sábado, 4 de novembro de 2017

No meu copo 628 - Frei João Clássico branco 2015

Eis que chega, finalmente, o tão ansiado (pelo autor) post acerca do Frei João Clássico branco, o primeiro vinho das Caves São João com esta designação.

A menção no rótulo da palavra “Clássico” obedece a um conjunto de requisitos fixados por diploma legal que seria descabido reproduzir. Quem estiver interessado nos detalhes pode procurar a Portaria n.º 212/2014, Diário da República n.º 198/2014, Série I de 2014-10-14.

Como pontos mais importantes destacam-se a necessidade de, para os vinhos brancos, haver um estágio mínimo de 12 meses, sendo obrigatoriamente 6 deles em garrafa, e o teor alcoólico mínimo ser de 12% (para os tintos aqueles valores são de 30 meses, dos quais 12 em garrafa, e 12,5% de álcool).

Esta categoria pretende, no fim de contas, realçar o que se faz de mais autêntico na região e que melhor representa a identidade da Bairrada (salvaguardadas as devidas diferenças, mas será um pouco um critério como o que levou à instituição da designação Nobre no Dão, embora aí a sua atribuição dependa da classificação obtida na câmara de provadores).

Nota: mais sobre a categoria Bairrada Clássico em Joli - Wine & Food Activist.

Provado pela primeira vez no evento de apresentação do vinho comemorativo dos 96 Anos de História das Caves São João, já mencionado nos dois posts anteriores (aqui e aqui), este Frei João Clássico branco, embora tenha sido provado durante o almoço, deixou-me com uma curiosidade muito particular por uma nova prova, pois mostrou-se diferente de tudo o que já tinha bebido destas caves.

Passaram-se os meses, outros vinhos foram provados e o Frei João Clássico ficou à espera. As notas sobre o evento também. Quando dei por mim já estávamos novamente no Outono, e foi aí que fui saber onde poderia adquiri-lo. Não foi difícil, dada a estreita parceria que a Garrafeira Néctar das Avenidas tem com as Caves São João, o que já me permitiu adquirir mais algumas antiguidades.

Até que, finalmente em frente à dita garrafa, preparei-me para a grande prova, que decorreu em 3 refeições diferentes com 3 pratos diferentes.

Na cor não há grande surpresa: é um amarelo palha claro. Não muito carregado. No aroma não é muito exuberante, mostrando-se algo contido, com algumas notas florais e com ligeira mineralidade. Fermentou e estagiou em barrica usada, mas esta não aparece no aroma de forma impositiva, antes se poderia pensar que não está lá. Apenas serviu, pelo que se percebe melhor na prova de boca, para envolver e ligar o conjunto. É aí, na boca, que o vinho se expressa na plenitude. De uma primeira impressão para um vinho discreto e de certa forma austero, nos tragos seguintes encontramos um vinho vigoroso, vibrante, bem estruturado, que apetece beber mais. A sua acidez discreta dá-lhe uma frescura cativante e um final longo e guloso. “Que belo vinho!”, exclamei várias vezes ao longo da primeira refeição.

Está de parabéns a equipa das Caves São João que produziu este Clássico: para um branco era difícil começar melhor. Parabéns em especial ao enólogo José Carvalheira, um homem que aparece perante nós com a mesma discrição que os “seus” vinhos nos apresentam e que só depois de devidamente descobertos nos mostram todo o seu potencial. Se os vinhos forem a cara do enólogo, aqui está um belo exemplo.

Excelente trabalho e parabéns. Venha o próximo Clássico, porque deste já há outra garrafa à espera de ser bebida! E com vinhos como este, definitivamente as Caves São João estão no... Bom Caminho (à suivre).

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João Clássico 2015 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Castas: Cercial, Bical
Preço: 15 €
Nota (0 a 10): 8,5

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