terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Na GN Cellar 6 - Malmsey’s Blandy’s



Temos aqui uma prova vertical de vinhos da Madeira, realizada no passado mês de Dezembro na GN Cellar, contada na primeira pessoa pelo Politikos.

Aproveitando uma ida forçada à Baixa, decidi-me a rumar à Garrafeira Nacional, na Rua da Conceição, para a prova vertical dos vinhos da Madeira Blandy’s, na qual se degustaram seis vinhos, a saber:

  • Malmsey (ou Malvasia), antes do Canteiro
  • Blandy’s Malmsey 5 anos
  • Blandy’s Malmsey 10 anos
  • Blandy’s Malmsey 15 anos
  • Blandy’s Malmsey Colheita 1996
  • Blandy’s Malmsey Colheita 1988

Como cheguei tarde, já apanhei a prova no terceiro vinho, o 10 anos, o que não foi necessariamente mau, pois permitiu-me descer ao 5 anos e depois ao vinho de base, antes do chamado «Canteiro», o método tradicional de envelhecimento dos Madeira, percepcionando as diferenças, e depois voltar a subir...

A prova foi apresentada pelo enólogo da Blandy’s, Francisco Albuquerque, que de forma sabedora, pedagógica e paciente, a soube conduzir, mostrando-se sempre disponível para responder às perguntas da assistência.

Foi uma experiência muito gratificante percepcionar o trajecto ascensional dos vinhos no que se refere à intensidade aromática e gustativa... O salto do vinho de base – delgado e ainda sem o carácter dos Madeira – para o 5 anos é muito notório… Como notória é a diferença entre os 5, 10 e 15 anos e os Colheitas… Dentro das respectivas categorias, os vinhos mantêm o perfil característico da casta, terroir, local e método de envelhecimento, mas progridem em intensidade, mais até do que no corpo ou na complexidade… Achei alguma diferença no último, mais delicado, e que foi mesmo apelidado de Vintage por Francisco Albuquerque, uma curiosa apropriação pelos Madeira de um termo característico do vinho do Porto, indicador de um vinho de excepcional qualidade e reconhecível para o mercado… Diga-se, aliás, que o perfil dos Madeira 5, 10 e 15 anos é, grosso modo, equivalente aos nos Portos, e o dos Colheita aos seus homónimos no Douro (a que acresce os LBV e Vintage)… E nesta viagem, quando se pensa que já se está a beber um vinho óptimo, ainda vem um excelente, e depois deste um sublime... Que foi o que aconteceu com aquele Colheita 1988 que obteve recentemente um Gold Outstanding no International Wine and Spirit Competition (IWSC), um dos mais antigos concursos do Reino Unido, o que também se reflecte no custo: 281€ a garrafa!

Três (para mim) novidades: o vinho antes do estágio em Canteiro – designação que provém do facto de se colocarem as pipas sobre suportes de madeira, denominados canteiros, normalmente nos pisos mais elevados dos armazéns e onde as temperaturas são mais elevadas, por um período mínimo de 2 anos: sendo que o Colheita 1988 foi envelhecido em cascos de carvalho americano durante 25 anos (no 4.º andar até 1991; no 2.º andar até 1993; no 1.º andar os restantes 20 até ao engarrafamento); o Madeira deve ser conservado de pé e não deitado; o Madeira, depois de aberto, pode durar seis meses sem perda de qualidade, o que se deve ao envelhecimento por oxidação que sofreu...

Em suma, um excelente final de tarde com Madeiras, infelizmente não tão divulgados como claramente merecem...

Politikos, enófilo convidado

PS: Na ausência de outras fotos, usámos uma da própria Garrafeira Nacional, com a devida vénia.

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