domingo, 14 de setembro de 2014

No meu copo, na minha mesa 402 - Quinta dos Lopes 2008; Restaurante O Galeão (Lagos)

 

Já aqui tive oportunidade de falar deste restaurante, que frequento com alguma regularidade há quase 30 anos. Qualquer permanência no Algarve, mesmo que por poucos dias, em que se proporcione uma oportunidade de deslocação para Lagos, é sempre um bom pretexto para revisitar o Galeão. É um dos restaurantes que não aparecem nos roteiros turísticos (se formos ver bem, aparecem quase sempre os mesmos e muitas vezes quando lá vamos acabamos por não perceber porquê...), mas que não fica nada a dever em qualidade e em relação qualidade/preço a muitos outros muito mais badalados.

Não me vou alongar em considerandos sobre a refeição propriamente dita, pois os pressupostos enunciados aqui mantêm-se inalterados. O que vale a pena mencionar mais em detalhe, desta vez, é o vinho que foi escolhido.

Sabe-se como a produção de vinhos no Algarve andou quase desaparecida, ou pelo menos despercebida, durante muitos e muitos anos. Ouvia-se falar vagamente dos vinhos de Lagoa e pouco mais. Depois veio Sir Cliff Richard para a zona de Alcantarilha e começou a produzir alguns vinhos na sua Adega do Cantor, primeiro apenas com a marca Onda Nova, que ajudou a recolocar o nome do Algarve no mapa vitivinícola do país. Essa “onda nova” foi aproveitada por vários outros produtores, que foram surgindo (ou nalguns casos ressurgindo) aqui e ali, do Barlavento ao Sotavento, mas com maior concentração numa faixa compreendida entre Lagos e Albufeira. A pouco e pouco, os vinhos algarvios começaram a aparecer no mercado (principalmente, e ainda, nas lojas algarvias, mas paulatinamente começando a migrar para norte), e algumas marcas para além das do famoso cantor inglês começaram a ser conhecidas. Alguns projectos de enoturismo também foram aparecendo. E eis que nos vem parar à mesa, neste restaurante de Lagos, um vinho produzido na sub-região... de Lagos. Então vamos experimentá-lo!

Este Quinta dos Lopes, que acompanhou o delicioso “entrecôte café-Paris”, foi uma boa surpresa. Perscrutei a minha memória a tentar lembrar-me se já tinha provado algum vinho de Lagos, mas não encontrei nada... Que dizer deste vinho, produzido em regime de agricultura biológica apenas com Castelão, uma casta que é rainha na Península de Setúbal mas um pouco mal-amada por outras paragens?

A primeira impressão a reter é que gostei. Apresentou-se com uma boa estrutura na boca, ao mesmo tempo macio e algo aveludado, um certo caramelizado e aroma balsâmico, equilibrado no seu todo, final de persistência média a longa. O preço no restaurante não era exagerado, pelo que se presume que no mercado não deverá ultrapassar os 4 a 6 €.

Parece ser um vinho de nicho de mercado, com pouca produção, mas pelo perfil apresentado pode fazer o seu caminho. Se voltar a encontrá-lo, não lhe virarei a cara.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Lopes 2008 (T)
Região: Algarve (Lagos)
Produtor: J. Lopes - Quinta dos Lopes
Grau alcoólico: 13%
Casta: Castelão
Preço no restaurante: 9 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: O Galeão
Rua da Laranjeira, 1
7600-697 Lagos
Tel: 282.763.909
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 10): 4,5


Nota: actualização de Agosto de 2016
Este restaurante mudou de gerência, sendo agora um espaço de comida italiana. Ao fim de mais de 30 anos a frequentá-lo, o "velho" Galeão acabou.

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