quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Caves São João - 96 Anos de História (2ª parte)

Os vinhos


    

Já devidamente acomodados todos os convidados para o evento, passou-se então ao almoço e à degustação dos vinhos escolhidos para a ocasião.

Na imagem anexa estão descritos os pratos e respectivos vinhos. O Frei João Clássico branco foi o primeiro a ser chamado à liça com o prato de entrada, mas merecerá um artigo à parte.

A grande estrela, e o mais aguardado, era naturalmente o vinho comemorativo dos 96 Anos de História: um monocasta Chardonnay de 1983, um vinho difícil de descrever tal a sua complexidade. A cor, passados todos estes anos, já ia muito para lá do âmbar, parecendo antes um vinho do Porto colheita ou um tawny velho. Acobreado, untuoso e delicado, é um branco para verdadeiros apreciadores. Fez parelha com a garoupa corada com puré de batata, mas dada a sua delicadeza e fragilidade pode perfeitamente ser apreciado a solo, onde poderá expressar melhor os seus aromas. Não vou dizer que teria facilidade em comprá-lo, pois o preço é bastante elevado: cerca de 60 €. Um valor que a raridade e a ocasião explicam.

Lá mais para a frente fomos brindados com duas surpresas: com a sobremesa veio para a mesa um Abafado Martins da Costa 1960, outra verdadeira preciosidade proveniente das caves escondida todos estes anos. Um luxo que é quase impossível classificar, a provar que é possível encontrar grandes vinhos licorosos para além das regiões mais afamadas. Outro vinho de luxo (cerca de 65 €).

Com o café avançou a já conhecida Aguardente Velhíssima de 1965, que comemora os 94 Anos de História e que já tinha sido apresentada em 2014, e mesmo para o final ainda houve tempo para um brinde às Caves São João e aos seus fundadores com o espumante bruto natural Luiz Costa 2014, produzido a partir do lote tradicional dos champanhes, Chardonnay e Pinot Noir. Um espumante na melhor tradição dos espumantes bairradinos, com personalidade e estrutura.

Durante o almoço foi ainda possível ir provando um azeite virgem da Quinta do Poço do Lobo, produzido a partir de azeitonas da cultivar Galega, de oliveiras com mais de 50 anos, mas este já não é o meu departamento pelo que me escuso a grandes comentários.

Passados estes meses, fica ainda a expectativa sobre o que irá ser o vinho comemorativo dos 97 Anos de História, que deve estar mesmo aí a aparecer. Segundo fontes bem informadas, a coisa está no segredo dos deuses mas será uma grande surpresa...

Ficamos a aguardar.

Resta, em primeiro lugar, agradecer à equipa das Caves São João o privilégio que me deram de poder estar presente nesta ocasião tão relevante para uma casa que me diz muito em termos do meu percurso como enófilo, e deixar a promessa de que numa próxima ocasião serei mais lesto a publicar as notas sobre o evento. Mas a razão principal... está no post que se segue.

Kroniketas, enófilo esclarecido

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