sexta-feira, 18 de outubro de 2013

1º Encontro com os Vinhos e Sabores da Bairrada 2013 (4ª parte - final)

Prova de brancos de excelência


 

Velódromo de Sangalhos, 16:00 h. O autocarro estaciona no parque e saímos apressadamente em direcção a uma porta lateral que dá entrada directa para a sala onde vai decorrer a prova de brancos de excelência. Ao comando das operações está Luís Antunes, um dos redactores da Revista de Vinhos, que conduz a prova num tom leve, simpático, descontraído e bem-disposto, bastante diferente do registo por vezes excessivamente técnico com que escreve. Dirige-se directamente aos presentes, questiona, pede opiniões, incita os presentes na prova a uma participação mais interactiva.

Em pequenas mesas fomo-nos distribuindo pela sala até esta ficar repleta, e os vinhos começaram a desfilar. 10 brancos da Bairrada, de diversos produtores e com diversos perfis, abarcando as castas mais emblemáticas da região: Bical e Maria Gomes são incontornáveis, e juntam-se o Cerceal, o Arinto, o Chardonnay, com madeira e sem madeira, com bâtonnage e sem bâtonnage, vários estilos nos vão vai passando pelos copos: Aequinoctium, Encontro 1, Filipa Pato Nossa Calcário, Frei João Reserva, Luís Pato Vinha Formal, Quinta do Ortigão Sauvignon Blanc, Quinta do Valdoeiro Chardonnay, Quinta dos Abibes Sublime, Rama Sauvignon Blanc, Volúpia...

Durante uma hora pudemos apreciar vários estilos, e em todos eles encontrámos um traço comum: frescura, boa acidez, uma envolvência na boca que pede comida, estrutura e persistência, tudo a prometer uma longevidade invulgar.

Eram 5 da tarde, e estávamos em provas praticamente desde as 11 da manhã, com um almoço de permeio. Agora finalmente íamos rumar à sala do velódromo, no piso inferior, onde decorria o festival de vinhos propriamente dito, com a presença de 32 produtores da região, desde os mais mediáticos como Aliança, Adega Cooperativa de Cantanhede, Luis Pato, Filipa Pato, Campolargo, Caves São Domingos, Caves Messias, Caves Primavera, Caves São João, Quinta das Bágeiras ou Quinta do Encontro, até outros menos badalados, como Ataíde Semedo, Casa d’Almear, Caves Arcos do Rei, Célia e Nelson Neves, Paulo Santos, Quinta da Mata Fidalga, Quinta dos Abibes, Quinta do Ortigão ou Vinícola Castelar, além de diversas empresas de sabores com produtos regionais.

Fui parando e provando aqui e ali, trocando uns dedos de conversa ali e acolá, mas o cansaço e a saturação das provas começou a fazer-se sentir. Ainda havia a possibilidade de participar no jantar “Sabores da terra”, a 35 € por cabeça, que inicialmente era um dos objectivos da viagem, mas que estava esgotado. Embora à última hora houvesse desistências e portanto abrissem vagas, considerei que já não tinha condições para mais provas nesse dia, pelo que por volta das 19 horas o meu programa terminou, abdicando do ansiado jantar temático. A solução passou por comprar umas doses de leitão na Mealhada para comer ao chegar a casa.

Deste intenso dia de provas quase em ritmo non-stop, o que fica de relevante é isto: tanto o Dão como a Bairrada, regiões esquecidas pelo grande público consumidor nos últimos 10/15 anos, estão a renovar-se e, por diversas formas – quer através das entidades oficiais, quer através de associações de produtores, quer através dos simples enófilos que promovem encontros para dinamizar e dar a conhecer o que se faz agora – a tentar recuperar o estatuto de excelência que já possuíram e sem dúvida merecem (por sinal, sempre foram as minhas duas regiões preferidas). Cada uma com um perfil muito próprio e diferenciado de todas as outras, estas são as duas regiões onde se pode apostar na longevidade, no equilíbrio e na elegância que só o tempo consegue conferir a certos vinhos. Todos aqueles que querem mais do que simplesmente beber bombas de fruta, superdoces, hiperconcentradas e hiperalcoólicas, é aqui que devem procurar a diferença em relação aos já saturantes “vinhos da moda”.

Por aquilo que se pôde ver e provar, o caminho ainda está por fazer, mas abre-se à nossa frente para ser percorrido. Assim os todos os agentes e as entidades interessadas tomem as decisões certas e puxem todos para o mesmo lado.

Kroniketas, enófilo viajante

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