo curto, mas com alguma sorte consegue-se sempre encontrar alguns exemplares mais interessantes. Nestas provas os mais interessantes foram o Quinta da Penina Reserva e o Lagoa Estagiado. Em conjunto são tendencialmente medianos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 6,19 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Quinta da Penina Reserva 2010 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante Bouschet, Petit Verdot
Preço em hipermercado: 7,09 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Lagos 2012 (T)
Região: Algarve (Lagos)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 4,89 €
Nota (0 a 10): 6
Vinho: Lagoa Estagiado 2012 (T)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 2,14 €
Nota (0 a 10): 7,5
Etiquetas:
AC Algarve,
Algarve,
Alicante Bouschet,
Aragonez,
Cabernet Sauvignon,
Lagoa,
Lagos,
Petit Verdot,
Portimao,
Qta Penina,
Tintos,
Touriga Nacional,
Trincadeira
sexta-feira, 12 de junho de 2015
No meu copo 460 - Esporão, Quatro Castas 2011
Este é um regresso cíclico. Mesmo com as novas tendências, continuo a não resistir à prova do Quatro Castas do Esporão, pois cada colheita pode sempre encerrar uma surpresa, uma vez que as castas variam de ano para ano.
É certo que este vinho já foi bastante mais do meu agrado do que é agora, que está “modernizado”. Não deixa, contudo, de ser um vinho desafiante, para tentarmos descobrir em cada colheita novas sensações e características predominantes.
Esta colheita de 2011 mantém a tendência das anteriores, com muito álcool presente. O vinho está ainda muito jovem e o primeiro ataque, no nariz e na boca, é algo agressivo. Requer impreterivelmente decantação, pois só assim se consegue ficar com um produto mais aberto, aromático e um pouco amaciado. Continua, no entanto, a mostrar-se predominantemente robusto e estruturado, e com o álcool bem presente.
Relativamente às quatro castas seleccionadas, eis o que o contra-rótulo menciona:
“O Aragonês contribui com aromas de frutos vermelhos, o Syrah confere corpo e textura, o Alicante Bouschet dá a estrutura a este vinho e o Petit Verdot introduz elegância e equilíbrio ao conjunto”.
Estagiaram, todas elas, 6 meses em carvalho após vinificação, sendo que a madeira está muito discreta e bem integrada no conjunto.
Vou continuar a acompanhar as edições seguintes (aliás, já tenho a colheita de 2013), mas reservo para uma ocasião apropriada a abertura das garrafas que restam das colheitas de 2003 e 2005, do tempo em que me encantavam. E fazer uma prova comparada de colheitas com 10 anos de diferença pode ser interessante para tirar todas as dúvidas sobre qual a melhor versão.
Um dia destes...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quatro Castas 2011 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Petit Verdot, Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,03 €
Nota (0 a 10): 8
É certo que este vinho já foi bastante mais do meu agrado do que é agora, que está “modernizado”. Não deixa, contudo, de ser um vinho desafiante, para tentarmos descobrir em cada colheita novas sensações e características predominantes.
Esta colheita de 2011 mantém a tendência das anteriores, com muito álcool presente. O vinho está ainda muito jovem e o primeiro ataque, no nariz e na boca, é algo agressivo. Requer impreterivelmente decantação, pois só assim se consegue ficar com um produto mais aberto, aromático e um pouco amaciado. Continua, no entanto, a mostrar-se predominantemente robusto e estruturado, e com o álcool bem presente.
Relativamente às quatro castas seleccionadas, eis o que o contra-rótulo menciona:
“O Aragonês contribui com aromas de frutos vermelhos, o Syrah confere corpo e textura, o Alicante Bouschet dá a estrutura a este vinho e o Petit Verdot introduz elegância e equilíbrio ao conjunto”.
Estagiaram, todas elas, 6 meses em carvalho após vinificação, sendo que a madeira está muito discreta e bem integrada no conjunto.
Vou continuar a acompanhar as edições seguintes (aliás, já tenho a colheita de 2013), mas reservo para uma ocasião apropriada a abertura das garrafas que restam das colheitas de 2003 e 2005, do tempo em que me encantavam. E fazer uma prova comparada de colheitas com 10 anos de diferença pode ser interessante para tirar todas as dúvidas sobre qual a melhor versão.
Um dia destes...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quatro Castas 2011 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Petit Verdot, Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,03 €
Nota (0 a 10): 8
quinta-feira, 27 de março de 2014
No meu copo 372 - Cortes de Cima 2008; Aragonês 2005; Syrah 2008
Tendo em stock alguns vinhos deste produtor sediado na Vidigueira, escolhi uma ocasião em que fosse possível fazer uma prova comparada de várias garrafas. Estes estavam guardados há alguns anos, portanto com tempo para repousar e evoluir o suficiente para mostrar o que podem valer. De fora ficou um Homenagem a Hans Chrisitian Andersen 2007, para ocasião futura.
Em 2012 estive numa prova das Cortes de Cima na Delidelux, com 5 tintos e um branco, que no conjunto se mostrou um pouco decepcionante para aquilo que se esperava. É que este é, juntamente com o produtor referido no post anterior (Herdade da Malhadinha Nova), um dos produtores conceituados entre os mais modernos do Alentejo, sendo inclusive alvo de grandes encómios na imprensa especializada. A verdade é que, tal como aconteceu com a prova do Monte da Peceguina (e como já tinha acontecido noutra prova deste produtor também na Delidelux), começa a instalar-se em mim a sensação de que existem alguns produtores que caíram em graça, granjearam fama à sombra da qual cimentaram o nome, mas cujos produtos não o justificam. Começo a ter esta sensação também com as Cortes de Cima, depois de ter provado estes três vinhos, tendo confirmado esta mesma impressão numa recente prova na Wine O’Clock.
Não é minha intenção desmerecer o trabalho dos produtores e enólogos (quem sou eu, um amador, para o fazer?), mas enquanto consumidor que paga aquilo que prova, tenho direito à minha opinião que vai influenciar a minha decisão de compra...
Sobre estes três tintos há que dizer alguma coisa... O Cortes de Cima 2008, o standard da casa, digamos assim, pareceu um vinho normal. Equilibrado, medianamente estruturado e frutado, apresentou um fim de boca curto, aroma discreto e sem grande persistência.
Na posterior prova na Wine O’Clock, com a colheita de 2010, a sensação colhida foi a mesma. Tendo em conta que o preço de venda apresentado, 10,95 € (em feiras de vinhos consegue-se baixar 1 ou 2 euros), o pensamento que ocorre é algo como isto: por este preço, prefiro comprar um Casa de Santar Reserva, um Duas Quintas, um Vinha Grande, um Vila Santa ou um Casa Cadaval...
Seguiu-se a prova do Aragonês 2005. Este sim, mostrou um carácter alentejano, com boa estrutura e persistência, aroma exuberante e profundo, com predominância de frutos vermelhos e notas de especiarias. Na boca apresenta outra complexidade, com a fruta bem integrada numa estrutura de taninos firmes mas suaves. Envelhecido 7 meses em barricas de carvalho americano. Adquirido em 2010 a 9,98 €, o preço de referência apresentado na prova na Wine O’Clock para a colheita de 2011 vai para os 16,95 €! Aí já dá que pensar, porque estamos no patamar do Esporão Reserva... O mesmo se passa, aliás, com o Trincadeira 2011, também apresentado na mesma prova e com o mesmo preço. São os dois varietais que mais apresentam um carácter de Alentejo, embora me pareçam claramente inflacionados.
Finalmente, passámos ao Syrah 2008, também provado na Wine O’Clock com a colheita de 2011. E novamente a sensação repetiu-se nas duas ocasiões. Ao contrário dos grandes encómios do enólogo da casa, e ao contrário de alguns especialistas que apregoam o grande sucesso desta casta no Alentejo, este vinho pareceu-me, agora como antes na prova da Delidelux, linear, sem acidez, com pouca estrutura, chato... Poderia mesmo chamar-lhe uma verdadeira xaropada. E pelo preço que custa agora (o valor apresentado foi de 13,95 €), seguramente não voltarei a levá-lo para casa. Definitivamente, não é a referência para o Syrah em Portugal, apesar do grande sucesso do Incógnito que pôs o nome da casa nas bocas do mundo com base nesta casta. Mas essa será a excepção. Quando comparo este Syrah com o da Quinta do Monte d’Oiro, qualquer semelhança é mera coincidência.
Na Wine O’Clock pudemos ainda provar um Petit Verdot e um Homenagem a Hans Christian Andersen, também já provados na Delidelux, sendo o Petit Verdot o único verdadeiramente surpreendente e que promete um grande futuro em garrafa. Mas a 32,50 €, dificilmente entrarão na lista de compras, porque aqui estamos a falar de vinhos mais caros que o Quinta da Leda e o Duas Quintas Reserva...
Em resumo, o mercado manda, decide, e em função disso os produtores fazem os preços a que conseguem vender os seus vinhos. Mas há vinhos de certos produtores que me fazem lembrar aquela anedota que falava num restaurante de 2ª, com preços de 1ª e serviço de 3ª... É o que me parecem alguns dos novos produtores famosos do Alentejo...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Cortes de Cima
Vinho: Cortes de Cima 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 8,94 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Cortes de Cima, Aragonês 2005 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 9,98 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Cortes de Cima, Syrah 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 10,61 €
Nota (0 a 10): 5
sábado, 21 de setembro de 2013
No meu copo 339 - Esporão Reserva 1999; Esporão, Petit Verdot 2008
Em mais um encontro dos comensais do costume, que realizámos em memória do amigo que perdemos recentemente, aproveitámos para abrir duas garrafas de vinho da Herdade do Esporão com quase 20 anos a separá-las.
Começámos por uma garrafa que tinha sido adquirida em grupo aquando da visita que fizemos à herdade, na altura uma novidade no portefólio da empresa e que muita curiosidade nos despertou. Trata-se dum exemplar de Petit Verdot 2008, dentro da nova versão dos monocastas, com novos rótulos e novos preços, que tivemos oportunidade de conhecer na sala de provas da herdade e que na ocasião nos pareceu merecedor duma nova, mais cuidada e mais demorada apreciação.
Enquanto eu tratava dos bifes na cozinha, com o molho à minha moda, os outros comensais trataram de começar a consumir a garrafa (uns bandalhos, é o que eles são – tivesse eu fritado mais os bifes e já só lhe via o fundo...), que fez o pleno de elogios por parte dos 7 comensais presentes. Não se esperava aquela complexidade de um vinho monocasta, que mostrou um excelente nariz, com algumas notas violáceas (também na cor), madeira quanto baste sem marcar demasiado o vinho, taninos firmes e poderosos mas sem se tornarem agressivos. Mostrou bom potencial de envelhecimento em garrafa, mas já se apresentou em excelente momento para ser bebido. Não há dúvida de que, a nível de monocastas, o Esporão, que no início da década de 90 foi um dos produtores pioneiros na matéria em Portugal, continua a marcar pontos. Pena é que o reposicionamento da gama a nível de preços tenha atirado estes exemplares para valores perto do proibitivo, porque mesmo se a qualidade continua lá, o custo parece já não justificar o dispêndio, pelo menos com a mesma frequência. Estamos a falar, em números redondos, numa duplicação do preço... Agora custam cerca de 50% mais do que a marca principal da casa...
Em complemento a este monocasta, alinharam duas colheitas dessa marca, o Reserva. A primeira garrafa poderá (ou não) ser aquela que foi recusada no mercado dos EUA devido ao seu rótulo, que apresenta a figura de um árabe. Na colheita de 1999 um rótulo destes foi rejeitado no mercado americano, o que obrigou a empresa a recolher todas as garrafas e reenviá-las com outro rótulo. A verdade é que, em função disso, a garrafa com o dito rótulo passou a ser uma preciosidade porque se tornou rara. A dúvida era se eu teria em casa uma preciosidade que poderia valer alguns milhares. Mas entre ficar à espera de saber ou beber o líquido que a mesma continha, optei pela segunda hipótese. E fiz bem, porque o vinho estava excelente.
Claro que num vinho com esta idade já não se encontra um corpo cheio e estruturado (não estamos propriamente a falar dum Bairrada feito de Baga...), antes encontramos um vinho amaciado pelo tempo e de corpo um pouco adelgaçado, com pouca evidência de fruta, mas ainda pleno de saúde e macieza. Não esquecer também que nesta fase ainda não tinha chegado a época das bombas de fruta e álcool que assolou o país vinícola na última década, e os 13,5% de álcool que esta colheita apresenta já eram, na altura, bastante significativos. Daí notarmos uma diferença de perfil em relação às colheitas mais recentes, mas nos anos 90 o Esporão clássico era mais ou menos assim. Encorpado quanto baste, elegante, macio, algo delicado, predominância a frutos maduros, com boa estrutura e persistência, mas não um vinho de encher a boca para se “mastigar”, com taninos presentes mas finos. Aguentou bem a prova do tempo e não me arrependi de ter aberto a garrafa em vez de tentar vendê-la num leilão. Afinal, o vinho fez-se para ser bebido...
Por fim ainda alinhou um último exemplar da colheita de 2006, que já foi objecto de várias provas e devidamente apreciado e descrito em tempo oportuno. Com a fruta menos exuberante, continua um vinho vibrante, cheio e com uma profundidade aromática invulgar, e como sempre bateu-se galhardamente com a bifalhada. Não defraudou o que se esperava dele, e confirmou-se como uma das colheitas que mais me agradou na última década. Mas, como dizia o saudoso António Silva no inesquecível Evaristo do “Pátio das cantigas”, deste já não há mais...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Vinho: Esporão Reserva 1999 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Esporão, Petit Verdot 2008 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Petit Verdot
Preço no produtor: 22 €
Nota (0 a 10): 8,5
Começámos por uma garrafa que tinha sido adquirida em grupo aquando da visita que fizemos à herdade, na altura uma novidade no portefólio da empresa e que muita curiosidade nos despertou. Trata-se dum exemplar de Petit Verdot 2008, dentro da nova versão dos monocastas, com novos rótulos e novos preços, que tivemos oportunidade de conhecer na sala de provas da herdade e que na ocasião nos pareceu merecedor duma nova, mais cuidada e mais demorada apreciação.
Enquanto eu tratava dos bifes na cozinha, com o molho à minha moda, os outros comensais trataram de começar a consumir a garrafa (uns bandalhos, é o que eles são – tivesse eu fritado mais os bifes e já só lhe via o fundo...), que fez o pleno de elogios por parte dos 7 comensais presentes. Não se esperava aquela complexidade de um vinho monocasta, que mostrou um excelente nariz, com algumas notas violáceas (também na cor), madeira quanto baste sem marcar demasiado o vinho, taninos firmes e poderosos mas sem se tornarem agressivos. Mostrou bom potencial de envelhecimento em garrafa, mas já se apresentou em excelente momento para ser bebido. Não há dúvida de que, a nível de monocastas, o Esporão, que no início da década de 90 foi um dos produtores pioneiros na matéria em Portugal, continua a marcar pontos. Pena é que o reposicionamento da gama a nível de preços tenha atirado estes exemplares para valores perto do proibitivo, porque mesmo se a qualidade continua lá, o custo parece já não justificar o dispêndio, pelo menos com a mesma frequência. Estamos a falar, em números redondos, numa duplicação do preço... Agora custam cerca de 50% mais do que a marca principal da casa...
Em complemento a este monocasta, alinharam duas colheitas dessa marca, o Reserva. A primeira garrafa poderá (ou não) ser aquela que foi recusada no mercado dos EUA devido ao seu rótulo, que apresenta a figura de um árabe. Na colheita de 1999 um rótulo destes foi rejeitado no mercado americano, o que obrigou a empresa a recolher todas as garrafas e reenviá-las com outro rótulo. A verdade é que, em função disso, a garrafa com o dito rótulo passou a ser uma preciosidade porque se tornou rara. A dúvida era se eu teria em casa uma preciosidade que poderia valer alguns milhares. Mas entre ficar à espera de saber ou beber o líquido que a mesma continha, optei pela segunda hipótese. E fiz bem, porque o vinho estava excelente.
Claro que num vinho com esta idade já não se encontra um corpo cheio e estruturado (não estamos propriamente a falar dum Bairrada feito de Baga...), antes encontramos um vinho amaciado pelo tempo e de corpo um pouco adelgaçado, com pouca evidência de fruta, mas ainda pleno de saúde e macieza. Não esquecer também que nesta fase ainda não tinha chegado a época das bombas de fruta e álcool que assolou o país vinícola na última década, e os 13,5% de álcool que esta colheita apresenta já eram, na altura, bastante significativos. Daí notarmos uma diferença de perfil em relação às colheitas mais recentes, mas nos anos 90 o Esporão clássico era mais ou menos assim. Encorpado quanto baste, elegante, macio, algo delicado, predominância a frutos maduros, com boa estrutura e persistência, mas não um vinho de encher a boca para se “mastigar”, com taninos presentes mas finos. Aguentou bem a prova do tempo e não me arrependi de ter aberto a garrafa em vez de tentar vendê-la num leilão. Afinal, o vinho fez-se para ser bebido...
Por fim ainda alinhou um último exemplar da colheita de 2006, que já foi objecto de várias provas e devidamente apreciado e descrito em tempo oportuno. Com a fruta menos exuberante, continua um vinho vibrante, cheio e com uma profundidade aromática invulgar, e como sempre bateu-se galhardamente com a bifalhada. Não defraudou o que se esperava dele, e confirmou-se como uma das colheitas que mais me agradou na última década. Mas, como dizia o saudoso António Silva no inesquecível Evaristo do “Pátio das cantigas”, deste já não há mais...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Vinho: Esporão Reserva 1999 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Esporão, Petit Verdot 2008 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Petit Verdot
Preço no produtor: 22 €
Nota (0 a 10): 8,5
segunda-feira, 11 de junho de 2012
No meu copo 280 - Aurius 2002
Numa das provas a que nos deslocámos recentemente na Wine o’Clock, eu e o Mancha tivemos a oportunidade e o prazer de assistir a mais uma lição dada pelo engenheiro químico-industrial, produtor, enólogo, cozinheiro, gastrónomo gourmet (e sei lá que mais) José Bento dos Santos. Como já tive oportunidade de confidenciar aos comparsas em mais de uma ocasião, há alguns destes mestres do vinho que são uma lição para quem os ouve. Só para ouvi-los valeria a pena a deslocação, mesmo que não houvesse vinho para provar. José Bento dos Santos é um deles (Luís Pato, o “Senhor Bairrada”, é outro).
Na dita prova percorreu-se praticamente todo o portefólio de vinhos da Quinta do Monte d’Oiro: Lybra (branco e tinto), Madrigal, Têmpera, Aurius, Quinta do Monte d’Oiro Reserva.
Foi na prova do Aurius que surgiu a grande surpresa, quando confrontámos o 2007 com o 2002. Este apresentou-se com uma saúde, uma vivacidade e uma frescura na boca notáveis. De tal forma que, mesmo estando ao dobro do preço do 2007 (cerca de 38 € contra 19 €), resolvemos adquirir uma garrafa desta colheita para partilhar com a comunidade gastrónomo-etilista do costume. Com a vantagem de, sendo dia de prova, haver um desconto de 15% no preço, pelo que acabámos por desembolsar 33,04 €.
A abertura da garrafa efectuou-se no dia seguinte, acompanhada de um Vinha da Nora 2005 dos que ainda constam da minha garrafeira. A degustação confirmou as impressões recolhidas na prova da Wine o’Clock. A elegância típica dos vinhos da Quinta, com os aromas muito harmoniosos a par com uma suavidade e finesse notáveis, na linha daquilo que já escrevi acerca do Vinha da Nora como sendo um vinho aristocrático.
Pessoalmente este vinho encantou-me e entrou directamente para a minha galeria dos notáveis, daqueles que nos fazem esquecer por momentos o seu custo elevado e em que o prazer obtido supera aquilo que se pagou. Notável, de facto!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Aurius 2002 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional, Syrah, Tinta Roriz, Petit Verdot
Preço: 38,85 €
Nota (0 a 10): 9
Na dita prova percorreu-se praticamente todo o portefólio de vinhos da Quinta do Monte d’Oiro: Lybra (branco e tinto), Madrigal, Têmpera, Aurius, Quinta do Monte d’Oiro Reserva.
Foi na prova do Aurius que surgiu a grande surpresa, quando confrontámos o 2007 com o 2002. Este apresentou-se com uma saúde, uma vivacidade e uma frescura na boca notáveis. De tal forma que, mesmo estando ao dobro do preço do 2007 (cerca de 38 € contra 19 €), resolvemos adquirir uma garrafa desta colheita para partilhar com a comunidade gastrónomo-etilista do costume. Com a vantagem de, sendo dia de prova, haver um desconto de 15% no preço, pelo que acabámos por desembolsar 33,04 €.
A abertura da garrafa efectuou-se no dia seguinte, acompanhada de um Vinha da Nora 2005 dos que ainda constam da minha garrafeira. A degustação confirmou as impressões recolhidas na prova da Wine o’Clock. A elegância típica dos vinhos da Quinta, com os aromas muito harmoniosos a par com uma suavidade e finesse notáveis, na linha daquilo que já escrevi acerca do Vinha da Nora como sendo um vinho aristocrático.
Pessoalmente este vinho encantou-me e entrou directamente para a minha galeria dos notáveis, daqueles que nos fazem esquecer por momentos o seu custo elevado e em que o prazer obtido supera aquilo que se pagou. Notável, de facto!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Aurius 2002 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional, Syrah, Tinta Roriz, Petit Verdot
Preço: 38,85 €
Nota (0 a 10): 9
sexta-feira, 9 de março de 2012
Na minha mesa 278 - Os quatro cavaleiros da barriga cheia – Surtida ao Esporão
Num belo dia de Primavera resolvemos demandar, quais cavaleiros em corcel a diesel, a Herdade do Esporão, alapada nos arredores de Reguengos de Monsaraz. Apesar de não ser uma première para os membros do núcleo duro do grupo gastrónomo-etilista, era a primeira vez que lá nos dirigíamos em conjunto e com intuitos mais sólidos do que líquidos – ou seja, além dos néctares locais pretendia experimentar-se a cozinha do restaurante da Herdade e confirmar as coisas boas que sobre ele tínhamos lido e ouvido.
Saídos manhã cedo (mas não muito cedo) da capital do reino, num sábado de luz primaveril perdido no meio do frio deste Inverno bizarro, e em poucos minutos já circulávamos na sempre apinhada A6 (isto era uma piada) em direcção a Évora, tomando depois a direcção de Reguengos pela estrada nacional e conseguindo não nos perdermos nas inúmeras e mal sinalizadas rotundas que apanhámos pelo caminho. Passado o centro de Reguengos lá seguimos a estrada que levava à Herdade, com alguns pitorescos buracos a adornar o trajecto, e acabámos direitinhos em frente ao edifício que alberga a parte enoturística e sobrejaz às adegas.
O programa previsto era almoçarmos, visitar o complexo após o almoço e fazer uma prova ao fim da tarde, antes do regresso à base. Mas como o corcel foi rápido no trajecto ainda deu para cirandar pelas redondezas do edifício antes do almoço, visto que a mesa estava marcada. Além da constatação de que estávamos mesmo no campo – devido aos insectos que por ali andavam – e de que as formigas alentejanas trabalham tanto como as outras, um vazio no estômago lá nos convenceu de que era hora de entrar no restaurativo estabelecimento e nos amesendarmos. O espaço é agradável, com bastante luz e decoração simples, que no campo é mais importante o que se é do que o que se parece. O serviço mostrou-se desde o início solícito sem ser aborrecido e completamente informado – um bom exemplo para as misérias que se vão vendo por restaurantes em todo o país – não basta ostentar pergaminhos, há que demonstrá-los!
Analisada a ementa nas suas diversas possibilidades optámos pelo denominado almoço vínico, que nos permitiria provar uma panóplia alargada dos vinhos da casa sem a obrigatoriedade de ter de beber uma garrafa de cada – pronto, não é que não conseguíssemos, mas ninguém estava ali para apanhar fémeas de canídeo, vulgo cadelas.
A opção revelou-se mais que acertada! A ementa casou extremamente bem com os vinhos que a acompanharam e estes não faltaram enquanto foram precisos.
Mas conheçamos então o elenco: abertura com azeites para degustar e entradas variadas acompanhadas por um espumante rosé que vai na terceira produção e promete.
Seguiu-se a sopa, um creme de ervilhas bem sápido, adornado com um caramelizado e um ovo de codorniz escalfado, monocasta Verdelho a acompanhar, rico em aroma e sabor, a ressumar frescura e tropicalidade.
Veio depois o prato de peixe, bacalhau cozido a baixa temperatura em duo com batatas gratinadas, bem acolitado por um Esporão Reserva Branco, competente e de belos alicerces, vinho que se baterá bem até com alguns pratos mais dos lados da carniça.
O prato de carne mereceu os melhores encómios, duas peças de Assado do Esporão, carne de vaca confeccionada em vácuo e adornada com uma redução de vinho tinto, que ligou muito bem com o Esporão Reserva Tinto, desde 2006 regressado aos seus melhores tempos. O Kroniketas optou por um arroz de Lebre também provado pelos outros confrades e que convenceu mesmo os menos dados a mimos de perdigueiro, como aqui o escrevente.
Em tempo de sobremesa, e perante a nossa descoroçoante indecisão, veio um pijama com as várias ofertas dulçarengas, humidificadas pelo licoroso produzido pela empresa e que também esteve à altura das lides, doce sem ser enjoativo e servido fresco sem estar gelado.
Acreditem que nesta altura estávamos como o título deste post afirma. O período de fermentação foi realizado no alpendre junto ao restaurante, com alguns membros a aventurarem-se nos fumos. Não sendo a vontade nenhuma, lá nos movemos com dificuldade para iniciar a visita às instalações, esforço não dispiciendo – se duvidar basta realizar um programa idêntico.
Visitaram-se as diversas instalações da adega, das zonas de produção e engarrafamento aos salões (acho que o epíteto é merecido) onde estagiam os vinhos, após o que se realizou uma prova única do monocasta Petit Verdot, que a tarde ia longa e era necessário conduzir de volta à capital. Vinho vibrante tanto na cor como na boca, a convidar à permanência em caves escuras durante algum tempo até estar mais domesticado, cheio de boas promessas para os mais pacientes.
(De salientar a dissidência de um dos membros, que preferiu ficar no bar a apreciar uma aguardente velha e só se nos juntou para a prova, o bandalho!)
A viagem de regresso não teve história, como todas as viagens de regresso, apesar das conversas interessantes que não cabem neste naco de texto e da música ouvida e que não é para aqui chamada.
Veredicto final e unânime: a voltar sempre que possível (mas comedidamente, porque não fica barato) – pelos vinhos, pela comida e pela qualidade do serviço, eficiente e simples, como nós gostamos.
tuguinho, enófilo e tudo (acolitado pelo resto da cambada)
Herdade do Esporão
Apartado 31
7200-999 Reguengos de Monsaraz
Tel: 266.509.280
Fax: 266.519.753
Nota Restaurante (0 a 5): 5
quinta-feira, 20 de março de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XVI)
No meu copo, na minha mesa 170 - Terrenus 2005; Lima Mayer 2005; Restaurante Tomba Lobos (Pedra Basta - Portalegre)
Os últimos tempos em Portalegre foram aproveitados para voltar a lugares marcantes. Um deles foi o Tomba Lobos, um dos primeiros que visitei e também um dos últimos. Propriedade de José Júlio Vintém, que se tem afirmado no panorama gastronómico do Alentejo e já se tornou uma referência incontornável, este restaurante fica numa pequena localidade à saída de Portalegre em direcção ao Reguengo, de nome Pedra Basta, onde aliás fica localizada a Quinta do Centro, de Rui Reguinga e Richard Mayson, e que deu o nome precisamente ao vinho ali produzido.
O Tomba Lobos fica numa espécie de vivenda com um pequeno jardim cá fora e um parque de estacionamento, e permite a entrada pelo balcão ou directamente para a sala de refeições. Deve o seu nome aos lobos que em tempos idos assolavam a região, vindos de Espanha, e dizimavam as ovelhas e os porcos, o que obrigou os homens a organizarem-se para dar caça aos lobos. E ao mais valente apelidaram-no de “tomba lobos”, alcunha que calhou a José Júlio Vintém.
Das duas vezes que lá fui estava pouca gente (o tempo frio durante a semana também não ajudava) mas a refeição justificou o regresso. Na primeira visita comi uma canja de perdiz e um arroz de lebre. Melhor a primeira que o segundo, que talvez por ter repousado no tacho enquanto ainda fervia, acabou por secar, mas estava bastante saboroso.
Para sobremesa comeu-se torrão real, um doce de amêndoa bastante consistente, e bolema de maçã com gelado de baunilha, uma combinação bastante agradável e bem conseguida.
A segunda visita foi um pouco mais elaborada (éramos três pessoas) e as escolhas também: começámos com uma excelente perdiz de escabeche, seguindo-se gamo ao alhinho, muito tenro, suculento e saboroso (difícil parar de comer) e voltámos a terminar com o arroz de lebre, que voltou a secar depressa demais. O melhor da noite foi, indubitavelmente, o gamo ao alhinho, uma excelente revelação.
Para sobremesa tivemos uma mistura de pudim de queijo, bolo de chocolate e um fartes, também uma espécie de bolo com ovos e amêndoa.
O serviço deste restaurante é esmerado e atencioso, com o adicional de haver o aconselhamento dos clientes, tanto para os pratos como para os vinhos e as sobremesas, e nunca nos deixaram ficar mal. Mais um local a (re)visitar.
Quanto aos vinhos, foi aqui que tive o primeiro contacto (também aconselhado na casa) com o Terrenus 2005, produção individual de Rui Reguniga numa outra vinha que possui na serra de São Mamede. Nesta segunda visita voltei a ter a oportunidade única de voltar a provar este vinho. Uma boa revelação, tal como também aconteceu com o Casa de Alegrete. Um vinho bem encorpado mas também macio e muito aromático, elegante, equilibrado entre álcool, acidez e persistência. Os 13,5% certamente contribuem para esse perfil mais soft que a maioria dos muitos vinhos hiper-alcoólicos. Um vinho que promete altos voos.
Na segunda visita provou-se também outra garrafa, mais uma estreia com um vinho da região, o Lima Mayer 2005, das proximidades de Monforte. Este um pouco mais forte e mais dentro do muito que tenho apanhado por aí, mas sem se tornar agressivo nem cansativo. Aroma a frutos vermelhos, alguma especiaria, bastante encorpado e persistente, com os taninos bem domados e envolvidos numa acidez correcta. Pareceu-me, acima de tudo, aquilo que se poderia chamar um vinho honesto, que não pretende ser uma estrela mas que desempenha bem a sua função.
Kroniketas, enófilo itinerante
Vinho: Terrenus 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga Enologia
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Lima Mayer 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Lima Mayer
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Aragonês, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 18,50 €
Nota (0 a 10): 7
Restaurante: Tomba Lobos
Pedra Basta, Lote 16 - R/C
7300-529 Portalegre
Telef: 245.331.214
Preço médio por refeição: 30-35 €
Nota (0 a 5): 4,5
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