sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

No meu copo 232 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 1997 e 1999

E como estamos numa onda de regressos, eis aqui outra repetição. A última prova da colheita de 1999 tinha sido colocada pelo tuguinho há uns dois anos, quando ele ainda escrevia uns posts para este blog. Daí para cá já tive oportunidade de provar outras colheitas, mais recentes e mais antigas, a última há cerca de um ano. Mas como este vinho, tal como o do post anterior, é um daqueles que tenho sempre em stock, as colheitas vão-se juntando na garrafeira e os vinhos vão ficando por ali à espera de serem lembrados.

Assim sendo, depois do Quatro Castas resolvi ir revisitar o Garrafeira dos Sócios da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz. Não é novidade nenhuma dizer que quanto mais tempo esperamos para consumir um vinho maior é a probabilidade de termos uma surpresa desagradável. Felizmente não tenho tido tantas como receava, embora por vezes o azar bata à porta. Mas quando a surpresa é boa, sentimo-nos recompensados pela espera e ultimamente o deus Baco tem-me presenteado com alguns néctares deliciosos que só têm dado razão às vozes que, cada vez mais, se levantam contra a febre da venda e do consumo dos vinhos acabados de fazer (voltarei a este tema no próximo post).

Já contei na última prova a história da nossa relação com este vinho, um caso de verdadeira paixão. E esta prova da colheita de 99 não defraudou: estava lá tudo, e também aqui parece que o tempo em garrafa, ao invés de o fazer decair, o fez melhorar e lhe deu um vigor rejuvenescido. Continua com as características de que sempre gostei nele mas mantém-se vivo na boca, prolongado e aveludado.

Posteriormente a esta prova houve a oportunidade de beber, no restaurante O Ganhão, uma garrafa de litro e meio da colheita de 97. Para isso juntámos o núcleo duro dos Comensais Dionisíacos, tendo reservado previamente a dita garrafa. O resultado não defraudou minimamente as expectativas. Apresentou uma cor acastanhada a denotar a evolução já evidente, mas desta vez não achámos necessário decantá-lo, porque os aromas iniciais se apresentaram totalmente limpos, sem qualquer vestígio de mofo, e tal como tinha acontecido há um ano com o de 96 no restaurante A Gruta, em Portalegre, à medida que foi arejando os aromas foram-se libertando e toda a macieza e o aveludado que sempre esperamos aí estavam a marcar presença. Já não apresentava a mesma vivacidade do de 99, mas para um vinho com esta idade a saúde estava notável.

Após estas três últimas provas (estas duas e o Quatro Castas) fiquei com a sensação de ter provado três vinhos que estavam na idade adulta. É certo que já não se espera que possam melhorar, mas se não os tivesse deixado repousar durante todos estes anos (o Quatro Castas, comprado com 3 anos de idade, esperou 4 anos depois da compra e o Garrafeira dos Sócios 99, comprado com 4 anos, esperou 5) e não tivesse referenciado aquela garrafa magnum de 97 no Ganhão, teria agora o prazer de desfrutar de três vinhos verdadeiramente maduros e completos?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 11,95 €

Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1997 (T) (garrafa de 1,5 L)
Grau alcoólico: 13%
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1999 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Nota (0 a 10): 8,5

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