sexta-feira, 30 de maio de 2014

Na Wine O’Clock 16 - À volta do mundo com Raul Riba d’Ave



Foi um fim de tarde diferente no que respeita às provas de vinhos, pois esta partiu dum conceito pouco habitual: provar vários vinhos de diferentes países e todos com diferentes características. Viajámos de Portugal à Nova Zelândia, passando por França e Alemanha, Espanha, Itália e Argentina.
Convidado para orientar o evento enólogo Raul Riba d’Ave, que nos propôs 4 brancos e 3 tintos.

Começando naturalmente pelos brancos, o primeiro a vir à liça foi um SA Prum Solitar Trocken 2012, um Riesling da Alemanha, da região do Mosel, berço da casta e onde esta melhor expressa as suas características. Ligeiramente adocicado mas com excelente acidez, muito frutado e elegante na boca, o Riesling (para quem gosta, como é o nosso caso) no seu melhor. Foi muito apreciado pelos presentes.

Seguiu-se um Monte Tondo 2013 de Pinot Grigio, da região de Veneto, no norte de Itália, próximo dos Alpes, que se mostrou mais seco e picante na boca mas menos ácido e mais simples. Um vinho mais fácil mas menos atractivo.

Em seguida demos uma volta pela Nova Zelândia, região de Marlborough, para um monocasta Sauvignon Blanc de 2012 da Ribbonwood (uma aquisição da Sogrape nos antípodas), que se mostrou demasiado vegetal, muito marcado pelo verde da casta, que não fez as delícias dos presentes, faltando-lhe a componente mais frutada que se encontra normalmente nestes vinhos, e que está tão bem representada no Villa Maria.

Para comparar com este, passámos por França e avançou um Hubert Brochard 2013, da região de Sancerre, que se apresentou muito mais elegante e equilibrado que o antecessor, embora com os aromas algo discretos.

De realçar que nos brancos a graduação alcoólica máxima foi de 13%, tendo o Riesling apenas 11,5% de graduação e o Pinot Grigio 12,5%.

Terminados os brancos, passámos a 3 tintos, começando pela vizinha Espanha, região de Toro: um Terra D’Uro Roble 2010, com base no Tempranillo (a nossa Tinta Roriz/Aragonês). Mostrou pujança e ao mesmo tempo alguma macieza, com taninos presentes mas redondos e sem marcar demasiado o conjunto.

Em seguida Argentina onde se tem dado tão bem a já famosa Malbec, com um Crios 2012 da região de Mendoza. Criado em altitude, próximo dos Andes, numa zona semi-desértica onde anteriormente as águas do degelo eram usadas para a rega da vinha. Este mostrou os taninos mais presentes, mais seco mas com muita estrutura, para durar.

E terminámos com um tinto do Douro, um Roquette & Cazes 2011, que mostrou o perfil típico dos tintos muito concentrados do Douro, muito alcoólicos e taninosos. Algo cansativo...

No geral, e em jeito de balanço, foi uma prova muito interessante. Uns vinhos agradaram mais que outros, como é normal, e a apreciação não foi consensual em vários casos, mas teve a virtude de permitir comparar vinhos com a mesma casta em regiões muito distintas.

Kroniketas, enófilo esclarecido