
Desta vez houve o tempo e o cuidado para decantar as duas garrafitas, pois um vinho com esta idade já tem os aromas fechados há muito tempo, o que se revelou plenamente avisado pois assim evitou-se o despejar para dentro dos copos do depósito entretanto formado.
Como era de esperar, nenhum deles nos desiludiu, até porque também no Esporão só se sabe fazer bom vinho.
São ambos muitos encorpados, de grau alcoólico elevado mas com uma acidez correctíssima que disfarça completamente a eventual agressividade do álcool. Aromas exuberantes e uma estrutura que nos enche a boca e fica lá. O Trincadeira é mais suave, mais aveludado, um pouco mais delicado, enquanto o Aragonês, como é típico no Esporão, é mais robusto, mais vivo, com os taninos mais presentes.
Estamos a falar duma colheita que já foi ultrapassada pelo tempo, pois agora estão no mercado as colheitas de 2002 e 2003, mas o perfil destes vinhos mantém-se. O passar dos anos apenas os amacia mas não os deturpa. São vinhos acima dos 10 euros, mas são dos tais em que vale a pena não olhar para o preço. Naturalmente, têm lugar cativo nas nossas escolhas e presença obrigatória na nossa garrafeira.
Para quem quer brilhar com o vinho que leva à mesa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Vinho: Aragonês 1998 (T) (garrafa de ½ litro)
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Trincadeira 1998 (T) (garrafa de ½ litro)
Casta: Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 10,95 €
Nota (0 a 10): 8
Fotos das garrafas obtidas no site do produtor
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