segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

No meu copo 300 - Casa Ferreirinha

Casa Ferreirinha Reserva 1996; Quinta da Leda, Vinha da Ribeira 2004; Quinta da Leda 2007; Callabriga 2008




Chegámos ao post de provas número 300 neste blog, marca relevante que, mantendo a tradição das duas centenas anteriores, assinalamos com uma prova significativa para nós. O propósito foi uma comemoração familiar importante, pretexto e oportunidade para reunir o quase pleno do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os comensais dionisíacos” num repasto à volta dumas perdizes cedidas pelo habitual caçador de serviço, complementadas com um strogonoff de peru. Infelizmente, à última hora, faltou um dos comparsas por motivos de saúde familiares, que se lamentam, não deixando os presentes de brindar à sua saúde – e por extensão à dos seus familiares – nas habituais libações báquicas.

Saltando uns brancos e rosés que foram rodando pelos copos durante a confecção do repasto e enquanto se debicavam umas entradas diversas, as estrelas da noite, especialmente reservadas para a ocasião, foram os vinhos da Casa Ferreirinha que repousavam na garrafeira à espera da oportunidade e da companhia adequadas para serem abertas e degustadas. Cumprido o ritual da conveniente decantação, o serviço fez-se por ordem crescente de estatuto e idade dos vinhos.

Começou por avançar o Callabriga 2008, que logo colheu os aplausos dos presentes. Com o perfil habitual, bem estruturado, persistente e com alguma robustez, foi um bom início para o painel que se seguiu.

E o que se seguiu foram dois exemplares do magnífico Quinta da Leda, um deles em versão Vinha da Ribeira da colheita de 2004 e outro da colheita de 2007, que já tinha sido objecto de prova anterior e então suscitado os maiores encómios. O 2004, naturalmente mais evoluído e amaciado, mostrou-se ainda assim na plenitude de um vinho na idade madura. Aroma complexo, profundo, elegante e persistente, um vinho que nunca mais acaba. O 2007 confirmou as impressões da prova anterior, um autêntico Rolls Royce, como já o tínhamos baptizado. Não há muito para acrescentar em relação ao que foi dito anteriormente, pelo que vale a pena repetir aqui o parágrafo que então lhe dedicámos:

“O resultado foi encantador; sentimo-nos esmagados por este vinho. Primeiro que tudo, a extrema elegância e um aroma profundo, com um ligeiro toque a caramelo e fruta adocicada. No prolongamento da prova de boca aparece a madeira muito ligeira e discreta, taninos de seda a envolverem um conjunto de grande harmonia. Finalmente surge a estrutura e persistência a dar um final longo e firme. No confronto com as costeletas de novilho mal passadas, a elegância marcou pontos com o suculento da carne enquanto a estrutura aguentou o tempero com um molho algo condimentado. Apesar de ainda jovem mostrou-se um vinho maduro e plenamente capaz para ser bebido. Poderia degustar-se por várias horas.”

Finalmente, foram chamadas à liça duas garrafas do Reserva 1996, uma das tais colheitas que os enólogos da Sogrape não rotularam como Barca Velha e que por vezes bem podiam sê-lo. Extremamente elegante, suave, macio, é um vinho em que tudo é pensado em função da finesse que se pretende obter. Com esta idade já não apresentou os traços de frescura e fruta da juventude, mas ganhou em complexidade, desenvolvendo aromas terciários que se prolongam na boca e no copo. O preço queima, mas para provar um vinho desta estirpe vale a pena, uma vez por outra, abrir um pouco mais os cordões à bolsa.

Para fechar a noite em perfeição, o bolo de aniversário foi acompanhado com champanhe Pommery, magnífico, e o prolongamento do serão fez-se à volta dum fantástico Porto Vintage da Quinta de Ervamoira.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape

Vinho: Casa Ferreirinha Reserva 1996 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado (em 2006): 39,99 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta da Leda, Vinha da Ribeira 2004 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em hipermercado: 20,71 €
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Quinta da Leda 2007 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço: 24,90 €
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Callabriga 2008 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em hipermercado: 14,68 €
Nota (0 a 10): 8,5

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