sábado, 15 de março de 2014

No meu copo 370 - Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2012

Longe vão os tempos em que quase detestei este vinho. Na altura pelo que considerei boas razões, todas elas ainda válidas nas apreciações que faço dos brancos, tanto os baseados na casta Chardonnay como os fermentados em madeira...

Entretanto os tempos mudaram. Mudaram os vinhos brancos, mudou a minha matriz de apreciação após muitos tipos de brancos provados, mudaram as práticas vitícolas e enológicas. 7 anos depois e 8 colheitas depois, uma visita a um amigo permitiu-me voltar a encontrar-me com este Chardonnay da Quinta de Cidrô e, ao contrário dos meus maiores receios, fiquei bastante agradado com este vinho da colheita de 2012. Continua a ter os mesmos 14% de álcool, fermenta em madeira e repousa 6 meses sobre borras. Mas desta vez encontrei um vinho fresco, estruturado e persistente mas vivo e com boa acidez.

Sem resquícios das notas amanteigadas que tornam estes vinhos tão enjoativos (e que, vá lá saber-se porquê, alguns até parecem elogiar quando explicam como é o vinho...), não sendo um vinho fácil e mantendo um perfil com alguma robustez, já se consegue ter à mesa sem precisar de pratos pesados. Precisa, sim, de pratos com alguma estrutura e bem temperados, mas não excessivamente. A sua estrutura parece conferir-lhe uma boa capacidade de envelhecimento, e talvez daqui a uns anos se torne num vinho mais macio e suave.

Foi um reencontro feliz. Pelos vistos, mudou o vinho e mudei eu a forma de apreciá-lo. Gostei, e voltarei à carga.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2012 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço hipermercado: 7,69 €
Nota (0 a 10): 8,5


Nota: por uma feliz coincidência, a prova desta garrafa ocorreu no dia imediatamente a seguir a uma prova alargada de vinhos da Real Companhia Velha, realizada no Chafariz do Vinho, durante a qual tive oportunidade de conversar com Pedro Silva Reis (filho do administrador) e Jorge Moreira (enólogo) sobre as minhas muito antigas reservas acerca das impressões colhidas acerca deste vinho. Dessa prova, que contemplou cerca de 30 vinhos, falarei brevemente.

Sem comentários: