quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Na Wine O’Clock 10 - Vinhos Niepoort

Ainda antes do Natal tivemos mais uma prova da Niepoort, já um clássico nesta época do ano com a apresentação das novidades, mais uma vez com a presença do enólogo Luís Seabra.

Excelente comunicador, sem pejo de dar a sua opinião sobre as vantagens e desvantagens acerca de certos métodos utilizados na enologia, nem sequer se inibindo de confessar que não é adepto da omnipresente Touriga Nacional, conversando sobre a filosofia da Niepoort na escolha do perfil dos vinhos, Luís Seabra ajuda a tornar a prova de vinhos numa tertúlia em que se fala um pouco de tudo e em que o público é quase impelido a fazer perguntas.

Segundo as palavras do próprio, foram apresentados os vinhos da gama clássica da Niepoort, uma vez que a gama é já tão vasta que torna impossível trazer para a prova tudo o que existe.

Assim, começámos por provar os brancos Tiara, Redoma e Redoma Reserva. Como habitualmente, e confirmando as impressões colhidas há uns anos no inesquecível jantar no Jacinto, o Tiara apresenta um perfil mais jovem e irreverente, enquanto o Redoma é um branco mais clássico, mais feito para a mesa e pratos com alguma consistência, sendo o Redoma Reserva feito para durar um pouco mais e também mais marcado pela madeira que o colheita.

Nos tintos tivemos Vertente, Redoma, Batuta, Charme e Robustus. O Vertente mantém o seu perfil mais simples e linear, o Redoma, à semelhança do branco, mais consistente e amigo da mesa, sendo o Batuta, o Charme e o Robustus os pesos pesados deste painel. O Batuta é um vinho fantástico de persistência e complexidade, enquanto o Charme é o contraste, um primor de elegância e finesse, aparecendo aqui o Robustus como aquele que apresenta maior “solidez” (se é que esta expressão pode ser aplicada a um líquido...), um vinho com mais corpo e estrutura.

Enfim, no conjunto, esta prova não trouxe propriamente grandes surpresas, antes serviu para confirmar tudo aquilo que se esperava dos vinhos apresentados. De destacar, contudo, um rumo claro adoptado pela Niepoort nitidamente em contraciclo com a maioria dos vinhos actuais - e em particular no Douro - em que se aposta na pujança, na sobrematuração e em elevados graus alcoólicos. A Niepoort, pelo contrário, seguindo o lema de Dirk Niepoort de que “menos é mais”, aposta na elegância, na suavidade, na complexidade e longevidade dos seus vinhos. Quase todos se situam na casa dos 13 ou 13,5 graus de álcool (felizmente, digo eu), pelo que ao bebê-los estamos a beber vinhos e não bombas de fruta e de álcool que tudo abafam.

Bem haja, Dirk Niepoort e toda a equipa que o acompanha. Que continuem a brindar-nos com excelentes vinhos por muitos e bons anos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

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