terça-feira, 3 de janeiro de 2006

No meu copo 6 - Os varietais de João Portugal Ramos

João Portugal Ramos é um nome que nos últimos anos se tornou uma referência no panorama vinícola nacional, e no Alentejo em particular. Começando por ser enólogo de várias empresas, acabou por criar em Estremoz a sua própria produção donde saem actualmente alguns dos melhores vinhos alentejanos, e mesmo do país. À semelhança do que acontece com alguns dos grandes nomes que nas Krónikas Viníkolas consideramos garantias de qualidade (como a Sogrape, a Ramos Pinto e a Herdade do Esporão), alguns vinhos de João Portugal Ramos também já entram nesse lote, como é o caso do Marquês de Borba.

Na época festiva que agora terminou, houve aniversário comemorado com um jantar de fondue e bife na pedra. Para acompanhar as carnes foram escolhidos os 4 vinhos varietais (ou monocasta, como preferirem) de João Portugal Ramos: Aragonês, Trincadeira, Tinta Caiada e Syrah. Sendo alentejanos, o seu carácter encorpado e elevado grau alcoólico (entre 14 e 14,5º) garantiam, à partida, pujança suficiente para suportar os fritos e grelhados, bem como os molhos de acompanhamento.

E o que se pode dizer de quatro vinhos provados de seguida? Não defraudaram as expectativas dos comensais, embora se possam estabelecer algumas diferenças significativas entre eles. Todas as garrafas foram abertas com alguma antecedência, de forma a permitir aos vinhos arejar um pouco antes de serem bebidos.

No meu caso, o que mais me agradou foi o Trincadeira (de 2002), o mais bem estruturado e mais pujante na prova, com um toque de especiarias que lhe confere uma vivacidade muito interessante e presença de madeira quanto baste para não se tornar excessiva. Parece estar ainda apto a durar algum tempo na garrafa, embora com os vinhos alentejanos não se deva exagerar no tempo de guarda (2 ou 3 anos depois da compra já é bom).

Logo a seguir o Aragonês (de 2001), que segue a linha do seu parceiro, embora estivesse um pouco mais macio, talvez por já estar aberto há mais tempo.

O Tinta Caiada (de 2001) foi o primeiro a ser bebido, tendo-se mostrado bastante suave e já pronto para ser bebido, não me parecendo estar vocacionado para guardar muito mais tempo.

Finalmente o Syrah (de 2001), o último a ser bebido, que me causou uma sensação que já anteriormente tinha sentido com uma garrafa da mesma casta proveniente da Herdade do Esporão: achei-o muito delgado de corpo, com final curto e parco de aroma. Não sei se o Syrah se dá mal com outras provas e tem que ser apreciado isoladamente, ou se é a casta que perde força no Alentejo, porque na Estremadura, por exemplo, encontram-se vinhos bastante adstringentes e até difíceis de beber, num contraste absoluto com o que agora encontramos nestas variedades alentejanas. Por tudo isto, o Syrah foi o que menos agradou e, embora não se possa considerar um mau vinho, para a mesma gama de preços fica a perder para os seus irmãos das outras variedades.

Em resumo, fazendo jus à tradição alentejana, as castas habituais Aragonês e Trincadeira parecem continuar a dar cartas e marcar a sua importância na feitura dos vinhos da região. Tanto se portam bem sozinhas como acompanhadas, não sendo por acaso que quase todos os vinhos alentejanos denotam a presença de, pelo menos, uma delas. Estes monocasta são ideais para acompanhar pratos de carne bem temperados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos

Vinho: João Portugal Ramos, Aragonês 2001 (T)
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: João Portugal Ramos, Trincadeira 2002 (T)
Casta: Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 9,35 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: João Portugal Ramos, Tinta Caiada 2001 (T)
Casta: Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 9,22 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Vinho: João Portugal Ramos, Syrah 2001 (T)
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 11,22 €
Nota (0 a 10): 6

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