quinta-feira, 2 de maio de 2013

No meu copo 312 - Esporão Reserva 2008; Quatro Castas Reserva 2007; Quatro Castas 2010

Depois da recente prova do Quatro Castas Reserva 2002, damos um salto no tempo para falar de colheitas mais recentes provenientes da Herdade do Esporão: o Reserva 2008 e o Quatro Castas 2007 e o 2010, este agora em nova versão.

Durante alguns anos considerámos que o Quatro Castas estava a dar melhores resultados do que a marca ex-libris da casa. Mais recentemente, a prova do Esporão Reserva da colheita de 2006, posteriormente repetida em mais do que uma ocasião, reconciliou-nos com a marca e levou-nos a apostar nas colheitas seguintes.

Entretanto, os monocastas, que emparelhavam com o Quatro Castas, passaram por uma fase em que eram vendidos em garrafas de meio-litro, depois voltaram ao formato de 7,5 dl, ao mesmo tempo que começavam a surgir os monocastas brancos. Nos últimos anos a roupagem duns e doutros mudou, os monocastas foram reposicionados em termos de preço (passando a custar entre cerca de 23 euros) e nos brancos surgiu o Duas Castas para emparelhar com o seu homólogo tinto. O que durante cerca de duas décadas foram vinhos relativamente acessíveis, tornaram-se produtos de luxo, tornando-se mais caros que a principal marca da casa por uma opção de marketing que me custa a entender... mas se calhar não tenho que a entender.

A verdade é que, nos tintos, só o Quatro Castas se manteve no mesmo patamar de preços, pelo que continuo a comprá-lo. Recentemente tive oportunidade de fazer uma prova comparada de colheitas recentes destas duas marcas e aferir do “estado da arte” em relação a estes dois vinhos.

O Esporão Reserva 2008 mostrou aquilo que se esperava dele e manteve o perfil que, com uma ou outra oscilação, sempre o caracterizou. A base andou sempre à volta de Aragonês, Trincadeira e Cabernet Sauvignon, com algumas incursões também pelo Alicante Bouschet. A colheita de 2008 voltou a ser constituída pelo trio base, sem a presença do Alicante, o que lhe dá um perfil mais aberto e ligeiramente mais leve. As 3 castas continuam a funcionar muito bem em conjunto, com uma boa profundidade aromática associada a um toque de madeira sempre em dose moderada, que ajuda a conferir alguma estrutura e persistência na prova de boca mas sem marcar o conjunto, que é dominado pelo fruto vermelho maduro, alguma especiaria e um final longo pontuado pelas notas da madeira, tudo bem suportado por taninos poderosos mas redondos.

O Quatro Castas aparece agora com outro perfil. Além da roupagem, também o conteúdo está diferente. Desde sempre foi um vinho diferente da corrente dominante, mesmo dentro dos vinhos da casa. A colheita de 2007, também provada recentemente, mantém ainda um perfil relativamente clássico com algumas semelhanças com as anteriores – podem ser vistas aqui (2005), aqui (2002), aqui e aqui (2001). No entanto, em comparação com o 2002, mostrou-se menos exuberante de aromas, menos persistente, menos estruturado, um vinho a prometer menor longevidade. Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah compõem este lote, que já lhe alterava o perfil habitual.

Já o 2010, dentro da nova roupagem e a nova variedade castas incorporadas e que até há poucos anos não entravam no lote, está mais frutado e mais fácil, mas quanto a mim perdeu algum encanto. Revendo todos os encómios que aqui fomos debitando ao longo dos anos acerca das provas que fazíamos deste vinho, dificilmente os reconheço neste novo perfil. Continua a ser agradável de beber, mas temo que agora seja apenas mais um.

O contra-rótulo anuncia que “o Aragonez confere estrutura, o Alfrocheiro aromas finos e vibrantes, a Tinta Caiada aveluda o palato e a Tinta Miúda acrescenta-lhe a elegância final”. Vinificaram separadamente e estagiaram 9 meses em barricas de carvalho americano. Tudo isso pode ser verdade, mas... parece que lhe falta qualquer coisa. Talvez a alma que eu encontrava nos outros, feitos à maneira clássica. Continua a ser bom, mas já não o acho encantador nem surpreendente como os antecessores.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Esporão Reserva 2008 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quatro Castas 2007 (T)
Grau alcoólico: 14 %
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,84 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quatro Castas 2010 (T)
Grau alcoólico: 14,5 %
Castas: Aragonês, Alfrocheiro, Tinta Miúda, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 9,84 €
Nota (0 a 10): 8

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