Atingimos com este post o redondo número de 700 artigos sobre provas, redigidos ao longo dos últimos 13 anos (menos 3 mesitos...). Como tem sido habitual (porque assim se resolveu fazer), os posts “centenários” são sempre dedicados a vinhos ou provas com alguma coisa de especial. Os dois vinhos de que aqui se fala entram nesse lote devido ao enquadramento em que foram conhecidos e mais tarde adquiridos.
Aquando da minha permanência por terras de Portalegre, em finais de 2007/princípio de 2008, tive oportunidade de conhecer bastante bem a gastronomia da região, de que não era frequentador habitual, e fazer algumas visitas a produtores do distrito de Portalegre e do vizinho distrito de Évora (posts com o título “Krónikas do Alto Alentejo”, ou com a etiqueta “Alto Alentejo” ou “Viagens”).
Nessa altura, por exemplo, a Adega Mayor ainda estava a dar os primeiros passos e ainda não tinha o seu nome e os seus vinhos bem implantados no mercado. Agora teria merecido uma visita.
O trabalho que estive a realizar em Portalegre, mesmo nada tendo a ver com o vinho, teve a sua base nas instalações da Adega Cooperativa de Portalegre, o que me permitiu conhecer in loco como a adega funcionava (estávamos em época pós-vindimas) e conhecer mais de perto o portefólio da Adega. Um dos locais que na ocasião visitei foi a Adega da Cabaça, anteriormente berço dos vinhos D’Avillez, e que tinha sido adquirida pela Adega Cooperativa para aí estabelecer a produção duma nova marca. Essa marca surgiu precisamente com o nome “Quinta da Cabaça”, e este é um dos vinhos de que agora falamos. O outro é o principal vinho da casa, o Portalegre DOC.
No momento em que este post foi escrito ainda se podia aplicar todos estes verbos no presente. Agora já é passado, porque entretanto a Adega Cooperativa de Portalegre deixou de sê-lo enquanto tal, foi adquirida por outra entidade e agora chama-se Adega de Portalegre Winery. Mas estas duas marcas mantêm-se e recentemente ganharam novo fôlego. Os tradicionais vinhos de Portalegre parecem querer retomar o caminho que lhes deu fama há duas décadas, e já há novas colheitas no mercado. Mas esse será assunto (e prova) para outra ocasião, porque estes ainda foram lançados sob os auspícios da antiga Adega Cooperativa.
Falando dos vinhos propriamente ditos...
O Portalegre DOC mostra um perfil alentejano mais clássico, bem encorpado, estruturado e robusto, pujante na prova de boca, um vinho claramente a pedir pratos típicos alentejanos, bem temperados, e muito adequado para pratos de caça.
Já o Quinta da Cabaça mostrou um perfil mais moderno, com maior vivacidade na prova de boca e não tão compacto na estrutura, ligeiramente mais aberto na cor e com os taninos um pouco mais presentes, embora bem domados.
Eram dois excelentes vinhos naquela altura. Resta-nos aguardar que as novas versões façam jus ao nome que ostentam.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega Cooperativa de Portalegre
Vinho: Portalegre DOC 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Grand Noir
Preço: 12,15 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta da Cabaça 2007 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Cinsault
Preço em feira de vinhos: 6,38 €
Nota (0 a 10): 8
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quinta-feira, 13 de setembro de 2018
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
No meu copo 699 - Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006
Por falar em Quinta do Monte d’Oiro, nada melhor para antecipar o post nº 700 do que falar deste vinho surpreendente, que me veio parar às mãos numa promoção rara. Tão rara, e tão surpreendente, que os próprios produtores lhe perderam o rasto se surpreendem com as qualidades que este vinho mostra.
Só por uma vez aqui falámos dele, embora já o tivéssemos provado posteriormente. Na época em que o tuguinho provava mas também escrevia, foi graças a ele que descobrimos esta pequena pérola. Na altura o vinho até nem parecia nada de especial, era mais a originalidade e a diferenciação que o tornavam um vinho interessante.
Mas depois de me cruzar com ele nunca mais deixei de tê-lo debaixo de olho, que é como quem diz, se aparecer a oportunidade por um preço interessante, pode ser que valha a pena.
E a oportunidade surgiu numa promoção online da colheita de 2006, já anteriormente provada mas não relatada. Como o vinho está praticamente ausente do circuito, achei que seria interessante voltar a prova-lo. O preço era convidativo e, como tal, o risco pouco elevado.
E que surpresa se revelou! Foi consumido quase de surpresa, sem preparação e sem “aqueles” copos adequados. Tal como a compra, o consumo foi uma questão de oportunidade!
Achei curioso guardar o que diz o contra-rótulo: consumir nos primeiros dois anos, o que significa que estamos, “apenas”, 10 anos fora do prazo. “Estamos” em teoria, porque o vinho estava tudo menos fora de prazo!
Apesar duma rolha teimosa e em mau estado, a prova foi excelente a todos os níveis! Atenção: este vinho, apesar da etiqueta que colocámos no post, não é um rosé. O conceito de clarete é um vinho tinto leve, aberto na cor e para consumir fresco (e jovem). Não estava assim tão fresco, mas bateu-se galhardamente com os acepipes que acompanhou. Cheio de frescura, acidez, aroma limpo meio apetrolado, transparente e brilhante na cor, muito vivo na prova de boca e com boa estrutura e ainda com frutos vermelhos presentes no aroma, e sem quaisquer sinais de evolução excessiva. Parecia novo!
Para um vinho que era uma espécie de sobra do tinto emblemático da casa (o Vinha da Nora, cuja colheita de 2005 também ainda está em grande forma), poderíamos usar uma frase simples e vulgar mas que retracta este vinho na perfeição: saiu melhor que a encomenda!
Dito isto, se ele ainda voltar a andar por aí não vou deixá-lo escapar. É um vinho que merece ser conhecido e apreciado, pelo prazer que proporciona mas também pela originalidade que representa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006 (R)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cinsault
Preço: 5,25 €
Nota (0 a 10): 8
Só por uma vez aqui falámos dele, embora já o tivéssemos provado posteriormente. Na época em que o tuguinho provava mas também escrevia, foi graças a ele que descobrimos esta pequena pérola. Na altura o vinho até nem parecia nada de especial, era mais a originalidade e a diferenciação que o tornavam um vinho interessante.
Mas depois de me cruzar com ele nunca mais deixei de tê-lo debaixo de olho, que é como quem diz, se aparecer a oportunidade por um preço interessante, pode ser que valha a pena.
E a oportunidade surgiu numa promoção online da colheita de 2006, já anteriormente provada mas não relatada. Como o vinho está praticamente ausente do circuito, achei que seria interessante voltar a prova-lo. O preço era convidativo e, como tal, o risco pouco elevado.
E que surpresa se revelou! Foi consumido quase de surpresa, sem preparação e sem “aqueles” copos adequados. Tal como a compra, o consumo foi uma questão de oportunidade!
Achei curioso guardar o que diz o contra-rótulo: consumir nos primeiros dois anos, o que significa que estamos, “apenas”, 10 anos fora do prazo. “Estamos” em teoria, porque o vinho estava tudo menos fora de prazo!
Apesar duma rolha teimosa e em mau estado, a prova foi excelente a todos os níveis! Atenção: este vinho, apesar da etiqueta que colocámos no post, não é um rosé. O conceito de clarete é um vinho tinto leve, aberto na cor e para consumir fresco (e jovem). Não estava assim tão fresco, mas bateu-se galhardamente com os acepipes que acompanhou. Cheio de frescura, acidez, aroma limpo meio apetrolado, transparente e brilhante na cor, muito vivo na prova de boca e com boa estrutura e ainda com frutos vermelhos presentes no aroma, e sem quaisquer sinais de evolução excessiva. Parecia novo!
Para um vinho que era uma espécie de sobra do tinto emblemático da casa (o Vinha da Nora, cuja colheita de 2005 também ainda está em grande forma), poderíamos usar uma frase simples e vulgar mas que retracta este vinho na perfeição: saiu melhor que a encomenda!
Dito isto, se ele ainda voltar a andar por aí não vou deixá-lo escapar. É um vinho que merece ser conhecido e apreciado, pelo prazer que proporciona mas também pela originalidade que representa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006 (R)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cinsault
Preço: 5,25 €
Nota (0 a 10): 8
domingo, 12 de fevereiro de 2006
No meu copo 19 - Quinta do Monte d'Oiro Clarete 2003
Nem todos se recordarão do que vou referir a seguir: em tempos que já lá vão, as tabernas (espécie de antecessor do Café como ponto de encontro do povo, em que o mais servido era o copo três de vinho e não a bica) vendiam também carvão e petróleo. Este último alimentava máquinas manuais a vácuo, que serviam para cozinhar quando os fogões a gás não eram tão prosaicos como nos dias de hoje.Perguntar-se-ão: e porquê este arrazoado aqui, nas Krónikas Viníkolas, que deviam tratar apenas de gargantas e estômagos e sua estimulação? Ora bem, tudo isto se deve ao facto de vos querer ilustrar correctamente a cor do vinho que foi vítima ao almoço deste dia nobre: o dito cujo era da cor do referido petróleo para consumo doméstico, uma cor vermelha aguada, mas de grande impacto visual.
O vinho em causa era nem mais nem menos do que o magnífico clarete da Quinta do Monte D’Oiro, situada na Estremadura, e produtora de alguns dos melhores vinhos de Portugal, incluindo o Homenagem a António Carqueijeiro 1999, a quem já teceram loas que cheguem do outro lado do Atlântico.
Este clarete, da colheita de 2003, referia no contra-rótulo que devia ser consumido de preferência nos 2 primeiros anos, o que significaria que eu já estaria atrasado um ano! Mas não. O vinho mostrou-se em plena pujança, com a magnífica cor já referida, uma ligeira sugestão gasosa e um sabor fresco, livre de taninos, mais do que adequado para o prato com que o consumi: a quase célebre cataplana de robalo e gambas!
Este vinho é proveniente da casta francesa Cinsaut, e foi sujeito a uma curta maceração de forma a manter a tal cor adequada a um rosé. Mas não se iludam! O néctar possui 13,5º e uma estrutura de fazer inveja a muitos tintos!
Em conclusão, “caiu que nem ginjas” com a tal cataplana, não abafando os sabores do prato e jogando muito bem com a sua leveza condimentada.
Fechou-se o repasto com uns morangos ao natural acompanhados por um LBV filtrado da Graham’s, de 1998, servido nos estupendos cálices desenhados por Siza Vieira (vá lá, deixem-me ser “gabarolas” só por um momento!).
O final verdadeiro tinha de ser executado por um café expresso, com açúcar, obviamente – aos puristas que só bebem café sem qualquer adoçante só digo uma coisa: não sabem o que perdem! –, secundado por um magnífico chocolate puro Solitaire da Guylian. Depois disto aquela história do paraíso e até as suas variações que incluem virgens e assim deixam de fazer muito sentido...
Tenham uma boa vida.
tuguinho, enófilo esforçado
Vinho: Quinta do Monte D'Oiro Clarete 2003 (R)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte D'Oiro
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Cinsault
Preço em feira de vinhos: cerca de 6 €
Nota (0 a 10): 8
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