quarta-feira, 18 de junho de 2014

No meu copo 388 - Pinheiro da Cruz 2004

Já há alguns anos que não bebia este vinho, e esta garrafa já repousava há bastante tempo na garrafeira. Foi uma revelação há mais de uma década, quando ainda não tinha denominação de origem e era apenas uma produção quase local.

Depois, as leis do mercado (e da rotulagem) fizeram das suas. O vinho alterou-se, modernizou-se de certa forma descaracterizou-se. Sobre isso já tivemos oportunidade de falar noutra ocasião, aquando duma outra prova.

Agora tem castas internacionais, castas da moda e ainda tem uns laivos daquilo que em tempos foi. Esta colheita foi composta por nada menos de 6-seis-6 castas! Mas não é por isso que o vinho se tornou melhor.

No caso deste exemplar, resolvi esperar pela prova do tempo para ver como se comportava. E comportou-se bem. Não decaiu, não apresentou sinais de evolução excessiva, mostrou alguma pujança que era a sua imagem de marca, embora não seja não robusto e encorpado como antes. Alguma fruta vermelha e do bosque apareceu discretamente, abrindo-se em aromas mais profundos à medida que respirava.

Enfim, foi bom matar saudades, mas não sei quando poderei repetir o acto, pois desde esta compra (realizada em 2007) não voltei a encontrá-lo. Talvez se venda à porta da prisão, ou apenas em locais selecionados. Mas tenho saudades, não deste, mas das primeiras versões, quando queria ser um vinho genuíno e não um vinho respeitador das leis do IVV ou da Comissão Vitivinícola Regional...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pinheiro da Cruz 2004 (T)
Região: Terras do Sado (Melides - Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Periquita, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,27 €
Nota (0 a 10): 7,5

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