domingo, 18 de agosto de 2013

No meu copo 332 - Quinta de Cidrô rosé 2011; Vallado, Touriga Nacional rosé 2011

Continuamos na senda dos rosés. A verdade é que, à semelhança dos brancos, também esta variedade tem vindo a melhorar claramente nos últimos anos, com cada vez mais produtores a incluírem pelo menos um rosé na sua gama de produtos. E de norte a sul eles vão aparecendo e afinando o estilo.

Felizmente, digo eu, a maioria opta pelo estilo daquilo que eu acho que deve ser um vinho rosado: leve, fresco, de preferência mais seco do que doce, moderadamente alcoólico, não demasiado estruturado, versátil de modo a poder acompanhar uma variedade alargada de pratos e petiscos, ou seja, tanto entra no campo dos tintos como dos brancos. Felizmente também, digo eu outra vez, parece dominar a tendência para escolher e tratar em conformidade na vinha as uvas que irão ser usadas para produzir um rosé, e vão perdendo terreno aqueles que são feitos de sangrias de cuba, em que se aproveita os restos das uvas que foram usadas para fazer tinto e donde saem os tais rosés que “gostariam de ser tintos quando forem grandes”...

Neste caso vamos falar de dois rosés do Douro, de duas casas cujo nome dispensa apresentações. Ambos feitos exclusivamente com Touriga Nacional, a casta considerada rainha nos tintos mas que, curiosamente, tem proporcionado alguns dos melhores rosés que já provei. E agora uma provocaçãozinha: e se, de repente, se descobrisse que a verdadeira vocação da Touriga Nacional era para fazer os melhores rosés, em vez dos melhores tintos???

Temos assim dois bons exemplares de vinho rosé por preços que valem o produto. O Quinta de Cidrô foi bebido na companhia de não particulares apreciadores do género mas recebeu bastantes elogios, o que só pode ser bom sinal. Muito equilibrado, aromático, com predominância a frutos vermelhos e algum floral, acidez no ponto certo. É um rosé de estrutura média, fresco, elegante, suave, persistente.

O Vallado, feito com a mesma casta, tem um perfil ligeiramente mais leve e mais aberto, com a cor um pouco menos carregada, a tender ligeiramente para o salmão. É proveniente de vinhas situadas na cota mais alta da quinta, permitindo assegurar frescura, acidez e um menor teor alcoólico. É suave, aberto e aromático, sobressaindo mais o floral que se impõe sobre os frutos silvestres.

Dizer de qual gostei mais é difícil, pois ambos me agradaram, cada um com o seu estilo próprio. São mais duas referências a fixar. Não deixe de experimentar um ou outro... ou ambos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro

Vinho: Quinta de Cidrô 2011 (R)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,69 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2011 (R)
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

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