terça-feira, 10 de março de 2015

No meu copo 437 - Serras de Grândola: Verdelho branco 2013; Cepas Cinquentenárias tinto 2012

E de repente, donde e quando menos se esperava, surgem dois belos vinhos. Aliás, poderíamos mesmo dizer: um belo vinho e um belíssimo vinho! Foi no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno que deparei com este produtor dos arredores de Grândola, algures na serra a meio caminho entre Melides e a praia da Galé. Estamos em pleno Baixo Alentejo mas, graças às originalidades da nossa legislação, trata-se de vinhos regionais da Península de Setúbal, que se prolonga até Santiago do Cacém...

Mas, quer seja no Alentejo ou na Península de Setúbal, a casta Verdelho é uma das que dão cartas na produção de vinhos brancos. Na prova que tive oportunidade de fazer no Campo Pequeno, junto da banca do produtor, o vinho desde logo me agradou bastante, sendo uma completa surpresa, e tendo em conta as minhas origens resolvi comprar uma garrafa deste branco e uma de tinto, em parte para ajudar a divulgar um produtor praticamente desconhecido.

A prova decisiva, contudo, fez-se em casa, na companhia de um prato de peixe no forno, e a surpresa ainda mais se acentuou. Mostrou-se um vinho guloso, com excelente acidez, muita frescura, boa estrutura e final longo, daqueles de que apetece beber sempre mais um copo. E mais uma vez encontrei no copo um branco que nada tem a ver com os brancos pesados e enjoativos dum passado recente mas que já parece longínquo... A altitude e a proximidade do mar (cerca de 15 km em linha recta) contribuem decisivamente para o perfil deste vinho, mas há que dar mérito a quem o fez. O segredo para o sucesso parece ser mesmo esse: aproveitar as zonas mais frescas, próximas da costa ou em altitude, usar castas que transmitam boa acidez ao vinho, e assim se obtêm brancos de elevado nível! É assim que, mesmo na planície e no interior, a Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, ou João Portugal Ramos, em Estremoz, produzem brancos com este tipo de perfil...

Ficou-se também a saber que estamos em presença duma empresa que se dedica ao enoturismo e ficou o convite para passarmos por lá. Mas para já, o que mais me interessa é saber como voltar a adquirir este belíssimo vinho!

Depois veio o tinto, descrito como de cepas cinquentenárias. Resultante duma combinação de castas pouco usual, apresentou-se muito fresco, frutado, macio, encorpado, estruturado e persistente, com notas predominantes de fruta madura e ligeiro vegetal. Pareceu ser um bom tinto para tempos mais quentes e pratos de carne não muito pesados nem condimentados. Outra boa relação qualidade/preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada

Vinho: Serras de Grândola, Verdelho 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

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