quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Pequenos Rebentos - Com o enólogo Márcio Lopes




Nas últimas semanas o tempo disponível não tem permitido haver disponibilidade suficiente para reportar os vários eventos em que estive presente desde Maio. Já lá vai algum tempo, mas nunca é tarde para pôr a escrita em dia. Vamos tentar fazê-lo agora durante as férias, pois há pelo menos cinco eventos importantes para relatar:

- A prova de vinhos “Pequenos rebentos”
- O 5º Festival do Vinho do Douro Superior, em Vila Nova de Foz Côa
- O 3º Bairradão em Lisboa
- Visita à Quinta de Pancas
- Dão Capital

Vamos publicar alguns apontamentos sobre estes eventos por ordem cronológica, começando, assim, pela prova de vinhos “Pequenos rebentos”.

Esta decorreu no dia 7 de Maio no restaurante “A Tendinha”, em Mem Martins, com a presença do enólogo Márcio Lopes e dum conjunto de bloggers dedicados a estas coisas do vinho.

Natural do Porto, este jovem enólogo colaborou com Anselmo Mendes na criação do Curtimenta há cerca de uma década. Em 2010 criou o projecto Pequenos Rebentos na região dos Vinhos Verdes, sub-região de Monção e Melgaço.

A prova começou com uma apresentação por parte do enólogo da linha orientadora dos seus vinhos, seguindo-se a prova das várias marcas disponíveis. Só depois da prova se passou ao almoço, onde então pudemos degustar todos os vinhos à nossa vontade e sem ordem pré-estabelecida.

Pudemos provar uma amostra de cuba de Pequenos Rebentos Alvarinho 2015, que incorpora cerca de 5% de Trajadura. Foram produzidas 10.000 garrafas deste vinho leve, fresco e claramente vocacionado para o Verão, um vinho fácil de beber. Preço de venda: 4,50 €.

Seguiu-se uma vertical de Pequenos Rebentos 100% Alvarinho. Provou-se o 2014, 2013, 2012 e 2011. Houve disparidade de opiniões, como é normal. O 2014 apresentou boa acidez, bom corpo, aroma intenso e persistência. Menos vivo o 2013, algo mortiço, ao contrário do 2012, bem mais vivo e com sinais de alguma evolução. O 2011 apresentou-se bem estruturado e persistente, o que mostrou que aguentou bem o tempo em garrafa. PVP: 8,50 €.

Seguiu-se um 4 Barricas Alvarinho 2015 em amostra de casco. Um ligeiro toque a madeira, não demasiado marcada. PVP: 15 €.

Depois veio um rosé de que foram apenas produzidos 265 litros. Um palhete, resultante de mistura de branco e tinto, produzido na zona de Meda, no Douro Superior, com Viosinho, Rabigato e um ligeiro toque de Sousão. De cor muito aberta e desmaiada, leve e suave.

Seguiram-se os vinhos de uma linha mais estruturada. O Permitido branco 2015, em amostra de barrica, produzido no Douro apenas com Rabigato. Estruturado, persistente e aromático, esteve excelente ao almoço a acompanhar o prato de peixe.

Finalmente um tinto, o Proibido Reserva 2012, um tinto típico do Douro, com 14,5% de álcool, ainda muito áspero e agressivo, claramente a precisar de tempo em garrafa para amaciar. Provou-se também uma amostra de barrica do 2013, com 15,5% de álcool! Mais intenso de aroma, mais demasiado impositivo. PVP: 28 a 30 €.

Passando ao almoço, foram-nos então servidas algumas iguarias que estavam excelentes: uma entrada de salada de abacate com lavagante e molho cocktail, perfeita para os verdes de Alvarinho mais aromáticos. No prato de peixe tivemos garoupa com amêijoas e molho à Bulhão Pato, deliciosa. Seguiu-se o prato de carne com medalhão de vitela com batata assada e esparregado, que deu alguma luta aos tintos, e finalmente para sobremesa houve trouxa de ovos com gelado de limão, igualmente excelente.

Foi uma boa jornada, da qual saímos já para lá das 16 h, bem servidos e satisfeitos. Boa prova com bons vinhos, e é de realçar a simpatia de Márcio Lopes e o bom convívio que nos proporcionou. Igualmente de destacar a excelente refeição servida pela Tendinha, um restaurante a ter em conta e onde já tinha estado na minha primeira presença no Bloggers Challenge.

Ficam assim os nossos agradecimentos ao enólogo e ao restaurante por esta oportunidade. A Márcio Lopes, em particular, um obrigado pelo convite e os desejos de que os seus vinhos tenham um bom futuro. No caso dos verdes, que são o coração do projecto, parece-me que têm pernas para andar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: As fotos das garrafas aqui mostradas são da autoria do blogger Carlos Janeiro, do blog Comer, Beber e Lazer, com os devidos créditos, e a quem presto a devida vénia pelo trabalho de fotografia que sempre realiza nestes eventos.

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