sexta-feira, 7 de setembro de 2018

No meu copo 699 - Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006

Por falar em Quinta do Monte d’Oiro, nada melhor para antecipar o post nº 700 do que falar deste vinho surpreendente, que me veio parar às mãos numa promoção rara. Tão rara, e tão surpreendente, que os próprios produtores lhe perderam o rasto se surpreendem com as qualidades que este vinho mostra.

Só por uma vez aqui falámos dele, embora já o tivéssemos provado posteriormente. Na época em que o tuguinho provava mas também escrevia, foi graças a ele que descobrimos esta pequena pérola. Na altura o vinho até nem parecia nada de especial, era mais a originalidade e a diferenciação que o tornavam um vinho interessante.

Mas depois de me cruzar com ele nunca mais deixei de tê-lo debaixo de olho, que é como quem diz, se aparecer a oportunidade por um preço interessante, pode ser que valha a pena.

E a oportunidade surgiu numa promoção online da colheita de 2006, já anteriormente provada mas não relatada. Como o vinho está praticamente ausente do circuito, achei que seria interessante voltar a prova-lo. O preço era convidativo e, como tal, o risco pouco elevado.

E que surpresa se revelou! Foi consumido quase de surpresa, sem preparação e sem “aqueles” copos adequados. Tal como a compra, o consumo foi uma questão de oportunidade!

Achei curioso guardar o que diz o contra-rótulo: consumir nos primeiros dois anos, o que significa que estamos, “apenas”, 10 anos fora do prazo. “Estamos” em teoria, porque o vinho estava tudo menos fora de prazo!

Apesar duma rolha teimosa e em mau estado, a prova foi excelente a todos os níveis! Atenção: este vinho, apesar da etiqueta que colocámos no post, não é um rosé. O conceito de clarete é um vinho tinto leve, aberto na cor e para consumir fresco (e jovem). Não estava assim tão fresco, mas bateu-se galhardamente com os acepipes que acompanhou. Cheio de frescura, acidez, aroma limpo meio apetrolado, transparente e brilhante na cor, muito vivo na prova de boca e com boa estrutura e ainda com frutos vermelhos presentes no aroma, e sem quaisquer sinais de evolução excessiva. Parecia novo!

Para um vinho que era uma espécie de sobra do tinto emblemático da casa (o Vinha da Nora, cuja colheita de 2005 também ainda está em grande forma), poderíamos usar uma frase simples e vulgar mas que retracta este vinho na perfeição: saiu melhor que a encomenda!

Dito isto, se ele ainda voltar a andar por aí não vou deixá-lo escapar. É um vinho que merece ser conhecido e apreciado, pelo prazer que proporciona mas também pela originalidade que representa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006 (R)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cinsault
Preço: 5,25 €
Nota (0 a 10): 8

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