quinta-feira, 25 de maio de 2006

No meu copo 46 - Porto Ramos Pinto LBV 1998

Como já devem ter reparado (ou não...), ainda não escrevi uma única vez sobre vinho do Porto neste blog. Por uma simples razão: não sou grande conhecedor do género, nem sequer me considero um grande apreciador, porque são raras as vezes em que o bebo. A minha experiência ao longo dos anos com o vinho do Porto, na maior parte dos casos, resumia-se a provar uns cálices do mais vulgar Tawny que não me cativava por aí além, deixando-me aliás intrigado acerca dos motivos que levavam a que fosse tão apreciado e elogiado. Só quando tive oportunidade de provar alguns Vintage e LBV (Late Bottled Vintage, um vinho de engarrafamento tardio, ao contrário do Vintage que é engarrafado no ano da colheita), me apercebi de que há ali qualquer coisa de diferente e de qualidade superior.

Recentemente, um repasto caseiro pôs-nos em contacto com um Vintage da Real Companhia Velha. Há pouco mais de um mês, a visita à Quinta de Ervamoira despertou-me a atenção para o que se faz de Porto, porque é uma das produções daquela quinta, donde também saem uvas para um vinho de mesa, o Duas Quintas.

Daí para cá tenho vindo a espreitar para as prateleiras de vinhos do Porto nos supermercados, coisa que antes era raro. Há dias, um jantar em casa de amigos serviu como oportunidade para levar um LBV precisamente da Ramos Pinto. A escolha não foi casual, teve justamente como objectivo poder apreciar um néctar de Porto daquela casa. O Vintage ficará para outra ocasião.

Tanto o LBV como o Vintage têm um carácter completamente diferente do Tawny mais comum. Para melhor, claro. Este tinha um ligeiro toque adocicado, sem ser em excesso, e apesar de já ter oito anos de idade (sendo um LBV foi engarrafado em 2002) denotou alguma frescura e ainda juventude, o que me leva a pensar que poderá melhorar na garrafa durante mais alguns anos.

Como não tenho grandes pontos de referência acerca deste tipo de vinho nem nenhuma memória recente que sirva como comparação, apenas posso dizer que é um vinho que se bebe com agrado e melhora algum tempo depois de se ter aberto a garrafa. Custou em hipermercado 15,99 €, o que me parece um preço razoável para o género. Mais apreciações acerca de vinhos do Porto deixo-as para o tuguinho, e creio que o Pólis, bebedor frequente do género, poderá dar algumas achegas a este respeito.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porto Ramos Pinto LBV 1998
Região: Douro/Porto
Produtor: Ramos Pinto
Preço em hipermercado: 15,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

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