quinta-feira, 3 de maio de 2018

Bairrada@LX – 2ª edição




Decorreu no passado dia 10 de Março de 2018 no Mercado da Ribeira, ao Cais do Sodré, em Lisboa, a 2ª edição do Bairrada@LX, um evento que pretende trazer à capital o melhor que se faz naquela tão tradicional região vitivinícola do país – uma das mais antigas, demarcada desde 1979.

A primeira edição tinha decorrido em 2015, e nesta segunda edição “a aposta foi num evento com um número restrito de produtores (20), a ter lugar num espaço maior e com excelentes acessos. Comodidade e conforto foram palavras de ordem para nós! Somos acérrimos frequentadores deste tipo de eventos e sabíamos o que queríamos e o que tínhamos que evitar. São vinte os projectos vínicos presentes é fundamental que os visitantes circulem à vontade, possam conversar com os produtores, conhecendo as suas histórias, e provar os seus vinhos sem constrangimentos. Isto aliado à degustação de sabores da Bairrada”, afirmou Ema Martins, porta-voz da Eira na Beira, empresa que organizou o certame e contou com o apoio da Comissão Vitivinícola da Bairrada.

Da press release enviada aos media constavam os nomes dos seguintes produtores:

• Adega de Cantanhede
• Ataíde Semedo
• Campolargo
• Carvalheira Wine Creators
• Casa de Saima
• Casa do Canto
• Caves Messias
• Caves São Domingos
• Caves São João
• Filipa Pato
• Kompassus
• Luís Pato
• LusoVini
• Quinta das Bágeiras
• Quinta de Baixo
• Quinta do Ortigão
• Rama & Selas
• Sidónio de Sousa
• Vadio
• VPuro


Dentro do tempo disponível para percorrer o espaço, foi possível ficar a conhecer algumas novidades muito interessantes, a começar pelos brancos e espumantes Luís Pato e Kompassus. Destaque para o novo 97 Anos de História das Caves São João, o mais recente lançamento das edições anuais a caminho do centenário e que se mostrou com muito tempo de vida pela frente, com grande robustez mas com aquela elegância que as Caves São João conseguem imprimir aos seus vinhos.

Destaque também para os vinhos Carvalheira Wine Creators, vinhos a solo do enólogo das caves, José Carvalheira, com perfil mais irreverente e a fugir ao clássico e com nomes alusivos às estações do ano e fases da lua: Hibernum, Ante Aequiontium, etc. Vinhos para explorar noutras ocasiões, com mais tempo e paciência, que normalmente não se compadecem com este tipo de eventos. Debaixo de olho ficou o Vigesimum Grande Reserva, que assinala a 20ª colheita do enólogo em nome próprio.

Passagem pelas Caves Messias, Rama & Selas, Quinta do Ortigão, sempre uma referência nos espumantes, Campolargo, Adega de Cantanhede (um nome em ascensão), Filipa Pato e, claro, pelo imperdível Quinta das Bágeiras Garrafeira tinto, com o Avô Fausto a fazer companhia.

Não deu para provar tudo, nem para assistir às conversas curtas que decorriam a intervalos mais ou menos regulares, mas deu para confirmar o que eu já sabia (e todos os fãs da Bairrada sabiam): que os vinhos bairradinos não ficam a dever nada aos de nenhuma outra região do país em qualidade e longevidade, mas não são para toda a gente apreciar num único trago. São vinhos para descobrir, explorar, compreender, saborear, e principalmente dar tempo para mostrarem tudo o que têm.

Pela minha parte, como fã desde sempre da Bairrada, não fazendo parte de nenhuma confraria nem de nenhum grupo de Bairrada winelovers ou Baga friends, continuarei sempre a divulgar aqui tudo o que de bom a Bairrada tem para oferecer aos enófilos, e manter-me-ei fiel a este meu princípio: quem nunca provou vinhos velhos da Bairrada não sabe o que está a perder.

Para os que ainda não estão convencidos pelos vinhos da Bairrada, este tipo de certame, à semelhança do Dão Capital (não confundir com o Bairradão, que é uma organização da garrafeira Néctar das Avenidas que junta as duas regiões e vai decorrer já no final da próxima semana), é uma excelente oportunidade para conhecer o que há, desde que vão sem preconceitos, de mente e sentidos abertos. Se começarem logo por “eu só gosto de tintos”, “eu só gosto de vinhos novos”, “eu só gosto de Douro e Alentejo”, “eu não gosto de espumantes”... então esqueçam, e nem vale a pena aparecer lá.

Kroniketas, bairradino indefectível

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