quarta-feira, 10 de abril de 2013

Na Wine O’Clock 12 - Quinta das Bágeiras

  

Foi a primeira oportunidade que tivemos para estar presentes numa prova da Quinta das Bágeiras, com o produtor Mário Sérgio Alves Nuno encarregue das despesas da conversa. Ausente esteve o enólogo da casa, Rui Moura Alves.

Os vinhos da Quinta das Bágeiras são daqueles que, para os apreciadores dos tintos clássicos da Bairrada, em que a Baga predomina, conseguem juntar o melhor desta casta, como aquela pujança e longevidade que confere aos vinhos, com a capacidade que têm para ser bebidos sem ter de esperar 10 anos pelo amaciar dos taninos. Estamos de certa forma na presença duma “nova Bairrada” dentro da “velha Bairrada, com produtores e enólogos a tentarem manter a identidade dos grandes vinhos da região tornando-os, contudo, mais bebíveis enquanto novos e mais acessíveis aos consumidores menos identificados com a região.

Nesta prova da Quinta das Bágeiras, o mínimo que se pode dizer é que os vinhos apresentados não deixaram os seus créditos por garrafas alheias. Estiveram em prova 2 espumantes, 3 brancos e 2 tintos.

O primeiro foi um espumante rosé bruto natural 2011, 100% de Baga. Agradável, bolha fina, muito fresco e equilibrado. Seguiu-se um espumante branco de 2004, de Bical e Maria Gomes, já com bastante evolução e aroma pronunciado a madeira, um pouco difícil de apreciar devido à oxidação evidente.

Seguiram-se os brancos Garrafeira 2011, Pai Abel 2010 e Pai Abel Chumbado 2011, este uma originalidade por ter sido chumbado na câmara de provadores da Comissão Vitivinícola Regional da Bairrada, e como tal não tem direito à denominação de origem. E a originalidade ainda é maior porque o vinho é excelente, como aliás os dois antecessores. Estes são brancos a sério, que se apreciam e se bebem e acompanham refeições, sem terem de estar carregados de madeira e a quererem imitar tintos… Todos aqueles que nos querem impingir tintos robustos chamando-lhes “de inverno” ou “para carne”, aprendam como se faz... O Garrafeira é feito a partir de vinhas velhas e fermentado em madeira mas muito equilibrado, persistente, cheio e estruturado.

Finalmente, dois grandes tintos. O Garrafeira 2008 é um clássico, 100% Baga, um vinho que nunca mais acaba, e não deve haver apreciador da Baga e da Bairrada que não o conheça. Mas a maior revelação foi o Reserva 2010, que por metade do preço daquele se revelou um vinho extraordinário, com uma intensidade aromática fantástica e a prova na boca a confirmar as excelentes impressões do nariz. Fermenta em lagares e estagia 18 meses em tonel. É potente mas bebível desde já, um vinho muito bem trabalhado e considerado pela generalidade dos presentes como a melhor relação qualidade-preço dos vinhos presentes.
Em resumo, foi uma prova de grandes vinhos e uma confirmação do excelente trabalho que está a ser feito na Bairrada para recolocar a região no patamar de excelência onde deve estar.

Parabéns ao produtor e ao enólogo, e que continuem a fazer belos vinhos como estes.

Resta acrescentar que a excelência da prova mereceu da nossa parte (como habitualmente o Politikos foi meu acompanhante na prova) a aquisição quer do Garrafeira para o grupo dos comensais do costume, quer de alguns exemplares do Reserva para as nossas garrafeiras particulares.

Kroniketas, enófilo bairradino convicto e amigo da Baga

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