terça-feira, 8 de abril de 2014

No meu copo 375 - Casal da Azenha 2010

A região demarcada de Colares tem sido teimosamente resistente ao desaparecimento, um pouco à semelhança da micro-região do generoso de Carcavelos.

Em tempos idos, algumas décadas atrás, teve a sua época de notoriedade, mas a pouco e pouco estes vinhos produzidos paredes meias com a serra de Sintra foram-se tornando cada vez mais raros nas prateleiras. Praticamente dois nomes mantiveram a região afastada do completo esquecimento: a Adega Regional de Colares e António Bernardino Paulo da Silva, um produtor sediado em Azenhas do Mar. Nos últimos anos outros produtores (re)descobriram a região e começaram a apostar na produção de vinho no célebre chão de areia. Destacam-se a Fundação Oriente e o Casal de Santa Maria.

Na época em que se encontrava vinho de Colares à venda no comércio ou nos restaurantes, os vinhos da marca Paulo da Silva passaram pelas nossas mesas em variadíssimas ocasiões. Recentemente, na minha primeira visita à garrafeira Wines 9297, para provar o Quinta do Corujão, por entre conversas diversas e dispersas fiquei a saber que o próprio Paulo da Silva tinha por lá passado e deixou umas garrafas deste Casal da Azenha de 2010. Um vinho recente mas com um rótulo ainda a lembrar tempos antigos.

O preço era apelativo, e a garrafa também. Como não sabia se aquela era exemplar único, resolvi trazê-la e não me arrependi. Num jantar de bifes, apetecia-me abrir qualquer coisa para acompanhar a carne e a curiosidade de experimentar esta quase raridade fez com que a escolha recaísse precisamente neste exemplar de Colares. Sabe-se que os vinhos de Colares costumavam primar por alguma aspereza em novos, mas que depois de amaciados se tornavam extremamente elegantes. Era essa a memória que tínhamos dos antigos vinhos de Paulo da Silva, e confirmou-se. O vinho apresentou-se muito macio na boca, elegante e suave, com um aroma profundo e exuberante. Final de persistência média a mostrar taninos macios.

Acaba por ser um vinho que de alguma forma surpreende, dado que não sabemos muito bem o que esperar dele. Já há bastantes anos que não provava um tinto de Colares, sendo que o último não o fora nas melhores condições, pelo que não tinha sido uma boa aferição para os vinhos da região. Este reencontro agradou-me bastante, e já tratei de pedir a reserva de mais garrafas do mesmo.

Dos vinhos de Colares que se pode dizer o mesmo que temos vindo a repetir acerca do Dão e da Bairrada: ainda bem que continua a haver quem faça estes vinhos diferentes, clássicos, fora de moda, para podermos beber vinhos com personalidade, estrutura, persistência e aroma, e não apenas os maçadores, monótonos e já quase insuportáveis “vinhos da moda”.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casal da Azenha 2010 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço: 4,90 €
Nota (0 a 10): 8

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