sábado, 3 de maio de 2014

No meu copo, na minha mesa 379 - Jantar e prova Caves São João no Hotel Real Palácio (3ª parte)

Jantar vínico





Depois da pausa para refrescar e tentar libertar alguns dos vapores etílicos, passámos então à sala de jantar, onde o Politikos já esteve presente à mesa.

Para acompanhar o menu desfilaram alguns dos vinhos mais recentes das Caves São João, a começar peço recentemente lançado espumante Luis Costa bruto 2010, um lote de Pinot Noir e Chardonnay, que entrou no menu a acompanhar uma cavala alimada (ver menu completo na imagem). Apesar da composição do lote ser aquela que habitualmente predomina na região de Champagne, este espumante apareceu algo linear e simples. Suave e com bolha fina, pareceu faltar-lhe um pouco mais de estrutura e complexidade.

Seguiu-se o Quinta do Poço do Lobo branco Arinto-Chardonnay Reserva 2012. Um vinho bem estruturado e encorpado fermentado em barricas usadas que permitiram dar um ligeiro toque amadeirado e alguma estrutura mas sem marcar o vinho em demasia. Tudo em equilíbrio num branco com potencial para pratos mais fortes.

Entretanto foram-se sucedendo os pratos, como a terrina de pato e o naco de vitelão, e os tintos, como o Poço do Lobo Reserva 2011 e o Porta dos Cavaleiros Reserva Touriga Nacional 2012. Deste último tinha provado não há muito tempo uma garrafa de 2007 que estava excelente, no ponto óptimo para beber. Este de 2012 mostrou-se ainda um pouco “cru”, com os aromas pouco ligados, é claramente um vinho que precisa de tempo para crescer na garrafa, à semelhança do exemplo citado. Está vivo e irrequieto, mas pouco maduro. O Poço do Lobo Reserva 2011 apresentou-se mais estruturado e longo, mas também a precisar de garrafa.

Ainda passaram pela mesa um Poço do Lobo Cabernet Sauvignon 1999 que a princípio parecia estar cansado e ter rolha, mas deixado no copo cerca de 2 horas depois estava com uma evolução espectacular, com uma aroma enorme, grande estrutura e persistência; e um Frei João Reserva 2000, com estrutura média, suave e equilibrado.

Para os queijos e sobremesas ainda vieram um Porta dos Cavaleiros branco 1979, em garrafa magnum, ainda em muito boa forma, um Apartado 1 - Colheita Tardia 2012 e uma Aguardente Velha Grande Reserva Caves São João, mas nessa altura eu já estava KO de tanto vinho, pelo que já nem consegui provar o colheita tardia nem a aguardente...

Pelo meio disto tudo, falta referir alguns vinhos provados ao início da tarde na zona das provas livres, como dois espumantes brancos e um rosé: este mediano, bom o Quinta do Poço do Lobo e sem grande história o Caves São João; alguns brancos, como o Frei João Reserva branco 2011, bem equilibrado, e ainda o Poço do Lobo Cabernet Sauvignon tinto 1989, que estava decantado e evoluiu maravilhosamente ao longo da tarde. Muitos vinhos em tão pouco tempo...

Esta descrição não pretendeu ser exaustiva nem demasiado rigorosa, até porque se torna repetitivo estar sempre a fazer descrições muito parecidas, mas sobretudo deixar aqui uma panorâmica dos vinhos à disposição dos participantes nesta jornada. Impõe-se agradecer à Sara e ao João Quintela, da Néctar das Avenidas, que organizaram nesta ocasião o 35º jantar vínico desde a existência da garrafeira, em pouco mais de 2 anos (!!!), ao Hotel Real Palácio pelo serviço proporcionado e, naturalmente, às Caves São João por nos ter permitido provar mais uma fantástica selecção das preciosidades que tem nas suas caves.

Bem hajam!

Kroniketas, enófilo esclarecido

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