quinta-feira, 17 de maio de 2007

Prova à Quinta - O sexto



Cabernet Sauvignon portugueses


Para este desafio aqui lançado há duas semanas, as Krónikas Viníkolas foram às garrafeiras vasculhar o que havia de Cabernet Sauvignon, escolheram, escolheram, foram às várias regiões, reuniram e provaram não um, não dois, não três, mas quatro vinhos, a saber:

- Cabernet Sauvignon do Esporão 1998, do Alentejo
- Quinta do Poço do Lobo 1991, da Bairrada
- Fiúza Cabernet Sauvignon 2004, do Ribatejo
- Caves Velhas Cabernet Sauvignon 2000, da Estremadura

Estes vinhos representam as regiões onde têm sido feitos monovarietais de Cabernet com maior regularidade, faltando apenas os de Terras do Sado. Tivemos três vinhos já com alguma idade e um mais recente. De fora ficaram o Casa Cadaval de 1999 e o Quinta de Pancas de 2001, por já terem sido feitas provas de exemplares desses vinhos, e para não ficarmos completamente embriagados no final...

Cabernet Sauvignon (Esporão) 1998
Começámos pelo Cabernet Sauvignon do Esporão. Apresentou-se macio, muito bem integrado e com aroma a frutos secos. A madeira estava bem casada no aroma e sem excessos, com um ligeiro fumado. Na boca mostrou um fundo de frutos muito maduros, ainda alguma adstringência e fim de boca prolongado e suave. Não se nota o álcool e a acidez está correcta. Um vinho com bom corpo, sendo já do ano de 1998.

Quinta do Poço do Lobo, Cabernet Sauvignon 1991
Este vinho foi comprado numa das feiras mais recentes, apesar da idade, e com o único intuito de ver como estaria um vinho desta casta com esta idade. Foi decantado cerca de uma hora antes da refeição e vertido para o copo com uns minutos de antecedência, para que pudesse abrir mais. Apesar de denotar a idade, mostrou estrutura e sabor ainda agradável, embora já não no seu auge. De cor granada escura, foi uma boa experiência, embora em circunstâncias normais já se devesse ter bebido.

Fiúza, Cabernet Sauvignon 2004
O Fiúza presenteou-nos com um aroma agressivo no bom sentido (pujante) e um fundo de erva fresca muito agradável. A boca estava no ponto, com alguns taninos e, se bem que curto, o fim de boca mostrou-se saboroso e com um ataque forte.
Ao fim de uma hora, como seria de esperar, estava muito mais macio, sem a tal agressividade inicial. Bom corpo. Bebeu-se o que restou no almoço do dia seguinte (esteve devidamente rolhado com rolha de vácuo) e mostrou-se algo decaído.

Caves Velhas, Cabernet Sauvignon 2000
Para o fim ficou o Caves Velhas de 2000, um dos melhores na prova. Aroma muito fumado, com fundo vegetal omnipresente mas sem subjugar os outros odores e uma cor rubi muito agradável.
Sabor a couro e vegetal, macio na boca mas persistente, com uma adstringência suave. Fim de boca longo com fundo de frutos secos. Mediano de corpo. Ao contrário do Fiúza, no dia seguinte mostrou-se ainda melhor.

Em conclusão, tivemos vinhos com algumas semelhanças devido à casta e até devido à idade algo avançada que lhes retirou alguma vivacidade, mas com perfis um pouco diferentes. Os mais equilibrados foram o do Esporão e o das Caves Velhas, com um bom balanço entre a acidez, o corpo e os aromas. O Poço do Lobo mostrou-se algo cansado e o Fiúza, embora vivo e mais exuberante que os outros, acabou por mostrar algum excesso de álcool, conquanto não chegasse a desequilibrar o vinho.

No conjunto, o do Esporão confirmou aquilo que se esperava dele, com um frutado ainda marcante e um belo corpo, sem dar sinais de exagero na componente vegetal, mais presente no Fiúza. De todo o modo, não se notou qualquer predominância dos famigerados pimentos verdes, que como diz o Copo de 3 parecem ensombrar os vinhos desta casta e parecem também tomar conta do imaginário dos enófilos. Como dissemos num comentário no post onde lançámos o desafio, um vinho bem feito não deve saber a pimentos verdes, senão algo está mal. Nesse aspecto, o Cabernet do Esporão, que entretanto deixou de ser feito, pede meças a qualquer outro, pois sempre teve uma predominância a frutos secos e vermelhos muito bem integrada com a madeira, com uma acidez correcta e um grau alcoólico moderado.

É pena que os caríssimos eno-bloguistas já não o possam provar (a não ser que ainda haja à venda nalgum sítio esquecido, ou na Herdade do Esporão), pois aqueles que não gostam desta casta talvez mudassem de opinião. Nós conhecemos este vinho desde o seu lançamento, com a colheita de 1991, e acompanhámo-lo até ao fim, já em garrafas de meio-litro. As últimas sete, desta colheita de 1998, foram compradas numa garrafeira da Praia da Rocha, em 2003, a 11 € cada uma. Ainda nos restam 2, para saborear os últimos prazeres.

Em conclusão, se esta casta é plantada em todo o mundo por alguma razão há-de ser. E para encontrar bons exemplares, mesmo portugueses, só há que procurá-los.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados e esclarecidos

Vinho: Cabernet Sauvignon (Esporão) 1998 (T) (garrafa de ½ litro)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 13%
Preço: 11,37 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta do Poço do Lobo, Cabernet Sauvignon 1991 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Preço em feira de vinhos: 4,35 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon 2004 (T)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 14,5%
Preço em feira de vinhos: 3,92 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Caves Velhas, Cabernet Sauvignon 2000 (T)
Região: Estremadura
Produtor: Caves Velhas - Enoport
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 4,81 €
Nota (0 a 10): 7,5

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