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terça-feira, 23 de julho de 2019

No meu copo 779 - Cuvée Saint-Vincent, Pinot Noir 2016

De Itália para França, vamos agora até à Borgonha, essa grande região onde são produzidos alguns dos vinhos mais famosos do mundo!

Este vinho foi provado num painel de vinhos elaborados unicamente com a casta Pinot Noir, num jantar organizado pela garrafeira Néctar das Avenidas e onde contámos com a presença do enólogo Manuel Moreira para nos falar dos diversos vinhos em prova.

De todos os vinhos provados, este chamou-me particular atenção, pelo que resolvi adquirir um exemplar para voltar a prová-lo em casa, sem a companhia de outros vinhos para melhor o apreciar.
As expectativas foram totalmente satisfeitas, confirmando as excelentes impressões que tinha deixado no referido jantar.

É um vinho duma elegância extrema, com corpo quanto baste, boa acidez, redondo e fino na boca. Nada pesado, vibrante, intenso, com taninos amplos sem ser agressivos, apresenta notas de frutos vermelhos, como groselha e framboesa, com final de grande delicadeza. É um daqueles exemplares aos quais assenta na perfeição a expressão francesa que melhor os caracteriza: finesse!

É quando se provam vinhos destes que se percebe porque é que há regiões que têm a fama que têm. Não, não é mito: eles existem mesmo e nem todos têm preços proibitivos! E é quando provamos estas castas na sua região de excelência que percebemos que nem tudo è transportável para outro lado com resultados semelhantes. Se nalguns casos até se podem conseguir excelentes resultados, neste caso é mesmo aqui que se atinge o zénite. E o “aqui” é o berço do Pinot Noir, onde a pouca cor que esta uva transmite aos vinhos não é um problema: eles são mesmo assim, abertos na cor, dum vermelho quase pálido. Não é defeito, é feitio.

Que grande, grande vinho! A minha vénia à Borgonha e ao Pinot Noir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cuvée Saint-Vincent 2016 (T)
Região: Borgonha (França)
Produtor: Vincent Girardin - Mersault
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Pinot Noir
Preço: 17,50 €
Nota (0 a 10): 9

domingo, 8 de janeiro de 2017

No meu copo 574 - Domaine Félix branco 2014; Villa Maria, Sauvignon Blanc 2015

Revisitamos dois produtores estrangeiros, que curiosamente também tínhamos visitado em conjunto na prova anterior: um francês, da Borgonha, e outro neozelandês, de Marlborough.

Começamos com este Domaine Félix 2014 da Borgonha, região onde são produzidos alguns dos melhores (ou talvez mesmo os melhores) brancos do mundo.

Não é um Sauvignon Blanc como este que já provámos da sub-região de Saint-Bris, mas um Chardonnay da sub-região de Chablis.

Comme d’habitude, revelou a elegância e a finesse que só estes brancos franceses apresentam. É medianamente encorpado, com fruta discreta e alguma mineralidade no nariz. Na boca é redondo, elegante, muito suave e macio. O final é envolvente, seco e com grande frescura.

Tal como o Sauvignon Blanc, não deixa de ser um belo vinho e, sobretudo, tem características irrepetíveis cá no burgo, portanto vale a pena conhecê-lo.

Quanto ao Villa Maria Sauvignon Blanc 2015, que já fez as nossas delícias noutras ocasiões, desta vez ficou aquém das expectativas, pois as características verdes do Sauvignon Blanc estavam marcadas em excesso, com demasiado aroma a pimentos verdes e sobrepor-se ao conjunto. Sabe-se que há determinados aromas típicos e mais marcantes em cada casta, mas tal como na comida com os temperos, quando há um sabor ou um aroma que se sobrepõe a tudo o resto o resultado não é famoso.

Foi o que aconteceu aqui, e foi pena. Talvez o vinho esteja demasiado novo e precise de amadurecer em garrafa, mas se não estivesse pronto não devia estar à venda. Se é uma questão de estilo, não gosto. Se foi uma colheita menos bem conseguida, resta esperar por uma próxima melhor.

Kroniketas, enófilo afrancesado

Vinho: Domaine Félix 2014 (B)
Região: Chablis - Borgonha (França)
Produtor: Hervé Félix – Saint-Bris-Le-Vineux
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 12,35 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Villa Maria, Sauvignon Blanc 2015 (B)
Região: Marlborough (Nova Zelândia)
Produtor: Villa Maria Estate – Auckland
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 3 de abril de 2015

No meu copo 443 - Domaine Felix, Pinot Noir 2010; Château Grand Champ 2011

Num jantar caseiro com a companhia do Politikos, para acompanhar uns escalopes de vitela resolvi abrir dois vinhos franceses: um tinto da Borgonha que tinha na garrafeira há algum tempo e um de Bordéus que me foi oferecido aquando do jantar de apresentação dos vinhos franceses comercializados no LIDL, que decorreu no Hotel Ritz Four Seasons.

Abrimos as garrafas em simultâneo, para podermos ir comparando estes tintos de duas regiões emblemáticas na produção mundial de vinho. Foi uma prova interessante, porque nos permitiu verificar as enormes diferenças entre os perfis de vinho daquelas duas regiões.

O Domaine Felix mostrou as duas principais características que marcam a casta e a região: a leveza e pouca concentração do Pinot Noir, e a elegância e suavidade da Borgonha. Quase parecia um clarete. Para quem está habituado a beber vinhos poderosos e concentradíssimos, deve ser muito difícil gostar dum vinho destes. A verdade é que, apreciando este vinho com calma, percebemos a razão de haver tantos enólogos que são fãs dos tintos da Borgonha e que muitas vezes tentam encontrar um paralelo entre os seus próprios vinhos e os borgonheses. Dirk Niepoort tem a Borgonha como referência, Luís Pato compara o terroir da Bairrada com o da Borgonha e a casta Baga com o Pinot Noir, e há ainda quem diga que o Dão é a Borgonha portuguesa. Por alguma razão tantos querem ser como a Borgonha...

O Château Grand Champ, sem indicação das castas mas presumivelmente contendo Cabernet Sauvignon, mostrou-se mais encorpado e algo rústico, mais “roufenho”, digamos assim. Com alguma adstringência evidente e taninos bem marcados, talvez precise de tempo em garrafa para amaciar, mas ficou claro que não era um vinho do mesmo gabarito do borgonhês. Em todo o caso também deu para perceber como é diferente da generalidade dos vinhos portugueses. Será preciso, contudo, subir um patamar para entrarmos num nível qualitativo que permita aquilatar de real qualidade dos tintos da região, de que este vinho é apenas um representante da gama baixa.

Voltaremos, certamente, aos vinhos destas regiões quando a ocasião se proporcionar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Domaine Felix, Pinot Noir 2010 (T)
Região: Côtes d'Auxerre - Borgonha (França)
Produtor: Felix et Fils – Saint-Bris-Le-Vineux
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Pinot Noir
Preço: 7,29 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Château Grand Champ 2011 (T)
Região: Bordéus (França)
Produtor: Yvon Mau – Gironde-sur-Dropt
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Nota (0 a 10): 7

sábado, 7 de dezembro de 2013

No meu copo 351 - Domaine Felix, Sauvignon 2010; Villa Maria, Sauvignon Blanc 2012

Depois do fabuloso jantar com vinhos franceses no restaurante Jacinto, foi com alguma expectativa que voltei aos vinhos franceses, neste caso com um monocasta de Sauvignon Blanc de Saint-Bris, sub-região da Borgonha, produzido por Domaine Felix et Fils.

Sem ser um vinho excepcional como outros (a memória do fabuloso Domaine Laroche Les Vaudevey ainda estava muito presente), apresentou, como se esperava, aquela suavidade e finesse dos brancos borgonheses, que os torna diferentes de tudo aquilo que já bebi em termos de brancos. Pontuado pelos aromas da casta, com notas tropicais e algum citrino, destaca-se a frescura e elegância num conjunto muito agradável.

Já o Villa Maria foi uma repetição, depois da prova da colheita de 2011 há cerca de um ano, apresentando-se mais estruturado e marcadamente tropical e com algum floral, confirmou as impressões da prova anterior, também com bastante frescura, sendo um vinho apetitoso de que apetece beber sempre mais um copo. Entre os monocasta de Sauvignon Blanc que invadiram o planeta (e esta casta também vai tendo os seus opositores), este será porventura um dos mais conceituados e bem sucedidos. Embora de preço superior, é um vinho com todas as condições para agradar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Domaine Felix, Sauvignon 2010 (B)
Região: Saint-Bris - Borgonha (França)
Produtor: Domaine Felix et Fils – Saint-Bris-Le-Vineux
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Villa Maria, Sauvignon Blanc 2012 (B)
Região: Marlborough (Nova Zelândia)
Produtor: Villa Maria Estate – Auckland
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 10,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

No meu copo, na minha mesa 348 - Jantar no Jacinto com vinhos franceses

   
   
   
 

Este evento decorreu no mesmo dia do início do Encontro com o Vinho e os Sabores 2013. Tudo aconteceu de forma inesperada, após ter recebido um e-mail, proveniente dum velho conhecido ligado ao sector do vinho, com um convite para um jantar com provas comentadas de champanhe. Embora já tivesse planos para esse dia, que em parte continham uma primeira passagem pelo Encontro com o Vinho, pareceu-me que a proposta era demasiado aliciante para declinar, tendo em conta que não havia custos envolvidos.

Dito isto mudei de planos e, após a confirmação de local e horas, saí mais cedo do Centro de Congressos de Lisboa e dirigi-me a Telheiras para estar no Jacinto por volta das 21 horas. O que aconteceu, no entanto, foi que a quase totalidade dos participantes estavam no Encontro com o Vinho e foram chegando a conta-gotas, de tal forma que pelas 22 horas ainda não estávamos à mesa. Enquanto se esperava, foi-nos servido um copo de champanhe Deutz para ir passando o tempo.

Só quando toda a gente estava à mesa e foram feitas as apresentações do que se iria passar fiquei a saber que o evento era promovido pela distribuidora Mister Wine e que em vez de um produtor de champanhe iríamos ter na sala os representantes de não 1, não 2, não 3, mas 4 produtores franceses: Deutz (da região de Champagne), Delas Frères (Côtes-du-Rhone), Michel Laroche (Chablis) e Pascal Jolivet (Loire). Conversa puxa conversa, um contacto leva a outro, um é convidado para apresentar os seus vinhos e há outro que entra na conversa, e assim em vez de apenas champanhe iríamos ter também vinho branco, tinto e doce. Um verdadeiro desfile de néctares de excepção à nossa espera! E só à medida que fui identificando os presentes, quase todos ligados ao sector do vinho (jornalistas e/ou enólogos e /ou produtores, representantes da Revista de Vinhos, jornal “I”, Exame) é que me apercebi de como era um privilegiado por estar ali, eu, um mero amador que escreve num blog e de vez em quando vai conhecendo as pessoas do meio numas provas aqui e ali...

A condução das operações foi feita por José Carneiro Pinto, ligado à Quinta do Oritgão, que apresentou os representantes dos produtores presentes e anunciou o que se iria beber ao longo da refeição. Tudo em inglês, para que toda a gente percebesse...

E assim foram desfilando os pratos e os vinhos, quase todos em garrafas magnum, começando pelo champanhe Deutz Brut Classic, composto pelas castas Pinot Noir (que dá volume de boca e corpo ao vinho), Pinot Meunier e Chardonnay em partes iguais (portanto um misto de brancas e tintas, como é típico da região). Bolha fina, muito elegante, persistente (Nota: 8,5).

A partir daqui tivemos os vinhos apresentados aos pares para acompanhar cada prato. Começámos com um prato de cogumelos recheados, ovos com farinheira e queijo de cabra com mel, tudo muito bem temperado e apaladado, com os sabores muito suaves a casarem muito bem com os vinhos.

Fui debicando de cada um alternadamente, acompanhando com um branco de Pascal Jolivet, Clos du Roy 2012, da região de Sancerre. Excelente acidez, macio e persistente, com boa estrutura (Nota: 8,5). A emparelhar, um Domaine Laroche, Saint Martin 2011, de Chablis (Borgonha). Mais doce e menos estruturado que o anterior, dois perfis bastante diferentes (Nota: 8).

Passámos então à pièce de résistance, com dois pratos. Primeiro veio um polvo de cebolada que depois foi ao forno, bastante suculento, bem temperado e apetitoso. Para acompanhar, novamente um vinho de Sancerre e um de Chablis, tal como na parelha anterior. Pascal Jolivet Les Caillottes 2001, suave, aromático e profundo (Nota: 9). Infelizmente perdeu na comparação com o parceiro que veio ao mesmo tempo, para mim o vinho da noite: um Chablis Premier Cru (o segundo nível de topo, apenas abaixo dos Grand Cru) Domaine Laroche Les Vaudevey 2006, 100% Chardonnay. Grande corpo, grande estrutura, aroma interminável, tudo pontuado por uma finesse notável e uma elegância soberba. Grande, grande vinho, um autêntico néctar dos deuses que nos ajuda a perceber o porquê da fama dos brancos franceses, e dos da Borgonha em particular! E que diferença em relação aos Chardonnay feitos em Portugal, carregados de madeira, pesados, amanteigados, enjoativos... No fim, como recordação, levei para casa a garrafa de 1,5 L deste vinho sublime! (Nota: 10)

Seguiu-se outro prato de resistência, uma empada de pato com salada de alface, também excelentemente temperada. Para acompanhar, um champanhe e um tinto. Champagne Deutz Brut 2006: mousse suave, fino, elegante, excepcional! (Nota: 10). A fazer parceria, o único tinto da noite: Marquise de La Tourette Delas 1999, da região de Hermitage (Côtes-du-Rhone), 100% Syrah ou não esitvessemos no berço da casta. Um vinho que se impõe pela suavidade e elegância, típica dos tintos daquela região, marcando a diferença em relação às bombas de fruta e álcool com que vamos levando por cá na última década. (Nota: 8,5)

Para as sobremesas ainda tivemos direito a mais um duo de pratos. Primeiro um folhado de morangos com natas, acompanhado com um Champanhe Deutz rosé. Elegante, suave e aromático, corpo médio. (Nota: 8).

Finalmente, uma trilogia de doces conventuais, encharcada, fidalgo e sericaia (qual deles o melhor), acompanhados por mais um duo de vinhos. O famoso Sauternes, porventura o branco doce mais emblemático do planeta, um Château Doisy Daëne 2005 (Nota: 8,5) e mais um champanhe: Cuvée William Deutz Millésime 1999, muito seco, elegante e equilibrado. (Nota: 9)

Foi um fecho em beleza para um repasto excepcional e inolvidável, com pratos de alto nível e vinhos de excepção. Lá pela 1:30 da manhã finalmente abandonei o local, ainda restando alguns minutos de convívio entre os mais resistentes, que foram ficando até ao fim.

Só me resta agradecer o convite que em boa hora me foi dirigido pelo meu amigo José Carneiro Pinto e à Mister Wine por ter organizado este magnífico jantar. Também ao restaurante Jacinto, com uma confecção, um serviço de refeição e de vinhos irrepreensível. Depois de alguma crise atravessada na década de 1980, o Jacinto renasceu em grande e tem sido palco de alguns jantares de grande nível, cotando-se como um dos locais de eleição para jantares vínicos na cidade de Lisboa  nos últimos anos já tinha lá participado num jantar da Niepoort (1ª parte e 2ª parte) e num da Dão Sul. E finalmente aos produtores que disponibilizaram os seus fantásticos vinhos e me permitiram pela primeira vez provar e degustar um painel de vinhos franceses sublimes.

Foi mais uma noite para recordar no restaurante Jacinto. Parabéns a todos.

Kroniketas, enófilo embevecido

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pondo a escrita em dia... (1)

No meu copo 253 - Veuve Roth, Riesling 2007; Château Sainte-Marie 2006


Com todo este atraso de provas acumuladas, continuamos a tentar pôr a escrita em dia. Os posts que vão aparecendo não reflectem uma ordem cronológica nem sequer a época do ano em que são publicados. Vamos tentar recuperar algum do tempo perdido, referindo as provas mais relevantes. A que se segue foi a propósito de mais uma incursão gastrónomo-etílico-futebolística dos Comensais Dionisíacos. O relato volta a ser do Politikos, que perante a preguiça dos nossos escribas resolveu avançar para a escrita... que nós publicamos.

Ainda com um certo espírito de “rentrée”, após o defeso de Verão, reuniu mais uma vez o núcleo duro dos Comensais Dionisíacos, composto pelos quatro convivas mais assíduos. Era para ter sido uma reunião plenária da sociedade que se iria bater com um javali, mas impossibilidades supervenientes de alguns dos membros, relativas já à nova época de caça, goraram o intento.

O pretexto foi, mais uma vez, um jogo de futebol, no caso da selecção nacional. Embora, neste particular, a opinião dos comensais divirja. É que há quem pense que o pretexto é o vinho, sendo os jogos mero contexto, ou seja, meras balizas temporais! Seja como for, enquanto no campo alinhavam 22 jogadores, em casa alinharam 6 néctares na equipa principal: dois brancos, três tintos e um Porto.

Para o aquecimento, embora bem refrescados que o tempo ainda se apresentava quente, apresentaram-se à liça dois brancos, já conhecidos de outros prélios. Um Veuve Roth, Riesling 2007, um branco suave, com a acidez certa, o que lhe confere aquela delicadeza típica dos brancos franceses e da casta. Embora não fosse a combinação certa, para espanto meu, aguentou-se bem a acompanhar umas lascas de presunto serrano com pão de Mafra com que se iniciaram as hostilidades...

Deveria seguir-se um Château Sainte-Marie 2006, outro gaulês, que resulta do feliz casamento entre as castas Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle. Proveniente da região demarcada de Entre-Deux-Mers, que deve o seu nome ao facto de estar encravada entre os rios Dordogne e Garonne, e integra a grande região de Bordéus, é um vinho fresco e frutado, cuja igualmente bem domada acidez deixa vir ao de cima o doce e o sabor inconfundíveis do moscatel. Ficou aprovadíssimo em prova anterior, revelando-se um excelente branco. Mais uma vez os brancos franceses a brilhar e a marcar pontos nas nossas preferências. Mas desta vez, para nosso azar, nem chegou a ir a jogo. Dois dos convivas deram-lhe um gole e concluíram que estava passado. Acontece! Antes disso, e para comparação, ainda foi distribuído pelos comensais umas lágrimas – o que sobejava do consumo da semana – de um branco da Região do Sado de seu nome Lisa, 100% moscatel graúdo, para se poder aferir a diferença entre dois vinhos com moscatel. A intenção era boa...

Não era, porém, por falta de jogadores que em casa não se jogava, pelo que fizemos alinhar de imediato os tintos que se haviam de bater à mesa com umas gravatinhas de porco, muito bem temperadas, acompanhadas de batata frita, transportadas de Benfica duma sucursal do famoso David da Buraca em versão mais moderna e requintada, que neste caso dá apenas pelo nome de David.
(continua)

Vinho: Veuve Roth, Riesling 2007 (B)
Região: Alsácia (França)
Produtor: Les Caves de La Route du Vin
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Riesling
Preço: 6,57 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Château Sante Marie 2006 (B)
Região: Entre-deux-mers - Borgonha (França)
Produtor: Château Sainte Marie
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon (62%), Sémillon (29%), Muscadelle (9%)
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (3)

No meu copo 162 - Brancos




Ao longo da quadra festiva provámos mais uns quantos brancos que apreciámos assim:

Cabriz Colheita Seleccionada 2006 - Um branco despretensioso e agradável, na mesma linha do tinto com o mesmo nome. Bom acompanhante de peixe no forno, apresentando um bom equilíbrio entre corpo e estrutura, por um lado, e aroma e suavidade por outro. Feito com algumas das melhores castas brancas do Dão. Nota: 7

Prova Régia, Arinto 2005 - Do Prova Régia não há muito de novo a dizer. É sempre uma aposta segura, um dos meus brancos preferidos de Portugal. A frescura e acidez típicas do Arinto, com um aroma floral e notas de fruta tropical. Nota: 8

Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 - Em comparação com o Prova Régia, achei-o algo decepcionante. A mistura com o Chardonnay e a fermentação de 30% em barricas de carvalho dão-lhe aquele travo de que não sou grande fã, ligeiramente agreste para o meu gosto. Nota: 6,5

William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 - Uma prova repetida de um excelente branco francês. É outra loiça. Já apreciado aqui. Nota: 8,5

Kroniketas, enófilo branqueado

Vinho: Cabriz Colheita Seleccionada 2006 (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Encruzado, Cerceal Branco, Bical
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Prova Régia, Arinto 2005 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Quinta da Romeira - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,97 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 (B)
Região: Regional Estremadura (Bucelas)
Produtor: Quinta da Romeira - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto
Preço em feira de vinhos: 5,39 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (B)
Região: Saint-Bris - Borgonha (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em garrafeira: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

No meu copo, na minha mesa 79 - Quinta do Sanguinhal 1998; William Fevre 2004; Restaurante O Jacinto (Lisboa)



Este é um dos restaurantes de Lisboa que conheço há mais tempo. Situa-se numa vivenda em Telheiras, na zona da antiga Quinta de S. Vicente, junto à Azinhaga das Galhardas. Para lá chegar, a melhor forma é apanhar a 2ª circular no sentido Aeroporto-Benfica e sair na primeira a seguir ao Campo Grande. Entra-se directamente na azinhaga e chega-se imediatamente a uma espécie de alameda onde fica o restaurante. Indo do lado de Benfica, ou se vai ao Campo Grande e volta-se para trás para usar esta saída, ou tem de se entrar por Telheiras e, algures nuns semáforos a seguir à escola, virar à direita e andar por umas ruelas sem grande identificação até chegar à rua do restaurante.

Em tempos recuados tinha uma das melhores açordas de marisco da capital, senão a melhor. Valia a pena ir lá para comer a açorda. Também havia uns croquetes quentinhos para entrada que eram uma delícia. Na década de 80 atravessou uma crise que pode ter sido justificada por cortar nos ingredientes. Lembro-me duma açorda que em vez de marisco tinha apenas delícias do mar. Actualmente tem marisco, embora pouco e cortado ao meio, mas a açorda continua a ter aquele paladar que fez as minhas delícias há 30 anos. A verdade é que nas últimas visitas a casa estava cheia, e na última assim aconteceu.

Além da inevitável açorda de marisco, vieram para a mesa um caril de gambas, uma picanha e uma perna de porco assada no forno. Destes só provei a picanha, porque fui lá de propósito para comer a açorda de marisco (isto porque ir ao Pap’Açorda no Bairro Alto nem sempre é prático). A picanha cumpriu como é habitual. A açorda também. Muito bem temperada, com muita salsa, bastante aromática, na consistência certa. Enfim, apesar de modesta na quantidade de marisco, soube bem comer e deixou-me plenamente satisfeito, assim como os restantes comensais que optaram pelo prato.

Para sobremesa vieram apenas duas encharcadas de ovo, talvez um dos melhores doces de ovos que existem. Tal como no Alqueva, comeu-se e ficou a apetecer mais.

O serviço é atencioso, simpático, rápido e eficaz, o ambiente acolhedor, a ementa variada. Não será o melhor restaurante de Lisboa, mas tem todas as condições para ser um dos melhores, e só não será se os responsáveis não quiserem.

Para os líquidos, como havia peixes e carnes, pediu-se um branco e um tinto, e tentámos fugir ao mais habitual, pedindo dois vinhos menos vistos. Apesar de uma carta de vinhos extensa (embora pobre nalgumas regiões), como é frequente nos restaurantes portugueses pede-se um vinho que está na carta e depois não existe na garrafeira. Assim voltou a acontecer por duas vezes, e acabámos por ficar por um William Fevre (branco) e um Quinta do Sanguinhal (tinto).

Foi a minha segunda experiência com um William Fevre. A primeira tinha sido no Chafariz do Vinho, com um Sauvignon Blanc de 2004. Desta vez não era mencionada a casta, mas no contra-rótulo vinha a indicação de ser apenas Chardonnay. Tinha uma bela cor amarelo palha, era frutado como quase todos os Chardonnay, mas desta vez sem ser enjoativo, com um toque floral e bastante equilibrado em termos de corpo e acidez, denotando bastante frescura no paladar. Agradou a todos os presentes, embora eu tivesse gostado mais do Sauvignon Blanc por ser mais suave.

Para o tinto escolhemos este da região de Óbidos, que em tempos já teve algum destaque com o Gaeiras (branco e tinto), mas que na última década tem andado mais ou menos desaparecida. A verdade é que este Quinta do Sanguinhal de 1998, já com alguma evolução bem presente, revelou-se ainda em grande forma e foi uma agradável surpresa. Bom corpo, uma cor retinta e bons taninos, bom equilíbrio entre o carácter frutado e a madeira nova de carvalho francês, suave e elegante no paladar. Ficámos curiosos acerca deste vinho com menos dois ou três anos, poderá ser um caso a ter muito em conta. Sem dúvida um vinho a rever.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados e esclarecidos

Vinho: William Fevre 2004 (B)
Região: Chablis - Borgonha (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Casta: Chardonnay
Preço no restaurante: 27,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta do Sanguinhal 1998 (T)
Região: Estremadura (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12%
Castas: Castelão, Tinta Miúda, Carignan
Preço no restaurante: 15,50 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Tel: 21.759.17.28
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4

quinta-feira, 27 de julho de 2006

No meu copo, na minha mesa 54 - William Fevre, Sauvignon Blanc 2004; Chafariz do Vinho - Enoteca (Lisboa)




Uma saída de fim-de-semana antes de férias levou-me a um local que não visitava há algum tempo e que tem sido alvo de conversas intra e interbloguistas. À falta de quorum bloguista, vai-se com a família. Senhoras e senhores, apresento-vos o Chafariz do Vinho, na Mãe d’Água, entre a Praça da Alegria e o Príncipe Real. Construído nas rochas da antiga mãe d’água de Lisboa, foi erguido dentro do edifício um espaço com 3 pisos onde se vê a água a correr por dentro da gruta. Em dias bons, chegando cedo, ainda se pode optar pela esplanada cá fora.

O Chafariz do Vinho - Enoteca, como o próprio nome indica, é antes de mais nada um local de degustação de vinho, onde se pode comer uns petiscos para acompanhar o líquido, mas é este o centro de todas as atenções na casa. A lista é imensa, com centenas de vinhos, portugueses e estrangeiros, certamente maior que mais de 90% dos restaurantes portugueses. Leva-se mais tempo a escolher o vinho que as comidas. Um dos proprietários é o nosso bem conhecido João Paulo Martins, crítico de vinhos, cronista da Revista de Vinhos e autor dum dos mais conceituados anuários de vinhos, e naturalmente a selecção de vinhos é feita por ele. Claro que os vinhos ali presentes são todos de qualidade acima da média, com preços a condizer, pelo que não se pode esperar ir lá para beber Monte Velho, Frei João ou Porca de Murça (estou a citar alguns vinhos baratos de que gosto, para que se não pense que estou a denegri-los). Tem ainda a particularidade de servir vinho e champanhe a copo. Para quem quer beber pouco mas provar bom, pode ser uma boa opção.

Das vezes que lá fui aproveitei para beber vinhos que não conhecia, com predominância para os estrangeiros. Brancos alemães e franceses têm sido escolhas recorrentes, porque é mais fácil encontrá-los bons do que bons brancos portugueses. Desta vez optei por um branco francês (até porque o tempo assim convida), da casta Sauvignon Blanc.

Não há dúvida que os franceses sabem fazer vinho, e este prova-o claramente. Com uma cor citrina desmaiada, quase incolor, um aroma frutado profundo, elegante e suave na boca mas ao mesmo tempo encorpado, com um fim de boca que nos deixa à espera do próximo trago. Bebe-se um e apetece logo outro. Mais convivas houvera e mais garrafas se despejara... Perante este vinho, fica-se com a certeza de que há mesmo vinhos brancos bons, apesar de haver quem pense o contrário e de, em Portugal, ainda haver poucos.

Claro que os copos usados, do tipo flute, também ajudaram, assim como a temperatura a que o vinho foi mantido, desde logo colocado num frappé. O serviço de vinhos é esmerado ao máximo, como não podia deixar de ser.

Naturalmente também se comeu qualquer coisa a imitar um jantar. Algumas entradas com patés e pães diversos enquanto se espera pelos mini-pratos. Um rolo de massa fresca com requeijão e espinafres, bastante suave; uma trouxa de couve com alheira de caça, bastante temperada e ligeiramente picante, a puxar mais para a bebida; e uma opção do dia, perdiz desfiada em molho de escabeche, saborosíssima. Vai-se petiscando devagar para fazer render enquanto se aprecia o vinho.

Por fim, uma surpresa: um bolo de chocolate que não estava no programa. Tem o nome de "Melhor bolo de chocolate do mundo" e só vos digo que deve ter sido o melhor bolo de chocolate que já comi. Cremoso como se fosse mousse, de comer e chorar por mais. Parece que é feito em Lisboa, numa pastelaria de Campo de Ourique. Tenho de descobrir onde é.

No fim, paga-se bem mas com a sensação de que valeu a pena. Pelas comidas e pelas bebidas. Para dois adultos e duas crianças pagou-se 64,50 €. Definitivamente, é um local a colocar no roteiro de qualquer apreciador de vinhos e de quem goste de petiscos fora do comum.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (B)
Região: Saint-Bris - Borgonha (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Casta: Sauvignon Blanc
Preço na Enoteca: 25,00 €
Nota (0 a 10): 8,5

Local visitado: Chafariz do Vinho - Enoteca
Chafariz da Mãe d’Água
Rua da Mãe d’Água à Praça da Alegria
1250-154 Lisboa
Tel: 21.342.20.79
Preço médio por refeição: 20 a 30 €
Nota (0 a 5): 5